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Ovinocultura de leite - uma introdução

Por Rodrigo Martins de Souza Emediato e Sirlei Aparecida Maestá
postado em 13/09/2007

19 comentários
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No Brasil a ovinocultura vive um momento de crescente expansão e seguindo esta tendência, diversas universidades e institutos de pesquisas vêm desenvolvendo projetos na área. Entretanto, apesar de atualmente a carne ser o principal enfoque, tem-se observado um crescente interesse pela exploração da produção de leite, área carente de pesquisa e desenvolvimento de processos produtivos, principalmente pelo valor agregado que seus derivados possuem no mercado.

Considerando que o país importa queijos de leite de ovelha, ao gerar conhecimento e difundi-lo ao meio criatório brasileiro, podemos agregar valor ao sistema de criação e viabilizar a ovinocultura em pequenas e médias propriedades rurais espalhadas pelo Brasil. Sabendo que a capacidade de produzir leite dos ovinos, pelas características peculiares do próprio leite e da espécie, é menor do que de vacas, búfalas e algumas cabras, temos enquanto especialistas, que adquirir conhecimento e desenvolver técnicas que otimizem ao máximo a produção de leite.

Os países europeus, além de tradicionais na exploração comercial da ovinocultura, seja para corte, seja para leite, há cerca de cinco décadas se organizaram e elegeram uma ou duas raças com características potencialmente leiteiras e passíveis de melhoramento. É por isso que hoje, têm-se poucas raças realmente leiteiras e com nacionalidades distintas.

A produção de leite na Europa foi também uma estratégia para fixação dos produtores rurais em suas terras, diminuindo assim, o êxodo rural europeu, juntamente com o registro de denominação de origem para alguns queijos ovinos, valorizando-os ainda mais e capitalizando os produtores, que na sua grande maioria utilizam mão-de-obra familiar.

Abaixo é apresentado o mapa da região mediterrânea, região que concentra os maiores produtores de leite ovino. Em amarelo, os países produtores mais importantes. Apesar da França ser mundialmente conhecida pelos diversos tipos de queijos de leites bovino, caprino e ovino, com um dos queijos ovinos mais conhecidos do mundo (Roquefort), o país maior produtor de leite ovino é a Itália, com a maior bacia leiteira na região da Sardenha.

Mapa da região do Mar Mediterrâneo - bacia leiteira ovina no mundo.


Amarelo: Principais países produtores de leite;
Verde: Países produtores de leite (menor expressão).

Hoje, além dos países europeus, alguns do Oriente Médio, como Israel, também apresentam uma produção considerável de leite, seguidos pelos Estados Unidos e Canadá que iniciaram estudos e produção comercial de leite há pouco mais de 10 anos, e graças a forte atuação da extensão universitária junto aos criadores, os Estados Unidos já contam com mais de 100 produtores, principalmente no norte do estado de Wisconsin, bacia leiteira americana de leite bovino (THOMAS, 1998).

No Brasil, os primeiros registros encontrados da atividade leiteira foi em 1992, com a importação dos primeiros exemplares da raça Lacaune por empresários gaúchos e somente 12 anos depois, iniciaram-se os primeiros experimentos totalmente direcionados para a produção comercial de leite, pela FMVZ-UNESP-Botucatu, gerando conhecimento científico em condições brasileiras, ou seja, em clima tropical e com o decorrer dos anos, a geração de mão-de-obra especializada. Hoje, o Brasil conta com apenas 2 laticínios de leite ovino com serviço de inspeção federal (SIF) e alguns outros poucos e pequenos produtores de queijo ovino.

O leite de ovelha possui algumas características peculiares importantes e que podem fazer muita diferença do ponto de vista econômico caso não sejam consideradas, e a intenção é discuti-las ao longo de alguns artigos. Como exemplo: os sistemas produção de leite, a importância da morfologia do úbere, as características importantes de algumas raças, a importância da alimentação nos ovinos leiteiros, como o manejo dos cordeiros pode influenciar na produção e no retorno econômico da atividade, o comportamento das ovelhas na ordenha e os mecanismos fisiológicos que agem neste momento, entre outros.

Várias raças de ovinos dos trópicos e subtrópicos, (leiteiras ou não), apresentam produção de leite diária variando de 0,06 a 3,50 litros (GATENBY, 1986; BOCQUIER & CAJA, 1999; COWAN et al., 1981). Fatores como raça, ambiente, método de mensuração da produção de leite, idade da ovelha, estágio da lactação, número de cordeiros amamentados, técnicas de ordenha, estado sanitário e infecções de úbere, manejo do rebanho e nível nutricional durante a gestação e lactação são responsáveis por variações na produção e na qualidade do leite de ovelhas (LABUSSIÈRE, 1988; PEETERS et al., 1992; BENCINI & PULINA, 1997).

A produção de leite depende do número e atividade de secreção das células epiteliais da glândula mamária (ZAMIRI et al., 2001). Após o parto, semelhante ao que acontece com vacas leiteiras, as ovelhas iniciam uma fase ascendente de produção, involução dos órgãos reprodutivos, recuperação da capacidade de ingestão e do escore corporal e mudanças fisiológicas relacionadas com a produção de leite e cuidados com a prole (dependendo do manejo), refletindo principalmente nas exigências nutricionais e saúde do sistema imunológico destas matrizes. O número de células mamárias secretoras de leite diminui conforme a glândula mamária começa a regredir e estas mudanças são associadas com a redução na produção de leite (KNIGHT, 1989).

O potencial produtivo leiteiro das ovelhas, além do fator genético, nutricional e obviamente sanitário, está também relacionado com o manejo. A freqüência de ordenha depende do tamanho do úbere e do potencial de produção. Ovelhas de úberes menores precisam ser ordenhadas mais vezes do que ovelhas de úberes maiores, assim como ovelhas com alta produção de leite precisam ter o seu úbere esvaziado mais vezes para "liberar espaço" para a entrada de mais leite.

