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Sistema integrado de pastejo: ovinos e bovinos

 

A pastagem está presente em todos os sistemas produtivos de ovinos e bovinos, seja em sua totalidade, nos sistemas que a pastagem é base da alimentação, ou ainda, onde a pastagem atua em pelo menos uma fase do crescimento do animal como, por exemplo, em animais confinados que ao menos na fase de cria permaneceram se alimentando de pasto.

Utilizando uma pirâmide como exemplo de um sistema de produção, a sua base, com certeza será formada pelo pasto que por muitas vezes se encontra esquecido e destinado para sua formação, uma área degradada, de baixa fertilidade e de difícil acesso de máquinas e implementos. Para se ter um sistema consolidado, seu alicerce deve estar cravado em uma alimentação concisa. Um animal bem alimentado por muitas vezes fica frente a doenças sem ao menos manifestá-la. Sem sombra de dúvidas, aquele animal que usufrui de bem estar e excelente alimentação, está apto para produzir a baixo custo.

A ovinocultura está presente por muitas vezes em regiões mais adversas, sendo desenvolvida na maioria do país de forma extensiva e com baixos níveis de tecnologia. Já a bovinocultura é tradicionalmente mais conhecida, apresenta melhor distribuição e segundo relatos, sua condução é mais fácil e menos exigente, embora na ovinocultura tenhamos animais sobrevivendo em ambientes totalmente desfavoráveis, e que muitas vezes um bovino na mesma situação não apresente o mesmo desenvolvimento. No entanto, a união destes animais em uma só área parece ser um fator espetacular, pois nos ovinos a verminose é um grande problema, que poderia ser resolvido com o pastejo simultâneo ou alternado. Pois bem, este é o grande desafio.

No Brasil, o efetivo ovino é predominante nas regiões Nordeste e Sul, sendo a região Sul, tradicionalmente extensiva e durante anos esteve dedicada principalmente à produção de lã. Hoje está mais diversificada com a produção de carne, lã e leite. Enquanto isso, no Nordeste, a atividade caracteriza-se como atividade de subsistência, com a utilização de animais deslanados, sendo de fundamental importância sócio-econômica.

A escolha de uma espécie forrageira para pastejo no início da criação ovina é de fundamental importância. A forragem tem que estar de acordo com as condições de clima, manejo e consequentemente o sistema de produção que será utilizado. Para ovinos, certas características inerentes a espécie, como o comportamento alelomimético (ação idêntica entre os membros de um grupo no mesmo momento e atuando uns sobre os outros), é de grande importância. De maneira geral, os ovinos pastejam em grupos, sendo difícil observar um animal isolado do restante do rebanho. Assim, é importante que a forrageira escolhida seja de porte baixo (< 80 cm de altura) para que haja a possibilidade de visão e percepção entre os animais do grupo de pastejo (Factori e Benedetti, 2010).

Outra característica dos ovinos é o pastejo seletivo, possuindo a habilidade na apreensão de partes selecionadas das forrageiras. Segundo Meirelles et al. (2008) as espécies mais indicadas para pastagens de ovinos devem ter porte baixo, com hábito de crescimento rasteiro, prostrado, que proporcionam boa cobertura do solo e que toleram manejo baixo. Desta forma, aconselha-se utilizar as pastagens mais produtivas, sendo elas do Gênero Panicum (Tanzânia) e Cynodon (Tifton e Coast-cros). Para tanto, as espécies do gênero Brachiaria podem também ser utilizadas, porém apresentam menores produtividades e também podem acometer aos ovinos problemas com fotossensibilização.

Nos sistemas de produção intensiva, o sistema de pastejo com lotação rotacionada é o mais indicado, por garantir maior uniformidade e eficiência de pastejo. Para tanto, o número de piquetes em cada pastagem será em função do período de descanso (PD), que varia de acordo com a espécie forrageira utilizada e, do período de ocupação (PO), que pode ser obtido pela equação:

Número de piquetes = (PD / PO) + 1


O período de ocupação deve ser com menor duração possível, podendo variar de 1 a 5 dias, garantindo assim melhor rebrota das plantas e fácil controle da lotação da pastagem.

Para bovinos, também é indicado o uso de pastejo de lotação rotacionada, pelo mesmo motivo citado anteriormente. No entanto, com raras exceções entre algumas espécies, os bovinos não tem hábito gregário, ou seja, a forragem não necessita ser baixa em virtude do seu hábito de pastejo. Ainda, são bem menos seletivos que os ovinos, e, portanto, não possuem a habilidade de apreensão de pequenas folhas e ramos específicos que são facilmente apreendidos pelos ovinos. Sobre a altura de entrada e saída dos animais do piquete, quando se utiliza o pastejo de lotação rotacionada, é praticamente impossível manejar uma única altura de resíduo para duas espécies de alturas e hábitos de pastejos diferentes.

