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Oestrose ovina ou "bicho da cabeça"

Por Bruna Silva
postado em 05/02/2010

9 comentários
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A verminose é o principal problema sanitário dos rebanhos ovinos, no qual causa sérios prejuízos econômicos. Porém, é muito comum um animal ser parasitado por vários organismos simultaneamente, a exemplo dos ovinos, que geralmente são parasitados por nematódeos gastrintestinais e por larvas de Oestrus ovis.

A oestrose ou, como é comumente conhecida, "bicho da cabeça", é uma enfermidade causada pela mosca Oestrus ovis, um parasita que ocorre no mundo inteiro onde há rebanhos ovinos. As larvas desta mosca são parasitas obrigatórios das cavidades nasais e dos seios paranasais dos ovinos.

A mosca adulta é larvípara e pode depositar na cavidade nasal dos ovinos até 500 larvas durante o seu ciclo biológico, porém no ambiente ela tem um curto período de vida: cerca de duas semanas, pois a mesma não possui aparelho bucal e, portanto não se alimenta e sobrevive apenas das reservas energéticas acumuladas durante a sua vida parasitaria.

A mosca irrita os carneiros na ocasião da postura das larvas na cavidade nasal, que deixam de se alimentar para tentar se proteger dos seus ataques, escondendo o focinho no solo ou entre a lã de outros carneiros, balançando a cabeça e espirrando. As larvas possuem ganchos orais e espinhos na região ventral, que por sua vez, irritam a mucosa nasal dos ovinos, provocando inflamação e produção de exudato mucoso (Figura 1).

Os ovinos parasitados espirram constantemente, não se alimentam bem, e, portanto, apresentam redução na produtividade. Geralmente, a evolução desta enfermidade é benigna, porém, os casos de mortalidade não são raros, principalmente quando a infestação é pesada ou na ocorrência de infecção secundária (Hall & Wall, 1995).

Figura 1 - Ovelha com sinal clínico de oestrose.



A atividade da mosca Oestrus ovis e o desenvolvimento das larvas na cavidade nasal dos animais, assim como o período de pupa que ocorre no solo é muito influenciado pelas condições climáticas das diferentes estações do ano. Sabe-se que o desenvolvimento das larvas na cavidade nasal dos animais leva no mínimo 25-35 dias no verão para se completar, podendo chegar a até nove meses em regiões com clima temperado (Hall & Wall, 1995).

Figura 2 - Larvas de Oestrus ovis em diferentes estádios de desenvolvimento, recuperadas da cavidade nasal e seios frontais de um ovino naturalmente infestado.



É muito importante conhecer a biologia do parasita, e no caso de Oestrus ovis, saber qual é a época de maior infestação dos animais pelas larvas, para que desta forma seja possível elaborar estratégias de controle que limitem o contato entre parasita e hospedeiro. Há vários trabalhos sobre a epidemiologia da mosca Oestrus ovis em diversos países, tais como, Egito (Gaaboub, 1978); Zimbábue (Pandey, 1989); França (Yilma & Dorchies, 1991); Itália (Caracappa et al., 2000); Espanha (Alcaide et al., 2003), porém, no Brasil, há poucos estudos sobre a oestrose.

Na região Sul do país foi observado que a mosca está presente durante todos os meses do ano, mas as condições climáticas mais favoráveis para atividade da mosca foram observadas nos meses de primavera, verão e outono, época em que houve maior infestação dos animais pelas larvas (Ribeiro et al., 1990; Ramos et al., 2006).

O controle da oestrose nos ovinos é feita com a utilização de antiparasitários de ação sistêmica, que tenham como princípio ativo as avermectinas ou triclorfone. É importante realizar o tratamento em animais com sinais clínicos desta enfermidade, onde vale ressaltar a importância de utilizar dosagem do medicamento recomendada pelo fabricante, visto que alguns princípios ativos dos antiparasitários são extremamente tóxicos e se administrados de forma errada podem levar o animal a óbito.

Em Botucatu-SP, está em andamento um trabalho sobre a epidemiologia deste parasita, onde pretende-se ao final dos três anos experimentais implementar um tratamento estratégico com antiparasitários para minimizar a infestação dos ovinos pelas larvas de Oestrus ovis com base na sazonalidade da mosca e desta forma reduzir a carga parasitária dos animais nas épocas de maior infestação. Com certeza as informações que estão sendo obtidas neste experimento serão uma ferramenta importante e de grande utilidade para os criadores de ovinos do Estado de São Paulo.

Referências bibliográficas

ALCAIDE, M.; REINA, D.; SÁNCHEZ, J.; FRONTERA, E.; NAVARRETE, I. Seasonal variations in the larval burden distribution of Oestrus ovis in sheep in the southwest of Spain. Vet. Parasitol., v.118, p.235-241, 2003.

CARACAPPA, S.; RILLI, S.; ZANGHI, P.; DI MARCO, V.; DORCHIES, P. Epidemiology of ovine oestrosis (Oestrus ovis Linné 1761, Diptera: Oestridae) in Sicily. Vet. Parasitol., v.92, p.233-237, 2000.

Gaaboub, I.A. The distribution and seasonal dynamics of Oestrus ovis Linneu infesting the nasal cavities and sinuses of sheep in Egypt. Vet. Parasitol., v.4, p.79-82, 1978.

HALL, M. & WALL, R. Myiasis of humans and domestic animals. Adv. Parasitol., v.35, p.258-311, 1995.

