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Sistemas de terminação de cordeiros em pastagens de verão e inverno: o custo da alimentação

Por Alda Lúcia Gomes Monteiro
postado em 07/12/2006

1 comentário
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A linha de pesquisa trabalhada pelo Grupo de Pesquisa Produção de Ovinos para Carne, da Universidade Federal do Paraná, objetiva estudar a produção de cordeiros para abate, com ou sem utilização de suplementação, com ou sem desmame em áreas de pastagens de verão e de inverno.

Como comentado em artigo anterior (clique aqui para ler o artigo), na qual foram relatados alguns estudos realizados na UFPR, embora o desempenho individual animal tenha sido indicado de forma bastante clara, vale a pena comentar alguns dados de consumo de suplemento nos sistemas em creep feeding e sobre o consumo de alimento total, no caso dos cordeiros terminados em confinamento, relacionando esses dados com o tempo de permanência dos animais nos sistemas trabalhados.

Obviamente não se pretende aqui apresentar uma análise completa da viabilidade econômica dos diferentes sistemas estudados. O conceito de análise de viabilidade econômica é muitíssimo mais amplo do que se irá abordar.

Na verdade, a intenção é informar a real utilização de concentrados e volumosos nos diferentes sistemas discutidos na coluna anterior, que são itens componentes do custo operacional efetivo dentro do modelo de produção. E ainda, para uma análise de custos, no mínimo haveria a necessidade de inclusão dos demais itens componentes dos custos operacionais efetivos (Matsunaga et al, 1976), que são os desembolsos efetivos realizados durante o período de produção dos cordeiros, tais como medicamentos, suplementos minerais, sementes, fertilizantes, etc.

Desta forma, o objetivo deste artigo é informar o consumo de dieta total ou suplemento nos sistemas de terminação em pastagens tropicais (Tifton-85) e temperadas (azevém) e em confinamento, e relacionar esse consumo com o número de dias em que os animais permaneceram em avaliação, para levar o leitor à interpretação do possível custo com alimentação que os mesmos levariam dentro das propriedades.

Conforme foi citado anteriormente, os resultados indicaram que os cordeiros que foram desmamados entre 40 e 60 dias e colocados em pastagens com diferentes espécies forrageiras apresentaram desempenho inferior aos cordeiros que não foram desmamados e terminaram ao pé das mães, independente de terem recebido a suplementação em creep feeding ou não (Bosquetto et al, 2004).

Referente ao desempenho animal, os ganhos foram ao redor de 100 g/dia para os cordeiros desmamados e não suplementados, e não foram observadas diferenças significativas quanto ao ganho de peso diário dos animais terminados ao pé das mães (259 g/d x 262 g/d; Bosquetto et al., 2004; 261 g/d x 282 g/d; Ribeiro et al., 2005) independente do fornecimento de suplementação em creep feeding.

Isso nos fez identificar a importância que o leite materno e/ou a presença das mães tem no desempenho individual dos cordeiros. Considerando que a diferença em tempo de permanência dos animais nos dois casos é de apenas 2 dias - animais com creep foram abatidos com 105 dias e animais sem creep com 103 dias de idade- os resultados levam a crer que o consumo de concentrado, 260 g/dia em média, que os cordeiros tiveram durante 60 dias aproximadamente, apenas oneraram o sistema de produção.

Desta forma, a suplementação em 1% do PV não foi suficiente para agilizar o alcance do peso de abate, de maneira a reduzir substancialmente o uso de concentrado pela diminuição da idade de abate. No caso descrito, o consumo médio de concentrado por cordeiro foi igual a 15,6 kg de ração suplementar, que considerada a R$0,56/kg, leva a R$8,70 de custo de suplementação por cordeiro sem retorno aparente.

Já foi comentado também que abates ao redor de 65-70 dias já foram obtidos com os sistemas de suplementação de cordeiros em creep feeding no Estado de São Paulo, porém com alimentação suplementar fornecida à vontade, o que levou à consumo médio de 369 g/dia (Neres et al., 2001) com o início da suplementação aos 15 dias de idade dos cordeiros.

