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Intoxicação por closantel em pequenos ruminantes

Por Carmo Emanuel Almeida Biscarde , Leandro Rodello e Vitor Santiago de Carvalho
postado em 21/11/2011

16 comentários
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A verminose é um dos principais problemas sanitários que afeta a criação de ovinos e caprinos, podendo ter como consequências o crescimento retardado, perda de peso, redução no consumo de alimentos, queda na produção de leite e baixa fertilidade do rebanho, resultando em elevadas perdas econômicas. Nos casos de infecções maciças, são verificadas altas taxas de mortalidade, além de gastos no controle da verminose.

Para evitar esses entraves na produção de ovinos e caprinos faz-se necessário o uso de um adequado protocolo de vermifugação. Porém, a falta de informação de alguns produtores, vermifugando indevidamente os animais com o uso contínuo ou em subdoses de um determinado antiparasitário, pode ocasionar o surgimento da resistência anti-helmíntica. A falta de orientação ainda pode levar a ocorrência de intoxicações dos animais por superdosagem, ao achar que alcançará um resultado mais eficiente no rebanho.

Existem vermífugos com diferentes compostos e mecanismo de ação para determinado tipo ou mais de um tipo de parasitismo. Closantel é um antiparasitário que tem ação contra Haemonchus contortus, Fasciola hepática e Oestrus ovis. Esse antiparasitário pode ser aplicado por via intramuscular ou fornecido via oral, utilizado principalmente em bovinos, ovinos e caprinos. Quando esse composto é administrado em doses superiores às recomendadas, causa cegueira, com degeneração da retina e edema intramielínico do nervo óptico e outras áreas do sistema nervoso central resultando em incoordenação motora e em alguns casos, até morte.

A intoxicação por closantel afeta tanto ovinos e caprinos e ocorre acidentalmente quando o produto é utilizado em sobredosagem. Porém a intoxicação pode ocorrer também em rebanhos tratados com as doses recomendadas, só que calculadas com base no animal mais pesado.

Quando a dose é de 2 a 5 vezes maior que a recomendada, os sinais clínicos caracterizam-se por cegueira, dilatação da pupila, e o animal pode começar a andar em círculos. A cegueira aparece em 2 dias a 2 semanas após a administração. Quando a dose é 10 vezes superior, pode-se observar, além dos sinais anteriores, depressão acentuada, gemidos, paralisia dos membros, dor abdominal, o animal fica deitado, fraqueza, e cegueira bilateral.

Algumas alterações podem ser observadas em alguns órgãos como os olhos, coração, rins, fígado e algumas regiões do sistema nervoso.

Figura 1 -Dilatação acentuada de pupila, na intoxicação por closantel (Fonte: Furlan et al., 2009).



O closantel apresenta uma pequena margem de segurança. O seu uso nas mães e nos filhotes lactentes ao mesmo tempo, pode levar a intoxicação dos filhotes devido a dosagem adicional pela ingestão de leite.

Não há tratamento eficiente para os animais intoxicados e a cegueira é permanente. No entanto, outros sinais nervosos podem ser parcialmente reversíveis. Para prevenir a intoxicação deve-se calcular corretamente a dose de closantel à ser aplicada, tomando cuidado com animais de menor peso e mal nutridos.

Referências bibliográficas

ECCO, R.; BARROS, C.S.L.; GRAÇA, D.L. Alterações oftálmicas associadas à intoxicação experimental por closantel em caprinos. Arquivo Brasileiro de Medicina Veterinária e Zootecnia, v. 60, n. 1, 2008.

FURLAN, F.H.; LUCIOLI, J.; BORELLI, V.; FONTEQUE, J.H.; STOLF, L.; TRAVERSO, S.D.; GAVA, A. Intoxicação por closantel em ovinos e caprinos no Estado de Santa Catarina. Pesquisa Veterinária Brasileira, v. 29, n. 1, 2009.

GILL, P.A.; COOK, R.W.; BOULTON, J.G.; KELLY, W.R.; VANSELOW, B.; REDDACLIFF, L.A. Optic neuropathy and retinopathy in closantel toxicosis of sheep and goats. Australian Veterinary Journal, v. 77, n. 4, 1999.

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Comentários

gabriela almeida bastos

Montes Claros - Minas Gerais - Estudante
postado em 21/11/2011

Parabéns pela reportagem, muito boa. É de extrema importância a concientização de um manejo correto na aplicação dos vermifugos além do diagnóstico dos vermífugos utilizados e o teste de suas eficácias, pois só assim conseguimos controlar a verminose. Gostaria de saber quais são os nomes comerciais de vermifugos a base de closantel e o valor que eles se encontram no mercado.

