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Efeito da monta ou presença do macho no estro

Por Maria Emilia Franco Oliveira
postado em 16/04/2010

 

Um dos principais entraves para a inseminação artificial é a determinação do momento de realizá-la. A escolha deste momento deve estar baseada no estro e mais especificamente no momento da ovulação. Frente aos diversos protocolos de sincronização de estro e/ou ovulação existentes, encontramos diferentes indicações para o momento de realizar a inseminação artificial.

Embora o próprio protocolo de sincronização de estro atue no desenvolvimento folicular e ovulação, outros fatores podem influenciar no início do estro, na sua duração e no momento ovulatório. Entre eles podemos citar: estação do ano, idade da fêmea, número de partos, nutrição, condição corporal e lactação. Além destes, destacaremos neste artigo os efeitos da presença do macho e da monta sobre o estro e ovulação.

É comum encontrar variação do início do estro e momento ovulatório entre animais e rebanhos, o que pode afetar a eficiência de programas de inseminação artificial e transferência de embriões. Neste sentido, até que ponto a presença do macho e da monta podem promover efeito no estro e possivelmente na ovulação?

Estes fatores foram estudados numa sequência de experimentos publicados, os quais revelaram que a ocorrência do serviço pelo macho reduziu a duração do estro em 30 a 45% em relação ao grupo de fêmeas que não foram montadas (Romano, 1993). Este fato foi independente do número de coberturas realizadas dentro de mesmo período de estro (Romano, 1994ª). O fator envolvido nesta redução possivelmente foi a estimulação mecânica pelo pênis na vagina e cérvix (Romano, 1994b) e não devido aos fluídos das glândulas acessórias do macho presentes no plasma seminal (Romano & Benech, 1996). Em nenhum dos trabalhos foi observado efeito da monta sobre o momento ovulatório.

Por outro lado, a própria presença do macho também parece ter efeito sobre o estro. Em cabras e ovelhas, foi observado início do estro antecipado quando machos foram mantidos o tempo todo com as fêmeas em contraposição ao grupo de fêmeas que o macho foi colocado em contato com as fêmeas apenas por períodos curtos para identificação das fêmeas em estro (Romano, 1998, 2001). Possivelmente, estes achados estão associados ao fato de que a presença continua do macho possibilita a completa expressão do comportamento sexual: corte e cobertura.

A interferência da presença do macho sobre a duração do estro parece incerta. Em alguns trabalhos foi observado que a presença do macho interferiu reduzindo a duração da receptividade sexual das fêmeas (Parsons & Hunter, 1967; Fletcher & Lindsay, 1971). Enquanto em outros, nenhum efeito pôde ser demonstrado (Romano, 1993, 2001).

A presença do macho parece não ter efeito sobre a ovulação. Embora, tenha sido observada antecipação, em 8 horas, do pico pré-ovulatório do hormônio luteinizante (LH) e da ovulação, para fêmeas que permaneceram juntas aos machos (Lindsay et al., 1975); este efeito pode ser devido ao início do estro anterior neste grupo, não havendo alteração no intervalo início do estro e ovulação (Romano, 2001).

Com base nestas informações, a diferença do momento do início do estro causada pelo efeito da presença do macho pode explicar algumas diferenças encontradas entre rebanhos que utilizaram o mesmo método de sincronização de estro. Este fato é de grande importância em programas de reprodução assistida, especialmente na inseminação artificial em tempo fixo associada ao uso de sêmen congelado, caso em que a capacidade de fecundação é menor.

Por outro lado, a continua presença do macho parece também reduzir a variação entre fêmeas em relação ao estro e ovulação, ponto benéfico para os programas de inseminação artificial em tempo fixo.

Contudo, a escolha do momento de realizar a inseminação artificial deve considerar todos os fatores que possam estar envolvidos. E assim, o uso destas práticas de manejo podem ser empregadas a favor do aumento da eficiência dos programas de reprodução assistida.

Referências bibliográficas

Chemineau, P.; Cognié, Y. Training manual on artificial insemination in sheep and goats. INRA, FAO, France, 222 p., 1991.

Fletcher, I. C.; Lindsay, D. R. Effect of rams on the duration of oestrus behavior in ewes. Journal of Reproduction and Fertility, 25: 253-259, 1971.

Lindsay, D. R.; Cognie, Y.; Pelletier, J.; Signoret, J. P. Influence of the presence of rams on the timing of ovulation and discharge of LH in ewes. Physiology Behaviour, 15: 423-426, 1975.

Parsons, S. D.; Hunter, G. L. Effect of the ram on duration of oestrus in the ewe. Journal of Reproduction and Fertility, 14: 61-70, 1967.

Romano, J. E. Effect of service on estrus duration in dairy goats. Theriogenology, 40: 77-84, 1993.

Romano, J. E. Effect of service number on estrus duration in dairy goats. Theriogenology, 41: 1273-1277, 1994a.

Romano, J. E. Effect of different stimuli of service on estrus duration in dairy goats. Theriogenology, 42: 875-879, 1994b.

Romano, J. E. and Benech, A. Effect of service and vaginal-cervix anesthesia on estrus duration in goats. Theriogenology, 45: 691-696, 1996.

Romano, J. E. The effect of continuous presence of bucks on hastening the onset of estrus in synchronized does during the breeding season. Small Ruminant Research, 30: 99-103, 1998.

Romano, J. E.; Fernandez Abella, D.; Villegas, N. A note on the effect of continuous ram presence on estrus onset, estrus duration and ovulation time in estrus synchronized ewes. Applied Animal Behaviour Science, 73: 193-198, 2001.

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Maria Emilia Franco Oliveira    Jaboticabal - São Paulo

www.mariaemilia.vet.br

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