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Depreciação deve ser considerada como custo de produção?

Por Carina Barros e Maria Angela Machado Fernandes
postado em 15/04/2010

6 comentários
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Quando se decide calcular o custo de produção surgem diversas dúvidas como quais itens considerar, que critérios/taxas usar, entre outros. Neste artigo objetiva-se falar sobre a depreciação para esclarecer as principais dúvidas sobre o assunto.

Em primeiro lugar, o que é depreciação?

A depreciação é a perda de valor dos bens que pode ocorrer por desgaste físico, devido à ações da natureza ou pelo próprio uso, ou obsolência também chamada de depreciação econômica devido à inovações tecnológicas. Pode ser chamada de depreciação real ou econômica quando não é utilizada para fins contábeis.

O valor de depreciação deve ser uma reserva contábil da empresa para gerar fundos que irão possibilitar a substituição dos fatores produtivos no final de sua vida útil, ou seja, será reposto quando não tiver mais capacidade de uso ou ficar obsoleto. Dessa forma, a depreciação deve ser encarda como custo operacional na empresa, portanto deve sim constar na formação do custo total de produção.

Como o valor de depreciação é um custo dito não-caixa, ou seja, não apresenta desembolso imediato, muitos não o "enxergam" como custo. No fim de um ano produtivo não há saída desse dinheiro do caixa, mas tem valor significativo no custo de produção. Teoricamente esse valor deveria ser poupado para comprar outro fator de produção semelhante quando esse chegar no fim de sua vida útil.

O que sofre depreciação?

Todos os bens físicos sujeitos a desgaste por uso, causas naturais ou obsolência. No caso das propriedades rurais, há depreciação de:

- benfeitorias: casa do proprietário, do funcionário, aprisco, galpão, depósito, cercas;
- máquinas e equipamentos: veículos, tratores, balança, roçadeira, misturador de ração;
- semoventes: animais selvagens, domesticados ou domésticos;
- pastagem.


Em termos contábeis

O cálculo da depreciação deve seguir as diretrizes impostas pelo Governo por meio da Secretaria da Receita Federal (Parecer Normativo número 18 de 1979; RIR/99, art. 305). Não é obrigatório o uso da depreciação na contabilidade, entretanto, deve ser utilizada porque auxilia na redução dos valores a serem tributados.

Na prática, quanto mais depreciado estiver um bem na empresa, menos imposto será pago sobre ele. Um exemplo fácil para perceber como atua a depreciação é pensar no pagamento de IPVA, a cada ano o imposto fica menor porque o valor do veículo decresce anualmente devido à depreciação.

Alguns exemplos para fins contábeis podem ser obtidos no Anexo da Instrução Normativa da SRF nº 162, de 31 de dezembro de 1998

Neste artigo serão discutidos os aspectos da depreciação na formação do custo de produção, não tendo como objetivo discutir as questões contábeis. Dúvidas sobre essa área podem ser solucionadas no site da Receita Federal ou por especialistas da área.

Como calcular a depreciação?

A depreciação pode ser calculada por diferentes métodos, nós escolhemos dois, que são os mais comuns, para serem exemplificados.

1) Método linear

É uma forma bastante simples de calcular a depreciação, pois a considera de forma linear, ou seja, o bem deprecia ao longo de sua vida útil de modo constante. Para isso é necessário conhecer três variáveis que permitirão o cálculo:

- valor inicial;
- valor final;
- vida útil.

A fórmula é a seguinte:

Depreciação = (valor inicial - valor final)/(vida útil)


O valor inicial corresponde ao valor do bem novo ou o valor pelo qual o bem foi adquirido no caso de ter sido comprado usado.

O valor final é o valor do bem no fim de sua vida útil, também chamado valor residual ou valor sucata. Esse valor pode ser encontrado em tabelas disponíveis em obras especializadas para agropecuária. Abaixo, mostraremos alguns exemplos.

A vida útil é o tempo que o bem pode ser usado para desempenhar sua função, quer dizer que tem utilidade econômica, e pode ser contabilizado em horas ou anos. Se o bem em questão é novo utiliza-se a vida útil total, se já é usado deve-se considerar a vida útil do momento atual até o fim de seu uso. Referências desse valor também estão disponíveis em tabelas. É importante salientar que para compor a vida útil deve-se considerar tempo de uso, intensidade de uso, obsolência e custos de conservação e reparos.

Na Tabela 1 encontram-se exemplos de valores de referência para valor residual e vida útil de alguns bens.

Tabela 1 - Valor residual e vida útil total.



