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Marlon Brisola: "o que vimos de mais gritante na ovinocaprinocultura é a questão da governança e a necessidade de organização do setor"

postado em 07/07/2011

8 comentários
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Raquel Maria Cury Rodrigues, analista de mercado do FarmPoint, entrevistou o pesquisador colaborador da Universidade de Brasília (UnB) e integrante do Grupo de Estudos sobre competitividade e sustentabilidade, Marlon Vinícius Brisola. Ele também é desenvolvedor do Estudo Complexo do Agronegócio de Ovinos e Caprinos, um trabalho de estruturação e governança da ovinocaprinocultura que também contou com o apoio da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). Na semana passada foi apresentado um diagnóstico do setor, que tem o objetivo de contribuir para o encaminhamento das propostas que visam fortalecer a cadeia produtiva.

Destaques da entrevista

FarmPoint - Fale sobre o principal objetivo desse projeto e como surgiu a demanda para desenvolve-lo?

Marlon - "Esse projeto se iniciou em 2009 por uma solicitação da CNA e da Câmara Setorial de Ovinos e Caprinos do Ministério da Agricultura ao GECOMP (Grupo de Estudos sobre a Competitividade e Sustentabilidade do Agronegócio) da UnB. A demanda desse estudo é de extrema importância para o país, visto que a ovinocaprinocultura é um setor importante tanto social quanto economicamente. A partir de interações iniciais com os membros da Câmara Setorial e da Comissão de Ovinos e Caprinos da CNA, nós iniciamos um giro pelo país, em várias regiões produtoras e significativas na atividade, ouvindo lideranças, ouvindo pessoas, tanto do setor público como do setor privado e que tinham algo para contribuir".

FarmPoint - Como o projeto foi desenvolvido e quais regiões/estados foram abrangidos?

Marlon - "O trabalho foi iniciado em Fortaleza/CE, com significativa participação de representantes do setor da ovinocaprinocultura de toda região Nordeste, com exceção da Bahia. Depois fomos para a Bahia. Chamamos esses encontros de Encontros de Liderança. Depois, o Encontro repercutiu em Goiânia, onde ouvimos representantes do Mato Grosso e Goiás. Após isso, fomos para o Mato Grosso do Sul, onde também fizemos um oficina, já que é uma região bastante significativa para a produção de ovinos e caprinos. Fomos em Bauru/SP e fizemos a mesma atividade com representantes principalmente da região Oeste do estado. Fizemos também uma reunião com representantes em Londrina/PR, depois fomos para Porto Alegre/RS e por último fomos para Manaus/AM para a coleta de informações da região Norte.

As oficinas foram realizadas da seguinte forma: desenvolvíamos uma atividade no período da manhã onde escutávamos de forma espontânea a opinião das pessoas sobre as demandas, as expectativas e realizações do setor. No período da tarde, realizávamos uma dinâmica em grupo para registro de opiniões. A partir dessas atividades, nós registrávamos num relatório as principais evidências encontradas e depois repassadas à Câmara Setorial. Na semana passada nós divulgamos esse relatório consolidado através de reuniões em Brasília com a Câmara Setorial, representantes do país inteiro e com a comissão da CNA".

FarmPoint - Os resultados foram divididos pelos estados visitados, mas o que mais chamou a sua atenção? Quais foram os itens que mais se destacaram?

Marlon - "A ovinocaprinocultura apresenta demandas comuns em todas as regiões. O que vimos de mais gritante é a questão da governança e da necessidade de organização do setor, que ainda carece de estruturação. Temos alguns polos, algumas áreas que são emergentes em termos de organização, eu destaco a região do PR, a região do MS, a região de SP e da BA.

