Fechar
Receba nossa newsletter

É só se cadastrar! Você recebe em primeira mão os links para todo o conteúdo publicado, além de outras novidades, diretamente em seu e-mail. E é de graça.

Utilizando a polpa cítrica úmida

Por Daniel de Araújo Souza
postado em 13/06/2006

38 comentários
Aumentar tamanho do texto Diminuir tamanho do texto Imprimir conteúdo da página

 

Nas regiões do país onde a citricultura é uma atividade significante, sempre há uma grande disponibilidade de bagaço de laranja na época de colheita por parte das indústrias de processamento. O bagaço de laranja in natura, o qual chamaremos aqui de polpa cítrica úmida (PCU), é utilizado na dieta dos animais das propriedades rurais circunvizinhas àquelas indústrias processadoras que não decidiram por investir no processo de secagem do bagaço de laranja para a produção da polpa cítrica peletizada.

A PCU é um subproduto que se caracteriza, sobretudo, pelo seu alto nível de umidade apresentando geralmente entre 75 e 85% de água (ou 15 a 25% de matéria seca), e pelo seu elevado teor de carboidratos fermentecíveis, os quais formam um perfil de alimento cujo adequado armazenamento é crucial para que seu uso seja satisfatório e forneça bons resultados, tanto técnicos quanto econômicos.

A elevada umidade da PCU constitui-se no principal fator limitante a sua utilização, impedindo uma participação mais substancial na dieta. No entanto, esse excesso de umidade pode ser útil quando se trabalha com certos ingredientes na ração total produzindo uma mistura mais homogênea e evitando a seleção de alimentos no cocho, assim como, para suprir os requerimentos de água dos animais, o que pode ser particularmente importante em algumas regiões do país, como o semi-árido nordestino.

A PCU pode ser utilizada na forma in natura podendo participar em até 30% da matéria seca (MS) da dieta, a depender dos outros ingredientes envolvidos, sem comprometimento de desempenho, devendo ser consumida rapidamente uma vez que os altos níveis de umidade e de carboidratos fermentecíveis a tornam um produto de fácil deterioração. Ambas características, associadas às altas temperaturas presentes em nosso país e a um tempo de armazenamento prolongado dão suporte ao crescimento de fungos que promovem a degradação aeróbia do material, comprometendo severamente seu valor nutritivo, além de poderem produzir toxinas (micotoxinas) que afetam a saúde e o desempenho produtivo e reprodutivo dos animais, assim como, podendo levar os mesmos a morte. Sendo assim recomenda-se um período de armazenamento não superior a 3 dias.


Foto 1: PCU armazenada sob lona plástica e por um período de tempo prolongado. A coloração escura, a alta temperatura do material, o odor forte e o visível crescimento fúngico são sinais do avançado estágio de deterioração.

Caso a quantidade comercializada supere a escala de consumo de 3 dias, uma alternativa seria a desidratação da PCU fazendo uso da energia solar, o que aumentaria seu período de armazenamento e permitiria uma maior taxa de inclusão na dieta devido ao menor percentual de umidade.

Uma última alternativa seria o uso da PCU na forma de silagem, no entanto, mesmo sendo possível e mesmo realizando sua pré-secagem para elevar o teor de MS a níveis mais adequados, há grandes perdas de nutrientes durante a ensilagem, e somado a isso os custos envolvidos no processo em si, a silagem de PCU pode se tornar economicamente inviável em uma grande quantidade de situações.

Contudo, e independente de sua forma de utilização, a PCU deve ser analisada economicamente antes de ser adquirida e introduzida na fazenda. Por ser um concentrado essencialmente energético e por entrar na dieta em substituição parcial ao milho, é necessário compará-la com o mesmo levando em consideração o custo da tonelada de MS, e com esse valor avaliar o custo da tonelada de proteína (PB) e energia (NDT), já que a princípio estamos pagando por nutrientes e não por água.



Foto 2: PCU armazenada de forma inadequada apresentando elevado nível de contaminação por fungos. A porção menos deteriorada deste material estava sendo oferecida a um rebanho de ovinos Santa Inês, muitos dos quais apresentavam sinais de intoxicação.

Avalie esse conteúdo: (4 estrelas)

Comentários

Mário Constantino Conczviz Menine

Chopinzinho - Paraná - Pesquisa/ensino
postado em 17/06/2006

Boa noite, parabéns pela matéria.

Gostaria de saber se existem trebalhos sobre tipos de laranjas, estágios de colheita, e sobre a porcentagem a ser misturada no processo de ensilagem.

Mário Rocha de Araújo Neto

Outro - Bahia - Estudante
postado em 19/06/2006

Já tive experiência com o uso da PCU e os resultados foram bastantes satisfatórios no que diz ao melhoramento do escore corporal de matrizes da raça Santa Inês. Porém se torna muito difícil e talvez inviável o consumo da PCU em 3 dias; já que para se obter um preço em conta é necessário fechar uma caçamba que geralmente vem com 14 ton.

O tempo de uso na nossa propriedade era de 15 dias em média. Observava-se uma crosta preta, como na foto, na superfície em contato com a lona a qual era removida e descartada.

Gostaria de saber se fazendo essa utilização da PCU por mais de 03 dias como recomendado, mesmo tendo o cuidado de retirar a parte degradada, os animais estariam correndo risco de intoxicação ou algum tipo de enfermidade.

Desde já agradeço

Mário de Araújo Neto

Daniel de Araújo Souza

Fortaleza - Ceará - Consultoria e ensino
postado em 19/06/2006

Caro Mário Menine,

Fico satisfeito que tenha apreciado o artigo. Muito obrigado!

Bem, se entendi suas questões, elas se referem basicamente às variedades de laranja. Caso minha resposta não esteja de acordo, entre em contanto.

Existe variação na PCU produzida em diferentes locais e regiões, e isso se deve tanto à variedade da fruta quanto ao tipo de processamento executado pela indústria, resultando, principalmente, em uma diferença quanto à porcentagem de matéria seca (MS, 15 a 25% na PCU). Por exemplo, a laranja Pêra é a mais comercializada no mercado doméstico, mas algumas regiões do país trabalham predominantemente com a variedade Lima. Essas diferenças podem gerar uma pequena variação na composição bromatológica, na palatabilidade e no valor nutritivo.

Os trabalhos que conheço sobre utilização de polpa cítrica na alimentação animal, em âmbito nacional e internacional, não citam variedade de laranja e não envolvem aspectos ligados à colheita e pós-colheita, apenas o uso do material após processamento.

Quanto à silagem, a PCU pode ser ensilada sozinha ou em combinação com resíduos de cereais com alta MS, ou com farelos concentrados, mas nesses casos, o custo da silagem pode ser proibitivo, devendo-se realizar uma análise econômica do processo.

Continue participando!!

Cordialmente,

Daniel de Araújo Souza

Quer receber os próximos comentários desse artigo em seu e-mail?

Receber os próximos comentários em meu e-mail

Envie seu comentário:

3000 caracteres restantes


Enviar comentário
Todos os comentários são moderados pela equipe FarmPoint, e as opiniões aqui expressas são de responsabilidade exclusiva dos leitores. Contamos com sua colaboração. Obrigado.

Copyright © 2000 - 2014 AgriPoint Consultoria Ltda. - Todos os direitos reservados

O conteúdo deste site não pode ser copiado, reproduzido ou transmitido sem o consentimento expresso da AgriPoint.

Consulte nossa Política de privacidade