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Uso de enzimas fibrolíticas exógenas na dieta de ovinos e caprinos. Parte II: resposta animal

Por Damaris Ferreira de Souza , Luciana Helena Kowalski e Sergio Rodrigo Fernandes
postado em 25/10/2012

3 comentários
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No artigo anterior (Parte 1) comentamos sobre os principais mecanismos de ação e formas de utilização de enzimas fibrolíticas exógenas (EFE) na nutrição de pequenos ruminantes. Desta vez, apresentaremos alguns resultados observados em pesquisas com ovinos e caprinos, buscando contextualizar os efeitos da suplementação com EFE na dieta sobre a produtividade animal.

O primeiro passo é entender que as EFE apresentam maior efetividade quanto menor for a digestibilidade da porção fibrosa da dieta, ou quando a energia for o nutriente limitante (Brito, 2010). Além disso, os resultados dependerão do estado fisiológico do animal e do sistema de produção ao qual o mesmo é submetido.

Diante disso, o desempenho dos animais em resposta à adição de EFE nos alimentos pode aumentar ou, em alguns casos, não ser alterado. Como exemplo disso, na tabela abaixo é possível notar a variabilidade existente entre resultados obtidos em diferentes condições experimentais.



De forma geral, ainda há inconstância em relação à intensidade da resposta animal observada entre as pesquisas com EFE. Isso se deve às diferenças encontradas entre fatores ligados às enzimas (atividades e características específicas, estabilidade no pH ruminal, suplementação em sub ou superdosagem, e pelo método de fornecimento), aos seus substratos (composição da dieta, qualidade da dieta, tipo de dieta, proporção de forragem na dieta, tempo de retenção no rúmen), e ao balanço de energia dos animais (Beauchemin et al., 2003).

Além disso, muitas vezes há falta de atenção sobre os efeitos das atividades das enzimas secundárias (amilases, beta-glucanases, pectinases, hemicelulases, celobiases, glicose-oxidases) presentes nos complexos comerciais de EFE, que também devem ser considerados na determinação da eficiência total das dietas destinadas aos ruminantes (Brito, 2010).

Portanto, como a relação entre a melhora da utilização do alimento e as atividades enzimáticas ainda não está bem definida, há dificuldades para prever com exatidão a efetividade das enzimas sobre as respostas biológicas e de produtividade dos animais.

Considerações Finais (Partes I e II)

As EFE possuem características promissoras para sua utilização como aditivos na alimentação de pequenos ruminantes, que se devem, principalmente, ao fato de não alterarem a qualidade do produto final (lã, carne, leite, etc.), ausentando-o de resíduos indesejáveis, e por não promoverem efeitos negativos sobre a sanidade animal ou humana.

Embora o uso de EFE como aditivos alimentares seja variável e mais estudos sejam necessários para compreender os mecanismos de ação das enzimas ou complexos enzimáticos utilizados, estes compostos já podem ser recomendados em casos como:

- durante a estação de seca, para aumentar o aproveitamento das forrageiras fornecidas aos animais, quando o valor nutritivo, o consumo e a digestibilidade das forragens naturalmente diminuem;

- em dietas compostas por forragens tropicais jovens;

- em dietas compostas por subprodutos com alta quantidade de fibra e baixo conteúdo de proteína;

- em dietas compostas por gramíneas e leguminosas com teores mais elevados de MS e baixa concentração de açúcares solúveis;

- em forragens fenadas, tanto em matérias-primas de boa qualidade como naquelas de qualidade inferior.

Vale ressaltar ainda que os resultados apresentados pelos pequenos ruminantes tendem a ser menos expressivos que àqueles observados em grandes ruminantes. Isso porque os ovinos e, principalmente, os caprinos são comparativamente mais habilidosos do que os bovinos em obter melhor aproveitamento dos nutrientes provenientes de alimentos com altas proporções de fibra, logo a diferença causada pela adição das EFE em sua dieta tende a ser menor.

Referências bibliográficas

BALA, P.; MALIK, R.; SRINIVAS, B. Effect of fortifying concentrate supplement with fibrolytic enzymes on nutrient utilization, milk yield and composition in lactating goats. Animal Science Journal, v.80, p.265-272, 2009.

BEAUCHEMIN, K.A.; COLOMBATTO, D.; MORGAVI, D.P. et al. Use of exogenous fibrolytic enzymes to improve feed utilization by ruminants. Journal of Animal Science, v.81, supl.2, p.E37-E47, 2003.

