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Suplementação mineral para borregas na recria - Custos

 

No artigo Suplementação mineral para borregas na recria (29/10/2010) falamos sobre a importância da suplementação mineral e das formas de fornecimento da mesma no ganho de peso de borregas Suffolk em fase de crescimento em confinamento. Para relembrar, realizamos quatro tratamento em experimento no Laboratório de Produção e Pesquisa em Ovinos e Caprinos (LAPOC-UFPR). Quatro formas de suplementação mineral foram realizadas por meio dos tratamentos:

(T1) 2% suplemento mineral no concentrado farelado mais suplemento mineral à vontade no cocho;
(T2) 2% de suplemento mineral apenas no concentrado farelado;
(T3) suplemento mineral apenas no cocho;
(T4) sem nenhum tipo de suplementação mineral.

Para todos os tratamentos, a dieta total foi calculada para suprir as necessidades dos animais segundo o NRC (1985):

60% de feno de alfafa (volumoso) + 40% de ração concentrada (concentrado).

Seguem as tabelas com a composição da dieta.

Tabela 01 - Composição do concentrado com suplemento mineral.



Tabela 02 - Composição do concentrado sem suplemento mineral.



Tabela 3 - Composição bromatológica do concentrado e do feno de alfafa.



Já vimos no artigo anterior que o fornecimento do suplemento mineral em concentração de 2% no concentrado, garantiu sua ingestão, e associado à disponibilidade do suplemento a vontade no cocho, maximizou o desempenho das borregas.

Gráfico 1 - Peso médio (kg), por semana, dos quatro tratamentos durante o período experimental.

Clique na imagem para ampliá-la.

*Tratamentos: 1= suplemento mineral no concentrado ração e à vontade no cocho, 2 = somente suplemento mineral no concentrado; 3= ração sem suplemento mineral, porém comsuplemento mineral à vontade no cocho e 4 = sem nenhum fornecimento de suplemento mineral.

Consumo de Matéria Seca

O consumo de matéria seca é apresentado na Tabela 4.

Tabela 4 - Médias de consumo de matéria seca (kg) por animal de borregas Suffolk recebendo diferentes quantidades de suplemento mineral.


*1= suplemento mineral no concentrado e à vontade no cocho, 2 = somente suplemento mineral no concentrado; 3= ração sem suplemento mineral, porém com suplemento mineral à vontade no cocho e 4 = sem nenhum fornecimento de suplemento mineral. Médias na mesma coluna seguidas de letras distintas diferem estatisticamente (P<0,05) pelo Teste Tukey.

A dieta foi ajustada semanalmente através do peso médio do lote, segundo o NRC (1995). Conforme a tabela 4, não houve diferença significativa (p>0,05) entre os quatro tratamentos para consumo de matéria seca por animal. Ou seja, o suplemento mineral melhorou o desempenho dos lotes (1, 2 e 3) nos quais houve suplementação mineral. Ou seja, apesar de consumirem a mesma quantidade de MS, o lote que não recebeu suplemento mineral (4) teve ganho de peso inferior aos demais. Por tanto, apesar dos quatro tratamentos receberem a mesma dieta, a falta de suplemento mineral limitou à máxima expressão do potencial de produção (ganho de peso) dos animais do lote 4.

Estes resultados concordam com MCDCWELL et al. (1983) que observaram que bovinos e ovinos em pastagem com deficiência mineral apresentam menores produtividades do que outros localizados em pastagens deficientes de energia e proteína.


Consumo de Suplemento Mineral


Tabela 5 - Médias de consumo de suplemento mineral no concentrado (CSR) por animal, médias consumo de suplemento mineral no cocho (CSC) e consumo total de suplemento mineral de borregas Suffolk recebendo diferentes quantidades de suplemento mineral.


*1= suplemento mineral no concentrado e à vontade no cocho, 2 = somente suplemento mineral no concentrado; 3= ração sem suplemento mineral, porém com suplemento mineral à vontade no cocho e 4 = sem nenhum fornecimento de suplemento mineral.