IZADIFARD & ZAMIRI (1997), verificaram em ovelhas Mehraban e Ghezel, que durante o período de amamentação, as que criaram cordeiros machos produziram 30% mais leite do que as que criaram fêmeas e após a desmama, o comprimento da lactação tendeu a ser maior (182,5 vs 166,7 dias) para as mães de filhotes machos (4,0 kg PV) do que fêmeas (2,8 kg PV). Segundo MARNET & NEGRÃO (2000) cordeiros gêmeos mamam por mais tempo (5,5 vs 3,5 min) e suas mães produzem mais leite (764 ± 113 vs 551 ± 86 ml) quando comparados com ovelhas com apenas um cordeiro.

Ovelhas de primeira cria produzem menos leite do que ovelhas mais velhas, e a produção máxima é geralmente alcançada na terceira ou quarta lactação, sendo que, após essa fase, a tendência é ocorrer uma redução da produção de leite por lactação (BENCINI & PULINA, 1997). No trabalho realizado por HASSAN (1995), raças nativas do Egito não diferiram significativamente na produção de leite com relação à idade, mas notou-se uma tendência de ovelhas com 3 e 4 anos, apresentarem maiores produções e persistência de lactação. Além da idade da ovelha, a produção e a composição do leite podem estar relacionadas com o estágio da lactação.

Segundo DePETERS & CANT (1992), a composição do leite pode ser afetada por fatores tanto nutricionais (composição da dieta) quanto não nutricionais (sistema de produção, comportamento, clima, sanidade, entre outros), e geralmente o aumento da produção de leite é inversamente proporcional com a concentração dos seus constituintes (HENDERSON & PEAKER, 1987).

Abaixo, quadro comparativo dos teores de proteína e gordura de diversas raças de ovelhas.

Quadro 1.Composição do leite de ovelhas de diferentes raças


Em todo o mundo, a maior parte do leite de ovelha produzido é transformado em queijos, mas há também a possibilidade de produtos como manteigas, iogurtes, doce de leite, leite condensado e sorvetes, o que nos permite enxergar um mercado de produtos diferenciados para consumidores que se preocupam com a qualidade dos alimentos que consomem e com a sua saúde.

Devido às características do leite de ovelha, com alto teor de gordura, o rendimento para a produção de queijos é muito superior aos leites de vaca e cabras (cerca de 5 litros de leite/kg de queijo), o que reflete positivamente para a indústria e também para o produtor que poderá exigir um preço diferenciado por este leite. O leite ovino é um produto que pode ter valor agregado quando transformado em queijo ou outros derivados, contribuindo para o aumento da receita do produtor rural (OCHOA-CORDERO et al., 2002).

Rico em cálcio, fósforo, algumas vitaminas (A, B12), ácidos graxos polinsaturados e outros minerais, o leite de ovelhas, assim como seus derivados são uma excelente fonte dietética de nutrientes.

Bibliografia consultada

BENCINI, R., PULINA, G. The quality of sheep milk: a Review. Wool Technology and Sheep Breeding, v.45, n.3, p.182 - 220, 1997.
BOCQUIER, F.; CAJA, G. Effects of nutrition on ewes' milk quality. 1999. Pages 1-15 in Proc. 5th Great Lakes Dairy Sheep Symp., Univ. Wisc.-Madison, Dept. Anim. Sci. and Univ. of Vermont, Cntr. Sustainable Agric. 1999.
COWAN R.T.; ROBINSON J.J.; MC HATTIE I.; PENNIE K. Effects of protein concentration in the diet on milk yield change in body composition and the efficiency of utilization of body tissue for milk production in ewes. Animal Production. v.33, p. 111-120, 1981.
DePETERS, E.J., CANT, J.P. Nutritional factors influencing the nitrogen composition of bovine milk: a review. Journal of Dairy Science , v.75, p.2043-2070, 1992.
GATENBY, R.M. Sheep Production in the Tropics and Sub-tropics. Longman. London, p.202-216, 1986.
HASSAN, H.A. Effects of crossing and environmental factors on production and some constituents of milk in Ossimi and Saidi sheep and their crosses with Chios. Small Ruminant Research, v.18, p.165-172, 1995.
HENDERSON, A.J., PEAKER, M. Effects of removing milk from the mammary ducts and alveoli, or of diluting stored milk , on the rate of milk secretion in the goat. Experimental Physiology, v.72, p.13-19, 1987.
IZADIFARD, J., ZAMIRI, M. J. Lactation performance of two iranian fat-tailed sheep breeds. Small Ruminant Research, v.24, p.69-76, 1997.
KNIGHT, C.H Constraints on frequent or continuous lactation. Proceedings of the Nutrition Society, v.48, p.45-51, 1989.
LABUSSIÈRE, J. Review of physiological and anatomical factors influencing the milking ability of ewes and the organization of milking. Livestock Production Science, v.18, p.253-274, 1988.
MARNET , P. G., NEGRÃO, J. A. The effect of a mixed-manegement system on the release of oxytocin, prolactin, and cortisol in ewe during suckling and machine milking. Reproduction Nutrition Development, v.40, p.271-281, 2000.
OCHOA-CORDERO, M. A., HERNÁNDEZ, G. T., ALFARO, A. E. O., ROQUE, L. V., MANDEVILLE, P. B. Milk yield and composition of Rambouillet ewes under intensive management. Small Ruminant Research, v.43, p. 269 - 274, 2002.
PEETERS, R., BUYS, N., ROBIJNS, L., VANMONTFORT, D. e ISTERDAEL, J.V. Milk yield and milk composition of Flemish Milksheep, Suffolk and Texel ewes and their crossbreds. Small Ruminant Research, v.7, p.279-288, 1992.
THOMAS, D. L. Dairy sheep basics for beginners. 1998. Pages 70-77 in Proc. 4th Great Lakes Dairy Sheep Symp., Univ. Wisc.-Madison, Dept. Anim. Sci.
ZAMIRI, M. J, QOTBI, A., IZADIFARD, J. Effect of oxytocin on milk yield and lactation length in sheep, Small Ruminant Research, v.40, p.179-185, 2001.

