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Benedito Fortes de Arruda, presidente do CFMV, fala sobre a Zootecnia e ações promovidas pelo Conselho

postado em 13/05/2010

39 comentários
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Benedito Fortes de Arruda é presidente do Conselho Federal de Medicina Veterinária e está em sua sexta gestão à frente desta entidade. É formado em Medicina Veterinária (1973) e em Direito (1983) ambos pela Universidade Federal de Goiás. Nasceu em Coxipó da Ponte, MT e reside atualmente em Brasília, DF. Também atuou em diversas chefias da Secretaria de Agricultura do Estado de Goiás e foi Presidente do Conselho Regional de Medicina Veterinária de Goiás por três gestões. Também foi membro do Conselho Técnico Administrativo - CTA da Emater de Goiás e da Emgopa (Empresa Goiana de Pesquisa Agropecuária). Por sua formação e envolvimento, seu principal interesse está em atividades que envolvam a Medicina Veterinária e Zootecnia no Brasil como também fora deste País.

BeefPoint: Qual o principal desafio/problema da profissão de zootecnista hoje?

Benedito Fortes de Arruda:
Em meu entendimento, verdadeiramente, o principal desafio e ou problema da profissão de Zootecnista atualmente é a busca pelo mercado de trabalho. Ele está em expansão, porém, acredito que o profissional enfrenta grande concorrência com outros profissionais desta área, uma vez que além dos Zootecnistas, os Médicos Veterinários e os Agrônomos também estão autorizados legalmente a exercer a profissão. Em alguns casos, estes podem ser vistos como profissionais mais completos por empresas e entidades, sobretudo quando nos referimos ao comércio internacional.

Outro desafio que identificamos para a profissão é a pouca existência de concursos públicos destinados exclusivamente a esses profissionais, sendo que assim, estados e municípios brasileiros não contemplam em seu quadro de carreira especificamente o Zootecnista, o que também reduz o mercado de atuação deste profissional.

BeefPoint: Em relação ao campo de trabalho, quais as oportunidades que devem surgir nos próximos anos para o Zootecnista?

Benedito Fortes de Arruda:
Entendo que há uma maior demanda principalmente por empresas que sentem a necessidade de fortalecer o departamento técnico e não apenas apresentar uma proposta comercial aos seus clientes, porém, em termos gerais, infelizmente, a perspectiva futura não é positiva para nenhuma profissão.

Em primeiro lugar há um pensamento muito forte de desregulamentação das profissões. Observamos isso em algumas carreiras e estamos atentos para possíveis movimentos que possam vir contra a Zootecnia e a Medicina Veterinária.

Em segundo lugar, como comentado anteriormente, se amplia cada vez mais a competitividade com Agrônomos e Médicos Veterinários, como também Biólogos, Químicos etc. Também estamos atentos para que possamos manter sob nosso campo de atuação o que está determinado nas leis que regulamentaram as profissões de Zootecnista e Médico Veterinário.

BeefPoint: O que o CFMV tem feito para alinhar a formação do profissional e as necessidades do mercado?

Benedito Fortes de Arruda:
O Sistema formado pelos Conselhos Federal e Regionais de Medicina Veterinária (CFMV/CRMVs) é o órgão oficialmente responsável pela fiscalização do exercício da profissão no Brasil. Atualmente, contamos com 12.612 profissionais inscritos no Sistema CFMV/CRMVs, sendo que 8.222 estão em exercício de suas atividades.
Além da fiscalização, a entidade está preocupada, principalmente, com a formação profissional e, consequentemente com a colocação do Zootecnista no mercado de trabalho, por este motivo instituiu a Comissão Nacional de Ensino da Zootecnia formada por cinco membros que são Zootecnistas e professores. Entendemos que o futuro da profissão está dentro das Instituições de Ensino. A Comissão atua na assessoria da Presidência do CFMV para temas relacionados à profissão, como também identifica as necessidades na formação profissional. Ela está preocupada com a educação continuada com apoio a eventos, sugestões relacionadas ao ensino, edição de material de apoio às Instituições de Ensino Superior entre outras atividades. Porém, ressalto que não é possível a intervenção direta do CFMV no ensino, sobretudo devido à autonomia das Universidades brasileiras.

BeefPoint: O que mudou na formação do zootecnista nesses mais de 40 anos desde a criação do primeiro curso no Brasil?

Benedito Fortes de Arruda:
Creio que pouca coisa tenha mudado nos últimos 40 anos na formação acadêmica do Zootecnista. A Comissão Nacional de Ensino da Zootecnia do Conselho Federal de Medicina Veterinária tem despendido um esforço enorme para que os projetos pedagógicos possam avançar no sentido principalmente de formar profissionais que atendam as necessidades que a sociedade atual está exigindo.

Confesso que essas mudanças não são fáceis, pois existe, em alguns casos, resistência e dificuldades diversas para a implantação das sugestões, mas seguimos com nossas atividades. Muito será discutido na XVI Reunião Nacional de Ensino da Zootecnia, nos dias 24 a 26 de maio de 2010, a qual estamos organizando em Palmas, TO.

Também buscamos que a profissão seja reconhecida de diferentes formas, uma das últimas ações foi o reconhecimento oficial do Símbolo da Zootecnia, cuja publicação no diário oficial foi feita em 31 de março último. A instituição oficial do símbolo permite a padronização e unificação da imagem que representa a Zootecnia no Brasil, fortalecendo e criando uma identificação visual da profissão e desta ciência.

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Comentários

Marcia Cardelli

São Paulo - São Paulo - Zootecnista
postado em 13/05/2010

Desculpe, mas enquanto não houver uma separação dos conselhos de medicina veterinária e zootecnia, nenhum médico veterinário moverá uma palha sequer para aumentar as oportunidades para nós zootecnistas. Visto pela falta de entusiasmo com o que nosso presidente aqui nos fala sobre o futuro da profissão.

Aluisio de Alencastro Filho

Goiânia - Goiás - Pesquisa/ensino
postado em 13/05/2010

Minha opnião sobre a Zootecnia é a seguinte, enquanto a gente for considerado povo diante dos conselhos de veterinária e não tivermos nosso próprio conselho não vamos poder nunca brigar pelos nossos dieritos.

Somos importantes em qualquer cadeia de produção, somos tão importantes ou mais do que outros profissionais, só que os outros podem fazer o serviço que nós fazemos e nós não podemos fazer alguns serviços, por exemplo TE não cirurgica nós podemos fazer é só realizar o curso, mas algumas empresas não acessitam que zootecnistas façam Porque médicos veterinários podem ser reponsáveis técnicos de fábricas de ração?

Sou zootecnista com muito orgulho.

Hélio Lourêdo da Silva

Goiânia - Goiás - Pesquisa/ensino
postado em 13/05/2010

A análise do presidente do CFMV para com o futuro da profissão do zootecnista é muito superficial e pessimista. Ele não vê o mundo atual como um todo indissociável e sua abordagem não é multidisciplinar e multirreferenciada para a construção do conhecimento e das relações entre as profissões. Ele tem uma visão crítica ultrapassada e negligenciada das profissões e um pensamento cartesiano (linear), demonstrando claramente que na sua concepção as mudanças paradigmáticas neste contexto serão impossíveis de se realizarem.

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