Considerando o mesmo cálculo simplificado do consumo médio de ração multiplicado pelo tempo de fornecimento da mesma, que poderíamos considerar 50 dias no caso, isso levaria a um custo de suplementação igual a R$ 10,00 por cordeiro, com animais 40 dias mais jovens, considerando os pesos de abates semelhantes.

Em todos os casos discutidos, deve-se avaliar o custo adicional de se manter a ovelha junto ao cordeiro até o abate do mesmo, uma vez que se o tempo for prolongado, isso dificulta a implantação do sistema acelerado de parição com 3 partos em 2 anos, que necessita de ovelhas em boa condição corporal aos 60 - 80 dias após o parto, o que é inviabilizado nos modelos sem desmame.

No caso da recria/terminação em pastagens, os cordeiros apresentaram ganhos individuais limitados, de 100g/dia. No entanto, no que se refere à carga animal por área, que é apresentada em kg/ha de peso vivo (PV), os sistemas nos quais os cordeiros são desmamados permitiram um maior número de animais por área (30 a 40 cordeiros/ha) resultando em carga animal em kg de cordeiro entre 900 e 1000 kg/ha. Esse número é superior quando se compara obviamente aos sistemas que mantêm suas ovelhas até o abate junto às crias (carga animal entre 250 e 300 kg/ha em cordeiros), devido à maior necessidade de ingestão de forragem das categorias adultas, principalmente nessa fase de alta exigência nutricional, o que obviamente limita o número de animais por área. Assim, no caso de terminação ao pé das mães há a necessidade de maior área de pastagem, visando produzir a mesma carga.

Os cordeiros desmamados foram abatidos com 159 dias de idade, permanecendo na pastagem por aproximadamente 120 dias. Esse período prolongado de utilização da pastagem é acompanhado de alterações na quantidade e qualidade da forragem inerentes ao ciclo da planta, tais como elevação no teor de fibra indigerível e redução no teor de proteína, alterações estas que podem levar a redução da oferta ou diminuição da oportunidade de seleção de forragem pelos cordeiros.

Quando se considera a produção de pasto, encontram-se valores entre R$ 0,08 e R$ 0,10/kg MS de forragem. Considerando o consumo médio de MS de pastagem para cordeiros entre 0,9 a 1,16 kg MS/dia (Fraser et al, 1994) e o período de 159 dias até o peso de abate, o valor total em R$ por cordeiro gasto com a alimentação em pastagem estaria entre R$12,80 a R$16,00.

Muitas vezes, nas avaliações sobre custos e receitas de uma determinada propriedade de ovinos e/ou caprinos, o custo da pastagem produzida não é considerado, o que leva a interpretação equivocada do produtor sobre custos baixos neste sistema de produção. Assim como, o consumo deve variar amplamente conforme a oferta de forragem, a espécie em pastejo, a qualidade da forragem, o peso e idade do cordeiro, e outros aspectos.

No que diz respeito aos animais confinados, o consumo da dieta total (60% volumoso:40% concentrado) ficou em média ao redor de 1,0 a 1,3 kg/dia, dependendo do uso de silagem ou feno como volumoso. Os cordeiros permaneceram em confinamento até 97 dias de idade com ganhos 350g/dia, consumindo esta dieta por 52 dias, aproximadamente. A despesa com alimentação foi igual a R$ 25,00 por cordeiro no período. O interessante para os sistemas confinados seria abater animais em tempo mais curto para reduzir a despesa com alimentação.

No trabalho realizado em 2005, os cordeiros foram desmamados aos 48 dias e conduzidos à pastagem de azevém e foram suplementados com diferentes níveis de ração concentrada (19,8% PB) desde o zero de suplemento até a suplementação à vontade - que os mesmos regularam em 3,2% do PV/dia. Os resultados indicaram claramente o aumento linear do ganho de peso associado com o aumento do consumo do concentrado (Tabela 1), com redução na idade de abate.