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Comentários

Elídia Zotelli Dos Santos

São Paulo - São Paulo - Estudante
postado em 13/09/2007

Parabéns para os Doutores pelo ótimo artigo, vou esperar pelos outros sobre os sistemas de produção , falta pesquisas mesmo sobre esse sistema que só tem a crescer no Brasil, e as diferenças sobre o teor de gordura de raça para raça são impressionantes. Que raça vocês indicariam para ser utilizada em um sistema de produção em SP? E o consumo interno sobre esses subprodutos pelo menos o queijo , é grande ?

Obrigado,
Atenciosamente,
Elídia Zotelli
Estudante de Zootecnia

Resposta do autor:
Prezada Elídia,

Bom dia,

Obrigado pelo comentário, é bom saber que estudantes como você já se interessam pela atividade, assim num futuro próximo, quem sabe a ovinocultura de leite se torne uma atividade importante no país.

Bom, esta sua pergunta é uma das mais comuns para qualquer espécie, seja bovino, ovino, caprino, etc, assim como sobre qual a melhor forrageira para tais espécies.

O que temos que pensar inicialmente é: Quais raças temos disponíveis atualmente? Resposta: a única raça comprovadamente leiteira é a Lacaune, a não ser que vamos pensar em importação de raças, aí as possibilidades aumentam.

Se for o caso, qual importar?
Cada país europeu possui uma ou duas, às vezes três raças melhoradas para o leite, geralmente, quando é mais de uma raça, é uma para a região de planície e outra de montanha, ou de uma região importante e dependente da ovinocultura de leite. Por exemplo a raça Serra da Estrela não é uma das raças mais produtoras, mas é uma raça importante de Portugal, da região de Serra da Estrela, de onde se faz o queijo Serra da Estrela. Existe aí cães pastores Serra da Estrela... assim você pode ver como esta região é dependente da ovinocultura e do nome para sobreviver. Além do queijo Serra da Estrela, um dos mais famosos e apreciados queijos, é também uma região turística importante de Portugal.

Quando pensamos em criar comercialmente uma espécie animal, temos que pensar primeiro na interação genótipo-ambiente, ou seja, será que a raça que eu quero irá se adaptar a minha região? Por exemplo: Será que a raça Santa Inês ou Dorper se adapta bem à regiões muito frias ou que nevam? Pensando que eles são originários de regiões tropicais e são deslanados, ou seja, não possuem isolamento térmico natural, provavelmente não seriam tão produtivos quanto em regiões tropicais. Mas existem casos, como a vaca holandesa, que veio da Europa, região fria e é criada em praticamente todas as regiões do mundo, mas vacas puras e produtivas precisam de vários sistemas que mantenham o seu ambiente em temperaturas amenas para que os animais não percam produtividade. Por exemplo em Israel, há relatos de vacas criadas em ambientes com sistemas de refrigeração de ar, como um ar condicionado... lá isto parece ser economicamente viável, mas será que aqui no Brasil isto também seria viável? Provavelmente não.

Entre as raças ovinas, também em Israel, criou-se uma raça, a Assaf (cruza de East Friesian (a holandesa das ovelhas) com a Awassi, ou seja, a Assaf é como se fosse a nossa Girolando. Assim a Assaf é menos produtiva e menos exigente (mais "rústica") que a East Friesian, e consequentemente mais produtiva e mais exigente que a Awassi. Portanto criaram uma raça intermediária e adaptada ao ambiente de Israel.

Outra coisa a se pensar é a finalidade da propriedade: Será para fabricar o quê? apenas queijos? queijos, iogurtes, etc? Vai ser produção artesanal ou industrial? Quanto se tem para investir? e aí entre as raças disponíveis, ver a que melhor se enquadra na situação pretendida. Por exemplo, se a produção será artesanal, ou de baixa escala, tavez não seja necessário investir em uma East Friesian, que é mais exigente e mais produtora de leite, e sim em uma mais "rústica" com menor produção e que atenda aos objetivos da propriedade.

Para quem não tem experiência com a atividade, pode ser uma boa opção começar com uma raça brasileira, como a Bergamácia, por exemplo, pois além de já estar completamente adaptada ao Brasil, possui uma produção de leite razoável e está sendo estudada na UNESP de Botucatu para a produção de leite, além de provavelmente os reprodutores terem menores preços no mercado.

A Assaf parece ser também uma boa opção. Ouvi dizer que alguns empresários estão vendo a viabilidade de importar exemplares de Israel.

Talvez num futuro de longo prazo, quando a atividade ser tornar importante no Brasil, possa ser pensado em desenvolver uma raça leiteira de ovino, como a Assaf.

Com relação ao consumo de derivados do leite ovino, primeiramente gostaria de lhe corrigir. Os queijos, iogurtes, sorvetes, etc não são subprodutos, são produtos da ovinocultura de leite. Os queijos ovinos importados são encontrados no mercado brasileiro na faixa de preços de R$150,00 a R$200,00/kg. Portanto são produtos extremamente nobre e sofisticados.

