Você está em: Radares Técnicos > Nutrição
Utilização de ureia para ruminantes
A utilização de fontes alternativas de proteína na produção animal é de extrema importância, uma vez que fontes convencionais são concorrentes com a alimentação humana. A ureia destaca-se como uma fonte de nitrogênio não-protéico (NNP), que vem sendo bastante utilizada na alimentação de ruminantes, apesar de sofrer limitações devido à sua baixa aceitabilidade pelos animais, sua segregação quando misturada com outros ingredientes e sua alta toxicidade que é agravada pela elevada solubilidade no rúmen.
O rúmen necessita de certos requisitos para um bom funcionamento e atividade da microflora (população de microrganismos) que nele existe, e dentre essas exigências está à necessidade de 1% de nitrogênio (N). No período da seca as pastagens geralmente não atendem essa exigência, podendo ser suprida pelo uso de ureia. Vale ressaltar que, o equivalente protéico desse insumo varia de 282,02% (VALADARES FILHO, et. al., 2006) a 290% (SANTOS et, al., 2001), porém, a média utilizada na alimentação animal é de 283%.
A ureia pode ser considerada uma alternativa interessante, principalmente no período das secas, podendo ser fornecida em diferentes sistemas de alimentação, como por exemplo, associada ao sal mineral, em misturas múltiplas, com cana-de-açúcar, capim picado, silagem, concentrados e outros. Além de apresentar algumas vantagens na sua utilização, é uma tecnologia simples e acessível a qualquer produtor, é uma fonte de nitrogênio não-protéico de baixo custo, possui baixo custo de implantação, reduz perdas de peso nos animais no período seco e também mantém e/ou estimula a produção de leite.
Para uma melhor eficiência no desempenho dos animais suplementados com uma fonte de nitrogênio não-protéico (NNP), estudos recentes indicam o uso de uma fonte de enxofre para que aminoácidos sulfurosos sejam sintetizados. Uma das indicações seria a combinação de ureia com sulfato de amônia ((NH4)2SO4) na proporção de 9/1. A utilização de nitrogênio não-protéico (NNP) deve sempre também ser associada a uma boa fonte de energia, já que a síntese de proteína microbiana através do nitrogênio (N) é um processo que necessita de boa quantidade de energia. Dentre essas fontes energéticas, pode-se utilizar cana-de-açúcar, melaço de cana, entre outras.
Em sistemas extensivos, as necessidades nutricionais dos ruminantes podem ser plenamente atendidas em pastagens consorciadas ou de gramíneas mais nobres, especialmente nas épocas mais favoráveis do ano. No entanto, em períodos de estiagem as necessidades alimentares dos ruminantes deixam de ser atendidas, principalmente em proteínas, uma vez que nessa situação, as forrageiras apresentam baixas taxas de crescimento e baixos níveis protéicos. Nessa condição, o fornecimento de ureia visa suprir uma deficiência protéica da dieta, resultando em uma melhor eficiência no desempenho dos animais.
Já em sistemas de produção intensiva, em que as necessidades nutricionais (especialmente em proteína), são plenamente atendidas, a ureia pode ser utilizada como fator de economia. Quando associada a fontes alimentares energéticas, poderá substituir integralmente os farelos protéicos das rações, que geralmente são os componentes mais onerosos, promovendo assim, uma economia na utilização desses componentes.
Como mencionado anteriormente, a utilização de ureia deve ser feita com muita cautela, pois níveis elevados podem acarretar em amônia livre no sangue sendo tóxico e podendo levar o animal à morte. Uma outra causa de intoxicação é a presença de água no cocho. A ureia tem alta higroscopicidade (capacidade de reter umidade) e o produto molhada deve ser descartado para que não seja ingerido pelos animais.
Nos casos de intoxicação, podem ser fornecidas ao animal duas garrafas de vinagre como antídoto, logo nos primeiros sintomas. É fundamental que a ureia seja fornecida de forma gradativa, ou seja, deve-se fazer adaptações nos animais que irão consumi-la, fornecendo assim, 1/3 da dose total indicada na primeira semana, 2/3 na segunda semana e a partir dos 14 dias que os animais estiverem recebendo alimento com ureia, poderá ser administrado à dose máxima indicada (0,40g/kg de peso vivo), para todas as espécies de ruminantes.
É importante ressaltar que, o sucesso na utilização da ureia depende de um correto balanceamento da ração e que a escolha do sistema a ser utilizado dependerá da disponibilidade, dos custos e do manejo adotado na propriedade. Os sistemas produtivos regionais podem utilizar com vantagens a ureia na alimentação e suplementação dos rebanhos devido ao leque de alternativas tecnológicas disponibilizadas aos produtores e ao baixo custo desse insumo.
