Banco de colostro

 

Os cabritos e cordeiros recém-nascidos possuem o sistema imunológico imaturo e incapaz de formar os seus próprios anticorpos. Além disso, os pequenos ruminantes possuem a placenta do tipo sinepiteliocorial (a circulação materna e do feto é separada) que não permite a passagem de anticorpos existentes no sangue materno para o feto. Ou seja, durante a gestação a mãe não transfere seus anticorpos (imunidade) para seus filhotes! Por isso, a ingestão e absorção de quantidades adequadas de imunoglobinas do colostro são essenciais para o estabelecimento da imunidade passiva e a sobrevivência do cabrito e do cordeiro.

Os bancos de colostro são reservas (armazéns) que podem ser criados na própria propriedade com o objetivo de armazenar o colostro retirado de cabras e ovelhas após o parto, congelando-o, para eventuais situações de falta de colostro (fêmeas com mastite, morte da matriz no parto, baixa produção, etc.). As doadoras de colostro podem ser fêmas que perderam ou rejeitaram suas crias ou que tenham alta produção e sejam de parto simples (apenas um cabrito ou cordeiro).

Figura 1 - Administração do colostro em mamadeira.



Figura 2 - Administração do colostro por sonda gástrica em neonato debilitado.



O colostro é o leite produzido nas primeiras horas após o parto: coloração amarela, denso e cremoso; rico em anticorpos e bastante nutritivo! Caso o colostro se apresente aquoso, com sangue ou grumos, deve ser descartado!

As fêmeas que serão utilizadas como doadoras devem ter boa saúde; serem livres de enfermidades como a CAE (Artrite Encefalite Caprina), brucelose, mastite, tuberculose, entre outras; de preferência serem vacidadas; e com boa condição corporal (3 a 4,5) para que o colostro seja de boa qualidade!

A higiene da coleta e do armazenamento são fundamentais para a conservação das características e qualidade do colostro. Antes de iniciar a coleta do colostro lave bem as mãos e a região do braço (até a altura do cotovelo) e faça uma boa higienização dos tetos com água morna e sabão (enxágüe bem!). O colostro pode ser coletado em fracos de vidro com tampas de rosca ou sacos plásticos grossos. Os vidros devem ser bem lavados e escaldados com água fervendo. A identificação do frasco com a data da coleta é importante para o controle do tempo de validade do colostro armazenado.

Figura 3 - Coleta de leite em frasco de vidro.



Contenha a fêmea, preferencialmente em pé, para coletar do colostro. Caso a fêmea tenha filhote(s), mantenha-os junto para evitar estresse e rejeição. A coleta deve ser realizada com calma e delicadeza para evitar traumas e lesões que poderão predispor a glândula à enfermidades.

O colostro pode ser conservado refrigerado na geladeira (1 a 4º C) por sete dias ou congelado a -20º C por um ano. A higiene da coleta e a eficiência da refrigeração irão influenciar diretamente no tempo de conservação e na qualidade desse colostro.

A forma mais correta de realizar o descongelamento do colostro para manter as suas propriedades é naturalmente em temperatura ambiente ou na geladeira. O aquecimento do colostro congelado diretamente no fogo, no microondas ou em banho maria com o fogo ligado, apesar de mais rápido, destrói as características nutricionais do colostro. O colostro também pode ser decongelado em banho maria com temperatura inferior a 55º C.

Referências bibliográficas

DOMINGUES, P.F. Manejo Sanitário de Ovinos e Caprinos. Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia, UNESP, Campus Botucatu. Disponível em:

LAMBING, In: Catskill Merino, A Sheep Farm, 2008 Disponível em: < http://www.catskill-merino.com/blog/Lambing>Pictures-amamentação. Disponível em: http://pt.photaki.com/pictures-amamentacao-p1

SOARES, C.M. Influência da ingestão de colostro na aquisição de imunidade passiva e mortalidade neonatal em cabritos da raça moxotó criados em sistemas extensivo e intensivo no semi-árido paraibano. Dissertação de Mestrado, Universidade Federal de Campina Grande, 2008.
SOUZA et al. Cuidados com cordeiros hipotérmicos. Circular Técnica da EMBRAPA, No 33, Bagé, RS, 2007. Disponível em: .

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Comentários:

Francisco Emídio Barbosa de Araújo

Porto Velho - Rondônia - Comercio de Produtos para Ordenha
postado em 30/08/2010

Drªs. Maria Angela e Carina Simionato , bom dia!

Gostei da matéria, são ótimas as informações contidas em suas dicas, tenho certeza que os criadores de ovinos e caprinos estão agradecidos. Agora pergunto, este mesmo processo não pode ser feito em bovinos?.

Aguardo sua resposta.

Obrigado

Dair Bicudo Piai

Piracicaba - São Paulo - Produção de ovinos
postado em 31/08/2010

Excelente matéria Maria Angela e Carina. Parabéns.
Tenho uma pergunta: qual é a quantidade mínima de colostro necessária para o cordeiro guaxo?