A partir deste momento pode-se encarar que a utilização de um sistema em que ovinos e bovinos pastejem alternadamente ou ao mesmo tempo, pode não ser um fator tão simples assim. Mas por que isto pode ser complicado? Como a espécie ovina possui mais requisitos para a escolha do pasto do que bovinos, o primeiro e importante fator a ser considerado, é que não é em qualquer forrageira que o animal desempenhará em totalidade seus potenciais produtivos, sejam eles carne ou leite. Outro fator importante é o uso de cercas, bebedouros e cochos comuns às duas espécies. Isto é praticamente impossível, quando consideramos animais de tamanhos diferentes.

Como mencionado, a verminose assusta grande parte dos produtores de ovinos, e a localização da propriedade, época do ano e erros de manejo podem contribuir para o aumento do problema. Assim, o correto manejo do pasto, associado a um correto manejo sanitário deve ser adotado dentro da propriedade. Segundo Carvalho et al. (2002), manejar a pastagem adequadamente pode diminuir consideravelmente a infestação de parasitas nos animais porque os animais serão menos acometidos pela ingestão de larvas uma vez que grande parte das larvas está concentrada nos primeiros dois centímetros acima do nível do solo por razões associadas ao microclima local.

Deve-se considerar que diversos estudos salientam que a sobrevivência das larvas contaminantes na pastagem é por volta de 6 meses. A partir deste fato, é comum observarmos histórias que devemos colocar em duas áreas ou módulos de pastejo rotacionado distintos, os ovinos e bovinos pastejando separadamente por seis meses, trocando estes animais dos módulos ao término deste período. Assim, com o resultado esperado, os animais estariam ingerindo as larvas contaminantes dos helmintos (vermes) da outra espécie, uma vez que há especificidade das larvas destes vermes não havendo infestação pelos animais, diminuindo assim a carga de helmintos.

Em tese, isto seria um enorme passo no controle da verminose em ovinos, uma vez que não há muitos vermífugos totalmente eficazes no controle de parasitas, com poucas exceções no mercado. Assim, um manejo deste tipo, melhoraria em muita a ação de vermífugos e desta forma atenderiam ao controle destes vermes. No entanto, como ressaltado anteriormente, o uso desta técnica seria um pouco acometido em virtude do manejo adotado, seja ele para a forrageira ou para a contenção ou até mesmo para alimentação dos animais, seja ela comida ou água.

A pergunta que não quer calar é: não existe como fazer e não há bons resultados no pastejo alternado ou conjunto de bovinos e ovinos? Sim há. Este manejo pode ser usado conjuntamente. Mas, e o manejo, como fica? É uma realidade já muito utilizada há anos no sul do país. Grande parte das pastagens gaúchas são em grandes áreas e o uso do pastejo conjunto é facilitado em virtude das baixas lotações, grandes pastos com poucas cercas, menos bebedouros ou estes ainda servem de alguma forma para os dois ou a água de bebida vem de lagos ou minas represadas de fácil acesso aos animais. Ainda, as pastagens de azevém e aveia predominantes na região, dão suporte nutricional aos animais, não que as forragens tropicais em uso na maioria do país como o Tifton, Braquiária e Tanzânia, por exemplo, não deem este aporte, mas em virtude do uso de grandes áreas e baixas lotações, o manejo como um todo torna-se mais favorável.

Cabe ressaltar que intensificar o uso do pasto, não é somente aumentar sua lotação e tornar aqueles sistemas de produção em pasto, um foco de distribuição de larvas de vermes. Intensificar significa aumentar a eficiência. São diversas as formas de se contornar a infestação por vermes em ovinos dentre elas o manejo correto das pastagens obedecendo criteriosamente o manejo de entrada e saída dos animais do piquete. É fato que a quantidade de larvas existente rente ao solo é maior que no ápice do capim. Portanto, a menor ingestão de larvas, uma melhor alimentação e o descarte de animais problemas, seriam fatores interessantes para o sucesso.

Referências bibliográficas

CARVALHO, P.C.F., Pontes, L.S., BARBOSA, C.M., FREITAS, , T.M.S. Pastejo Misto: alternativa para utilização eficiente das pastagens. In: SILVA, J.L.S., GOTTSCHALL, C.S., Rodrigues, N.C. Manejo reprodutivo e sistemas de produção de bovinos de corte. Anais... VII Ciclo de palestras em Produção e Manejo de Bovinos, p.61-94. 2002.

