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Principais fatores que influenciam no rendimento de carcaças ovinas

Por Pablo Costa
postado em 27/11/2009

5 comentários
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Provavelmente a pergunta mais importante para quem vai abater um ovino seja: "Quanto esse animal vai render em carcaça?". O que se busca em ovinos de corte é o máximo de carcaça e o mínimo de não-constituintes da carcaça, portanto, busca-se o máximo de rendimento de carcaça.



O rendimento de carcaça expressa a relação percentual entre o peso da carcaça e o peso do animal vivo, ou seja, reflete o quanto do animal, em termos relativos, é constituído de carcaça.

O rendimento é afetado diretamente pelo peso das partes que constituem o corpo do animal, como cabeça, pele, patas, trato gastrintestinal e outros órgãos, o que pode levar um ovino que apresente um elevado peso vivo ao abate, produzir uma carcaça relativamente leve, de baixo rendimento.

Assim, é essencial o conhecimento dos fatores que interferem no rendimento de carcaças ovinas, para que se possa produzir um animal mais eficiente economicamente.

Sexo do animal

Fator intrínseco ao animal que separa as carcaças ovinas entre fêmeas, machos castrados e machos inteiros.

De maneira geral, a proporção de gordura em ovinos é maior nas fêmeas, intermediária nos machos castrados e menor nos machos inteiros. Assim, o rendimento de carcaça na fêmea é maior que no macho castrado, e no macho inteiro é menor que no castrado, devido a maior proporção de tecido adiposo para uma mesma idade e peso vivo. O que pode ser conferido na tabela 1.

Tabela 1 - Rendimentos de carcaça, de acordo com o sexo, de cordeiros de diferentes raças abatidos entre 30 e 35 kg de peso vivo.



Idade e peso vivo

O cordeiro jovem tem relativamente maior proporção de cabeça e membros, mas com seu desenvolvimento, surgem ondas de crescimento progressivo das extremidades em direção ao tronco do corpo e, especialmente, para a região dorso-lombar, de forma que com o aumento do peso vivo, regiões de crescimento mais tardio como as do tronco, tem um aumento proporcional maior, se comparado com regiões de crescimento precoce, como a cabeça e os membros. Por outro lado, animais mais jovens apresentam menor proporção de trato gastrintestinal e de seu conteúdo, de modo que comparando dois animais de mesmo peso, provavelmente, o mais jovem terá maior rendimento de carcaça.

A composição tecidual da carcaça também sofre efeito do peso vivo. O tecido ósseo para de crescer no animal ainda jovem, o muscular cessa seu crescimento quando o animal atinge a maturidade, e o adiposo continua a ser depositado continuamente durante toda a vida do ovino. Assim, animais mais velhos e pesados, por possuírem maior quantidade de gordura, deverão apresentar maior rendimento de carcaça.

Tempo de jejum

Antes de serem submetidos ao abate os animais devem permanecer por um período de 16 a 24h em jejum com dieta hídrica. Tempos inferiores a este diminuem o rendimento obtido na carcaça, pois o trato gastrintestinal estará com grande conteúdo. Tempo superiores podem causar perda de tecidos do animal, principalmente o adiposo, alterando o rendimento de carcaça e podendo ocasionar prejuízos à qualidade da carne.

Frame size

Animais com o tamanho da estrutura corporal menor, por serem mais precoces no crescimento e terminação, terão relativamente mais gordura corporal e, assim, apresentam normalmente maior rendimento que animais de biotipos maiores.

Condição corporal

Normalmente, o rendimento é maior em animais com maior condição corporal, visto que a condição é determinada pela quantidade de gordura depositada no animal.

Apêndices corporais

As apêndices corporais, em especial a lã, têm grande influência no rendimento de carcaça, visto que de acordo com seu volume e peso, a mesma poderá representar até 10% do peso vivo dos animais.

Assim, animais lanados, aspados, com cauda e inteiros, geralmente apresentam menor rendimento se comparados a animais esquilados, mochos, sem cauda e castrados, quando abatidos à mesma idade e peso corporal.

Tipo zootécnico

Animais tipo corte, apresentam maior rendimento de carcaça se comparados a animais tipo leite e mistos, devido a presença de maior massa muscular e acabamento superior.

Conformação

Expressa o desenvolvimento das massas musculares. Uma conformação superior indica elevada proporção músculo:osso, com maior distribuição nos cortes nobres e, consequentemente, maior rendimento de carcaça. Visualmente busca-se uma carcaça convexa, particularmente no traseiro, já que essa parte da carcaça tende a ter menor gordura de cobertura e elevada relação músculo:osso. Uma carcaça intermediária é avaliada como retilínea, ao passo que uma carcaça inferior é avaliada como côncava, apresentando um desenvolvimento muscular precário e mal distribuído.

