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Por que utilizar a casca de soja na alimentação do rebanho

Por CIRILO - Clayton Quirino Mendes e Evandro Maia Ferreira
postado em 22/01/2007

3 comentários
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Tendo em vista a importância do planejamento nutricional do rebanho, sobretudo nos períodos de baixa disponibilidade de forragens; bem como a participação da alimentação no custo de produção, a busca por alternativas de ingredientes oriundos de processos agroindustriais tem se intensificado.

Tais subprodutos devem apresentar características que possibilitem sua utilização na alimentação animal, reduzindo o custo final do produto animal e mantendo os índices de produção satisfatórios. Dentro deste contexto, fontes de fibra não forragem vem sendo alvo de estudos para serem utilizadas na alimentação de ruminantes.

Tradicionalmente as fontes de fibra não forragem têm sido utilizadas em substituição a fontes de concentrado, uma vez que possuem energia líquida relativamente alta e moderado teor de proteína bruta. Entretanto, situações em que existe baixa disponibilidade de forragem devido ao período de secas ou em sistemas de produção em que há limitação de área para produção de alimentos volumosos, as fontes de fibras não forragem se colocam como excelente alternativa em substituição parcial a alimentos volumosos.

Devido à importância da cultura da soja no agronegócio nacional e ao volume de material processado diariamente, a casca de soja surge como um resíduo agroindustrial bastante interessante para ser utilizado na alimentação do rebanho. Mais o que é a casca de soja? Do ponto de vista nutricional, quais as características que a tornam um ingrediente alternativo para ser utilizado na nutrição dos animais?

A casca de soja é a parte externa do grão, obtida por separação durante o processo de extração do óleo. Também conhecida como casquinha de soja, é comercializada na forma de casca (Figura 1) ou peletizada (Figura 2). Para cada tonelada de soja processada são produzidos 50 kg da casca de soja.


Figura 1. Subproduto na forma de casca


Figura 2. Subproduto na forma peletizada

Com relação à sua composição química, a casca de soja possui alto teor de fibra em detergente neutro (FDN) e fibra em detergente ácido (FDA), mas baixa quantidade de lignina (em torno de 2%), o que pode resultar em uma digestibilidade in vitro de mais de 90%. A casca de soja pura (livre da contaminação do farelo de soja durante a sua obtenção) deve conter em torno de 9,4% de proteína bruta (PB) e 74% de FDN na MS, sendo 46% composta de celulose e 18% de hemicelulose.

A casca de soja é considerada por muitos autores como um ingrediente volumoso-concentrado, pois tem a função fisiológica de fibra vegetal e funciona como um grão de cereal em termos de disponibilidade de energia. Segundo o NRC (2001) a casca de soja apresenta 2,82 Mcal ED/kg de MS, enquanto que o milho apresenta 4,19 Mcal ED/kg de MS.

Além de possuir uma boa palatabilidade, a casca de soja proporciona um efeito positivo associativo quando incluída em dietas de alta proporção de forragem (mais que 50%), pois promove a manutenção do pH ruminal, não prejudicando as bactérias que degradam a fração fibrosa dos alimentos.

Considerando as características nutricionais da casca de soja, esta pode ser utilizada em substituição à forragem ou mesmo a ingredientes concentrados tradicionais, como o milho. Quando em substituição a grãos seu uso visa minimizar os impactos negativos que a alta ingestão de amido causa sobre o ambiente ruminal, como a redução do pH e a diminuição da degradação da fibra (HOOVER, 1986).

Quando utilizada como suplemento para animais mantidos em pastagens de qualidade moderada a baixa, a casca de soja pode substituir o milho ou o sorgo sem que ocorra queda no desempenho (ROYES et al., 2001; SANTOS et al., 2005). Isso ocorre porque mesmo possuindo concentração energética inferior ao milho, a quase inexistência de amido faz com que os efeitos negativos associados à redução da degradação de fibra e do consumo de matéria de seca de pasto sejam bem menores (ANDERSON et al., 1988).