Um segundo ponto que eu considero comum praticamente em todas as regiões é a questão da qualificação, tanto a do produtor rural, do profissionalismo na atividade, da mão de obra do setor e da assistência técnica. Em cada uma dessas qualificações a gente nota que existe diferenças quanto à sua origem, quanto aos principais problemas que limitam essa qualificação. A partir desses dois problemas, há outros itens que também chamam a atenção, como a logística, aspectos governamentais de apoio ao setor, presença de frigoríficos com fiscalização. É lógico que há aspectos pontuais em um uma ou outra região. Por exemplo, na região Norte há muitos problemas logísticos e relacionados à comunicação levada ao produtor e aspectos relacionados à adequação de tecnologia para a produção naquela região. No Mato Grosso e no Mato Grosso do Sul, o ataque dos animais como onças ainda é uma coisa que chama atenção. No Rio Grande do Sul, aparece problemas como roubo de animais. A questão tributária apresenta-se muito forte na região Centro-Oeste".

FarmPoint - Depois de toda essa pesquisa e do contato com produtores e profissionais do setor, deixe uma mensagem final para os ovinocaprinocultores do Brasil.

Marlon - "A ovinocaprinocultura é uma atividade de grande importância econômica e social. Ela se diferencia de outras atividades do agronegócio já que atinge tanto o pequeno produtor que depende dela para a sua subsistência como grandes produtores organizados e com grandes tecnologias. A atividade precisa de produtores associados, que se organizem, se empenhem e que identifiquem as lideranças em suas regiões para que, junto com o apoio da Câmara Setorial e das lideranças públicas e privadas do setor, coloquem a atividade em evidência. Isso só sera possível com associativismo, cooperativismo, união e busca de conhecimento. Tenho certeza que a Câmara Setorial e a CNA estão empenhadas nesse sentido e existe um grande grupo de pessoas identificadas nas regiões e que se arregaçarem as mangas, teremos uma ovinocaprinocultura de excelência no Brasil".

Confira o áudio da entrevista










Equipe FarmPoint

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Comentários

KiLOViVO - Ovinocultura de precisão - (65)99784004

Tangará da Serra - Mato Grosso - Técnico
postado em 07/07/2011

Novamente foi gasto dinheiro para bancar um trabalho do mesmo tipo de outros com o mesmo objetivo, ou seja: analisar o situação atual da atividade em nível nacional.
Até quando vamos ficar nessa situação repetitiva quanto às conclusões?
Não está na hora de instituições como a CNA, através da sua Câmara Setotial específica, implantar, por exemplo, um programa piloto de produção de carne de cordeiro onde os produtores possam ver funcionar um modelo de "governança", "organização e estruturação do setor", "nível de profissionalismo necessário" e "assistência técnica específia"?
Vejo com muita nitidez que essa fase demagógica que estamos vivendo precisa de um solucionador.
Enquanto os oportunistas encontrarem espaço para obterem vantagens apenas conversando, a sustentabilidade empresarial tanto da ovinocultura como da caprinocultura impossibilita a inclusão dessas atividades no agronegócio brasileiro.

Giorgi Kuyumtzief

Octávio Rossi de Morais

Sobral - Ceará - Pesquisa/ensino
postado em 09/07/2011

Respondendo ao Giorgi Kuyumtzief, a Embrapa Caprinos e Ovinos, em conjunto com o Ministério da Integração conduzirão um programa onde seis comunidades de ovinocultores formarão núcleos completos de produção de cordeiros com toda a infraestrutura necessária, desde a capacitação dos produtores em produção de alimentos para o rebanho até a comercialização de carne inspecionada. Sem construção de novos frigoríficos, sem distribuição de matrizes e reprodutores, com assistência técnica, etc. Enfim, vamos tentar criar todo um ambiente favorável, sem paternalismo. Note: é um programa e não um projeto.  

Roberis Ribeiro da Silva

Salvador - Bahia - IBRACO
postado em 11/07/2011

Concordo em número, genero e grau com Giorgi. Eu mesmo já realizei varios estudos, pesquisas e consultoria há mais de 10 anos pelo Brasil, onde cheguei e apontei essas mesmas conclusões que continuam semdo apresentadas como novidade. Enfim, chega de estudos e diagnósticos é preciso aplicações práticas para chegarmos alguns modelos de produção. Nos ultimos três anos eu só venho trabalhando nesta direção, não me convidem para realizar diagnósticos, estudos desta natureza " é só gasto de dinheiro" de preferência público.