Referências bibliográficas

ÁVILA, V. S. de. Crescimento e influência do sexo sobre os componentes do peso vivo em ovinos. 1995. 206 f. Dissertação (Mestrado em Zootecnia) - Universidade Federal de Pelotas, Pelotas, 1995.

CARVALHO, S. Desempenho, composição corporal e exigências nutricionais de cordeiros machos inteiros, machos castrados e fêmeas alimentados em confinamento. 1998. 102 f. Dissertação (Mestrado em Zootecnia) - Universidade Federal de Santa Maria, Santa Maria, 1998.

OSÓRIO, M. T.; SIERRA, I.; SAÑUDO, C. Peso vivo ao abate, da carcaça e perdas por oreio, segundo a raça, sexo e idade em cordeiros. In: REUNIÃO ANUAL DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE ZOOTECNIA, 34., 1997, Juiz de Fora, MG. Anais... Juiz de Fora: UFJF, 1997. p. 305.

PÉREZ, J. R. O.; OLIVEIRA, M. V. M.; MARTINS, A. R. V. Peso dos órgãos internos de cordeiros das raças Bergamácia e Santa Inês alimentados com dejetos de suínos. In: REUNIÃO ANUAL DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE ZOOTECNIA, 37., 2000, Viçosa, MG. Anais... Viçosa: UFV, 2000. p. 470-472.

PRADO, O. V. Qualidade da carne de cordeiros Santa Inês e Bergamácia abatidos com diferentes pesos. 1999. 109 p. Dissertação (Mestrado em Zootecnia) - Universidade Federal de Lavras, Lavras, 1999.

Saiba mais sobre o autor desse conteúdo

Pablo Costa    Pinheiro Machado - Rio Grande do Sul

Zootecnista

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Comentários

Capataz Assessoria Rural

Brasília - Distrito Federal - Softwares Rural
postado em 27/11/2009

Não só de carcaça vive (ou não deveria viver) a ovinocultura! A pele, por exemplo, é um produto - sim, um produto e não subproduto - muito procurado pelo mercado internacional, principalmente. Contudo, a pele, necessariamente, precisa ter qualidade superior. E isso é outra coisa que o ovinocultor brasileiro precisa entender e aprender.

Parabéns pela ótima matéria.
Abraços

Diessa Azambuja

Dom Pedrito - Rio Grande do Sul - Estudante
postado em 27/11/2009

Parabéns pela matéria!!! que chique!!!!fiquei muito feliz em ver o meu coléga se destacando!! tu merece!!! sucesso!!

Pablo Costa

Pinheiro Machado - Rio Grande do Sul - Zootecnista
postado em 28/11/2009

Prezado Ananias,

Sua observação é muito importante, na verdade a pele, assim com vários outros subprodutos da ovinocultura, é uma mercadoria na qual se consegue agregar grande valor, desde que tratada de maneira correta, sendo muitas vezes comercializada por valores significativamente superiores ao valor pago pelo animal vivo.

No entanto não tenho conhecimento de nenhum frigorífico que bonifique o produtor que comercialize animais que apresentem qualidade superior de pele (por isso à classifico como subproduto), assim, considero complicado "convencer" os ovinocultores a investir nesta área.

Talvez uma maneira viável seria formar parcerias entre grupos de ovinocultores e abatedouros, com o intuito de entregar animais selecionados para esta característica, conseguindo desta forma aumentar a margem de lucro de ambos.

Abraços

Thiago Golega Abdo

Campo Grande - Mato Grosso do Sul - Ovinocultura
postado em 28/11/2009

Achei interessante o comentário do Ananias Duarte, e concordo com ele que o couro de ovinos é muito atrativo comercialmente, mas infelizmente nós só vendemos a carne aos frigoríficos e não somos "premiados" ou recompensados por este produto, e "caímos" na mesma luta que os pecuaristas de bovinos tem com os frigoríficos com relação ao pagamento do couro. Sem dúvida se os frigoríficos de ovinos pagarem um adicional pela qualidade do couro, seria muito mais interessante e promissor para raças Santa Inês e Dorper.

Paulo Afonso Carvalho

Santa Maria - Rio Grande do Sul - Pesquisa/ensino
postado em 11/02/2010

Parabéns pela boa qualidade da matéria, linguajar técnico relevante e de forma direta. A ovinocultura esta precisando de coisas como essa para ganhar espaço de mercado.

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