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Uso do caroço e farelo de algodão na alimentação de ovinos e caprinos
O farelo de algodão apresenta boa aceitabilidade pelos animais, é rico em fósforo e pobre em lisina, triptofano, vitamina D e pró-vitamina A (LANA, 2000). Possui enormes variações em sua composição química, devido à forma de processamento, cultivar e quantidade de cascas incluídas, o que acarreta em falta de padronização da composição dos produtos encontrados no mercado, dificultando a formulação de rações. Geralmente, encontra-se disponível em duas formas, uma sem casca e outra rica em casca, que é recomendada para alimentação de ruminantes. O farelo de algodão sem casca apresenta 43% de proteína bruta, enquanto que o farelo com casca apresenta de 25 a 36% de PB expressos na matéria seca (LANA, 2005).
Normalmente, no Brasil são comercializados farelos com 28% e 38% de proteína bruta. A qualidade final do farelo de algodão é determinada pela quantidade de casca incluída, sendo que a inclusão de casca aumenta o conteúdo de fibra bruta e diminui os níveis de proteína, digestibilidade da proteína e energia metabolizável, entretanto, essa casca é importante por contribuir com a disponibilidade de fibra na dieta e para manter a saúde do rúmen. O farelo de algodão pode ser utilizado para todas as categorias, inclusive machos reprodutores, pois apresenta-se detoxificado.
O caroço de algodão é um alimento com moderado nível de proteína, elevado teor de gordura, fibra e energia. Existem dois tipos disponíveis: alto em línter (fibra curta aderida às sementes facilmente digestível para os ruminantes), de cor branca, e baixo em línter, de cor preta. O preto contém de 50 a 100 g/kg menos fibra e maior concentração de gordura e de proteína (EZEQUIEL, 2001a). Os problemas provocados pelo uso do caroço de algodão são atribuídos ao gossipol e aos ácidos graxos ciclopropenóides.
O gossipol é um alcalóide polifenólico de cor amarela encontrado nas sementes em formas de grânulos (LANA, 2000). Entretanto, os ruminantes possuem capacidade de detoxificação do gossipol, sendo essa capacidade dada pela ligação de proteínas solúveis dentro do rúmen ao gossipol livre, tornando-os menos susceptíveis a intoxicações, já que o gossipol ligado à proteína é fisiologicamente inativo (Risco et al., 1992).
Apesar da capacidade dos ruminantes em detoxificar o gossipol, alguns estudos mostraram redução da fertilidade de reprodutores alimentados com caroço de algodão. Nos machos, o gossipol pode provocar alterações sobre a cauda dos espermatozóides, aumento do diâmetro do lúmen dos túbulos seminíferos, diminuição de camadas celulares e epitélio seminífero e do tamanho das células de Sertoli. Entretanto, em estudos realizados em fêmeas, não houve efeitos do gossipol sobre a fertilidade, ciclicidade e morfologia dos ovários. Novas variedades de semente de algodão estão sendo desenvolvidas, contendo menor conteúdo de gossipol.
EZEQUIEL et al. (2001b), utilizando borregos da raça Ideal, alimentados com rações isoprotéicas constituídas de feno de capim de Rhodes, milho e diferentes fontes protéicas (farelo de algodão, uréia ou levedura de cana de açúcar), avaliaram a digestibilidade da proteína e da energia e o balanço de nitrogênio, e observaram que a utilização de farelo de algodão diminuiu a digestibilidade da energia em relação a dietas com levedura de cana de açúcar ou uréia (58,8; 63,3 e 63,7%, respectivamente). As recomendações feitas por PIRES et al. (1997) para quantidades máximas de caroço de algodão na dieta é de 15%, o que minimiza os efeitos prejudiciais do excesso de gordura sobre a digestibilidade da fibra.
Referências bibliográficas
ANDRIGUETTO, J.M.; PERLEY, L. MINARDI, I et al. Nutrição Animal. As bases e os fundamentos da nutrição animal. Os alimentos. Vol. 1. 4ª edição. Nobel, 1981. 396p.
EZEQUIEL, J.M.B. Uso de caroço de algodão na alimentação animal. In: SIMPÓSIO SOBRE INGREDIENTES NA ALIMENTAÇÃO ANIMAL, 2001. Anais... Campinas, 2001a. p.135-150.
EZEQUIEL, J.M.B.; MATARAZZO, S.V.; SALMAN, A.K.D. et al. Digestibilidade aparente da energia e da fibra de dietas para ovinos contendo uréia, amiréia ou farelo de algodão. Revista Brasileira de Zootecnia, v.30, n.1, p.231-235, 2001b.
LANA, R.P. Sistema Viçosa de formulação de rações. Viçosa: UFV, 2000, 60 p.
LANA, R.P. Nutrição e alimentação animal (mitos e realidades). Viçosa: UFV, 2005. 344p.
PIRES, A.V. et al. Effects of heat treatments and physical processing of cottonseed on the digestibility and production performance by lactating cows. Journal of Dairy Science, v.76, n.6, p.880-902, 1993.
RISCO, C.A.; HOLMBERG, C.A.; KUTCHES, A. Effect of graded concentration of gossipol on calf performance: toxicological and pathological considerations. Journal Dairy Science. 75(10): 2787-2798, 1992.
Comentários:
LUCIANO FABRZIO BARIANI JOSE DE OLIVEIRA
Campo Grande - Mato Grosso do Sul - ASSISTENCIA TECNICA
postado em 26/03/2010
Bom dia!
Para rações de engorda, qual seria a % de caroço na dieta total?
Obrigado,
Atenciosamnte,
Luciano.
Jaboticabal - São Paulo - Produção de ovinos
postado em 12/04/2010
Boa tarde Julio,
Não recomendaria fornecer caroço de algodão para reprodutores, pelos problemas relacionados a fertilidade que esse alimento pode causar.
Atenciosamente
Greicy Moreno
Canindé - Ceará - Pesquisa/ensino
postado em 14/10/2011
gostaria de saber se é recomendado casca de algodao para gado de engorda,e com qual mistura...e onde posso encontrar esse produto..desde ja agradeço.
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Julio Erasmo Reich
Querência - Mato Grosso - Produtor de ovinos
postado em 19/03/2010
Bom tarde Greicy!
Gostaria de saber, em % na dieta, qual o máximo de caroço que posso usar na dieta de reprodutores?
Obrigado