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Modificações ambientais para clima tropical

Por Lázaro Samir Abrantes Raslan e SÔNIA MARTINS TEODORO
postado em 06/07/2007

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O Brasil possui 2/3 de seu território dentro da faixa tropical, apresentando, portanto, alta temperatura e umidade, que trazem mudanças no bem-estar e no comportamento dos animais. Existem meios de reduzir a ação dos elementos climáticos e com isso melhorar o ambiente. As modificações ambientais são estratégias usadas para amenizar os problemas existentes na relação animal-ambiente, constituindo-se de processos artificiais para atenuar a ação de elementos danosos do ambiente natural sobre os animais.

Há duas classes de modificações: Primárias e Secundárias.

Modificações Primárias

São aquelas relacionadas ao invólucro, ou seja, aquelas relacionadas com o abrigo, com a instalação propriamente dita e permitem proteger os animais durante períodos em que o clima se apresenta extremamente quente ou frio, ajudando-o a aumentar ou reduzir sua perda de calor corporal.

Podem ser citadas como principais:

- a disposição das instalações em relação ao sol,
- altura do pé-direito,
- as coberturas das instalações,
- lanternins,
- sombreamento natural,
- os quebra-ventos,
- canalização dos ventos
- a utilização de ventilação natural,
- todos os tipos e dispositivos de fechamento


Figura 1. A: Disposição em relação ao sol, B: Lanternins

A disposição das instalações é importante por permitir reduzir a radiação direta e produzir maior área de sombra aos animais (Fig. 1 A). Os lanternins auxiliam na movimentação do ar dentro da instalação e possibilita maior troca de calor animal-ambiente, melhorando assim o ambiente interno e bem-estar animal (Fig. 1 B).


Figura 2. A: Sombreamento natural na parte lateral, B: Quebra-vento

O sombreamento natural lateral diminui a radiação direta dentro da instalação e sobre a cobertura, proporcionando uma temperatura mais amena aos animais (Fig. 2 A). Os quebra-ventos reduzem a velocidade dos ventos fortes e auxiliam no fechamento e sombreamento ao redor das instalações (Fig. 2 B e 3 A).


Figura 3. A: Quebra-vento, B: Canalização dos ventos e ventilação natural

A canalização dos ventos com vegetação natural auxilia no aumento da ventilação dentro da instalação, melhora o ambiente interno, e possibilita o sombreamento ao redor da construção (Fig. 3 B).


Figura 4. Direcionamento do vento com uso de vegetação natural

O direcionamento do vento possibilita diminuir a temperatura da cobertura e com isso reduzir a transmissão de calor para dentro da instalação e auxilia direcionar o vento para as aberturas laterais, aumentando a circulação de ar interna (Fig. 4).

Vê-se que as modificações primárias devem ser estudas e avaliadas antes da construção das instalações. Pois, posteriormente para se adequar às exigências dos animais torna-se muito mais difícil e caro. A produção zootécnica, de uma maneira geral, requer construções simples, projetadas de forma que permitam o condicionamento térmico natural, porém as mesmas devem ser planejadas e projetadas com antecedência.

Deve-se primeiramente avaliar alguns pontos como:

- Relevo e localização da instalação,
- Disponibilidade de água,
- Energia elétrica,
- Radiação direta,
- Chuvas e ventos.

As instalações zootécnicas serão mais eficientes se dimensionadas adequadamente, de forma a fornecer condições ambientais próximas às ideais, isso dependendo do tipo e quantidade de animais, finalidade e o sistema de manejo. Daí surge a necessidade de adaptação de instalações, com características construtivas que garantam ao animal abrigado desenvolver todo seu potencial genético, conforme cita Nããs (1998).


Figura 5: Arquivo do autor

As figuras acima mostram que com construções simples e funcionais é possível produzir e fornecer um ambiente favorável aos animais.

Portanto, as instalações devem ser racionais, com o que se conseguirá maior rendimento da mão-de-obra, boa movimentação dos insumos ou produtos finais, bom destino final dos subprodutos e conseqüentemente maiores lucros.

Modificações Secundárias

As modificações secundárias correspondem ao manejo do micro ambiente interno das instalações. Geralmente envolvem um nível mais alto de sofisticação e compreendem processos artificiais de ventilação, aquecimento e refrigeração.