FACTORI, M.A.; BENEDETTI, M.P. Pastagem para ovinos - uma realidade a ser cumprida Site farmpoint : http://www.farmpoint.com.br/?noticiaID=59599&actA=7&areaID=3&secaoID=29. Acesso 05/01/2010.

MEIRELLES, Paulo Roberto de Lima ; COSTA, Ciniro ; FACTORI, Marco Aurélio ; SANTOS, W. A. . Pastagens para Ovinos. In: III SOUD - Seminário de Ovinocultura da UNESP de Dracena, 2008, Dracena. SOUD - Seminário de Ovinocultura da UNESP de Dracena, CD Rom. Dracena : UNESP, 2008

Saiba mais sobre os autores desse conteúdo:

Marco Aurélio Factori    Outro - São Paulo

Estudante

Franciele de Oliveira    Botucatu - São Paulo

Estudante

Cláudia Regina Mendonça Andrade    Botucatu - São Paulo

Estudante

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Comentários:

Fernando Castejon

Goiânia - Goiás - Trader
postado em 14/07/2010

No pastejo integrado como o autor avalia no manejo o sistema de cercamentos já que para ovinos e bovinos temos cercamentos diferentes, e no caso de cercas para ovinos, que seria condição mais crítica, é mais cara, porque normalmente a cerca é feita com telas?

Marcos Vinicius Grein

Balsas - Maranhão - Produção de ovinos
postado em 20/07/2010

Gostei muito do seu artigo. Aqui no MA o problema maior é o período de seca - entre maio e outubro - situação que complica o manejo de pastagens.

Marco Aurélio Factori

Outro - São Paulo - Estudante
postado em 22/07/2010

Prezado Marcos Vinicius Grein

Desculpe-me, mas não entendi bem sua pergunta ou questionamento. Explique melhor para que eu possa te ajudar se necessário. Mas para acrescentar, no período da seca, deve ser fornecido aos animais uma suplementação de volumoso no cocho, ou também trabalhar com o diferimento de pasto, com uma espécie adequada de pastagem. A suplementação volumosa no cocho dependerá da disponibilidade do volumoso mais adequado para sua região. Na nossa região aqui de São Paulo, é muito comum a silagem de milho e cana com uréia.

Estamos sempre a disposição.

Um grande e forte abraço.

Marco Aurélio Factori

Marcio Heneriche

São Domingos - Santa Catarina - Consultoria/extensão
postado em 08/09/2010

Olá Marco, estamos utilizando bovinos e ovinos em sistema de pastoreio. Como nossa prioridade são vacas leiteiras, colocamos estas nos piquetes para comer a melhor forragem, ficam por um dia no piquete, após colocamos os ovinos e novilhos para fazer o repasse, estes ficam por mais um dia. Uso em pastagem de tifton 85 com trevo branco. Oque acha deste sistema, a contaminação por vermes pode ter alteração? Caso possua algum material a respeito do tema e possa me repassar fico grato.
Abraço
Marcio.

Marco Aurélio Factori

Outro - São Paulo - Estudante
postado em 09/09/2010

Prezado Marcio Heneriche

Com certeza já há benefícios em se utilizar este sistema. Como os ovinos são mais seletivos podem pastejar após os bovinos, junto ou separado, no seu caso, com os novilhos. Acredito que este sistema já é de grande valia no que tange aos problemas causados pela verminose. Como a ovinocultura é muito acometida por este problema, com certeza o sistema irá favorecer o controle. Devo lembrar que o manejo correto de saída e entrada dos animais no piquete é muito importante, devendo-se respeitar, principalmente a altura de resíduo para longevidade do capim e ainda mais, com a forragem disponível. Devo lembrar que o pastejo mais próximo do solo favorece a maior ingestão de larvas. Concomitantemente a isso, com certeza, o manejo de cada capim deve ser levado em consideração.

Estamos sempre a disposição.

Um grande e forte abraço.

Marco Aurélio Factori

josé

Alagoa Nova - Paraiba - Produção de caprinos de corte
postado em 20/09/2011

olá Marco, estou utilizando ovinos em silvipastoreio e gostaria de saber quantos ovinos em crescimento em torno de 30 kg devo colocar por ha com o eucalipto de 5 por 5. Caso tenha conhecimento sobre a pergunta fico agradecido desde já.

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