Maria Angela Machado Fernandes

Curitiba - Paraná - Doutoranda em Ciências Veterinárias pela UFPR
postado em 01/09/2010

Prezado Francisco. A idéia desse artigo é mostrar de forma prática como não é difícil armazenar o colostro na própria propriedade! Ficamos muito felizes em saber que o nosso objetivo está sendo atingido!
Esse mesmo procedimento pode ser utilizado para armazenar o colostro de bovinos, ovinos e caprinos. Lembre-se que a higiene durante a coleta e o armazenamento serão fundamentais para a preservação das características do colostro. A escolha das vacas doadoras (sem mastite, com boa condição corporal, boa produção, saudável, etc.) também é fundamental!
Boa sorte! Atenciosamente
Maria Angela

Maria Angela Machado Fernandes

Curitiba - Paraná - Doutoranda em Ciências Veterinárias pela UFPR
postado em 01/09/2010

Prezado Dair, Agradecemos seu comentário! A recomendação é que os neonatos consumam no mínimo uma quantidade de colostro equivalente a 10% do seu peso vivo. Por exemplo: um cabrito de 3,5kg deve receber 350 mL de colostro nas primeiras 24 horas. Essa quantidade pode ser dividida em 3 ou 4 refeições de 100 mL. O ideal é que o récem-nascido consuma pelo menos a metade dessa quantidade nas primeiras 12 horas de vida. Lembre-se que a absorção dos anticorpos (imunoglobinas) presentes no colostro diminuem após 6 horas do nascimento e é praticamente desprezível após 24 horas!
Atenciosamente Maria Angela

Cecília José Veríssimo

Nova Odessa - São Paulo - Pesquisa/ensino
postado em 01/09/2010

Olá Maria Angela e Carina, muito oportuna essa matéria. Gostaria de lembrar aos leitores que a maioria das mastites pode ser diagnosticada ao parto, portanto, ovelhas que não apresentem produção de leite em algum peito ou o colostro está grosso demais (consistência de maionese ou leite condensado), ou com líquido demais (parece soro de leite ou leite aguado), ou com grumos ou com sangue (e o úbere muitas vezes ainda se apresenta quente e aumentado de volume, e dolorido ao toque), é quase certo que a ovelha apresenta mastite, e, portanto, precisa ser adequadamente tratada, pois senão, poderá morrer com a mastite do tipo "gangrenosa"! Abraço aos leitores, Cecília José Veríssimo

Érique Costa

Porto Velho - Rondônia - Produção de ovinos
postado em 10/09/2010

Prezadas Maria e Carina, parabéns pelo artigo. Esse é um artigo muito importante em ovinocultura, especialmente quando se trata de rebanhos em formação (grande número de ovelhas primiparas) e rebanhos que estão em locais muito umidos ou com pouca higiene que são proprícios ao aparecimento de mastite, como destacado pela Dr. Cecília J. Veríssimo (li sua tese sobre adaptabilidade, adoro esse tema!).

Gostaria de pôr em discussão uma tecnologia que vi sendo aplicada para bovinos, a chamada "silagem de colostro", que consiste em armazenar o colostro em garrafas pet da seguinte forma:
-Ordenha-se o animal e enche a garrafa, apertando-a pelo meio para rosquear a tampa, de forma que não fique ar dentro da garrafa. Dessa forma ocorrerá fermentação láctica, sem oxigênio é claro, assim como ocorre com silagem de milho, e após isso o pH estabiliza e cessa a proliferação bacteriana e produção de lactato. O mais interessante é que esse material não precisa de refrigeração, ou seja, deve ser guardado num local fresco, sem incidência de luz solar (um depósito qualquer, sem gastos com energia !!).
Assim como a silagem de milho, ela pode ser utilizada após um período de 30 dias, onde mistura-se essa nova "massa de leite" a um volume IGUAL de água, e pode ser servido ao neonato.
Mas ainda não testei e nem achei trabalhos testando para ovinos. Não sei se as características do leite de ovelha permitem a mesma "FAÇANHA", mas é interessante testar,não? É uma pena não ter acesso fácil à laboratórios aqui em Rondônia ..rrsss ovelhas pra ordenhar e cordeiros sem mãe não me faltam kkkk

Abraço à todos.

Jaqueline Nunes da Silva

Uberaba - Minas Gerais - Estudante de Zootecnia
postado em 29/09/2010

Olá, gostaria de saber se já há alguma pesquisa sobre os parametros nutricionais ideias para a silagem de colostro tais como: proteína bruta, extrato etereo,cálcio,fósforo,materia mineral. Obrigada.

Patrícia

Lisboa - Lisboa - Portugal - Estudante
postado em 18/12/2010

Olá, tenho uma ovelha bébé que alimento artificialmente desde o nascimento (com biberon), com o leite da própria mãe.. no entanto, essa ovelha não tem fornecido leite suficiente.Precisava de comprar colostro/leite de ovelha.Em Portugal onde existem esses bancos de colostro? Ou há possibilidade de comprar via online?

Muito obrigada,

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