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maria leticia vilela de castro

unidade animal


Enviado em 05/12/2008

há como calcular a unidade animal por área???quanto vale 1 UA de ovinos???considera o mesmo para bovinos???
e como se determmina a carga naimal de uma pastagem?

Helio Cabral Junior

Enviado em 06/12/2008

Cara Maria,

A resposta é sim, há como se fazer o cálculo. Para isso você precisa determinar a disponibilidade de forragem em base seca ( o método do quadrado é excelente para tal e usar a técnica do microondas para MS ), e usar o parâmetro de ingestão de 3% do PV em MS de forragem de muito boa qualidade.

Alguns técnicos trabalham com UAovina como se fosse a UAbovina ou seja, 450kg/PV; entretanto seria correto utilizar a UAovina convencionada em 360kg/PV ( alguns técnicos trabalham com 300kg/PV ).

A carga animal será função da disponibilidade de forragem, eficiência de pastejo e pressão de pastejo. Veja o exemplo:

Imagine um piquete com disponibilidade de 5.143kg/MS/ha de forragem no ponto ideal de pastejo, e que se tenha uma eficiência de pastejo da ordem de 70%, ou seja, 3.600kg/MS efetivamente consumidos. Se considerarmos a UAovina de 360kg/PV com ingestão de 3% do PV em MS, teríamos uma capacidade de suporte de 333 UAovina com um dia de ocupação. Isso pode ser modificado pela pressão de pastejo, pois se forem ovelhas digamos Lacaune produtoras de leite, trabalhar-se-ia com uma pressão de pastejo de 6%, ou seja, uma oferta de 6kg/MS para cada 100kg/PV/animal, que significaria uma oferta de 21,6kg/MS/UAovina.

Neste último exemplo citado ( ovelhas Lacaune ), pode-se perceber que como a oferta de forragem é cerca de 2x a ingestão prevista ( 3% ), haverá um decréscimo na eficiência de pastejo que não será mais de 70%; por isso deverão ser usados animais de categorias menos exigentes para aproveitar o restante da forragem.

Com a experiência e anotação dos dados poderá em pouco tempo se fazer uma correlação entre disponibilidade de forragem e altura do dossel, facilitando o manejo.

Uma técnica mais empirica é ir colocando animais ou retirando-os até que se alcance o consumo desejado de forragem ( altura ).

Lembrar que os números do exemplo aqui citados são arbitrários.

Cordialmente,

Helio Cabral Jr

maria leticia vilela de castro

Enviado em 08/12/2008

obrigada Hélio...queria responder outra dúvida: como você faz o teste do quadrado, e como chega ao resultado? tenho uma maneira, gostaria de saber queal é a sua? obrigada!

Helio Cabral Junior

Enviado em 08/12/2008

Cara Maria,

O teste do quadrado é bem simples: utilizando-se de armação que pode ser de metal ou PVC, com medidas de 1m de lado ( 01 m2 ) ou de 71cm de lado ( 1/2 m2 ) se arremessa aleatoriamente a mesma em uma área que seja bem representativa da média de uma pastagem em um dado piquete, cortando-se cuidadosamente toda a forragem que estiver dentro da área do quadrado rente ao solo e colocando o conteúdo em um saco plástico; este conteúdo será triturado e homogeneizado e uma amostra do mesmo será retirada para se apurar a MS ( microondas ).

Após a saída dos animais do piquete o quadrado será jogado mais uma vez e novamente a forragem dentro do mesmo será cortada rente ao solo e se repetirá o processo para apurar a MS.

A diferença do primeiro resultado ( antes da entrada dos animais ) para o segundo resultado ( após a saída dos animais ) será a quantidade de MS efetivamente consumida pelos animais; o primeiro resultado será a disponibilidade total de MS para os animais naquele dado instante e o segundo será o resíduo pós pastejo.

Deve-se anotar todos os resultados e relacioná-los à altura da forrageira na entrada dos animais bem como à altura de saida dos mesmos. Com isto após um ciclo inteiro de entrada/saída dos animais ( um ano ) você terá uma tabela extremamente confiável correlacionando altura do dossel com disponibilidade de MS do mesmo.

Alguns técnicos preferem ao utilizar a técnica do quadrado ao invés de se fazer o corte raso da forrageira dentro do mesmo, coletar a forragem fazendo uma simulação de pastejo; pessoalmente acho que assim o desvio padrão pode ser maior comprometendo os resultados.

