A raça ou base genética é uma importante fonte de variação do peso vivo e do peso de carcaça em ovinos. Portanto, a raça influência os rendimentos de carcaça pois estas duas características são determinantes nos cálculos dos rendimentos (veja as fórmulas no artigo Quanto de carne produz um cordeiro - Parte I). Quando comparamos raças lanadas com deslanadas, as diferenças nos rendimentos podem ser ainda maiores devido ao peso do pelego.
As raças especializadas e selecionadas para a produção de carne, quando recebem aporte nutricional e manejo adequado, normalmente apresentam maiores rendimentos e carcaças bem conformadas e com adequado estado de engorduramento.
Mas afinal qual é a melhor raça para se produzir carne de cordeiro?
A escolha da raça que será criada é um ponto muito importante para o sucesso ou fracasso da produção. Muitas vezes o produtor escolhe a raça pela sua beleza (exterior), propaganda, gosto pessoal, por se impressionar com os preços obtidos em feiras e leilões ou até mesmo por tradição familiar. No entanto, se esta raça escolhida não tiver bem adaptada ao local (clima) e/ou ao sistema de produção utilizado na propriedade ou não for eficiente para produzir o que se deseja obter, o resultado pode ser desastroso!
Ao escolher a raça que será criada é preciso considerar alguns fatores:
- condições ambientais (temperatura, umidade, etc.);
- os objetivos da criação (principal produto a ser comercializado: carne, lã, pele ou leite);
- a disponibilidade e o custo dos recursos genéticos;
- o tipo de sistema de produção que será utilizado;
- qualidade, disponibilidade e tipo de alimento que será utilizado (pasto nativo, pasto cultivado de alto ou baixo valor nutritivo, concentrado, silagem, feno, etc.);
- a disponibilidade de mão-de-obra e terra.
Lembre-se que a resposta do animal (desempenho, rendimento de carcaça, cobertura de gordura, etc.) irá depender das condições oferecidas a ele! As raças de maior aptidão para a produção de carne possuem exigências nutricionais mais elevadas e devem receber alimento em quantidade e qualidade para que expressem o máximo de seu potencial genético!
O uso de cruzamentos para a produção de cordeiros para abate é uma prática que vem sendo cada vez mais utilizada pois o preço de animais puros (matrizes e reprodutores) é muito elevado. Neste caso, normalmente se utiliza o acasalamento de matrizes mestiças (sem raça definida ou provenientes de cruzamentos) com reprodutores de raças especializadas para produção de carne (não há necessidade de ser tatuado e registrado pela associação). A matriz, apesar de ter menor influencia sobre a genética do rebanho (produz menos filho que o carneiro) irá fornecer metade dos genes para os seus filhos (a outra metade vem do pai). Portanto, não adianta o reprodutor ser excelente e de alto padrão genético se a fêmea também não for boa!
Os cruzamentos com raças precoces especializadas para corte têm como principal objetivo à obtenção de cordeiros com peso de abate mais elevado em um menor espaço de tempo (idade de abate), altos rendimentos de carcaça, adequada conformação e deposição de gordura na carcaça. Com isso, normalmente há diminuição do custo de produção, melhor aceitação e valorização do produto e aumento da lucratividade do sistema.
CUNHA et al. (2000) estudaram as características da carcaça de cordeiros filhos de ovelhas das raças Ideal ou Corriedale cobertas com machos das raças Suffolk, Ile de France ou da mesma raça materna. Os animais permaneceram em pastagem até o desmame (60 dias) e após foram confinados por 90 dias (idade de abate = 150 dias). No confinamento os cordeiros receberam uma dieta composta por Feno de Tifton-85 (Cynodon dactylon) + concentrado, na proporção 40:60 na Matéria Seca (MS), contendo 15,1% de PB, 60,8% de NDT, 1,4% de Ca e 0,3% de P.
Na Tabela (1) abaixo são apresentadas as características da carcaça dos cordeiros dos diferentes grupos genéticos.
Tabela 1 - Valores médios para peso ao abate (PA), peso de carcaça quente (PCQ) e fria (PCF), rendimento de carcaça quente (RCQ) e fria (RCF) e espessura de gordura de cobertura (EGC) do lombo de cordeiros de diferentes genótipos.

Observe na tabela acima que os pesos das carcaças quentes e frias foram superiores para os animais cruzados em relação aos de raça pura lanígera. Estes resultados indicaram que o uso de machos de corte sobre fêmeas lanígeras foi efetivo em aumentar o peso das carcaças. Os rendimentos de carcaça quente e fria apresentaram diferença (P<0,01) entre os genótipos avaliados, sendo que os cordeiros da raça Corriedale apresentaram menor rendimento que os animais dos genótipos Suffolk x Ideal e Ile de France x Corriedale.
Na Tabela 2 são apresentadas as características da carcaça de cordeiros de diferentes grupos genéticos.
Tabela 2 - Peso vivo ao abate (PA), peso de carcaça quente (PCQ) e fria (PCF), rendimento de carcaça fria (RCF) e verdadeiro (RV) de cordeiros de diferentes raças e cruzamentos.

Observe na tabela acima que há uma grande variação nos pesos e rendimentos de carcaça de cordeiros de diferentes grupos genéticos. Não podemos esquecer que além do grupo genético estão atuando outros fatores sobre o rendimento (peso e idade de abate; tipo de alimentação; castração; entre outros).
É importante salientar que o fato de realizar por si só o cruzamento com raças especializadas para produção de carne, não quer dizer necessariamente um produto melhor. Por isso não se esqueça que para o animal expressar o potencial do cruzamento é necessário um bom manejo sanitário e nutricional, além de um sistema de produção eficiente.
Referências bibliográficas
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eldar rodrigues alves
Curitiba - Paraná - Eletrica
postado em 06/08/2010
Muito bom, parabéns.
Pena que ainda não tenhamos dados brasileiros para a raça Poll Dorset.