PANDEY, V.S. Epidemiology of Oestrus ovis infection of sheep in the Highveld of Zimbabwe. Vet. Parasitol., v.31, p.275-280, 1989.

RAMOS, C.I.; BELLATO, V.; SOUZA, A.P.; AVILA, V.S.; COUTINHO, G.C.; DALAGNOL, C.A. Epidemiologia de Oestrus ovis (Díptera: Oestridae) em ovinos no Planalto Catarinense. Cienc. Rural, v.36, n.1, 2006.

RIBEIRO, V.L.S.; OLIVEIRA, C.M.B.; BRANCO, F.P.J.A. Prevalência e variações mensais das larvas de Oestrus ovis (Linneus, 1761) em ovinos no município de Bagé, RS, Brasil. Arq. Bras. Med. Vet. Zoot., v.42, p.211-221, 1990.

Yilma, J.M. & Dorchies, Ph. Epidemiology of Oestrus ovis in southwest France. Vet. Parasitol., v.40, p.315-323, 1991.

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Comentários

LAÍS SANTANA

Maringá - Paraná - Estudante
postado em 11/02/2010

Achei muito interessante o artigo sobre Oestrus ovis, pois é um problema realmente comum entre ovinos que eu venho observando. Porém, tenho uma curiosidade, se puderem, me respondam: adquiri um filhote de cachorro, raça Heeler, e ela estava com um comportamento estranho... e observei que parecia com o comportamento de ovinos infestados com Oestrus ovis; e não estava errada: dias depois, foram expulsas por via nasal da cadelinha, cerca de 10 larvas... a minha dúvida é se esse tipo de parasita é de fácil adaptação a qualquer tipo de animal. Obrigada!

Bruna Silva

Botucatu - São Paulo - Pesquisa/ensino
postado em 12/02/2010

Prezada Laís Santana
O parasita Oestrus ovis possui alta especificidade, ou seja, tem como hospedeiro preferencial os ovinos e caprinos. Porém, já li relatos de O. ovis parasitando humanos, mas é raro. Acredito que não seja impossível uma larva de O. ovis parasitar o cão, mas o que me causou espanto é o seu animal ter espelido 10 larvas. É mais provável que a cadela tenha sido infestada por larvas de outros dípteros, como por exemplo, a Cochliomya hominivorax (bicheira), pois a morfologia é parecida e também causa muito desconforto para o animal. Se você tiver guardado as larvas eu poderia fazer a identificação.
Qualquer dúvida, estou a sua disposição.
Muito obrigada!

Bruna

Marco Aurelio Steffani

Mariópolis - Paraná - Consultoria/extensão
postado em 23/03/2011

Bom dia, Bruna.
Gostaria de saber se existem trabalhos sobre resistência de determinadas linhagens de ovinos ao parasita Oestros ovis.

Valdeir Jose Moreira

Paraguaçu Paulista - São Paulo - Estudante
postado em 05/08/2011

eu estou fazendo um trabalho de conclusão de curso e preciso de sua ajuda :D

Bruna Silva

Botucatu - São Paulo - Pesquisa/ensino
postado em 09/08/2011

Prezado Marco Aurelio Steffani

Antes de mais nada me desculpe a demora em te responder, pois não recebi o e-mail com a tua pergunta, só vi agora.
Mas não existem muitos trabalhos sobre raças resistentes ao parasitismo por Oestrus ovis.
Eu fiz recentemente um trabalho comparando a raça Santa Inês e Ile de France em relação ao parasitismo e já posso te adiantar que não teve diferença entre as raças. Este artigo deve ser publicado em breve, assim que for publicado posso te enviar pois lá consta todos os detalhes, só me passe seu contato.

Grata

Bruna

Valdeir Jose Moreira

Paraguaçu Paulista - São Paulo - Estudante
postado em 12/08/2011

se puder ajudar me u e-mail é juninho_fifty@hotmail.com, conto com sua ajuda pois o minimo que voce puder ajudar ja ira ser de grande importancia.

fabio daniel godoi

Santo Antônio da Platina - Paraná - Produção de ovinos
postado em 17/10/2011

ola boa noite tenho uma criacao de carneiro  estou com problema do bicho da cabeca nos carneiros recem nacidos  menos de 2 messes qual o melhor tramento para sarar os animais tem uma que esta com o olho muito machucado pois fica se batendo muito o olho que devo fazer para sarar a carneira  obrigado   fabio

GENICE KUCARZ SCHIESSL

Bela Vista do Toldo - Santa Catarina - Produção de ovinos de corte
postado em 08/04/2014

BOA TARDE POIS, TENHO OVELHAS EM MEIO DO REBANHO QUE ESTÃO COM ESTES SINTOMAS E ALGUMAS QUE ESTÃO BEM DOENTE E NENHUM VETERINARIO CONSEGUE ACERTAR O MEMDICAMENTO.

Bruna Silva

Botucatu - São Paulo - Pesquisa/ensino
postado em 10/04/2014

Prezados Fabio e Genice,
Se realmente for oestrose, o tratamento deve ser feito com anti-helmíntico que apresenta ação sistêmica, tais como, triclorfon ou moxidectina.
Caso os animais não apresentem melhora vocês precisarão investigar melhor o problema para ver se não é alguma outra enfermidade que acomete o trato respiratório, como pneumonia.
Espero ter ajudado!

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