Você está em: Radares Técnicos > Nutrição
Manejo da fêmea gestante - aspectos nutricionais
O manejo nutricional da fêmea gestante é muito importante para que ocorra manutenção da gestação, bem como para garantir a sobrevivência e o crescimento do neonato. O que se deseja é que os animais consumam e aproveitem bem os alimentos ingeridos, e que esses tenham baixo custo, já que a alimentação tem grande peso no custo produtivo.
É importante lembrar da capacidade de ingestão. De modo geral, os animais consomem cerca de 1,5 a 2% do seu peso corporal por dia, sendo que em animais de alta produção leiteira esse valor pode chegar até 5% ou mais em alguns casos extremos.
O tipo ou estrutura do alimento influencia a capacidade de ingestão. Nesse sentido, que fatores são mais importantes?
Os microrganismos ruminais necessitam de no mínimo 8% de proteína bruta (PB) para seu crescimento, portanto, valores abaixo desse nível comprometem o ambiente ruminal. Sabemos que em determinadas fases do ciclo forrageiro a planta vai ter um teor menor de 8%, então temos que cuidar, pois até podemos ter disponibilidade de matéria seca, mas sem atingir a PB mínima não teremos aproveitamento da fibra vegetal.
Alimentos com tamanho grande de partícula, entre 5 e 10 cm, permitem que animal selecione mais a dieta e com isso pode ingerir alimento de maior qualidade. Tende a ocorrer maior sobra.
Alimentos com tamanho de partícula pequeno, menor de 3 cm, tendem a não serem selecionados pelos animais e esses acabam ingerindo mais quantidade, que até pode chegar a compensar a qualidade. Entretanto, se as partículas forem menores de 2 cm, podem não ficar retidas no rúmen, passar mais rapidamente, impedindo o seu total aproveitamento pelos microrganismos ruminais.
A relação concentrado:volumoso tem efeito na ingestão. A inclusão de concentrado na dieta pode causar um efeito de substituição do volumoso por concentrado, mas pode haver aumento no consumo total (volumoso + concentrado). Se o nível de concentrado é muito alto a ingestão total pode reduzir em quantidade e o animal pode ter acidose ruminal que compromete a digestão.
Concentrado farelado pode ter menor consumo pelo animal por ser muito seco, a taxa de passagem ruminal vai ser elevada e ainda ocorre mais desperdício. Por outro lado dietas muito úmidas e fermentadas também podem reduzir o consumo. O teor de umidade dos alimentos deve estar entre 30 e 45%.
O excesso de gordura no alimento faz uma capa protetora nas partículas vegetais e impede a fermentação pelas bactérias, além de ser tóxico aos microrganismos, especialmente quando a gordura é saturada.
Além do alimento ofertado temos que saber como ofertar. Então, a que fatores do manejo devemos estar atentos?
O acesso dos animais ao alimento não deve ser restringido. Em estudos de comportamento alimentar, observa-se que os animais passam até 10 horas do dia pastejando. Esse tempo é importante para que ele busque e selecione as partes mais nutritivas da planta. A restrição de tempo para alimentação não deve ser superior a seis horas para não comprometer a ingestão.
Quando os animais ficam na pastagem e são suplementados no cocho com concentrado, deve-se procurar fracionar a quantidade diária total em pelo menos duas refeições, uma pela manhã e outra de tarde. Com isso evita-se alterações muito bruscas de pH ruminal (queda) devido a fermentação rápida do concentrado.
Para animais em confinamento deve-se sempre limpar os cochos retirando as sobras de alimento não consumido. Também verificar seu tamanho em relação aos animais (altura, profundidade) e um comprimento linear de cerca de 40 cm por animal. Todos devem ter acesso ao cocho ao mesmo tempo. A construção deve evitar que fezes e urina permaneçam com alimento. Da mesma forma o fornecimento de alimento deve ser fracionado em pelo menos duas refeições, preferencialmente o volumosos antes do concentrado ou bem misturado. Manter também um nível de sobra de pelo menos 10%.
A água deve estar disponível em qualquer situação e sempre limpa. Os bebedouros devem estar em locais frescos. Restrição de água resulta em restrição de consumo de alimento e afeta severamente a produção de leite. Os animais podem consumir de 6 a 8 litros de água diariamente e podem chegar a 20 litros de água por dia em casos de alta produção de leite.
Nunca trocar de dieta bruscamente. Levam dias para os microrganismos estarem bem adaptados a novos alimentos para fermentar. Toda mudança deve ser gradual.
Cuidar com espaço para os animais. Quanto menor a área, mais interação e competição pode ser desencadeada, especialmente com animais mais jovens.
Se possível, manejar fêmeas primíparas separadamente na alimentação, pois essas podem precisar de mais concentrado que as multíparas. Também já se demonstrou que podem aumentar o consumo quando não estão competindo com as mais velhas.
O estresse pelo calor, com temperatura acima de 30°C, reduz o consumo, então em dias muito quentes no verão pode-se adotar a estratégia de fornecer alimento de noite.
Esperamos ter conseguido demonstrar de forma simples os aspectos mais relevantes com relação à nutrição de gestantes e que vocês possam colocar em prática alguns conceitos!
Últimas Atualizações
» Aprenda planejar estrategicamente sua atividade pecuária!
» Subcomissão aprova proibição de compra de terra por ONGs estrangeiras
» Superagro 2012 pretende divulgar as vantagens nutritivas dos produtos da ovinocaprinocultura
» Clonagem de animais passa em mais uma comissão do Senado
» Somalis Brasileira, símbolo de resistência às condições climáticas adversas
» Valor das exportações de carne de cordeiro da Austrália aumenta no primeiro trimestre
» Curso online cana-de-açúcar para alimentação animal: confira a entrevista com os instrutores












Edgar Alain Collao Saenz
Jataí - Goiás - Pesquisa/ensino
postado em 07/06/2011
Prezada Carina,
Parabéns pelo artigo, apenas uma correção, realmente, o excesso de lipídeos no alimento pode formar uma capa protetora nas partículas vegetais e ser tóxico aos microrganismos. No entanto isto ocorre principalmente quando as gorduras são insaturadas.