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Alimentação de ovinos criados em sistema intensivo - concentrados

Por Ingrid Monteiro Medina e Andressa Natel
postado em 15/02/2011

42 comentários
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Os concentrados são denominados os ingredientes de elevado teor energético ou proteico utilizados como complemento das dietas volumosas. São concentrados energéticos o milho e outros cereais (aveia, trigo, arroz), os altamente proteicos os farelos de soja, de algodão e de girassol, e os de valor proteico inferior os farelos de trigo e arroz.

Concentrados energéticos

Milho grão: Excelente fonte energética por ser rico em amido. Possui baixo teor de proteína e cálcio, moderado de fósforo, devendo ser combinado com farelos de oleaginosas para compor rações com adequado teor proteico.



Rolão de milho (milho desintegrado com palha e sabugo): Apresenta valor energético e proteico inferior ao milho-grão devido a presença do sabugo e palha.

Polpa cítrica: possui valor energético similar ao do milho e pode substituí-lo integralmente em rações para ovinos. Deve ser utilizada quando apresentar preço de até 85% do milho. Possui elevado teor de cálcio e baixo de fósforo e proteína. Deve ser armazenado adequadamente, pois absorve umidade com facilidade, o que leva a proliferação de fungos e bolores prejudiciais aos animais.

Mandioca raiz: Bom valor energético, mas pobre em proteína e minerais. Pode ser utilizada para compor a dieta em até 30%, ou até 1,5-2kg de raiz úmida/animal/dia para ovelhas de 60kg. Deve ser fornecida picada, devendo os animais serem previamente adaptados ao seu consumo, iniciando com um terço da quantidade que se desejar fornecer e aumentar progressivamente até atingir o máximo em sete a dez dias. Pode ser armazenada na forma seca: picar em pedaços pequenos ou em raspas e secar em terreiro; ou na forma de ensilagem, não necessitando de aditivos.

Concentrados proteicos

Farelo de soja: é uma das melhores fontes proteicas utilizadas na alimentação de animais domésticos. Possui 45 a 47% de proteína bruta. Deve compor preferivelmente rações para cordeiros (creep-feeding e confinamento), devido seu preço elevado.



Farelo de algodão: Fonte proteica de boa qualidade para ruminantes, utilizado para todas as categorias, inclusive machos reprodutores, pois apresenta-se detoxificada. No comércio pode ser encontrada com 28 ou 38% de proteína bruta.

Farelo de trigo: Possui teor proteico médio (16%) e maior teor de fibra que as demais fontes proteicas. É excelente fonte de micro-elementos minerais, como selênio, zinco e outros. Possui elevadíssimo teor de fósforo e desta maneira não deve ser utilizado em grande quantidade, máximo de 20-25% da ração concentrada, pois a ingestão elevada de fósforo pode causar a urolitíase obstrutiva (cálculos na uretra), principalmente em machos.

Ureia: É uma fonte de nitrogênio-não-proteico que pode ser convertido, pelos microrganismos ruminais, em proteína microbiana e ser, assim, aproveitada pelos animais. Deve ser direcionada, preferivelmente para animais adultos, com grande capacidade de fermentação ruminal, como ovelhas e animais em fase final de crescimento. Pode compor rações a base de cereais, como milho, trigo ou cevada, ou ainda polpa cítrica, na proporção de 1% e no máximo 2%. Pode, ainda, ser utilizada para aumentar o teor proteico de volumosos úmidos, como silagem de milho ou sorgo, cana-de-açúcar, na quantidade de 1%.

Também pode ser utilizada com fenos de qualidade inferior, palhas em geral e pastagens pobres a fim de melhorar seu aproveitamento pelos animais. Pode-se, neste caso, preparar mistura de 2 partes de sal mineral e uma de ureia e deixar disponível em saleiros. Animais adultos, quando já adaptados podem consumir até 0,5 g/kg de peso vivo/dia. Consumo excessivo (10g de uma só vez), por animais não adaptados, pode levar a intoxicação por amônia. Os sintomas de intoxicação por consumo excessivo de ureia são salivação excessiva, incoordenação motora e levando a óbito. O fornecimento de uréia deve ser acompanhado da utilização de fonte de enxofre (S), na quantidade de 10 partes de N para uma de S (flor de enxofre, sulfato de amônio ou de cálcio), dessa maneira podemos utilizar 8 partes de ureia para duas de sulfato de cálcio ou uma parte de sulfato de amônio. Não deve ser utilizado para cordeiros desmamados precocemente até 90 dias.

Soja em grão: Apresenta elevado teor proteico e energético; contudo devido ao seu elevado teor de óleo e presença de princípios não nutritivos tem seu consumo restrito. Animais adultos podem receber até 20% da dieta total (MS), ou até 400-500g dia/ovelha.

Caroço de algodão: Como a soja grão, tem bom valor energético e proteico, rico em óleo e com presença de substâncias tóxicas. Jamais fornecer para machos reprodutores, pois possui elevado teor de gossipol, que pode causar infertilidade. Pode ser utilizado em quantidades moderadas para ovelhas e borregas, na quantidade de 200-500g/dia, por períodos não muito longos para se evitar problemas hepáticos devido ao gossipol.

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Comentários

Julio Erasmo Reich

Querência - Mato Grosso - Produtor de ovinos
postado em 15/02/2011

Olá Ingrid e Andressa, boa tarde. Gostaria de saber sobre a utilização de cevada na dieta de ovinos. Vocês possuem algo neste sentido? Informações nutricionais, trabalhos e resultados? Perto da minha propriedade há um indústria de cerveja e sobra muitos resíduos. Gostaria da ajuda de vocês. Abraços e obrigado

Andressa Natel

Barueri - São Paulo - Pesquisa/ensino
postado em 16/02/2011

Prezado Júlio Reich,

O resíduo de cervejaria ou resíduo de cevada é um subproduto agroindustrial encontrado em grande abundância, em baixo custo e sem problemas com sacionalidade, que pode ser utilizado na alimentação de ruminantes, podendo ser apresentada na forma de casca ou farelo (úmido, prensado, seco e levedura). Quanto ao valor nutricional, possui valores médio (%MS) de 28% MS, 24% PB e 55%FDN, e conteúdo mineral de 0,54; 0,29 e 0,09 para fósforo, cálcio e potássio, respectivamente (NRC OVINOS, 1978). É classificado como concentrado de médio valor protéico e não um substituto forrageiro, embora alguns autores indiquem que a adição do resíduo na dieta animal contribui para o atendimento dos requerimentos de fira, podendo ser incluído em taxas de 15 a 20% da MS total da dieta.

Embora apresente grandes vantagens, seu uso é limitado pelos baixos valores de MS, e elevada quantidade de água que dificulta seu transporte e armazenamento. Nas condições dos E.U.A., pesquisadores acreditam que o resíduo só é econômico até um raio de aproximadamente 100 km das indústrias. Seu armazenamento, no Brasil, geralmente é realizado em condições de aerobiose, contribuindo para perda da qualidade nutricional do resíduo devido sua acelerada degradação, sendo a ensilagem uma excelente alternativa no processo de conservação do alimento. Segue alguns valores da literatura sobre resíduo de cervejaria.

Espero poder ter contribuído!

José Rodrigues Vieira

santo Ant. do Aracangua - São Paulo - Produção de ovinos
postado em 16/02/2011

Olá Ingrid e Andressa, boa tarde. Gostaria de saber como utilizar o bagacim (cana) na alimentaçao de ovinos bovinos e suinos. obrigado

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