Desde já muito obrigada
Aguardo resposta
Att,
Gabriela A. Bastos  

Nagato Nakashima

Candeias do Jamari - Rondônia - Consultoria/extensão
postado em 21/11/2011

A produção de alimento brasileiro duma maneira geral precisa melhorar a qualidade do produto na base da cadeia produtiva. Não é os frigoríficos e laticínios que vão fornecer a qualidade. Tenho tecido comentário da necessidade duma re-engenharia na cadeia produtiva. Sou médico veterinário, CRMVRO 0001, consultor de agronegócio é o que sinto nas conversas e discussões no meio.

Jordana Andrioli Salgado

Vila Velha - Espírito Santo - Pesquisa e consultoria
postado em 21/11/2011

Parabéns pelo artigo.
Eu sempre bato na tecla da importância da pesagem no cálculo de doses, principalmente de anti-helmínticos, evitando intoxicações por sobredosagem e resistência por subdosagem.

eldar rodrigues alves

Curitiba - Paraná - governo
postado em 21/11/2011

Muito bom Parabens !

Jordana Andrioli Salgado

Vila Velha - Espírito Santo - Pesquisa e consultoria
postado em 22/11/2011

Oi Gabriela, os princípios à base de closantel que eu conheço:
Galgosantel, Diantel e Zantec. Tem que cotar os preços.

Abraços.

Carmo Emanuel Almeida Biscarde

Cruz das Almas - Bahia - Médico Veterinário do CCAAB - UFRB
postado em 22/11/2011

Prezada Gabriela,
muito obrigado pelos comentários! Como a colega Jordana comentou anteriormente os nomes comerciais dos medicamentos são estes mesmo, desde já fica o agradecimento a mesma pelos esclarecimentos, com relação aos custos, o frasco com 250 mL de Diantel do laboratório Hipra que possui 10 % de closantel fica em torno de R$30,00; podendo se dosar cerca de 250 kg de PV em ovinos.
Ficam aqui meus sinceros agradecimentos e espero ter sido útil!
Muito Obrigado!

Carmo Emanuel Almeida Biscarde

Cruz das Almas - Bahia - Médico Veterinário do CCAAB - UFRB
postado em 22/11/2011

Prezada Jordana,
eu, em nome de todos autores, venho agradecer pelos comentários!
Muito obrigado e continue acompanhando-nos neste radar técnico!
Forte abraço!

Carmo Emanuel Almeida Biscarde

Cruz das Almas - Bahia - Médico Veterinário do CCAAB - UFRB
postado em 22/11/2011

Prezado Eldar,
eu, em nome de todos autores, venho agradecer imensamente sua participação.
Desde já fica o convite para leitura dos próximos artigos aqui neste radar técnico.
Muito obrigado!

Áureo Ribeiro Neves Neto

Santo Amaro - Bahia - Consultoria/extensão
postado em 22/11/2011

Saudações caros colegas,

Venho reafirmar a toxidade do closantel e complementar que verifiquei no decorer de vários tratamentos em diversos rebanhos de caprinos e ovinos no estado da Bahia ainda um efeito de aborto principalmente em ovelhas no terço final de gestação.Por isso cuidado no uso desse alopático.

Atenciosamnete
Aureo Neves  CRMV-Ba  2211

Edson F Evaristo de Paula

Curitiba - Paraná
postado em 23/11/2011

Boa noite, tudo bem?
Talvez a pergunta que eu iria fazer tenha sido, indiretamente, respondida pelo Áureo no post anterior.
Mas de qualquer forma, vocês têm mais informações/considerações sobre o uso desse anti-helmíntico em fêmeas gestantes?
Parabéns aos autores pelo artigo e também a Jordana pela discussão.
Abraços

LUIS EINAR SUÑE DA SILVA

Goiânia - Goiás - Consultoria/extensão rural
postado em 24/11/2011

Felicitações pelo artigo, achei muito oprtuno.
Usei o closantel em ovinos e igualmente resultaram animais intoxicados. Seus olhos ficam esverdeados e em midríase, aproximando-se de 5% de intoxicados.Alguns ficaram com cegueira total e outros parcal permanente. Não houve superdosagem. Temos tantos vermicidas no mercado que por isso não recomendaria novamente. Em bovinos apresenta resultados surpreendentes.
Ainda temos outro produto a base de closantel chamado Zuletel do Lab. Microsules - Uruguay.
Abraço
Luis Einar Suñe -  Med. Vet.
Goiás

José Braga

Juazeiro - Bahia - Revenda de produtos agropecuários
postado em 24/11/2011

Muito oportuna, boa reportagem. O taitec  lab. calbos  detalha restrições em animais com 28 dias que antecede o parto ou debilitados.