Subprodutos são geralmente "coisas"que antes eram descartadas até que se encontrou uma finalidade para seu uso. Por exemplo: no concentrado dos animais de produção quase todos os ingredientes são subprodutos da agroindústria, são alimentos que não sevem para o homem e antes que serem usados na alimentação animal era lixo. A polpa cítrica antigamente era doada para quem quisersse, pois ninguém sabia o que fazer com ela. Pagava-se apenas o frete do transporte, hoje é um ingrediente inportante na produção de ruminantes de SP e região. No Pará, onde dou consultoria, existem várias beneficiadoras de arroz, e a casca de arroz é muitas vezes queimada, gerando poluição ambiental, e quem quiser é só ir nas beneficiadoras e pegar gratuitamente, pois como a produção da casca é muito maior do que o consumo, hoje ela é um transtorno para as beneficiadoras... mas amanhã a procura pode ser maior do que a produção e eles começarem a cobrar. Aqui em SP a casca de arroz pode ser comprada por cerca de R$ 130,00/tonelada. OK?

Bom, com relação ao consumo, assim como acontece com a carne de ovinos, a procura é maior do que a oferta, assim é necessário importar queijos, principalmente, a preços exorbitantes, mas mesmo assim tem consumo. Não é qualquer um que compra este tipo de produto, mas existe um potencial mercado que ainda é pouquíssimo explorado no Brasil. Quando você for em algum supermercado de rede observe a sessão de queijos, geralmente encontramos queijos caprinos e bubalinos à preços altos, e provavelmente êstes queijos tem saída, senão o supermercado não iria estar sempre oferecendo... e o queijo ovino, você encontra? Geralmente não, pois os nacionais não dão cota de fornecer para estas redes e às vezes os importados ficam tão caros que as redes não querem correr o risco de ter o produto "encalhado" no estoque.

Bom, acho que escrevi demais, espero ter ajudado,
Atenciosamente,
--
Rodrigo M. S. Emediato

Leandro Pedroso Mendes

Alegrete - Rio Grande do Sul - Consultoria/extensão
postado em 14/09/2007

Bom dia,

Qual a melhor raça de produção de leite, a Lacaune ou a Frisona (East friesian - Ostfriesisches milchschaf)? Quais as vatangens e características das Frisonas criadas do Uruguai e Argentina? Gostaria de mais informações se possível sobre as Frisonas.

Atenciosamente, Leandro

Resposta do autor:
Leandro, Bom dia,
A raça East Friesian é originária da região de Friesland da costa do Mar do Norte à Nordeste da Alemanha e costa norte da Holanda, por isso o nome East, que significa leste, oriente. É considerada a raça ovina de maior potencial de produção de leite e por coincidência, é da mesma região de origem da vaca holandesa (maior produtora de leite bovino). Hoje a East Friesian é encontrada pricipalmente em países europeus, América do Norte, Nova Zelândia e Austrália.

A Lacaune é de origem francesa e o maior rebanho da raça se encontra na França, onde existe um antigo programa de melhoramento genético para produção e qualidade do leite. Junto com a East Friensian, é uma das raças mais conhecidas no mundo para a produção de leite. O queijo Roquefort, para receber o nome com denominação de origem, tem que ser feito com leite de Lacaune, entre outras caracterizações.

Assim como para a produção de cordeiros para corte existem várias raças boas e produtivas, para o leite isto não é diferente. Ambas as raças (Lacaune e East Friensian) são excelentes produtoras de leite e muito utilizada no mundo.

A maior diferença entre a East Friesian (EF) e Lacaune (LC) são:
Volume de produção de leite: EF ~ 600 litros/lactação; LC ~ 270 litros/lactação
Comprimento de lactação: EF ~ 220 dias; LC ~ 165 dias
Prolificidade (nº cordeiros/parto): EF ~ 2,8; LC ~ 1,5
Teor de sólidos totais no leite: EF: menor; LC: maior
Exigências Nutricionais: EF: alta; LC: média
Porte: EF: grande (fêmeas de ~ 90kg); LC: média (fêmeas de ~ 60kg)

Com relação à nomenclatura, Ostfriesisches Milchschaf, East Friesian ou Frisona é a mesma coisa, o primeiro é alemão, Frisona é mais usado em países de língua espanhola, como é o caso da Argentina e Uruguai e East Friesian é mais comum nos outros países do mundo, inclusive no Brasil. Como exemplo, a vaca holandesa também é chamada de Frisona em alguns países (observe outros nomes do gado holandês: Frisona, Friesian, Holstein, Holstein-Friesian, Holandesa, Holando Argentino, etc).

Infelizmente não tenho informações precisas sobre as Frisonas argentinas e uruguaias, mas não devem ser muito diferentes das East Friesian criadas nos países que já há algum tempo produzem leite ovino comercialmente. Pelo que sei, eles importaram alguns exemplares de EF inicialmente para aumentar a prolificidade das matrizes de corte e anos depois para iniciar a produção ovina leiteira, semelhante como foi feito no Rio Grande do Sul com a Lacaune. Por exemplo, a Lacaune do RS não difere muito na Lacaune da França, com exceção provavelmente de as brasileiras já estarem adaptadas ao nosso clima e alimentação.

Abaixo links de sites que falam sobre raças ovinas.
http://www.viarural.com.ar/viarural.com.ar/ganaderia/asociaciones/exteriorovinos/default.htm

http://www.sheep101.info/breeds.html

Espero tê-lo ajudado,
Atenciosamente,

Clério Soares Moulin carias

Alegre - Espírito Santo - Médico Veterinário Autônomo
postado em 14/09/2007

Gostaria de parabenizar o colega Rodrigo pelo presente artigo, e aproveitar a oprtunidade para pedir um melhor esclarecimento sobre as raças de maior potencial leiteiro para o Brasil, e onde estão os principais polos leiteiros.

Atenciosamente, Clerio S. M. Carias

Resposta do autor:
Prezado Clerio,

Obrigado pelo comentário.

Existem algumas principais raças, a maioria delas européias.