Os animais do tratamento 4 não ingeriram suplemento mineral. Os tratamentos 1 e 2 consumiram, em média, a mesma quantidade de suplemento mineral no concentrado (13,23 g/dia). Porém, o tratamento 1 tinha a disponibilidade de suplemento mineral no cocho, com um consumo médio diário de 32,07g por animal. Já o tratamento 3, recebeu apenas suplemento mineral no cocho, com média de consumo diário de 40,97g por animal.

É possível verificar que o consumo de sal dos tratamentos 1 e 3 que possuíam disponibilidade de suplemento mineral à vontade, foi semelhante (45,299g e 40,977 g, respectivamente) e superior ao tratamento 3 (13,299g).

Custo

Como o consumo de matéria seca foi igual para os tratamentos, a diferença observada no custo de alimentação deve-se ao consumo de suplemento mineral somente. Como nosso objetivo é apenas mostrar a diferença de custo no suplemento e da receita com vendo de animais, e não uma análise econômica completa elaboramos a Tabela 6.

O tratamento 4 não recebeu nenhum tipo de suplementação mineral, portanto, é o tratamento controle e o custo com alimentação refere-se somente ao feno e concentrado. Por isso, na coluna 3 e 4 da Tabela 6 fizemos o cálculo do custo de alimentação do tratamento com o suplemento menos o custo daquele sem suplemento (trat 4). Da mesma forma fizemos esse cálculo para receita. Sendo assim, as colunas 3 e 4 da Tabela 6 correspondem à diferença entre o tratamento daquela linha e o tratamento 4.

Tabela 6 - Diferenças entre consumo de sal e peso final das borregas.


*1= suplemento mineral no concentrado e à vontade no cocho, 2 = somente suplemento mineral no concentrado; 3= ração sem suplemento mineral, porém com suplemento mineral à vontade no cocho e 4 = sem nenhum fornecimento de suplemento mineral. Alimentação corresponde ao feno + concentrado + suplemento mineral nos tratamentos em que estava presente.

Na quarta coluna tem a comparação da receita-custo daquele tratamento com o 4 que era sem uso de suplemento mineral.

Observe em relação ao tratamento 4 compensou investir em suplementação concentrada, pois o o custo gerado com essa suplementação foi menor que a receita obtida. No Gráfico 2 fica mais fácil visualizar as diferenças.



Observe que a terceira barra representa o lucro, que foi maior no tratamento com suplemento mineral no concentrado e a vontade no cocho.

Considerações finais

Complementando o artigo anterior...

"O fornecimento do suplemento mineral em concentração de 2% na ração concentrada, garantiu sua ingestão, e associado à disponibilidade do suplemento ad libitum no cocho, maximizou o desempenho das borregas e proporcionou maior lucro em relação ás outras formas de suplementação".

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Comentários:

Mauricio Brazileiro

Salvador - Bahia - Gerência/Consultoria/extensão
postado em 06/12/2010

Interessante o artigo! Parabéns! Na oportunidade, gostaria de saber se se aplica à ovinos Dorper e Santa Ines criados no nordeste do Brasil. Grato pela atenção.

Cecília José Veríssimo

Nova Odessa - São Paulo - Pesquisa/ensino
postado em 21/12/2010

Olá, parabéns pelo artigo.

Gostaria de saber se vcs observaram o OPG dessas borregas.

No dia a dia de um confinamento de borregas notei que borregas que só recebiam o sal no concentrado apresentavam sintomas de verminose (papeira), e depois que o sal foi também disponibilizado `a vontade no cocho (além do que recebiam no concentrado), os sintomas desapareceram (e essas borregas eram da raça Santa Inês!).

Sabemos da importância da mineralização na resistência do animal à verminose, principalmente na situação atual, em que os vermífugos não são mais tão eficazes, é importantíssimo manter qualquer categoria de ovinos ou caprinos com minerais (sal mineral próprio para ovinos, pois sal de bovinos quando dado para ovinos causa intoxicação devido ao alto teor de cobre)`a vontade e sempre disponível!

Gostaria que comentassem,
Obrigada,
Abraço a todos,
Cecília

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