Subprodutos fibrosos, de maneira geral, são mais ricos em energia do que os volumosos corriqueiramente utilizados (NRC, 2001). Desta forma, a adição de casca de soja na ração visa aumentar o consumo de energia e ao mesmo tempo manter o consumo de fibra. Além disso, subprodutos fibrosos possuem geralmente maiores teores de proteína bruta do que volumosos de baixa qualidade.

Além das características apresentadas até o momento, não podemos negligenciar o fato de que a casca de soja é comercializada na forma seca, sendo um material que não apresenta problemas de conservação e pode ser armazenada em grande quantidade para ser utilizada na propriedade ao longo do ano.

Outro fator que merece atenção especial se refere ao fato de que por se tratar de um subproduto, sua disponibilidade se concentra em determinadas épocas do ano e em regiões onde se encontram as unidades processadoras, portanto, o valor do frete deve ser considerado no preço final do produto.

Tendo em vista suas características e vantagens econômicas, a casca de soja tem sido alvo de diversos estudos, com a finalidade de verificar o seu benefício sobre o desempenho animal (consumo de matéria seca, ganho de peso, conversão alimentar, produção e composição do leite), digestibilidade dos nutrientes, parâmetros ruminais, atividade de mastigação, bem como a sua relação com a degradabilidade ruminal da fibra oriunda de forragens. No próximo artigo serão apresentados resultados de diversos trabalhos em que a casca de soja foi estudada como fonte alternativa de alimento em substituição a ingredientes concentrados e volumosos.

Literatura consultada

ANDERSON, S.J.; MERRIL, J.K.; McDONNELL, M.L.; KLOPFENSTEIN, T.J. Soybean hulls as an energy supplement for the grazing ruminant. Journal of Animal Science, Champaign, v. 66, n. 11, p. 2959-2964, 1988.

HOOVER, W.H. Chemical factors involved in ruminal fiber digestion. Journal of Dairy Science, Champaign, v. 69, n. 10, p. 2755-2766, 1986.

NATIONAL RESEARCH COUNCIL. Nutrient requirements of dairy cattle. 7th ed. Washington: National Academic Press, 2001. 381p.

ROYES, J.B.; BROWN, W.F.; MARTIN, F.G.; BATES, D.B. Source and level of energy supplementation for yearling cattle fed ammoniated hay. Journal of Animal Science, Champaign, v. 79, n. 5, p. 1313-1321, 2001.

SANTOS, D.T.; ROCHA, M.G.; QUADROS, L.F.; GENRO, T.C.M.; MONTAGNER, D.B.; GONÇALVES, E.N.; ROMAN, J. Suplementos energéticos para recria de novilhas de corte em pastagens anuais. Desempenho animal. Revista Brasileira de Zootecnia, Viçosa, v. 34, n. 1, p. 209-219, 2005.

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Comentários

Priscila Marcidelli

Jaciara - Mato Grosso - Produção de ovinos
postado em 17/11/2008

Olá meu pai é criador de ovinos para corte e a alimentação na propriedade é baseada em cana-de-açucar picada fresca, sal mineral e concentrado com 20% de proteína, estamos tendo a disposição para compra a casca de soja e gostaria de saber se baseada nesta dieta como seria a melhor de utilização do produto, pode ser fornecida substituindo uma parte do concentrado? é utilizado no cocho? deve ter algum aditivo ou preparo? obrigada.

João Tobias P Neto

Brasília - Distrito Federal - Produção de leite
postado em 13/12/2010

Existe alguma restrição de utilização da Polpa Cítrica no período das águas, na alimentação de vacas leiteiras ou de corte? A polpa pode molhar no cocho e ser ingerida normalmente pelos animais?

Obrigado,

João Tobias

Amarildo Campos

Primavera do Leste - Mato Grosso - Criação Equinos
postado em 26/10/2012

Amarildo Campos
Primavera do leste MT
Olá gostaria de saber se pode alimentar equinos com casquinha de soja? Desde de ja agradeço

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