Lembrar que o quadrado de 01m2 se destina a forrageiras cespitosas como panicuns, andropogon, etc, mas pode ser usado para qualquer forrageira; o de 1/2m2 deve ser utilizado mais nos casos de forrageiras de menor porte e com hábito estolonífero de crescimento como cynodons, etc.

Cordialmente,

Helio Cabral Jr

Daniel de Araújo Souza

Enviado em 08/12/2008

Olá Maria,

Apenas para complementar as informações do nosso amigo Hélio.

Para se comparar unidades animais entre espécies diferentes, uma forma que permite menores erros ou discrepâncias é a técnica do peso metabólico (peso vivo elevado à potência 0,75). Considerando 1 UA bovina = 450kg e ovinos com 50kg de PV, podemos notar que um animal de 450 kg de PV possui um peso metabólico (PM) de aproximadamente 97,70 kg, enquanto outro de 50 kg apresenta um PM de 18,80 kg. Dividindo 97,70 por 18,80 teremos um valor de 5,19, ou seja, onde se cria um animal de 450 kg de PV deve-se criar apenas, aproximadamente, 5 de 50 kg de PV. Assim uma ovelha de 50kg corresponderia a 0,2UA.

Como já mencionou o Hélio, a técnica do quadrado é a mais indicada para se calcular a disponibilidade de forragem em uma determinada área. Embora se possa utilizar molduras com formatos e áreas (m2) diferentes, dependendo da espécie forrageira, uma moldura quadrada com 1m2 (1,0m X 1,0m) de área serve para a maioria das gramíneas utilizadas em ovinocultura.

Apesar de um maior número de tomadas de medição (10 a 20 pontos por piquete) aumente a confiabilidade da amostragem, a nível de campo e em sistemas sob lotação intermitente, trabalha-se com 5 a 10 tomadas de medição por piquete.

Então, lança-se a moldura (de 1m2) de forma aleatória no piquete e com o auxílio de uma faca ou tesoura, corta-se o material próximo ao solo em cada um dos pontos, pesa-se, anota-se o peso da amostra e armazena. Depois, coleta-se uma amostra do material verde colhido para desidratar até peso contante, objetivando estimar o percentual de matéria seca (MS). A amostra a ser desidratada (em forno convencional ou microndas) pode ser de 500g. Para o cálculo - % MS= peso desidratado/peso verde X 100. Considerando que o peso seco foi de 100g teremos - % MS=100g/500gX100= 0,2X100=20%.

Após esse processo, é possível calcular a disponibilidade ou massa de forragem (kg MS/ha) multiplicando-se o % MS obtida pela matéria original em um hectare. Ex: MO/m2 (moldura de 1m2) = 2kg; MO/ha= 2kg/m2 X 10.000m2(1 ha)=20.000kg; Massa de forragem(MF)=20.000 x 20%(% MS) = 4.000kg MS/ha.

Outro parâmetro importante em sistemas sob lotação intermitente é o Acúmulo de forragem (AF), que pode ser calculado pela diferença entre a MF pré-pastejo e a MF pós-pastejo. Ex. MF pré-pastejo= 3.000kg MS/ha; MF pós-pastejo=1.500kg MS/ha. AF= 3.000 - 1.500= 1.500kg MS/ha. Neste caso, a AF também representa a quantidade de MS consumida pelos animais durante o período de ocupação do piquete.

Para calcular a capacidade de suporte (CS) do piquete (módulo de 8 piquetes de 1ha cada - total módulo=8ha) considere uma oferta em torno de 3,5% do peso vivo dos animais. Assim, ovinos com 50kg PV terão uma oferta de 1.75kg/dia ou 5.25 em 3 dias de ocupação. Vamos usar a AF do exemplo acima. CS=AF/oferta = 1500/5.25=285 ovinos. Então, esse piquete tem uma CS de 285 animais em 3 dias de ocupação. Esse valor de 285 animais/ha representa também a taxa de lotação instantânea (por piquete). Dividindo-se os 285 animais pela área do módulo (8 ha), teremos a TL real de 35 cabeças/ha.

Bom, espero ter contribuído.