A mais produtora de leite é a East Friesian, de origem Alemã/Holandesa, com produção média de 2,6l/dia em cerca de 210 dias de lactação (600 litros/lactação). É a vaca holandesa das ovelhas, e por coincidência, tem a mesma origem destas vacas.

A Lacaune, talvez a mais conhecida no mundo, é de porte menor (fêmea de 60kg, contra 90kg da East Friesian) produz cerca de 270 litros por lactação de 165 dias. Há relatos de média diária de 2,0 litros.

Outras raças, menos famosas, mas não menos produtoras, são a Awassi e Assaf (Israel), Churra e Manchega (Espanha), Comisana e Sarda (Itália) e Serra da Estrela (Portugal).

Existem muitas raças que recebem o nome da região de onde são criadas, como a nossa Santa Inês e Morada Nova, mas não são tão produtoras de leite como estas, pois somente algumas participaram do elaborado programa de melhoramento genético europeu.

Todos estes países europeu produzem quantidades razoáveis de leite, com alguns queijos bastantes conhecidos, mas os principais produtores são Itália e França.

Os Estados Unidos e Canadá estão fazendo um bom trabalho de extensão e acredito que num futuro próximo possam também se destacar nesta área.

Espero ter ajudado e desculpe a demora em responder,

Atenciosamente,
--
Rodrigo M. S. Emediato

Normann Kalmus

Campo Grande - Mato Grosso do Sul - Produção de ovinos
postado em 16/09/2007

Rodrigo e Sirlei,

Extremamente interessante e de grande valia o trabalho apresentado. Tais estudos ajudam a definir as perspectivas do mercado potencial para aqueles que estiverem interessados em investir na atividade de forma planejada.

Se me permitirem apresentar uma sugestão, que tal conhecer os volumes importados e os valores e origem dos mesmos?

Parabéns e prossigam nesse trabalho tão importante.

Normann Kalmus

Resposta do autor:
Prezado Normann,

Obrigado pelo comentário e sugestão. Já faz algum tempo que tento encontrar estes números (importação, consumo e R$), mas as informações são muito escassas. Em breve irei apresentar alguma coisa na área econômica, que acredito ser de interesse de muita gente.

Um abraço e caso tenha mais alguma sugestão por favor entre em contato.

Rodrigo M. S. Emediato

ana maria bandeira vilela e silva

Boa Esperança - Minas Gerais - Produção de café
postado em 18/09/2007

Gostei da reportagem e já tinha algum conhecimento do assunto. Gostaria de lhes perguntar se conhecem algum(a) produtor(a) que tenha conseguido financiamento com crédito rural para investimento na produção de leite/queijo de ovinos. Caso positivo, qual foi o banco?
Obrigada,

Ana Maria

Resposta do autor:
Prezada Ana Maria,
Infelizmente não poderei lhe ajudar nesta questão. Mas sei que o BNDES tem algumas linhas de financiamento muito atrativas, como por exemplo:

PRODEAGRO - Programa de Desenvolvimento do Agronegócio (olhe a modalidade III)
http://www.bndes.gov.br/programas/agropecuarios/moderagro.asp

Linha especial de financiamento agrícola.
http://www.bndes.gov.br/programas/agropecuarios/espagric.asp

O primeiro permite financiamento de constraução e reforma de benfeitorias, aquisição de matrizes, etc. Tx de 6,75 a.a. e financia até 100% do projeto em 60 meses com 24 meses de carência.

O segundo financia entre outras coisas, ordenhadeiras mecânicas, tanques de resfriamento e homogeneização de leite; tx de 12,35% a.a. em até 60 meses, com 12 de carência.

Acho que vale a pena reservar um tempo para ler com calma as informações dos links acima.

Desculpe não poder ajudá-la completamente,
Atenciosamente,
--
Rodrigo M. S. Emediato
Zoot. MSc Nutrição e Produção Animal
FMVZ/UNESP - Botucatu/SP

Jane Lúcia Fonseca de Barros

Paraibuna - São Paulo - Instituição financeira
postado em 23/09/2007

Olá Rodrigo,

Você falou na raça Bergamácia, a UNESP teria exemplares já melhorados para vender? E quanto de leite elas estão produzindo? Também gostaria de saber onde posso ter acesso a publicações sobre o assunto, e cursos.

Obrigada.

Resposta do autor:
Prezada Jane,

O processo de melhoramento genético é demorado. A raça Bergamácia é criada aqui na UNESP há muitos anos, mas a produção de leite começou apenas em 2004, portanto não posso garantir que já existam animais melhorados para produção de leite, mas sim animais em fase de melhoramento. Geralmente no final e começo de cada ano há venda de animais, a maioria machos.

Os experimentos realizados na UNESP o ano passado foram com apenas uma ordenha ao dia e o leite mamado pelo cordeiro não foi considerado, assim conseguimos médias de cerca de 0,5 litro/dia, mas algumas ovelhas alcançaram pico de lactação de mais de 1 litro (sem considerar o leite mamado pelo cordeiro). Paredce pouco mas é uma quantidade razoável para a raça. Este ano será realizado um experimento (em Outubro) com duas ordenhas diárias e desmama precoce do cordeiro (48 hs) e aí poderemos saber quanto realmente a Bergamácia pode produzir.

Infelizmente não tenho conhecimento sobre cursos sobre criação ovelhas leiteiras ou produção de queijo ovino, mas uma dica para quem nunca fez queijo é começar com os mais fáceis e com leite bovino, como o frescal e ricota.

As publicações são praticamente todas em inglês e artigos científicos em inglês, espanhol, italiano e francês. Em português tem a minha dissertação de mestrado e as outras dissertações e teses que serão defendidas a cada ano na UNESP. Entre em contato com eles pelo site da faculdade:
http://www.fmvz.unesp.br/Departamentos/dpea/Areas/OVINO/int_areas_dpea_ovino.php e entre em contato com o Profº Edson ou Simone.

