Fechar
Receba nossa newsletter

É só se cadastrar! Você recebe em primeira mão os links para todo o conteúdo publicado, além de outras novidades, diretamente em seu e-mail. E é de graça.

Estação de monta livre X controlada

Por Alexandre de Campos Gonçalves e Fernando Logar Seraphico Peixoto da Silva
postado em 05/03/2007

5 comentários
Aumentar tamanho do texto Diminuir tamanho do texto Imprimir conteúdo da página

 

O planejamento da reprodução influencia diretamente na viabilidade econômica de um projeto de produção de carne de cordeiro, sendo necessário levar em consideração todas as ferramentas à disposição do produtor rural visando melhorar sua eficiência produtiva e consequentemente a financeira.

Existem diversas formas de planejar a reprodução, dentre elas podemos citar a estação de monta que pode ser realizada de duas formas, livre, que consiste em os reprodutores ficarem em constante acesso às matrizes, e a controlada, onde as fêmeas são levadas até o macho.

Estação de monta livre

A estação de monta livre utilizada em um sistema de produção a pasto possui como principais pontos positivos a facilidade de manejo e o baixo custo de mão de obra.

Como ponto negativo, o alto custo de aquisição de reprodutores de qualidade é o principal entrave, pois um macho adulto cobre aproximadamente de 30 a 50 fêmeas por período, e sua vida útil na propriedade não é longa devido ao ciclo reprodutivo curto dos ovinos (filhas do reprodutor entram em reprodução com 1 ano de idade, por isso é necessário ficar atento a consangüinidade).

O custo por cobertura é alto, devido ao preço de aquisição de reprodutores comerciais de qualidade (bom acabamento de carcaça, precocidade), podendo variar de acordo com a raça do animal de 600 reais até 5000 reais (quando o objetivo é produção de carne; em caso de produção de ovinos para elite, os valores podem ser muito maiores). É, portanto necessário otimizar a utilização deste reprodutor para não encarecer o sistema.

Estação de monta controlada

No entanto, a monta controlada potencializa a utilização dos reprodutores, pois aumenta sua capacidade de cobertura para aproximadamente 250 matrizes em um sistema de produção a pasto.

O reprodutor deve ficar em um piquete pequeno e receber alimentação adequada, enquanto as fêmeas ficam pastando separadas do macho, mas em contato com os rufiões.

Para viabilizar este sistema é necessário adquirir rufiões saudáveis, que podem ser fêmeas androgenizadas ou machos (1 para cada 30 a 50 fêmeas) vasectomizados e com desvio de pênis, visando não emprenhar as ovelhas e diminuir o risco de transmissão de doenças.

É possível utilizar rufiões lanados, ou deslanados auxiliados por buçais marcadores ou untados, em seus peitos, com tintas especiais. Esses animais devem permanecer junto ao lote de fêmeas destinadas a reprodução identificando todas aquelas que estiverem em cio. Toda fêmea identificada (mancha de tinta na garupa) é então conduzida a presença do reprodutor (piquete) para ser coberta.

Ao adotar esta técnica, reduz-se o custo por prenhez e, conseqüentemente, por cordeiro viabilizando a compra de animais de qualidade superior e facilita a realização de cruzamento industrial, pois é possível ter dois machos de diferentes raças na propriedade.

Exemplo

Em uma propriedade deseja-se produzir cruzamento industrial com as raças Santa-Inês (matrizes) e Texel (reprodutor).

As fêmeas (todas identificadas com numeração específica) permanecem em um único grupo nos pastos com os rufiões (não é necessário separá-las). Após a identificação de cio elas são conduzidas cada qual a um reprodutor conforme avaliação prévia.

Objetivando assegurar a reposição de matrizes, parte das fêmeas (qualidade zootécnica superior) é colocada com o(s) macho(s) Santa-Inês. O restante das ovelhas é encaminhado para o(s) macho(s) Texel, visando produzir cordeiros com melhor desempenho e acabamento de carcaça.

Conclusão

Os dois tipos de estação de monta podem ser utilizados em fazendas de diversos tamanhos e sistemas de produção.