Abraços,

Daniel

maria leticia vilela de castro

Enviado em 08/12/2008

obrigada pela explanação. Faço o teste do quadrado usando 1m². coleto a amostra, peso verde e sei quanto tem de Mat. verde no hectare. tiro uma amostra de 500 g, seco e tenho a mat. seca (peso seco/peso verde)x 100. Me corrijam se estiver errada agroa: faço uma média do peso dos animais que irão pastejar. Por exemplo, no caso de bovinos, uma média de 380 kg/animal, multiplico pelo consumo (2% peso vivo) = 380 x2%=7,6 kg/animal por dia de mat. seca.
supondo um aproveitamento de 50%, e que minha forragem deu 20 000 kg mat. verde e 20% de mat. seca. Na verdade ofereço 2000 kg / 7,6 kg/animal/dia =263 UA/ha/dia. Para saber a quantidade de animais= 450 (UA)x 263=...../380 (peso médio)= 311 animais /ha/dia.
Poderia fazer esse tipo de análise?
Fazer as anotações de entrada e saída dos animais, acompanhando durrnate todo ano também é uma ótima forma de saber a quantidade de animais na área!

Daniel de Araújo Souza

Enviado em 08/12/2008

Olá Maria,

Tudo está OK até o cálculo da TL instantânea. Na verdade você oferta 4000kg MS/ha e, com uma eficiência de pastejo de 50%, são colhidos 2000kg MS/ha pelos animais. Dividindo 2000kg MS/ha pelo consumo diário de 7,6kg MS você terá a TL inst. de 263 cabeças/ha/dia (cada uma com 380kg PV). Para transformar em UA você multiplica 263 X 380 = 99940kg (Peso total). Agora, dividindo esse valor por 450kg (1 UA), você terá 222 UA/ha/dia.

Abraços,

Daniel

maria leticia vilela de castro

Enviado em 09/12/2008

Obrigada Daniel,
poderia ter uma taxa maior de aproveitamento?até 80%, o que acha? e se investir na adubação?poderia aumentar essa taxa de lotação?

Daniel de Araújo Souza

Enviado em 09/12/2008

Olá Maria,

A taxa de eficiência de pastejo depende diretamente do nível de fertilidade do solo e dos níveis de adubação da pastagem e correção do solo.

Em sistemas sob lotação intermitente (pastejo rotacionado) o PASTEJO é manejado por meio da altura de entrada e de saída, conforme a espécie forrageira em questão. Neste ponto, a altura de entrada é constante mas a altura de saída é dependente do nível de fertilidade do solo e de adubação, de forma que plantas sob solos de menor fertilidade ou menor nível de adubação necessitariam de uma quantidade de resíduo pós-pastejo maior, uma vez que as mesmas seriam mais dependentes da reciclagem interna (nos próprios tecidos da planta) de nutrientes para promover a rebrota, o perfilhamento e a produtividade em geral.

Essa questão influencia o nível de eficiência de pastejo, tendo-se como referência a altura de saída. Por exemplo, uma pastagem de Mombaça manejada sob lotação intermitente em que se entra com 90cm e devido às condições fracas de solo, os animais saem quando ela atinge 45cm, possui uma eficiência de 50%. Já uma pastagem de Mombaça com solo corrigido, fertil e com altos níveis de adubação pode ter uma altura de saída de 30cm , atingindo uma eficiência de quase 70%. Eficiências de pastejo acima de 70% são um pouco difíceis de se conseguir a campo, mas não é impossível.

Embora haja correlação entre altura e produção de massa, a diferença entre altura de entrada e de saída é uma forma "indireta" de se medir a eficiência. O ideal seria medir a MF antes e pós-pastejo, e calcular o quanto foi aproveitado.

Certamente que se corringindo o solo, adubando e manejando bem a pastagem e o pastejo, é possível obter elevada produtividade da pastagem, que suportará altas taxa de lotação.

Abraços,

Daniel

Mario

Enviado em 21/06/2013

Como calcular área de capineira, pra 100 caprinos de P.V 45Kg?

Eliel alcantara de lara

Enviado em 08/08/2013

boa tarde!! estou iniciando uma disciplina de animais de grande porte, preciso da  ajuda de vocês. alguém  pode mandar uma tabela para calcular a unidade animal, para bovinos?
        obrigado!!!

MIQUEIAS

Enviado em 02/10/2014

BOM DIA.
OS COMENTARIOS A CIMA SAO MUITO BONS. GOSTARIA DE PERCEBER O QUE CAPACIDADE DE CARGA E ENCABECAMENTO E COMO PODEM SER APLICADOS ESTES TERMOS SUSTENTAVELMENTE NA PRATICA.

tiago granato

Enviado em 23/10/2014

boa tarde, por favor, como calculo a eficiência do pastejo? Obrigado

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