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Biodiversidade e biotecnologia

Por Rodrigo CA Lima
postado em 15/07/2010

2 comentários
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Este é o Ano Internacional da Biodiversidade, e em outubro ocorrerá a 10ª Conferência das Partes da Convenção sobre Diversidade Biológica, a COP 10, em Nagoya, no Japão. O objetivo da convenção é preservar a biodiversidade, o uso sustentável de seus componentes e fomentar a repartição dos benefícios oriundos da utilização dos recursos genéticos. Em paralelo ocorrerá a MOP5, reunião do Protocolo de Cartagena sobre Biossegurança. A relação entre biodiversidade e biotecnologia é o foco deste protocolo, já que é importante assegurar que o desenvolvimento da biotecnologia não traga danos à biodiversidade.

Na MOP5, as partes deverão adotar um regime de responsabilidade e compensação por danos que organismos geneticamente modificados vivos (OVMs) possam causar à biodiversidade. O escopo do protocolo deve considerar um grão de soja ou de milho, bactérias e qualquer OVM que possa transferir ou replicar material genético. A ideia de um mecanismo de responsabilidade e compensação por danos é, na prática, uma forma de regular exceções e possibilitar que, caso danos concretos aconteçam, a biodiversidade seja restaurada. Mas, apesar dessa clareza sobre o objetivo da negociação, há propostas descabidas que precisam ser seriamente combatidas.

A ideia de criar seguros para poder vender qualquer OVM - seja um grão que será usado para processamento ou uma bactéria de uso industrial - é, no mínimo, desprovida de fundamentos científicos. Fazendo um paralelo com as regras da Organização Mundial do Comércio que regulam medidas destinadas a proteger a vida e a saúde humana, animal e vegetal, a ideia dos seguros só seria justificada se esses produtos efetivamente trouxessem uma ameaça concreta de danos à biodiversidade.

O argumento do princípio da precaução, pelo qual medidas devem ser tomadas quando os riscos são desconhecidos, não cabe como regra geral, pois, além de os OVMs passarem por análise de risco, o comércio desses produtos ocorre quando ambos os países o autorizam. Além disso, a ideia do princípio de precaução já amadureceu o suficiente a ponto de exigir um mínimo de evidências e dados para que seja possível justificar a adoção de medidas preventivas. Da mesma forma que um OVM pode vir a causar dano à biodiversidade, um produto híbrido, orgânico ou convencional também pode fazê-lo, e, curiosamente, esses produtos passam por seus processos de análise de risco e são utilizados sem que haja preocupação exacerbada.

Outro argumento contra a adoção de seguros ou garantias financeiras é o aumento do custo de alimentos, energia e fibras sem que isso seja necessário para preservar a biodiversidade. É muito mais eficaz os países criarem um fundo para reparar danos sérios e mensuráveis, com o apoio de empresas e ONGs, do que aumentar o preço de milhares de alimentos, bebidas e produtos que, na prática, não poderão replicar seu material genético. E aí aparece outro ponto sensível da negociação: a ideia de incluir produtos derivados, o que é flagrantemente contra os objetivos do protocolo, pois apenas produtos que possam transferir material genético devem ser considerados.

O Brasil não defende a adoção de seguros ou garantias financeiras. É essencial que o setor privado de sementes, grãos, enzimas, bactérias, árvores e micro-organismos derivados da biotecnologia acompanhe essa discussão e forneça suporte para os negociadores brasileiros, que enfrentarão uma dura negociação em outubro. O que está em jogo não é o interesse maior em proteger a biodiversidade, mas os obstáculos para o desenvolvimento e a adoção de tecnologias que podem trazer inúmeros benefícios econômicos, ambientais e sociais.

O foco do Brasil nessas negociações é proteger sua biodiversidade, mas sem deixar que propostas como a ideia de seguros e de produtos derivados criem obstáculos desnecessários ao País. Biodiversidade e biotecnologia não são universos que se chocam, mas que podem ser mutuamente benéficos.

Saiba mais sobre o autor desse conteúdo

Rodrigo CA Lima    Alcântara - Maranhão

Produção de gado de corte

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Comentários

Robson França Rodrigues

Muqui - Espírito Santo - Produção de café
postado em 20/07/2010

Falar de biodiversidade com Gisele fazendo propaganda é brincadeira.

Bruno Manoel Rezende de Melo

Guaxupé - Minas Gerais - Instituições governamentais
postado em 20/07/2010

Participei de um debate há alguns meses, sobre OGM, de um lado um participante favorável e de outro como é de se esperar contra. A unica coisa que posso dizer a respeito é que sai com mais duvidas ainda, por um lado parece algo fantastico, por outro, da maneira que foi demonstrado o assunto, cancelariamos qualquer produção de OGM. Pelo que vejo e leio, OGM, já é uma realidade em várias partes do mundo, dificilmente conseguiremos parar esta tecnologia que avança cada dia mais, o que nos resta, é criar medidas, legislação, e outras mais ações que equilibrem tais pesquisa, e não possam colocar em risco a nossa sobrevivencia, porque biodiversidade tem que ser encarada com sinonimo de sobrevivencia para nos..

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