Porém, sempre existe a pergunta: Qual é o melhor aditivo para a ensilagem do milho? E a resposta correta para essa pergunta é: NENHUM. A planta de milho, como já dito anteriormente, alia todos os fatores desejáveis para uma fermentação adequada.
Por outro lado, muitos trabalhos estão sendo desenvolvidos com intuito de se utilizar um aditivo que atue durante o período de pós-abertura de silagens de milho.
Trabalhos publicados em jornais científicos durante os últimos 15 anos avaliaram inoculantes microbianos em silagem de milho. Os inoculantes foram adicionados em taxas entre 1x104 e 1x105 unidades formadoras de colônia (ufc) por grama de forragem úmida. Em todos os estudos, os tratamentos controle ou tratados apresentaram boa fermentação.
A composição de nutrientes (FDN, PB, etc) foi normalmente equivalente entre controle e forragem inoculada. Em apenas um dos 12 experimentos o pH da silagem inoculada foi menor do que o controle. A média de pH dos 12 estudos para silagem controle foi de 3,83 e para silagem inoculada de 3,85.
A concentração de ácido lático foi mensurada em nove experimentos, sendo que em silagens controle foi encontrada média de 4,76% da MS e nas silagens inoculadas a média foi de 4,78% da MS. O ácido lático foi estatisticamente maior nas silagens inoculadas em apenas um experimento. Melhor recuperação de MS foi reportada em cinco estudos, sendo que a média de recuperação de MS foi de 91% para silagens controle ou tratadas.
A estabilidade aeróbica da silagem de milho inoculada (a temperatura em que a silagem começa a demonstrar sinais de deterioração aeróbia) apresenta valores inferiores à da silagem controle. Isto é devido principalmente ao tipo de microrganismo utilizado como inoculante. Inoculantes heteroláticos são utilizados para este propósito, os quais produzem durante a fermentação ácidos fracos, como é o caso do ácido acético. Dessa forma, durante o período de pós abertura esses ácidos impedem o crescimento de fungos filamentosos e leveduras, os principais deterioradores de silagem.
Na Figura 1 pode-se observar que em silagens de milho tratadas com aditivos microbianos o tempo para alcançar a temperatura máxima foi maior para os aditivos T3 e T4, sendo que os mesmo apresentaram menor temperatura máxima.

Figura 1. Tempo para máxima temperatura e temperatura máxima alcançada durante os dez dias de estabilidade aeróbia. (Zoppollato et al., 2009).
(T1: tratamento controle; T2: tratamento com Lactobacillus buchneri, T3: tratamento com Propionibacterium acidipropionici e T4: tratamento com associação de L. buchneri e P. acidipropionici)
O desempenho de animais alimentados com silagem inoculada é muito pequeno. Em um deles não foram encontradas diferenças em produção de leite, composição do leite ou consumo de MS entre vacas tratadas com silagem inoculada ou não (a silagem compreendia 55% da MS alimentar e nenhuma outra forragem foi fornecida).
Três estudos examinaram o efeito de inoculantes em animais em crescimento, sendo que em estudo a silagem de milho inoculada promoveu maior consumo de MS, ganho de peso similar, e menor eficiência de alimentação do que o uso da silagem controle. Nos outros dois estudos não foi encontrada diferença entre silagem de milho inoculada ou não.
A maioria dos trabalhos publicados mostra que a inoculação da silagem de milho tem pouco efeito na fermentação, perdas de MS e no desempenho animal. A inoculação com bactérias heteroláticas pode auxiliar na melhoria da estabilidade aeróbia das silagens, porém este caso, na maioria das vezes, é solucionado com dimensionamento correto de silo e adequado manejo de retirada.












Maria Regina Ferretto Flores
Bento Gonçalves - Rio Grande do Sul - Produção de caprinos de leite
postado em 16/03/2010
Nenhum inoculante com concentrações de 10e4 ou 10e5 vai ter desempenho satisfatório, mas de maneira nenhuma isto quer dizer que inoculantes não funcionam. A forragem leva, em média, 10e5 UFC/gr de bactérias selvagens, homo e heteroláticas. Se quisermos predominar com homoláticas e baixar o mais rápido possível o pH, deveremos entrar com uma contagem de, no mínimo, o dobro da flora selvagem. Isto está muito claro na pesquisa, é só respeitar os dados da pesquisa sobre quantidade de UFC/gr de forragem são necessárias para termos maior preservaçãop do valor nutritivo.
O que importa, aqui, é em quanto tempo baixamos de pH 6,0-6,5 para menos de 4,5. Enquanto o pH estiver acima de 4,5 coliformes e clostrídios estarão se desenvolvendo e consumindo energia e proteínas, e se inativam abaixo de 4,5. Bactérias homoláticas produzem 2 moléculas de ácido lático por molécula de glicose ou fritose, sem perda de nenhum carbono.
Conclusão: quanto menos tempo levarmos para baixar o pH, maior será a preservação de valor nutritivo.Eu abri um silo meu de milho planta inteira depois de 36 horas de fechado, há alguns dias atrás e estava com 3,8 de pH e foi servido desde este momento ao meu rebanho. Quantidade bactérias por grama de silagem que usei? 320.000UFC/gr (ou 3,2 x 10e5) de forragem. E tem diferença!! E não é pouca. Faço isto há 18 anos e tenho muitíssimas análises mostrando a diferença.
Agora: estabilidade aeróbica não se consegue com bactérias láticas, já que elas se inativam a pH abaixo de 3,2 e fungos e leveduras se inativam abaixo de pH 2,0.
A solução, aqui, é usar bactérias formadoras de ácidos organicos de cadeia curta, que têm atividade fungistática, desde que nas concentrações necessárias para produzir o teor de ácido suficiente para funcionar como fungistático. No nosso país temos a opção de bactérias formadoras de ácido propionico, ou acético.Quando a silagem necessita de mais estabilidade aeróbica, devemos recorrer a este tipo de formulação.