Fechar
Receba nossa newsletter

É só se cadastrar! Você recebe em primeira mão os links para todo o conteúdo publicado, além de outras novidades, diretamente em seu e-mail. E é de graça.

Você está em: Cadeia Produtiva > Editorial

Falta de mão de obra qualificada no campo: esse problema tem solução?

Por Raquel Maria Cury Rodrigues (FarmPoint) e Mariana Paganoti Oliveira (FarmPoint)
postado em 17/09/2010

8 comentários
Aumentar tamanho do texto Diminuir tamanho do texto Imprimir conteúdo da página

 

Na ovinocaprinocultura, assim como em outras atividades, um dos grandes gargalos é a ausência de mão de obra qualificada e especializada para desenvolver as atividades básicas na produção de ovinos e caprinos. Muitos produtores notam que alguns funcionários manejam ovinos e caprinos da mesma forma que são manejados os bovinos, pois grande parte dos contratados são oriundos de propriedades que têm como foco a bovinocultura, o que gera impactos negativos. Essa falta de mão de obra especializada dificulta a adesão dos produtores a novas tecnologias, como a utilização da inseminação artificial e outras práticas de manejo mais complexas, pois para isso, é necessário pessoal capacitado.

A visão da propriedade rural como uma empresa faz também remeter a essa questão. Hoje qualquer empresa, em qualquer área, busca encontrar profissionais que desenvolvam um trabalho qualificado. Esta excluído do mercado aquele que se apresentar improdutivo e ineficiente. Nas propriedades rurais, na maioria das vezes, essa situação é diferente, pois há um crescente deslocamento de pessoas da zona rural para a zona urbana na busca de melhores condições de vida, fazendo com que os contratadores tornem-se menos seletivos. Uma outra diferença é que em comparação com a indústria e os serviços, a mão de obra rural é a mais despreparada e desqualificada.

Uma matéria com o tema "O mundo vai viver nova onda de exôdo rural" foi recentemente publicada no jornal o Estado de São Paulo (12/09) e revela um alerta feito pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) e pela Organização Internacional do Trabalho (OIT). As organizações advertem os governos para se preocuparem não apenas com o acolhimento dessas pessoas que saíram do campo, mas também para que assegurem políticas de criação de empregos se não quiserem ver o aumento da pobreza. A constatação faz parte de um levantamento feito sobre o futuro do mercado de trabalho.

O fluxo de migrantes do campo para as cidades não é um fenômeno novo. Nos últimos 50 anos, a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO) estima que 800 milhões de pessoas teriam deixado terras e trabalho no campo para buscar uma vida melhor nas cidades. Para 2030, a projeção apontada no levantamento é de que 60% da população do planeta esteja fora do campo, quase 5 bilhões de pessoas. Um dos motivos da desmotivação do trabalho no campo se deve ao fato de algumas propriedades contratarem pessoas por baixíssimos salários, resultando em baixa produtividade e aumento dos custos.

A dificuldade de encontrar mão de obra qualificada para o campo é crescente, porém, será que os trabalhadores que hoje atuam na área rural recebem treinamento adequado e incentivos para permanecerem nos seus respectivos serviços?

Além de treinar e capacitar os funcionários, o desenvolvimento de pessoas deve estimular, envolver, criar mecanismos de avaliação individual, bonificar por produtividade, ouvir sugestões, enfim, relacionar o trabalho do funcionário com o sucesso do negócio, pois ele integra parte do sistema.

É histórico o fato de que, nem sempre as pessoas foram as principais preocupações de uma instituição, porém, hoje é fundamental a valorização das mesmas. Silva (2002, p.224) afirma que o principal interesse gerencial é motivar os funcionários e alcançar os objetivos organizacionais de um modo eficiente e eficaz. Hoje, uma organização deve estar atenta a todos os anseios pessoais e profissionais dos seus trabalhadores, precisa investir em programas de qualidade de vida no trabalho, proporcionar bem-estar e segurança aos seus funcionários e treiná-los para a obtenção de melhores resultados.

Vários estudos sobre a relação trabalhador x organização vêm sendo pesquisados nos últimos anos e algumas teorias já foram publicadas a anos atrás.

Abraham Maslow, psicólogo nascido em 1908 na Califórnia/USA, ficou conhecido por sua proposta de hierarquia de necessidades, utilizada e discutida até hoje em todas as áreas. A pirâmide de Maslow demonstra que as necessidades de nível mais baixo devem ser satisfeitas antes das necessidades de nível mais alto. Cada pessoa tem que "escalar" uma hierarquia de necessidades para atingir sua autorrealização. Alguns pesquisadores da área estudam a possibilidade de estender algumas necessidades contempladas devido a globalização, porém, a sua principal essência e itens são inalteráveis.

Figura 1 - Pirâmide de Maslow.



De acordo com Maslow, depois de atendida as necessidades fisiológicas (alimentação, respiração, descanso, abrigo e vestimentas), a tendência natural do ser humano será prezar pela segurança (segurança física pessoal, financeira, bem estar e rede de proteção contra imprevistos). Na sequência, surgem as necessidades de pertencer a grupos, associar-se a outras pessoas. Estas necessidades são chamadas de sociais ou de associação (amizade, intimidade, convivência social, família e organizações). O passo seguinte na escala das necessidades é o da estima, que se refere ao reconhecimento e admiração por parte do grupo. A autorrealização é o último patamar da pirâmide de Maslow e esta necessidade se refere à motivação para realizar o potencial máximo do ser.

O contratador precisa estar atento para essas necessidades para obter êxito nas suas contratações, pois estão relacionadas com a motivação profissional dos seus funcionários. A palavra motivação é um neologismo relacionado com o motivo, já o motivo é aquilo que nos leva a agir, desta forma, se a motivação parte do motivo, então pode ser determinada como um processo que suscita uma determinada conduta, que nos leva a manter uma atividade. Motivação é um conceito central para a compreensão do comportamento humano, os bons resultados são difíceis de se obter sem motivação.