Também ficou evidenciada a substituição do pasto por concentrado pelos animais, mesmo com a elevada oferta de forragem que lhes era oportunizado, aproximadamente 12% (12 kg MS/100 kg PV/dia) de boa qualidade (20% PB), na medida em que, com a inclusão dos níveis de concentrado, houve redução muito expressiva no tempo de pastejo dos cordeiros (Fernandes et al, 2006) nestes piquetes, permanecendo por longo período do dia em ócio.

Considerando os resultados já discutidos, vale ressaltar o ganho dos cordeiros de 129 g/dia com 1% de suplementação concentrada, neste caso não denominado creep feeding, uma vez que sem a presença da mãe (260 g/dia havia sido obtido em 2003/2004, sem o desmame).

Tabela 1. Médias estimadas para idade de abate (dias), ganho médio diário (kg/dia), número de cordeiros por ha e consumo de ração do cordeiro (g/dia)


Considerando o consumo diário e a idade de abate (Tabela 1), verificou-se que referente às despesas com inclusão da suplementação concentrada, os valores obtidos foram iguais a R$ 13,11; R$ 25,42 e R$ 28,35, respectivamente, obtendo-se animais de 5 a 3 meses de idade, com elevada qualidade de carcaça. No caso dos animais não suplementados, os mesmos ficaram na pastagem em manejo contínuo por 200 dias, aproximadamente, correndo mais riscos no que diz respeito às infecções parasitárias.

Neste aspecto, há grande preocupação de produtores e técnicos quanto aos sistemas de produção de cordeiros em pastagens, em função das elevadas taxas de mortalidade que já foram observadas devido às infecções parasitárias (Macedo, 1998) além dos ganhos de peso que são limitados nestes sistemas em função de situações de baixa disponibilidade de forragem.

Dentro do conjunto de trabalhos aqui descritos, mesmo com elevada disponibilidade de forragem no pasto, os cordeiros desmamados sofreram certa limitação de desempenho e maior ocorrência de infecção parasitária, dificultando a obtenção do produto cordeiro em tempo curto.

Vale ressaltar o importante efeito das ovelhas sobre o desempenho individual dos cordeiros nos sistemas com terminação sem desmame, independente da suplementação. A implicação deste resultado é a não opção pela suplementação em creep feeding, pelo menos em 1% do peso corporal, levando-se em conta a análise de custos. Também, destaca-se neste modelo de produção de cordeiros, a necessidade de maior área de pastagem na propriedade devido à presença das ovelhas até o fim do ciclo de produção, na sua fase de maior exigência nutricional. Isso certamente deve ser levado em conta na análise econômica mais completa.

Referências bibliográficas

NERES, M. A.; GARCIA, C.A.; MONTEIRO, A.L.G. et al. Níveis de feno de alfafa e forma física da ração no desempenho de cordeiros em "creep feeding" . Revista Brasileira de Zootecnia, v.30, n.3., p.941-947, 2001.

MACEDO, F.A.F. Desempenho e características de carcaças de cordeiros Corriedale, mestiços Bergamácia x Corriedale e Hampshire Down x Corriedale, terminados em pastagem e confinamento. Botucatu, SP: UNESP, 1998. 72p. Tese (Doutorado em Zootecnia) - Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da UNESP, 1998.

FRASER, M.D.; SPEIJERS, M.H.; et al. Production performance and meat quality in grazing lambs finished on red clover, lucerne and ryegrass pastures. Grass and Forage Science, 59, p.345-356, 2004

Saiba mais sobre o autor desse conteúdo

Alda Lúcia Gomes Monteiro    Curitiba - Paraná

Pesquisa/ensino

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Comentários

jose luiz pereira de carvalho

Nova Friburgo - Rio de Janeiro - Produção de ovinos
postado em 07/12/2006

A matéria foi de grande utilidade para mim, principiante neste ramo. Estamos aprendendo muito com artigos desta natureza. Grato.

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