As tabelas disponíveis servem de referência, entretanto, o administrador deve fazer uma avalição da propriedade a fim de avaliar todos os fatores de produção e determinar valores específicos para cada caso. Em alguns casos, os valores de tabelas podem não ser adequados para determinadas propriedades conforme for a intensidade de seu uso e sua conservação, e as adaptações devem ser realizadas.

É importante ressaltar que embora haja uma estimativa de vida útil teórica, pode ser que ao fim desse período o fator de produção ainda tenha condições de uso. Nesse caso, deve-se nesse ponto fazer uma reavaliação para atribuir novo valor e reinciar o cálculo de depreciação.

2) Método de porcentagem anual constante

Pode-se também estabelecer o valor do fator de produção, e sobre esse utilizar uma taxa anual de depreciação conforme exemplos na Tabela 2. Esse método é empregado para cáculo da depreciação contábil.

Tabela 2 - Vida útil e taxa anual de depreciação.



Note que nesse caso há necessidade de reavaliação anual dos valores dos fatores de produção. A cada ano o fator reduz seu valor, deprecia, e isso deve ser considerado.

Aspectos gerais da depreciação

- Quanto maior o investimento, maior será o valor da depreciação;

- Somente o proprietário do fator de produção tem custo com depreciação, portanto, não se deve imputar depreciação sobre máquinas e equipamentos alugados ou em sistema de leasing;

- Quanto maior o uso de um fator de produção, maior será sua depreciação, já que sua vida útil será menor;

- Quanto maior for a tecnologia empregada num fator, maior será sua depreciação devido à novas tecnologias que surgem e levam à obsolência mais precocemente. É o caso de computadores;

- Teoricamente, quanto maior forem os cuidados com os fatores produtivos e o investimento em conservação e reparos, menor será o valor da depreciação. Entretanto, na prática administrativa considera-se um valor fixo de depreciação independente da conservação por ser muito difícil estabelecer uma correlação.

Exemplos práticos

Exemplo 1 - Depreciação de um galpão de madeira pelo método linear

Vamos calcular a depreciação de um galpão cujo valor inicial é de R$ 15.000 pelo método linear.

Na tabela 1 há referências de valores, adotaremos um valor residual de 20% do valor novo e uma vida útil de 20 anos.

O primeiro passo é calcular o valor residual.

Valor residual = 20% de R$ 15.000 = R$ 3.000,00

Depreciação = (valor inicial - valor final) / vida útil

Depreciação = (15.000 - 3.000) / 20 = R$ 600,00

Portanto, a deprecição a ser considerada é R$ 600,00 por ano.

Exemplo 2 - Depreciação da pastagem

A depreciação da pastagem pode ser calculada por meio da divisão do seu custo de formação por sua vida útil.

Para formação de um hectare de pastagem de capim Tanzânia gasta-se R$ 880,39, segunado a Plano Consultoria. Se considerarmos uma área de 10 hectares, teremos um custo de formação dessa área de R$ 8.803,90. A vida útil estimada dessa área formada será de 20 anos.

Dessa forma, R$ 8.803,90 dividido por 20 anos resulta numa depreciação anual de R$ 440,20.

Lembre-se de que esse item é muito peculiar, cada propriedade deve considerar seu próprio custo, pois diferenças no solo, fertilidade acarretarão em grandes diferenças de custo, bem como o manejo imposto vai determinar a vida útil, que pode ser superior ao exemplo.

Exemplo 3 - Depreciação de uma roçadeira

Vamos calcular a depreciação de uma roçadeira cujo valor inicial (novo) é de R$ 5.500,00 pelo método de porcentagem anual constante. Observe na Tabela 2 que a estimativa é de vida útil de 10 anos e taxa anual de deprociação de 10%.
Dessa forma, vamos apresentar abaixo o cálculo.

Tabela 3. Cálculo de depreciação de roçadeira pelo método de porcentagem anual constante.



Veja que no ano 0, que é o ano em que a roçadeira foi adquirida, não há depreciação, já no ano 1 foi calculada a depreciação anual = 10% x saldo a depreciar (nesse caso, o valor novo).

No ano 2, o saldo a depreciar já foi menor, visto que o equipamento desvalorizou e seu valor para base de cálculo da depreciação passou a ser R$ 4.950,00, portanto a depreciação no ano 2 foi R$ 495,00.

Considerações finais

Observa-se que o cálculo da depreciação não é prática comum e isso pode acarretar em errôneos cálculos de custo de produção. Ao não se considerar o valor de depreciação e não se fazer essa reserva contábil corre-se o riso de ao fim da vida útil do fator não haver capital necessário para repor o fator produtivo. Se não há receita suficiente para cobrir os custos de depreciação, os fatores de produção estão sendo sucateados.

