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Ectoparasitoses em pequenos ruminantes
A miíase é um termo utilizado como sinônimo de parasitose ocasionada por larvas de moscas das mais diferentes espécies, porém neste radar, vamos dar uma atenção especial ao tipo mais comum de miíase em caprinos e ovinos, que é a miíase ocasionada pelas larvas da Cochilyomyia hominivorax. Este tipo de miíase é também chamado de bicheira e larva da lã entre outras designações. A Cochilyomyia hominivorax é conhecida popularmente como mosca varejeira, esta espécie de mosca põe vários ovos no mesmo local, diferentemente da Dermatobia hominis, causadora do berne que possui como característica a postura de apenas um ovo.
Desta forma na miíase há o desenvolvimento de várias larvas se alimentando de forma altamente agressiva de tecidos dos animais, levando a elevadas perdas econômicas, tendo em vista que os animais acometidos possuem inapetência devido à contaminação bacteriana secundária, não sendo raro levá-lo a óbito com o transcorrer do quadro. Animais jovens estão mais susceptíveis ao óbito devido à debilidade geral, além do mais, quando esta contaminação se dá ao nível do umbigo de recém nascidos, pode-se progredir para uma infecção ascendente por bactérias como a Actinomyces pyogenes, Escherichia coli, Staphylococcus sp, Streptococus sp e Enterococcus sp que levam a artrite, gangrena difusa, abscessos paravertebrais, abscessos hepáticos, peritonite e septicemia caso não sejam tratadas a tempo com antibióticos de largo espectro.
O controle ligado à realidade de campo das miíases ocasionadas pela C. Hominivorax consiste de: controle preventivo, onde se faz necessária a administração de drogas com objetivo de evitar a colocação dos ovos. Logicamente quanto menos houver lesões melhor será para o rebanho, de forma que diminuam as perdas econômicas ocasionadas por injúrias no couro entre outras complicações.
Há uma prática comum na pecuária que é a aplicação de ivermectina no momento do nascimento, evitando assim a instalação da miíase ao nível do umbigo do recém nascido; Outro tipo de controle é o controle curativo, este é o que podemos dizer que "fecha a porta depois que o ladrão entra", neste caso se faz necessária a utilização de produtos geralmente a base de organofosforado que matam a larva, havendo a necessidade de retirada destas larvas mortas, assim como o excesso de tecido necrosado. Desta forma a inspeção periódica do rebanho caprino e ovino deve ser realizada com atenção e de forma intensa devido à suscetibilidade destes animais a infecções secundárias a miíase.
Quanto aos piolhos, são os ectoparasitas com maior frequência nos rebanhos brasileiros, sendo um tema já citado em nosso radar com propriedade pelo Dr. André Maciel Crespilho no artigo: Pediculose ou "piolheira" de ovinos e caprinos. A principal estratégia de controle é a manutenção de uma população reduzida de piolhos tanto nas instalações quanto no rebanho, através da utilização de vassoura de fogo nos apriscos e pulverizações com organofosforados ou piretróides, além da administração de antiparasitário do grupo das avermectinas.
A sarna é uma ectoparasitose proveniente de ácaros das mais diferentes espécies. A sarna psoróptica é a mais frequente nos ovinos lanados e é ocasionada pelo Psoroptes ovis, que vive e se reproduz na pele dos animais, alimentando-se do estrato córneo e restos celulares. Os animais parasitados sofrem lesões na pele, que acarretam depleção na qualidade do couro e geram sinais como prurido, inquietação, movimentos de coçar com as patas, mordedura das partes afetadas, emagrecimento progressivo e queda de pelo e lã. O tipo de sarna mais comum em cabras é a causada pelo P. Cuniculi.
No controle destes ectoparasitas deve-se tomar cuidado com os animais já acometidos; desta forma deve-se afastá-los do rebanho e só retornar após a cura total. A utilização de vassoura de fogo nas instalações é de grande valia. O tratamento dos animais acometidos deve ser composto por aplicação de ivermectinas por via parenteral associada a banhos com organofosforados (diazon) e piretróides (deltametrina e cipermetrina) em todos os animais do rebanho.
Já os carrapatos são os ectoparasitas menos comum nos ovinos e quase ausentes nos caprinos, não possuindo tamanha importância como na bovinocultura. Geralmente o carrapato que parasita ovinos é o Boophilus microplus, muito frequente nos bovinos. Estes carrapatos parasitam os ovinos quando há pastagens superinfestadas, condição que ocorre em propriedades de clima úmido e quando há criação junto a bovinos, principalmente quando há algum grau de sangue taurino. Os carrapatos parasitam os ovinos nas regiões do corpo em que a pele é mais fina, ou seja, face interna da coxa, úbere, escroto, pavilhão auricular e ao redor dos batoques. O tratamento e o controle destes ectoparasitas devem seguir o mesmo protocolo das sarnas.
As perdas econômicas das ectoparasitoses na caprinovinocultura são muito relevantes. O couro é o produto que mais sofre injúrias, sendo a maioria de caráter irreparável, prejudicando a comercialização deste produto. As perdas de peso nos animais parasitados podem levar ao aumento do tempo de abate e as complicações originadas a partir das ectoparasitoses podem afetar características produtivas de grande relevância para o setor.
Referências bibliográficas
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