Jordana Andrioli Salgado

Vila Velha - Espírito Santo - Pesquisa e consultoria
postado em 24/11/2011

Oi Edson, a principal contra-indicação que eu conheço é do uso de Albendazol em início de gestação, a recomendação vem na bula, mas eu mesma nunca presenciei.
No mais, utilizando doses recomendadas em animais não muito debilitados e de forma não estressante acho que não tem problema. É válido ressaltar o que o autor comenta no artigo referente à administração em fêmeas lactentes e ao mesmo tempo no cordeiro, oque pode intoxica-lo.
Mais uma vez eu ressalto a importância da pesagem e do cálculo correto da dose, é muito importante manejar o rebanho de forma a não deixar os animais chegarem em alto grau de debilidade, pois nesse caso até mesmo as doses corretas podem causar intoxicação (muito comum acontecer com o Nitroxil- "Dovenix").

Abraços Edson.

Jordana Andrioli Salgado

Vila Velha - Espírito Santo - Pesquisa e consultoria
postado em 24/11/2011

Só para reforçar que o comentário acima foi em relação a todos os anti-helmínticos.
Mais especificamente sobre o Closantel, que foi o que o Edson perguntou, acho que também devemos levar em conta o que o José Braga falou sobre o final da gestação.

Att.

Vitor Santiago de Carvalho

Salvador - Bahia - Instituições governamentais
postado em 25/11/2011

Prezados colegas,

Agradeço os comentários sobre o artigo! Sobre a discussão sobre vermifugos e gestação, já se sabe que alguns princípios como o tiabendazol, albendazol e oxfendazol podem atravessar a placenta produzindo efeitos embriotóxicos no terço inicial ou efeitos teratogênicos no final da gestação, devendo ser evitados em animais gestantes.  Quanto ao Closantel desconheço estudos científicos que indiquem estes efeitos, porém realmente existe contradição entre bulas. No Brasil as bulas indicam a precaução na administração do produto no último mês da gestação, porém sem elucidar o motivo. Já em outros paises as bulas afirmam a segurança do uso em animais prenhes. Na literatura existe um estudo realizado por CHEVIS, R. (1977) utilizando ovelhas prenhes onde nenhum efeito negativo foi observado utilizando a dose padrão do closantel.
Caso alguém conheça algum estudo recente indicando problemas na gestação favor compartilhar!

Grande Abrç!

Rafael Baggio - Médico Veterinário

Curitiba - Paraná - Produção de ovinos de corte
postado em 20/02/2013


Prezados colegas,

Gostaria de aproveitar essa discussão e ouvir a opinião de vocês a respeito de um fato que aconteceu com um reprodutor Texel PO, de minha propriedade essa semana.

Esse reprodutor começou a apresentar sinais indicativos de Haemoncose (papeira, letargia, inapetência, prostração), logo, diante disso administrei via oral o Closantel, na dose máxima recomendada em bula de 1mL/5Kg, sendo Total de 14 mL para um reprodutor de 70Kg + 3 mL Via Oral de um polivitamínico com o intuito de potencializar o efeito com a vitamina B12.
Aproximadamente 3 (Tres) horas depois, fui verificar novamente e o animal continuava totalmente prostrado, sem levantar, mesmo com ajuda e com um FAMACHA grau 5. Pouco tempo depois o mesmo veio a falecer. OBS: O animal não estava apenas com papeira, a cabeça estava totalmente inchada.

Cabe ressaltar que o reprodutor estava em um piquete com pasto, porem ainda não posso afirmar se existem plantas toxicas no mesmo. Vou verificar.

Logo depois que o mesmo veio a falecer, foi observado alem da dilatação da pupila, uma grande presença de petéquias na língua, que me chamou muita atenção. Diante disso, venho perguntar aos colegas o que acham que pode ter acontecido, estou aberto a sugestões e a um debate:

* Suspeitariam de um caso de intoxicação por closantel? Se sim, o porque das petéquias e a cabeça totalmente inchada?

*  Suspeitariam de uma intoxicação por planta toxica? Qual planta poderia ser? Qual planta pode causar petequias?

Deixo aberto o debate.

abracao



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