Há aspectos positivos nessa classe de modificações, tais como um melhor aproveitamento de espaço físico e de mão-de-obra, apesar de maior consumo de energia e maior custo de implantação do projeto.

As modificações secundárias, contudo, devem vir apenas após esgotados todos os recursos das modificações primárias e quando se pretende aumentar a densidade de alojamento de animais.


Figura 6. Esquema de modificações secundárias que podem ser adotadas para melhorar o ambiente dos animais

A ventilação forçada possibilita uma maior troca de calor entre animal-ambiente e respostas favoráveis à climatização dos ambientes (Gráfico 1).


Gráfico 1. Troca de calor entre animal/ambiente sob ventilação natural e forçada

A disposição dos ventiladores dentro da instalação é importante para aumentar a eficiência do sistema na eliminação de calor (Fig. 12 e 13).


Figura 7. A: Sistema de ventilação positiva, longitudinal (ventilação tipo túnel), B: Sistema de ventilação positiva, transversal.

O sombreamento artificial pode ser feito com tela preta de polietileno com malha para 50, 60,70 e 90% de sombra (ideal para ovinos é 70%), em camada única sobre estrutura de madeira, sem fechamento lateral, com pé-direito de 2,80 m (p/ ovinos) e 4 a 5 m (p/ bovinos).


Figura 8. Sugestão de estrutura para fornecimento de sombreamento artificial em piquetes - Adaptada de Ferreira (2005).


Tabela 1. Médias estimadas e erros-padrão da temperatura retal (TR), e da freqüência respiratória (FR), em função do local e do período de coleta em vacas da raça holandesa.


Médias seguidas de letras maiúsculas nas colunas, e minúsculas nas linhas, diferem entre si pelo teste de Tukey a 5%. Fonte: Adaptada de Barbosa et al., 2004.

Vê-se pela tabela que o sombreamento artificial trouxe maior conforto aos animais, principalmente nas horas mais quentes do dia. Isso possibilita um melhor bem-estar animal e conseqüentemente uma maior produção e qualidade do produto final.

Ao adotar esse sistema de sombreamento artificial, é viável, primeiramente, observar alguns pontos importantes:

- viabilidade econômica do sistema,
- categoria animal e quantidade de animais,
- comportamento natural do animal,
- tipo de material utilizado e vida útil,
- localização,
- fornecer sombra a todos os animais do piquete para evitar brigas,
- fazer revisões periódicas

As modificações ambientais auxiliam, portanto, a reduzir os efeitos climáticos diretos e indiretos impostos aos animais, tornando o ambiente circundante mais propício à sua mantença, produção e reprodução. Cabe então, identificar as modificações que podem ser adotadas e planeja-las antecipadamente para que se possa calcular os custos, escolher os animais, escolher os locais e tipo das instalações, mão-de-obra e o melhor sistema de manejo a ser adotado.

A produção animal toma uma dimensão na qual "produzir apenas" não satisfaz os consumidores, eles querem algo mais, e a criação racional com bem-estar animal pode ser usada para a valorização do produto final e satisfação do mercado interno e externo.

Bibliografia Consultada

BARBOSA, O.R., BOZA, P.R., SANTOS, G.T., SAKAGUSHI, E.S. e RIBAS, N.P. Efeitos da sombra e da aspersão de água na produção de leite de vacas da raça Holandesa durante o verão. Acta Scientiarum. Animal Sciences Maringá, v.26, n.1, p.115-122, 2004.

FERREIRA, R.A. Maior produção com melhor ambiente para aves, suínos e bovinos. Viçosa - MG: Aprenda fácil, 2005.

MÜLLER, P.B. Bioclimatologia aplicada aos animais domésticos. 3ª ed. Porto Alegre - RS: Editora Sulina, 1989.

NÃÃS, I.A. Princípios de conforto térmico na produção animal. São Paulo: Ícone Editora, 1989.

RASLAN, L.S.A. e TEODORO, S.M. Aspectos comportamentais e fisiológicos de ovinos tipo santa Inês em ambiente tropical. www.farmpoint.com.br/bem-estarecomportamentoanimal . 07/05/2007.

RASLAN, L.S.A. Zona de conforto térmico e adaptação de ovinos. www.farmpoint.com.br/bem-estarecomportamentoanimal . 01/06/2007.

SILVA, R.G. Introdução à Bioclimatologia animal. São Paulo - SP: Editora Livraria Nobel, 2000.

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