BRITO, F.O. Níveis de complexo enzimático em dietas para ruminantes. 2010. 84f. Dissertação (Mestrado em Zootecnia) - Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos/Universidade de São Paulo, Pirassununga.

CRUYWAGEN, C.W.; GOOSEN, L. Effect of an exogenous fibrolytic enzyme on growth rate, feed intake and feed conversion ratio in growing lambs. South African Journal of Animal Science, v.34, supl.2, p.71-73, 2004.

DOMÍNGUEZ, D.; CRUZ, J.E.; VILLALOBOS, H. et al. The effect of feeding an exogenous fibrolytic enzyme on performance of finishing lambs. Proceedings, Western Section, American Society of Animal Science, v.60, p.417-419, 2009.

GONZÁLEZ-GARCÍA, E.; CAJA, G.; ALBANELL, E. et al. In vivo digestibility and in vitro gas production of diets supplemented with fi brolytic enzymes in dairy goats. Journal of Animal and Feed Science, v.17, p.530-537, 2008.

TITI, H.; LUBBADEH, W.F. Effect of feeding cellulase enzyme on productive responses of pregnant and lactating ewes and goats. Small Ruminant Research, v.52, p.137-143, 2004.

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Comentários

Evaldo Ribeiro Dourdo

Embu - São Paulo - Estudante
postado em 27/10/2012

Estudante de Medicina Veterinária na
UNISA gosto muito de ruminantes quero me aprofundar mais sobre ruminantes.

Salete Moraes

Petrolina - Pernambuco - Pesquisa/ensino
postado em 14/12/2012

Prezados colegas, gostaria de algumas informações sobre aquisição das EFEs e preços de mercado. Existe algum trabalho que relate a viabilidade de utilização de tais aditivos? Agradeço desde já a atenção dispensada.

Damaris Ferreira de Souza

Curitiba - Paraná
postado em 20/12/2012

Olá Salete!

Na verdade, não sei te informar se existe produção comercial de EFEs no Brasil. Nos estudos que tenho visto, tem-se feito uso de EFEs importadas ou de compostos produzidos especificamente para um determinado estudo (a partir de extratos de fungos, p. ex.).

Qto à questão da viabilidade... Não tenho conhecimento de algum trabalho que exponha isso de forma clara. Mas, como o uso de EFEs na alimentação de ruminantes ainda é um tema em desenvolvimento, e relativamente uma "novidade", os custos (até o ano passado) ainda não eram tão animadores. Isso já está em questionamento há algum tempo, mas não sei te dizer com precisão como a situação está atualmente.

Ainda sobre a aquisição de EFEs, aconselho procurar por sites, e-mails, etc. de fabricantes/distribuidoras e consultar sobre preços, e sobre qual EFE se adequaria melhor à dieta de seu rebanho/estudo (de forma mais específica), tá ok?!

Seguem alguns exemplos de complexos comerciais de EFEs e seus respectivos fabricantes para uso em dietas de pequenos ruminantes:

- Alfa® (celulase, amilase, glicose-oxidase), Farmline International, Schaumburg, IL, USA;

-Alphazyme® (celulase, xilanase, celobiase, alfa-amilase, pectinase), Finnfeeds International, Marlborough, Wiltshire, UK;

-Fibrozyme®, Alltech Inc., Nicholasville, KY, USA;

-Grass® (celulase, glicose-oxidase), Farmline International, Schaumburg, IL, USA;

-Grasszyme® (celulase, xilanase, celobiase, glicose-oxidase), Finnfeeds International, Marlborough, Wiltshire, UK;

-Liquicell 2500® (xilanase, endoglucanase, exoglucanase, beta-D-glicosidase, alfa-L-arabinofuranosidase), Specialty Enzymes and Biochemicals, Fresno, CA, USA;

-Maxicell 200® (celulase), George A. Jeffreys, Salem, VA, USA.

-Natugrain 33-L® (endo-1,3(4)-beta-glucanase, endo-1,4-beta-xilanase), BASF Corporation, Ludwigshafen, Germany;

-Promote N.E.T. ® (celulase e xilanase), Agribands International, St. Louis, MO;

-Promote® (celulase e xilanase), Biovance Technologies Inc., Omaha, NE, USA;

-Promote® (xilanase e endoglucanase), Biovance Technologies Inc., Omaha, NE, USA;

-Spezyme CP® (celulase), Genencor, Rochester, NY, USA;

-Xylanase B® (celulase e xilanase), Biovance Technologies Inc., Omaha, NE, USA;

Espero ter ajudado!
Fica com Deus!
E qqr coisa estamos à disposição!

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