Produção doméstica de carne ovina em 2009

Por Daniel de Araújo Souza (MyPoint Pro)
postado em 29/03/2010

 

A produção doméstica formal de carne ovina em 2009 superou os anos anteriores, demonstrando um crescimento firme e constante e, atingindo o patamar das 6,15 mil toneladas por meio do abate de aproximadamente 384,6 mil cabeças, conforme o Gráfico 1, considerando os dados do serviço de inspeção federal e estimativas para a inspeção estadual.

Gráfico 1 - Volume anual de abates inspecionados, em mil unidades.



Evoluindo cerca de 123% desde 2002, o volume anual de abates sob inspeção sanitária apresenta uma tendência altamente positiva, sendo um reflexo da forte demanda por produtos cárneos ovinos existente nas capitais e principais centros urbanos do país, assim como, de um incremento significativo do abate formal no Rio Grande do Sul ao longo dos últimos 7 anos.

De acordo com o Gráfico 2, o volume de abates sob inspeção sanitária (estadual e federal) em 2009 cresceu 27,7% em relação a 2008, o que garantiu um acréscimo de 1,4 mil toneladas na produção doméstica.

Gráfico 2 - Índice anual de abate ovino (2008=100)



Mantendo o padrão de anos anteriores, o Rio Grande do Sul assume a posição absoluta de maior produtor de carne ovina no país, no entanto, em relação a 2008, houve uma movimentação nas posições entre os demais Estados da Federação, o que pode ser um reflexo do ciclo produtivo peculiar à ovinocultura e/ou de um aumento ou redução real na produção do Estado (Tabela 1).

Tabela 1 - Taxa de crescimento do abate sob inspeção federal.



Como é possível observar na Tabela 1, a quantidade de animais abatidos sofreu variações substanciais na maioria dos Estados, com poucos apresentando uma variação positiva, a exemplo de São Paulo, Rio Grande do Sul, Paraná e Sergipe. No entanto, a forte retração presente nos demais Estados em 2009 não afetou negativamente a produção doméstica, tendo em vista, o crescimento de quase 58% nos abates do Rio Grande do Sul que, devido a sua elevada escala de produção, permanece como o principal produtor e fornecedor do país, como mostrado no gráfico abaixo, seguido por São Paulo, Bahia e Mato Grosso do Sul.

Gráfico 3 - Participação na produção doméstica de carne ovina, 2009.



Com uma queda de 11% no volume das importações em 2009, o incremento ocorrido na produção doméstica foi essencial para sustentar o consumo doméstico formal no patamar das 14 mil toneladas.

Acompanhando firmemente a tendência positiva da produção, as cotações para o quilo de carcaça do cordeiro, considerando a praça de Feira de Santana, Bahia, tem sustentado um processo continuo de valorização em função da crescente e firme demanda existente no mercado doméstico, o que torna-se evidente ao se analisar a variação positiva de 101,4% entre os anos de 2001 e 2009, assim como, o incremento de 10,3% na cotação nominal do cordeiro em 2009 em relação ao valor praticado no ano anterior, de acordo com os Gráficos 4 e 5, respectivamente.

Gráfico 4 - Evolução do preço do cordeiro, quilo carcaça.



Gráfico 5 - Índice anual de preço do cordeiro (2008=100).



Assim, a evolução da cadeia brasileira da carne ovina torna-se cada vez mais evidente, e a superação anual dos números é notória, mantendo o setor aquecido, em constante crescimento e com uma tendência altamente positiva a longo prazo, permitindo, com isso, a consolidação e o desenvolvimento da ovinocultura comercial em todo o país.

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Comentários:

Marcos de Queiroz Torreão

Campina Grande - Paraiba - Estudante
postado em 29/03/2010

Prezados,

O artigo é ótimo. Gostaria de receber um outro com relação à produção de caprinos.
Agradeço.

Guilherme A. Tessaro

Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Administrador de Empresas - Produtor Rural
postado em 29/03/2010

Prezado Daniel,

Referente ao número de animais abatidos no país, tem-se uma estimativa do percentual de idade destes animais (animais descarte, cordeiros) para o ano de 2008 e 2009?

Agradeço,

Daniel de Araújo Souza

Fortaleza - Ceará - Consultoria
MyPoint Pro - postado em 02/04/2010

Olá Marcos,

Obrigado pelas palavras e por sua participação!! Levarei em consideração sua proposta.

Abraços,

Daniel

Daniel de Araújo Souza

Fortaleza - Ceará - Consultoria
MyPoint Pro - postado em 02/04/2010

Olá Guilherme,

Em relação a esses dados, é difícil fazer estimativas muito precisas.

O que eu posso te dizer (estimar) baseado em uma composição generalista de rebanho ovino de corte baseado em 55% de matrizes, 5% de reprodutores e 40% de animais de recria/engorda, é que dentre os animais abatidos e/ou destinados ao autoconsumo, cerca de 65% é formado por cordeiros/borregos e 35% por animais de descarte (ovelhas, capões e carneiros).