Cabe ao técnico responsável determinar qual é mais apropriado a realidade técnico-financeira da sua propriedade.

Saiba mais sobre os autores desse conteúdo

Alexandre de Campos Gonçalves    Piracicaba - São Paulo

colunista

Avalie esse conteúdo: (4 estrelas)

Comentários

Gustavo Fernando Ribeiro de Oliveira

Uberaba - Minas Gerais - Pesquisa/ensino
postado em 19/04/2007

Dr. Alexandre, Dr.Fernando

A estação de monta controlada realmente facilita devido o maior planejamento em periodos adequados para nascimentos, desmama consequentimento crescimento desse cordeiro, já em quando à estação de monta livre, temos uma exigência menor de mão-de-obra que ameniza no custo do proprietário.

Independente do sistema de produção do rebanho, devemos ver o custo de reprodutores, vocês realmente estam corretos em destacar o valor financeiro de um bom reprodutor, ainda mais que depois de certo de tempo devemos trocá-lo devido a consanguinidade.

Parabéns pela matéria que mostra quais sistema adotar para reprodução de um rebanho.

Jorge Junqueira Franco

Auriflama - São Paulo - Produção de gado de corte
postado em 27/04/2007

Alexandre, a estação de monta por períodos, como é feito no gado bovino, pode funcionar com ovinos, com algumas adaptações, tais como monta de 90 dias, descanço 35 dias ou menos, conseguimos alguma eficiência com esse sistema.

José Alexandre Evangelista Pedrosa

Nova Russas - Ceará - Consultoria/extensão
postado em 02/05/2007

Sou criador de ovinos mestiços deslanados nordestinos, e faço a monta livre há 5 anos, o que faciltou meu manejo. A estação compreende duas etapas: a primeira ocorre no inicio das chuvas (fev/mar) onde os carneiros ficam a campo com as matrizes; a segunda ocorre no final das águas e inicio da seca (ago/set).

Os nascimentos da primeira monta ocorrem em jul/ago, período de comida farta sem necessidade de suplementação. Os da segunda monta ocorrem em fev/mar, inicio das águas (periodo de boa comida e água) e as ovelhas com aproximadamente 35 dias estão prontas para ser enxertadas. Outra vantagen é o nascimento em um mesmo período ficando mais facil o manejo (tratamento de doenças) e prevenção.

A desvermifugação, por exemplo, é feita 3 vezes ao ano, em maio, agosto e final de dezembro, as clostridioses em maio e novembro. Outra vantagem é quando é feito a marcação dos sinais dos animais não tendo problema de "sorte" com o vaqueiro, pois os animais são uniformes.

Marcelo da Costa Leal

Salvador - Bahia - Produção de ovinos
postado em 22/04/2014

Na monta controlada quantas ovelhas podem ser levadas a um único reprodutor em um único dias visando 100% de prenhez e há necessidade de repetir o cruzamento no dia seguinte ou depois de quantas horas após o primeiro serviço?

Jaime de Oliveira Filho

Itapetininga - São Paulo - Consultoria/extensão rural
postado em 23/04/2014

Bom dia
  Um  reprodutor em condições normais poderá fazer 6 a 8 coberturas viáveis por dia dependendo do intervalo de cada cobertura,o reprodutor precisa estar com escore corporal acima de 3,5.
Quanto a um a segunda cobertura poderá ser feita dependendo da disposição da pessoa que irá fazer,mas uma cobertura é o suficiente.

Quer receber os próximos comentários desse artigo em seu e-mail?

Receber os próximos comentários em meu e-mail

Envie seu comentário:

3000 caracteres restantes


Enviar comentário
Todos os comentários são moderados pela equipe FarmPoint, e as opiniões aqui expressas são de responsabilidade exclusiva dos leitores. Contamos com sua colaboração. Obrigado.

Copyright © 2000 - 2014 AgriPoint Consultoria Ltda. - Todos os direitos reservados

O conteúdo deste site não pode ser copiado, reproduzido ou transmitido sem o consentimento expresso da AgriPoint.

Consulte nossa Política de privacidade