Um abraço,
--
Rodrigo M. S. Emediato
Zoot. MSc Nutrição e Produção Animal
FMVZ/UNESP - Botucatu/SP

Anelize Amorim

Aracaju - Sergipe - Estudante
postado em 23/09/2007

Olá Rodrigo,

Me formarei final do ano que vem em medicina veterinária e minha monografia será sobre mastite em ovinos. Você não sabe o quanto eu fiquei feliz em saber que existe produção de leite ovino siginificativo no Brasil e mais feliz ainda em saber que existe até latícinio com inspeção federal( sempre falei de leite de ovelha e alguns professores torceram o nariz).

Há dois períodos atrás comecei a me interessar por ovinos e o que mais me entristecia era que eu só tinha as possibilidades (aqui no Brasil) para trabalhar com genética ou ovino de corte. Sempre escutei que ovino não produzia leite e que o único interesse em pesquisar mastite em ovinos seria para eu provar que em ovelhas com mastite os cordeiros perdiam peso....esse seu artigo me fez abrir novas pespectivas e campos de trabalho, agora sabendo que eles existem e estão aí sendo produzidos!!!!

Adorei o artigo de vocês.

Luiz Temido

Miguel Pereira - Rio de Janeiro - empresario
postado em 11/10/2007

Parabens Rodrigo e Sirlei pelo artigo.
Temos algumas Bergamácia q chegaram a picos de 1,250 dia. Já nossas Lacaune tem regularmente produções maiores e periodos de produção mais longos. Para o ano tentaremos a mistura das duas para ver o q dá.

Francisco de Assis Lamar

São Luís - Maranhão - Produção de leite (de vaca)
postado em 14/10/2007

Olá rodrigo,

Gostei muito do seu artigo, mas o que achei interessante foi sua disposição em responder as pessoas em suas dúvidas,parabens! Se todos os autores fossem assim, seria òtimo. Eu gostaria de saber como seria o manejo e as instalções para ovinos de leite, principalmente paras as raças mais exirgente como a East Friesian, e qual o ìndece em termoneutralidade para a mesma?.

Lamar

Resposta do autor:
Prezado Lamar

Desculpa pela demora e obrigado pelas palavras, mas acho que respondendo uma pergunta aqui no portal Farmpoint, estarei automaticamente respondendo muitas outras semelhantes e também divulgando a ovinocultura de leite, tão desconhecida no nosso país. Claro que tenho muito a aprender ainda, mas se cada um colocar o que sabe num mesmo lugar, os conhecimentos irão se completar.

Quanto a pergunta sobre manejo, peço que aguarde mais uns dias, pois estou terminando um artigo sobre o assunto e assim acredito que poderei dar uma resposta mais completa.

Quanto a East Friesian, como comentei em uma pergunta sobre raças, ela é de origem alemã/holandesa, ou seja, clima temperado e frio, e além dos países europeus, é criada em países como Estados Unidos, Canadá, Nova Zelândia e países do sul da América do Sul, como Argentina e Uriguai (chamadas de Frisonas), entre outros. Ou seja, países de clima predominantemente frio ou ameno. Provavelmente com verões mais quentes, mas nada comparado com o clima do Norte e Nordeste brasileiro. Tenho ido para o leste do Pará, bem próximo ao Maranhão e vi e senti como o sol é forte nesta região.

Infelizmente não sei informar a termoneutralidade da East-Friesian e também ainda não encontrei informações confiáveis a respeito, mas considerando sua origem, acredito que deva ser algo como o do gado Holandês, por volta de 18 a 20ºC.

A East-Friesian, como comentei em outras perguntas são as holandesas dos ovinos, ou seja, muito produtora e muito exigente não só nutricionalmente, mas também em conforto térmico e bem-estar ambiental. Já é consolidado o conceito de que qualquer desconforto ou desbalanço na vida de um animal, principalmente leiteiro, refletirá em queda de desempenho, seja produtivo ou reprodutivo. Assim recomendo que se houver intenção de criar esta raça na sua região, que comece com cruzamentos com raças adaptadas e vá observando o desempenho e bem-estar dos animais conforme o grau de sangue vai sendo apurado, se por acaso quiser começar com raça pura, lembre-se que animais jovens tendem a se adaptar mais facilmente do que animais adultos.

E finalmente sobre as intalações: não há muito segredo sobre isto, mesmo pelo fato de serem leiteiras, as intalações devem ser aquelas que permitam o conforto térmico, limpas e secas. Se a umidade for tão alta como é no Pará, recomendo que seja suspensa, e a alimentação deve ser sempre balanceada para cada categoria. Apesar de a alimentação aparentemente não ter nada haver com as instalações, não podemos deixar de dizer que dietas desbalanceadas podem gerar aumento de incremento calórico pelo animal, seja para excretar excessos de proteína, seja para digerir e metabolizar o volumoso. Assim, a formulação da dieta pode ser uma ferramenta para minimizarmos estes fatores de estresse térmico em ruminantes. A sala de ordenha vai depender do seu objetivo e poder de investimento, pode ser simples, com ordenhadeiras de balde ao pé, como pode ser uma sala de ordenha completa, com todos os equipamento instalados, semelhantes aos usados com bovinos.

Uma sugestão com relação à instalação, é fazer o pé direito das instalações altos, para favorescer as ventilaçào e troca de ar, orientação das instalações para que o sol passe pela cumeeira, área de solário, para os animais terem acesso ao sol durante o dia e se possível instalação de cortina, para evitar que chuvas com ventos molhem o interior da instalações e ventos muito fortes ou constantes sejam bloqueados ou desviados com o manejo das cortinas.