Além disso, o produtor deve conhecer detalhadamente aquilo que está produzindo, pois é dessa forma que ele poderá dar as coordenadas para sua equipe, com seriedade e sem amadorismo. O ensinamento é construído a partir de uma boa vivência com a atividade. O produtor também deve estar atento aos cursos dirigidos à mão de obra na fazenda, pois normalmente apresentam preços acessíveis. Órgãos públicos como Embrapa, Emater, Casa da Agricultura, Iapar, universidades e empresas privadas realizam com frequência cursos destinados para os trabalhadores rurais e, dependendo do número de interessados, alguns cursos podem ser ministrados na própria fazenda. Os dias de campo realizados por algumas instituições também são ótimas fontes para aperfeiçoamento e permitem a troca de informações.

Referências bibliográficas

1 - SILVA, Reinaldo Oliveira. Teorias da Administração. São Paulo: Pioneira Thomson Learning, 2002.

2 - Jornal O Estado de São Paulo. Disponível em:. Acesso em: 12 de setembro de 2010.

3 - CEDET (Centro de Desenvolvimento Profissional e Tecnológico). Disponível em: Acesso em: 08 de setembro de 2010.

Avalie esse conteúdo: (5 estrelas)

Comentários

Jonas Rodrigues

Dourado - Mato Grosso do Sul - Trader
postado em 17/09/2010

É isso, você cutucaram na ferida. Falta motivação mesmo para os funcionários. Claro, estes também precisam ter certa afinidade com o campo, mas, normalmente são pessoas carentes que querem ser reconhecidas por seus trabalhos. Aqui na minha região, existem algumas fazendas que pediram para os seus funcionários pintarem as casas deles (dentro da fazenda) da cor que queriam, decoracem do jeito que pretendiam e assim por diante. Precisam ver a felicidade deles. São pequenas coisas meus amigos, quem não gosta de ser agradado?

Raoni Beni Cristovam

Dracena - São Paulo - Zootecnista
postado em 18/09/2010

Olá pessoal, estou passando por aqui para parabenizá-los sobre a matéria,creio a muito tempo já que este é um dos grandes gargalos da porduçao animal no país, e deve ser melhor estudada e repensada essa questao dos recursos humanos, principalmente dentro das propriedades rurais.

Muito boa a matéria mesmo.

Abraço a todos.

Helen Renner

Santa Cruz de Monte Castelo - Paraná - Estudante
postado em 19/09/2010

Parabéns pelo trabalho. Essa questão é de extrema importância, não só na ovinocaprinocultura, mas em outras atividades.

Jucemara

Rio Verde - Goiás - Estudante
postado em 20/09/2010

Muito interessante a matéria, sugiro outras referentes a esse assunto, como por exemplo; o futuro da agricultura familiar, o que vai acontecer se os filhos dos produtores, os jovens forem também para a cidade num futuro próximo, como ficará a situação dessas pequenas propriedades com a falta de mão de obra, especialmente no sul do Brasil e o que o governo pretende fazer para estimular a permanencia destes no campo, tendo em vista que é sabido da futura falta de alimentos no mundo.
Obrigada e parabéns.

Paulo de Tarso dos Santos Martins

Várzea Grande - Mato Grosso - Consultoria/Extensão
postado em 23/09/2010

Raquel e Mariana, vocês foram simples e objetivas na questão. Parabéns pela abordagem.

Igor Vaz

Pelotas - Rio Grande do Sul - Produção de ovinos
postado em 24/09/2010

Tem solução, mas é uma questão delicada. No nosso caso os 3 empregados ganham bonus pela produtividade da cabanha, estao sempre inscritos em cursos de capacitação do Senar e da Emater, e possuem toda flexibilidade para tratar com a proprietaria da cabanha. Eles acabam se sentindo valorizados e motivados. Sempre tivemos alta rotatividade com funcionários. Estamos com os mesmos há quase 10 anos.

sidneyprimos@hotmail.com

Botucatu - São Paulo - Produção de ovinos
postado em 26/09/2010

Prezados senhores. Li a reportagem sobre mão de obra, e peço que se informem sobre o ETEC da cidade de Cerqueira Cesar, onde temos uma parceria com essa escola para formação de mão de obra especilizada. Nosso Núcleo, o Sudoeste Paulista tem lá um confinamento coletivo e também esta sendo concluido um entreposto de cortes, para que os alunos ja saibam faze-los dentro das normas de higiene. Um abraço. Sidney

Jose Carlos Silva Pimenta

Ecoporanga - Espírito Santo - Consultoria/extensão
postado em 30/10/2012

Ola Boa  tarde
muito boa a materia  e gostaria de me colocar a disposição de quem não tem mão de obra qualificada, minha empresa  qualifica  profissionais na sua fazenda  ou  leva mão de obra qualificada  para  seus serviços , fica ai minha dica e estou a disposição.

abraços Carlos Pimenta

Quer receber os próximos comentários desse artigo em seu e-mail?

Receber os próximos comentários em meu e-mail

Envie seu comentário:

3000 caracteres restantes


Enviar comentário
Todos os comentários são moderados pela equipe FarmPoint, e as opiniões aqui expressas são de responsabilidade exclusiva dos leitores. Contamos com sua colaboração. Obrigado.

Copyright © 2000 - 2017 AgriPoint - Serviços de Informação para o Agronegócio. - Todos os direitos reservados

O conteúdo deste site não pode ser copiado, reproduzido ou transmitido sem o consentimento expresso da AgriPoint.

Consulte nossa Política de privacidade