Referências bibliográficas
PETROBRAS. Uréia pecuária Petrobrás: informações técnicas. [Rio de Janeiro]: Petrobrás, [199-]. 23 p.
PETROFÉRTIL. Uréia petrofértil para alimentação de ruminantes. [Rio de Janeiro]: Petrobrás, [199-]. 47 p.
SANTOS, G. T., CAVALIERI, F. L. B., MODESTO, E. C., Recentes Avanços em Nitrogênio não Protéico na Nutrição de Vacas Leiteiras. Lavras, MG, 2001. In: Simpósio internacional de bovinocultura de leite (novos conceitos em nutrição), Lavras, MG, 2001.
VALADARES FILHO, S. C.; MAGALHÃES, K. A.; ROCHA V. R.; CAPELLE, E. R.; In:Tabelas brasileiras de composição de alimentos para bovinos. 2ª edição - Viçosa, UFV, DZO, 2006. XV, 329p.
Comentários:
Itapipoca - Ceará - Produção de caprinos de leite
postado em 18/01/2010
Prezado Assis Vasconcelos, o agradeço pela sugestão. Em um próximo artigo sobre uréia, abordarei o que sugeriu.
Abraços,
Sueli.
Solonópole - Ceará - produçao de pardo suiço e santa ines e somalis bra
postado em 21/01/2010
Parabens pelo artigo,
conforme o colega assis falou, falta uma melhor indicação prática ao produtor, como exemplo, voces falam em fornecer dois vidros de vinagre. Existe vidros de vários tamanhos e com isso fica dificil saber. Outra indicação é que seja diluido em àgua.
um abraço.
Francisco Emídio Barbosa de Araújo
Porto Velho - Rondônia - Comercio de Produtos para Ordenha
postado em 23/04/2010
Ótimo artigo, excelentes os esclarecimentos, porém, falta o melhor de tudo, a indicação. Sempre que ensinam uma receita seja de bolo ou de culinária estas trazem consigo os detalhes, quantos minutos de fogo, temperatura do forno, se a colher é de chá ou de sopa, enfim, informações detalhadas. Assim não só concordo com Assis de Vasconcelos como faço aqui a mesma sugestão ou cobrança para que ao fornecer estas informações que são importantíssimas para os produtores que forneçam com mais detalhes.
Obrigado.
Francisco
Itapipoca - Ceará - Produção de caprinos de leite
postado em 26/04/2010
Prezado Francisco Emídio, fico feliz por ter gostado do artigo e o agradeço pela sugestão. Abordarei o tema em um próximo artigo.
Abraços,
Sueli
Sobradinho - Bahia - Produção de gado de corte
postado em 02/08/2010
Sueli, gostei da informação da ureia como suplemento alimentar dos animais. Envie para nós, pequenos criadores, uma receita para 250 à 300 animais. Fico no aguardo. Grata,Berna.
Colorado - Paraná - Produção de gado de corte
postado em 21/07/2011
sueli,estou no parana temos aqui grande quantidade de bagaço de cana, ja assisti pelo youtube, um trabalho de um colega seu de alagoas, que ja fez este trabalho mas nao tenho atualizaçao do mesmo, vc por acaso tem alguma experiencia neste sentido se possivel nos comunicar, pois estou interessado pois nesta epoca de seca eh uma boa alternativa
meu email eh alaelson.antonio@hotmail.com
Últimas Atualizações
» Austrália tem aumento nas exportações de carne de cordeiro em janeiro
» Amazônia perdeu mais de 200 km2 de florestas nos últimos meses de 2011
» Sistemas de produção e verminose Parte II de II
» Produtores já podem acessar cartilha sobre programa ABC
» SP: média do preço do cordeiro nas regiões analisadas chega a R$ 4,81
» Adesões ao seguro rural sobem 11% em 2011
» Rússia suspende importações de carne ovina da UE
» Proposta equipara incidência de PIS e Cofins para ovinos, caprinos e bovinos
» Resultado econômico da atividade: mensurar e avaliar é preciso! Introdução ao tema












Assis de Vasconcelos
Salvador - Bahia - Produção de ovinos
postado em 14/01/2010
Sr. Auditor,
Fica aqui uma sugestão. O artigo sobre o uso de uréia para ruminantes do jeito que foi descrito somente informa ao criador que existe uma fonte de N não proteico que é bom para os animais ruminantes. Será que não seria mais proveitoso que além desta divulgação também foi dado as receitas de bolo para o uso / aplicação do produto de acordo com o tipo de volumoso utilizado. Na bibliografia citada (prospectos da Petrobras) já existem estas receitas mas a empresa não possui os canais de divulgação.
Um abraço
Assis / Pecuarista