Lembrar sempre de disponibilizar água fresca e limpa sempre disponível e próxima, área de sombra suficiente para todos os animais e pasto, se não for confinar, de qualidade.

Espero tê-lo ajudado,
Um abraço,
--
Rodrigo M. S. Emediato
Zoot. MSc Nutrição e Produção Animal
FMVZ/UNESP - Botucatu/SP

José Daniel Cazale

Camboriú - Santa Catarina - Pesquisa/ensino
postado em 03/04/2008

Qual o potencial da raça Bergamácia para a produção de leite? Existem rebanhos no Brasil?

Resposta do autor:

Prezado José Daniel Cazale,

A Unesp de Botucatu tem realizado pesquisas exclusivamente com produção de leite desde 2004, é um período muito curto ainda, mas pelos resultados dos experimentos, temos visto que elas são capazes de produzir em média cerca de 1,2 a 1,3 litros/dia quando o cordeiro é desmamado precocemente, com ração bem balanceada, silagem de milho e em quantidade suficiente e duas ordenhas por dia...

Considerando que outra raça, a Lacaune que já está no Brasil desde 1994, tem apresentado alto valor no mercado, a Bergamácia pode ser um bom investimento inicial. Outra raça que está chegando ao Brasil é a East Friesian, maior produtora de leite entre as ovelhas, mas ainda sem dados de produção no Brasil.

O senhor encontrará animais (Matrizes e carneiros) Bergamácia em Botucatu, na UNESP, lá fale com a Profª Simone (14-3811-7185 ramal 219), geralmente eles vendem animais no final e começo de cada ano... Se eu não me engano, para este ano ainda tem animais para vender.

Outra pessoa que pode ter é o Sr Luis Otávio do Mato Grosso do Sul, se não me engano, o rebanho dele foi formado com animais da UNESP. A Profª Simone tem o contato dele.

Sei que na Universidade Estadual de Maringá tinha alguns animais, procure o professor Francisco Assis, pode ser que eles ainda tenham.

E soube que em Brasília tinha também, mas não tenho certeza se era da Universidade... talvez na ARCO eles possam lhe informar.

Fico à disposição para quaisquer outras informações que souber,

Um abraço

GLADSTON FREITAS COELHO MUNIZ

Olinda - Pernambuco - Produção de ovinos de corte
postado em 19/05/2008

É possivel produdir queijo de qualide apartir de ovelhas corte: mestiças de Santa Inês e Dorper?

Rodrigo Martins de Souza Emediato

São Paulo - São Paulo - Indústria de laticínios
postado em 26/05/2008

Prezado Gladston Muniz,
A sua pergunta é muito pertinente, pois muitos têm dúvidas/curiosidades sobre este assunto.

Sobre a raça Dorper, infelizmente nunca vi dados sobre produção de leite, mas por se tratar de uma raça altamente especializada em produzir carne e porte relativamente pequeno, provavelmente não deve apresentar produção de leite para ser ordenhado. A quatidade de leite produzida deve ser suficiente apenas para sustentar seus filhotes. Possui um úbere bem formado, porém pequeno, o que reflete em necessidade de várias ordenhas diárias, uma vez que quando o úbere fica cheio de leite, a secreção de leite tende a diminuir ou até parar.

Já a Santa Inês é uma grande dúvida, pois apesar de ser provavelmente a raça mais populosa e de grande importância econômica-social, pouco se sabe sobre suas potencialidades leiteiras, já que é considerada uma boa matriz e apresenta boa produção de leite (cerca de 1,5 litros/dia em condições experimentais).

Existerm muitos relatos de alta incidência de mastite em Santa Inês, o que geralmente está relacionado com produção de leite. Mas é preciso investigar mais sobre isso, já que existem também, relatos de ovelhas desta raça que pararam de produzir leite antes da desmama dos cordeiros.

Na USP, em Pirassununga, estão começando a pesquisar outros fatores, como caracteristicas de úbere, imagens de ultrassom da glandula mamária, comportamento durante a ordenha entre outros, exatamente para conhecermos mais sobre a Santa Inês e sabermos ela é ou não uma raça que pode ser selecionada para produzir leite.

Voltando a sua pergunta: O queijo será de qualidade, somente se o leite for de qualidade (higiene e manejo dos animais) e se houver higiene durante a produção e maturação (quando for o caso) do queijo.

De forma artesanal, pode até ser possível, porém, acredito que seja bastante trabalhosa, já que animais não habituados a ser ordenhados, são mais agitados durante a ordenha.

Já de forma comercial (grande escala), acredito ser ainda um pouco cedo para iniciar, antes de conhecer melhor o potencial leiteiro da Santa Inês.

Um abraço

MARCELA

Caçapava - São Paulo - Produção de ovinos
postado em 15/07/2008

Olá Rodrigo, bom dia, gostei muito das suas informações, parabéns pelo seu trabalho.
Gostaria de saber mais sobre a criação de Lacaune, qual seria o espaço necessário, qual a quantidade de ovelhas para uma produção artesanal de queijo e se ela se adapta bem à região montanhosa e de clima relativamente frio (12 a 17º em média). É fácil a aquisição dessas ovelhas? Obrigada.

Rodrigo Martins de Souza Emediato

São Paulo - São Paulo - Indústria de laticínios
postado em 28/07/2008

Prezada Marcela,

Fico contente que tenha gostado do artigo. Bom, vamos às suas respostas:

- A Lacaune ainda possui uma população bastante reduzida no Brasil. Os rebanhos mais conhecidos estão no RS, mas já existem alguma coisa em SP, SC, RJ e MG, mas a origem destes outros rebanhos são do RS, que foram os primeiros a importarem a raça na década de 90.

