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Detecção de cio na ovinocultura
Para o êxito da criação é importante que o intervalo entre o parto e a próxima concepção seja suficiente para a involução uterina e para a recuperação do escore corporal da fêmea. Considerando o período de gestação da ovelha e os pontos anteriormente levantados, o intervalo entre partos (IEP) pode ser de, em média, oito meses e isso permite a melhora nos índices reprodutivos do rebanho. Porém devido fatores fisiológicos, algumas raças ovinas entram em anestro (não "abrem cio") durante determinado período do ano. Esse é um dos principais pontos que aumenta o IEP e prejudica o fornecimento regular da carne ovina.
Para a correta detecção do cio é importante que o produtor saiba quais sinais a fêmea apresenta durante essa fase. A ovelha que está no período fértil se mostra mais inquieta e costuma cheirar o macho, quando há um presente. Ela normalmente se afasta do rebanho em busca do macho, e quando o encontra ela assume a postura de cópula, ou seja, fica parada e desvia a cauda para permitir que o macho faça a monta. Quando comparado com fêmeas de outras espécies como a vaca e a cabra, os sinais apresentados pelas ovelhas são muito discretos o que acaba dificultando ao tratador diferenciar as matrizes que estão receptivas ao macho e as que não estão. Por isso na ovinocultura lança-se mão de algumas técnicas para a detecção do cio, como o uso de rufiões, fêmeas androgenizadas e a manipulação do cio.
Rufiões são machos inteiros que são submetidos a processos cirúrgicos ou mecânicos para que eles não consigam copular com a fêmea, porém como sua produção hormonal continua normal, eles conseguem detectar a fêmea em cio. Existem diversos processos cirúrgicos que tornam o macho um rufião, sendo os mais usados o desvio peniano que desloca o óstio prepucial lateralmente, impedindo que o rufião introduza o pênis na vagina, e a vasectomia que impede que o sêmen produzido saia dos testículos e, consequentemente, impossibilita a ejaculação. A vasectomia pode ser feita através de técnicas cirúrgicas ou mecânicas.
O uso de fêmeas androgenizadas é mais comum na bovinocultura, porém ainda divide opiniões quanto a sua eficácia. Este método consiste na aplicação de hormônios andrógenos, como a testosterona, em fêmeas. A primeira aplicação é feita de cinco a sete dias antes do início da estação de monta, e repetida a cada sete a 10 dias durante todo o período necessário à detecção de cio. A aplicação é feita, preferencialmente, intramuscular. As fêmeas escolhidas para esta atividade normalmente são as que por algum motivo, como falhas reprodutivas, idade, ou outras características indesejadas, serão descartadas.
O terceiro método, conhecido como manipulação do cio, não é exatamente uma forma de detecção de cio, mas como o nome diz, ela manipula o ciclo estral, possibilitando supor o momento da ovulação. É feito através de protocolos hormonais que duram de seis a 12 dias, ocorrendo a manifestação do cio em 24 a 48 horas após o final do protocolo. Esse método é empregado principalmente quando o sistema de acasalamento escolhido e a inseminação artificial. Conjuntamente podem ser usados rufiões ou fêmeas androgenizadas, para saber com maior precisão quais animais apresentaram sinais de cio, evitando o desgaste do reprodutor.
Os animais usados para detectar as fêmeas em cio devem usar um buçal marcador ou outra marcação de tinta na região esternal, gerando uma marcação na região da garupa das fêmeas montadas, o que facilitará a visualização dos animais que devem ser colocados com o reprodutor ou inseminadas.
Além de identificar as fêmeas no cio, o buçal marcador auxilia na identificação de possíveis fêmeas descarte na propriedade. A fêmea sadia e com bom escore corporal, mas que permanece por um longo período sem ser marcada, provavelmente não apresentou cio naquele período. Outra técnica que pode ser associada é a mudança da cor da tinta do buçal a cada 15 a 20 dias. Essa mudança identificará quais fêmeas repetiram o cio, quais abortaram e quais provavelmente estão prenhes.
Outro ponto que auxilia a identificação das fêmeas em estro é o conhecimento do comportamento do macho em relação às mesmas. Quando a ovelha está no cio o carneiro apresenta o reflexo de Flehmen, retraindo o lábio inferior, levantando o superior e cheirando o ar, possibilitando a identificação de feromônios produzidos pelas fêmeas durante o cio. Além disso, eles cheiram e lambem as regiões do úbere e vulva, emitem sons e batem e raspam os cascos no chão. O macho também pode urinar na própria cabeça, para que as fêmeas sintam o cheiro mais facilmente. Após o macho exibir esses sinais, normalmente a fêmea coloca-se em posição de cópula, já citada anteriormente, para que o macho realize a monta. As fêmeas identificadas como em estro devem ser separadas para serem fecundadas conforme o sistema de acasalamento adotado na propriedade (inseminação artificial, monta controlada ou monta natural).
A detecção de cio é uma atividade de expressiva importância em animais de produção. Ela auxilia na melhora de índices reprodutivos como intervalo entre partos e n° de descendentes/matriz/ano. O uso dessas técnicas, associadas com um correto registro zootécnico, melhora a organização e otimiza o desempenho da propriedade, potencializando a rentabilidade e aumentando a renda do criador.
Referências bibliográficas
Disponível em: http://www.sheepembryo.com.br/files/artigos/122.pdf Acessado em: 01/06/2011.
GRANADOS, L. B. C.; DIAS, A. J. B.; SALES, M. P. Aspectos gerais da reprodução de caprinos e ovinos. Campos dos Goytacazes, 1ª Ed. 2006.
IWAMURA, J. Avaliação dos protocolos de sincronização de estro em ovelhas, com diferentes tempos de exposição aos prostágenos e distintas doses de eCG. Dissertação (mestrado em medicina veterinária) - Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia, Universidade Estadual Paulista "Júlio de Mesquita Filho", Botucatu, 2008.
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Marrolim
Jacupiranga - São Paulo - Produção de ovinos
postado em 15/01/2012
Para o uso de fêmeas androgenizadas, qual seria a dosagem e a aplicação hormonal?.