Obrigado por sua participação.

Abraços,

Daniel

joao arnaldo silva silveira

Aracatu - Bahia - Produção de caprinos de corte
postado em 03/04/2010

Gostaria de obter informações se existe algum comentário ou projeto de um frigorifico para abater caprinos e ovinos em Vitoria da Conquista na Bahia. Sem mais, obrigado.

Roberis Ribeiro da Silva

Salvador - Bahia - IBRACO
postado em 05/04/2010

Prezado João Arnaldo Silva Silveira,


Existe o Frigorifico Pantanal em Jequié - BA, que no momento está prestando serviço de abate de caprinos e ovinos. Contactar 73 3525 7575

Daniel de Araújo Souza

Fortaleza - Ceará - Consultoria
MyPoint Pro - postado em 07/04/2010

Olá João,

Em Vitória da Conquista, apenas é de meu conhecimento um frigorífico da Vitally Foods Nordeste Ind. Com. Ltda chamado Confrigo (77 3424-8578) que abate bovinos. Não sei se eles tem pretensão de abater ovinos e caprinos.

Como o colega Roberis informou, existe o Frigorífico Pantanal em Jequié, que seria a planta mais próxima de Aracatu, ficando a 250 km de distância pela BR-116.

Abraços,

Daniel

Pedro Nobre

Belo Horizonte - Minas Gerais - Produção de ovinos
postado em 14/04/2010

Prezado Daniel,

Além da importância do registro estatistico do abate com inspeção, seu trabalho permite algumas observações muito importantes, relacionadas as dificuldade de se conseguir trabalhar dentro dos padroões de qualidade recomendáveis.

Os estados do nordeste tem um rebanho muito maior do que a fatia do bolo que lhe coube e o crescimento do abate certificado de São Paulo supera em muito a evolução de qualquer rebanho tecnicamente trabalhado. O que se pode concluir então é que está havendo o transporte de animais vivos de longas distância incluindo-se os Estados vizinhos.

Em termos de custo de produção, podemos pensar que enquanto estas carcaças não viajarem resfriadas ou congeladas, abatidas na região em que foram produzidas, não teremos condições de pensar em exportações.

Ainda praticamos custos abusivos e nosso produto ainda vai ser inacecível a boa parte da população, exceto os consumidores do frigo-mato.

O retrato do próximo ano deve indicar a necessidade de políticas publicas para incentivar o desenvolvimento do setor.

Saldações,

pedrovis

Daniel de Araújo Souza

Fortaleza - Ceará - Consultoria
MyPoint Pro - postado em 16/04/2010

Olá Pedro,

Boas observações!! Obrigado por sua participação e comentários!!!

Abraços,

Daniel

gleice kelli Ayardes de melo

Campo Grande - Mato Grosso do Sul - Acadêmica
postado em 20/04/2010

Prezado Daniel,

Gostaria de parabenizá-lo pelo artigo, pois conseguiu ser banstante informativo e bem atualizado. Gostaria de receber dados sobre o consumo da carne ovina por regiões brasileiras
Obrigada!

Gleice

Daniel de Araújo Souza

Fortaleza - Ceará - Consultoria
MyPoint Pro - postado em 23/04/2010

Olá Gleice,

Infelizmente, não dispomos de dados regionais de consumo de carne ovina.

Obrigado por sua participação!

Abraços,

Daniel

Ozeias Soares

Suzano - São Paulo - Produção de gado de corte
postado em 07/05/2010

Olá Daniel, ainda me lembro do tempo que se criavam meia duzia de ovelhas para o churrasco de final de colheita ou em ocasiões especiais (aniversários, casamentos, batizados, festa entre vizinhos etc.) Hoje, graças a engenharia genética se tornou um negócio rentável e é o momento certo da terceira ou quarta geração dos pecuaristas mostrar sua competência. Eles estudaram, buscaram informação e acreditam na tecnologia e serão os futuros barões da ovinocultura brasileira.

Abraços.

Ozeias

Daniel de Araújo Souza

Fortaleza - Ceará - Consultoria
MyPoint Pro - postado em 10/05/2010

Olá Ozeias,

Obrigado por sua participação e colocações!!!

Abraços,

Daniel

Raiany Loureiro Engelhardt

São Mateus - Espírito Santo - Zootecnista
postado em 23/10/2010

Oi Daniel, boa tarde! Fiquei com uma dúvida, esses preços são referentes a peso vivo (R$705)?

Att

Daniel de Araújo Souza

Fortaleza - Ceará - Consultoria
MyPoint Pro - postado em 25/10/2010

Olá Raiany,

Os valores se referem ao preço por quilo de carcaça (R$/kg carcaça).

Abraços e obrigado por sua participação,

Daniel

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