A depreciação pode e deve ser utilizada como ferramenta auxiliar na tomada de decisão para substituição, aquisição e seleção de fatores de produção.
Portanto, todos devem considerar o valor da depreciação no seu custo de produção!

Deixe sua opinião sobre o tema: Você já tinha pensado nisso? Calcula seu custo de depreciação?


Referências bibliográficas

CANZIANI, J. R. F. O cálculo e a análise do custo de produção para fins de gerenciamento e tomada de decisão nas propriedades rurais. Material didático. 2001.

COSENTINO, R. Depreciação de máquinas agrícolas. Tese de Doutorado. ESALQ/USP

DELLA GIUSTINA, J. S. Um sistema de contabilidade analítica para apoio à declsões do produtor rural. 1995. Disponível em: http://www.eps.ufsc.br/disserta/giustina/indice/index.htm#index

Instrução Normativa SRF nº 162, de 31 de dezembro de 1998. Disponível em: http://www.receita.fazenda.gov.br/Legislacao/Ins/Ant2001/1998/in16298ane1.htm

NORONHA, J. F.Planejamento Agropecuário. Atlas, 1981

PLANO CONSULTORIA. Custo de formação de pastagem. Disponível em: http://www.planoconsultoria.com.br/site/custos.html

SANTOS, G. Administração de Custos na Agropecuária.

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Comentários

Francisco Emídio Barbosa de Araújo

Porto Velho - Rondônia - Comercio de Produtos para Ordenha
postado em 16/04/2010

Drª. Carina, gostei muito dos esclarecimentos sobre depreciação, fala-se muito sobre o assunto porém ninguém contabiliza, muitos não sabem ou não querem acreditar que exista esta ferrugem em nossos bolsos, muitas vezes também não temos orientação de nossos contadores de história, acredito que seja um percentual muito pequeno de agricultores ou produtores rurais que se dão conta do prejuízo que tomam anualmente. Creio eu que a partir deste artigo muita gente vai abrir os olhos e cobrar dos seus contadores para evitar grandes perdas. Parabéns pelo excelente esclarecimento.

Carina Barros

Osasco - São Paulo - Ensino/extensão
postado em 16/04/2010

Prezado Francisco Emidio Barbosa de Araujo,

Muito obrigada!

Realmente muitos não querem enxergam a depreciação e não a incluem nos seus cálculo, dessa forma, só verão o resultado quando começa o sucateamento do fatores de produção. É muito importante incluir sim nos cálculos sempre, pois nota-se que esse valor é significativo na composição do custo total de produção, como já apresentamos em artigos anteriores de custo!

Henrico Dinapolli

Santa Maria - Rio Grande do Sul - Produção de ovinos
postado em 16/04/2010

Olá Carina, boa tarde.

Ótimo artigo o seu. Eu calculei poucas vezes a depreciação dos bens da minha propriedade, mas, lendo sobre a importância dessa ferramenta, com certeza atualizarei as minhas planilhas e voltarei a ativa!

Obrigado pelas informações importantes.

Carina Barros

Osasco - São Paulo - Ensino/extensão
postado em 20/04/2010

Prezado Henrico Dinapolli,

É isso mesmo, comece a incluir a depreciação! No começo esse valor pode até assustar e vai ser mais difícil vê-lo como um custo de produção, mas deve ser considerado sempre!

É importante ressaltar que a depreciação entra nas avaliações, mas ela não entra no fluxo de caixa, pois nesse só entra o dinheiro que efetivamente sai! Tem que cuidar para não confundir, ok!

Sucesso

Alda Lúcia Gomes Monteiro

Curitiba - Paraná - Pesquisa/ensino
postado em 29/04/2010

Carina e Angela, parabéns pela iniciativa e qualidade do artigo. Ficamos muito felizes quando vemos que os ex-alunos do LAPOC/UFPR estão dando frutos para a sociedade!! Abraço, Profa. Alda Monteiro (Coordenadora Orientadora do LAPOC/UFPR)

jose vitorio candido filho

São Paulo - São Paulo - Estudante
postado em 17/11/2012

gosto muito é muito detalhado as explicações.
mais eu continu com a duvida.
será que vcs podem me ajudar?
eu gostaria de saber o que acontece com a empresa que deixa de calcular a depreciação de equipamentos e no DRE a conta é Zero.

se poderem me responder podem me mandar via e-mail, pois esta resposta é para um trabalho na fac.

aguardo resposta.

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