- O espaço para criação de Lacaune depende do sistema a ser utilizado, confinamento, semi-confinamento, em pasto rotacionado ou não. Cada um tem a sua área determinada. Na verdade não depende da raça a ser utilizada e sim do sistema. Em pasto pensa-se em cerca de 5m2/ovelha e confinamento cerca de 1m2/ovelha. O importante sempre alimento de qualidade disponivel. No caso de pastagem, se necessário suplementar e no confinamento, uma dieta balanceada e com área de cocho suficiente para todos os animais.

- De uma forma geral, os ovinos se adaptam bem a regiões montanhosas, é importante que tenha alimento disponível e que tenha água em um raio de 500m, pois ou ela irá limitar sua área de pastejo ou irá diminuir sua ingestão de água e com isso comprometer a saúde e produtividade. Sombra também é importante. As áreas montanhosas exigem mais gasto de energia do animal durante a movimentação e procura de alimento, portanto, estes animais serão menos produtivos que animais confinados ou em pastejo rotacionado, principalmente devido as exigencias de manutenção, que serão bastante diferentes. Com relação ao clima, como elas possuem lã, a temperatura que você passou não é um problema.

Somente quando elas forem tosquiadas e que sentirão frio, pois o isolante (lã) terá sido retirado, portanto, seria melhor tosquia-las nas épocas mais quentes. E sempre que tosquiar, reforçar na alimentação, pois elas comem mais devido a falta do isolante térmico e portanto precisam produzir mais calor para manter a temperatura corporal normal.

- Quanto ao tamanho de rebanho mi­nimo, temos que analisar quais são os seus objetivos. Por exemplo, uma ovelha Lacaune, produz em média durante toda lactação cerca de 1,5 a 1,8 litros/dia. Pode ter picos de produção bem maiores (2,5 litros), mas na média não foge muito deste valor. Pensando em um rendimento médio de 18%, ou seja, 5,5 litros de leite/kg de queijo, para 10 kg de queijo por dia, seriam necessários 60 litros de leite por dia, ou seja, 40 ovelhas em lactação, ou cerca de 50 a 60 ovelhas no rebanho.

- A aquisição ovelhas Lacaune é fá¡cil, mas ainda é um pouco cara devido aos poucos criadores que possuem animais para venda. Muitos estão investindo em um bom reprodutor e fazem um rebanho com cruzamento absorvente, ou seja, através de cruzamento, conseguem "fazer" as ovelhas PC (puro por cruza).

Bom, acho que é isso, qualquer outra dúvida fique a vontade,

Um abraço!!!

eriksen

Quebrangulo - Alagoas - Estudante
postado em 11/06/2010

Em primeiro lugar parabéns, o artigo ficou muito bom!!!

Aproveitando a oportinidade gostaria de saber qual das raças apresentadas acima, desenvolveria maior desempenho nas altas temperaturas do nordeste Brasileiro, mais especificamente no interior de Alagoas onde se apresenta o polo Viçosa da UFAL (Universidade |Federal de Alagoas) de Medicina Veterinária, e se seria uma boa opção de extensão para o mesmo?

Rodrigo Martins de Souza Emediato

São Paulo - São Paulo - Indústria de laticínios
postado em 27/09/2010

Prezado Eriksen,

Obrigado pelo comentário e desculpe a demora em responder-lhe.

As raças leiteiras são originadamente de regiões frias, no entanto, outras raças de corte que hoje se encontram no Brasil também o eram. É apenas uma questão de aclimatação e consequente adaptação do clima quente.

Não se pode simplesmente pegar um animal do RS e colocá-lo no nordeste de uma forma geral sem oferecer água limpae abundante, sobra e ventilação, provavelmente ele não resistira, assim como não podemos pegar uma Santa Inês do nordeste e colocá-la no RS sem proteção ao frio, a aclimatação leva tempo e deve ser gradual.

O animal não produzirá como poderia, mas com o passar do tempo isto vai melhorando.

Animais leiteiros são mais exigentes e mais sensíveis, portanto o cuidado deve ser redobrado.

Abraços,

Rodrigo

Luciano Ernst

São Mateus do Sul - Paraná - OUTRA
postado em 23/07/2011

Boa noite Rodrigo,

Parabéns pelo conteúdo tanto do artigo quanto das respostas, são plausíveis.

Em sua opinão, seria uma boa alternativa para pequenas propriedades rurais o consórcio de árvores frutíferas (tal como uva, cítricos, etc) com o pastoreio de ovino leiteiro. E, sendo uma boa alternativa sócio-econômica, qual comentário a cerca deste assunto poderia nos colocar.

Agradeço a atenção,

Luciano Ernst
Entusiasta no assunto.

Geraldo Cruz Filho

Linhares - Espírito Santo - Produção de leite (de vaca)
postado em 15/11/2012

Ola, bom dia Rodrigo. Gostaria de saber a viabilidade técnica de criação destes animais leiteiros em Linhares, ES, com relação ao clima, obrigado.

Rodrigo Martins de Souza Emediato

São Paulo - São Paulo - Indústria de laticínios
postado em 23/11/2012

Olá Geraldo,

A origem destes animais são de regiões frias, porém a aclimatação é possível, desde que se respeite as limitações dos animais.Se o animal está vindo de uma região quente e indo para uma região fria, ou vice-versa, é necessário deixar o animal protegido do frio ou calor durante um tempo, ir adaptando-os à nova dieta, novo manejo, etc. Há por exemplo East Friesian sendo criadas no Estado de Goiás (região de Goiânia e DF), SC (Chapecó) e SP (Vale do Paraíba) sem qualquer problema e os que nascem já na região, já nascem adaptados.

O maior desafio dos ovinos é a umidade, alta umidade é sempre um problema, mas não é impossível, desde que tomemos os devidos cuidados para não sermos surpreendidos depois.

Um Abraço,

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