KiLOViVO - Ovinocultura de precisão - (65)99784004

Tangará da Serra - Mato Grosso - Técnico
postado em 16/07/2011

Prezado Octávio:

Antes, me perdoe a demora desta manifestação; retornei ontem de uma viagem por uma região desprovida de telefonia móvel e de internet.

Foi grande a satisfação que a sua informação provocou. Agradeço pela sua consideração em responder e divulgar esse programa. Enfim, teremos, agora, resultados concretos e específicos para balizar empreendimentos voltados à produção profissional e predefinida para atender as expectativas de um mercado que, há muito tempo, vem dizendo o que quer.

Por aqui estamos, também, arquitetando um ambiente de produção onde a previsibilidade de resultados é o objetivo principal. O nosso modelo é capaz, em tese, de predefinir qualidade, quantidade e regularidade de produção de carne de cordeiro. Somos um grupo na defensa de que o produtor profissional deve produzir carne para o consumidor, e não, comodamente e apenas, animais para uma empresa frigorífica que pagar mais pelo quilo vivo. No entanto, a evolução desse nosso trabalho é lenta porque não temos patrocinadores.

Um grande abraço, parabéns e sucesso para esse grande programa.

Giorgi Kuyumtzief

KiLOViVO - Ovinocultura de precisão - (65)99784004

Tangará da Serra - Mato Grosso - Técnico
postado em 16/07/2011

Prezado Roberis:

É muito bom agente não sentir-se sozinho nesse trabalho de buscar soluções para problemas que, na realidade, são mais culturais do que profissionais.

Um grande abraço e muito sucesso em seus trabalhos.

Giorgi Kuyumtzief

Octávio Rossi de Morais

Sobral - Ceará - Pesquisa/ensino
postado em 18/07/2011

Giorgi, mantenha-nos informados sobre essa iniciativa de vocês. Em 2003, quando eu ainda não estava na Embrapa(nem na Epamig onde trabalhei por 4 anos) fundamos em Minas a Procordeiro, Cooperativa Mineira de Produtores de Cordeiro, inspirados pelo modelo espanhol do Ternasco de Aragón. Infelizmente não tivemos apoio algum, mas a cooperativa andou muito bem por 4 anos, quando por falta de compromisso dos produtores o projeto começou a ruir (poucos animais para abater, giro abaixo do ponto de equilíbrio). Essas iniciativas espontâneas de organização precisam de maior atenção e apoio para que possam passar pelos duros períodos de implantação e fixação.

carlos cleber dias leal

São Gabriel - Rio Grande do Sul - Produção de ovinos
postado em 31/07/2011

Carlos Cleber Dias Leal - São Gabriel RS -
Giorgi, um abraço e te parabenizo pelas tuas palavras, embora concorde em partes. Sou presidente da Cooperativa de Lã Tejupá (5000 associados) e Presidente da  Associação Brasileira de Criadores de Corriedale, raça que representa 70% do criatório gaúcho. Entendo que estudos até mesmo no Brasil demonstram que a rentabilidade da ovinocultura é bem maior que a bovinocultura.Com a internet buscamos vários sites que mostram os mais variados tipos de sistemas de produção, que servem para as mais variadas regiões do Brasil. O que me parece é que vivemos uma crise de "querer", "acreditar" e "trabalhar", pois temos uma máquina muito eficiente em produção de carne/ha e no Sul temos a lã que custeia toda a despesa anual do ovino e sobra dinheiro, sobrando o cordeiro líquido no bolso do criador. O que precisamos das entidades é segurança (abigeato) e cursos de real capacitação da mão de obra.

Marlon Vinícius Brisola

Taguatinga - Distrito Federal - Pesquisa/ensino
postado em 01/08/2011

Prezados comentaristas,

não só a ovinocaprinocultura, mas todo o agronegócio brasileiro necessita de questionadores e propulsores de ações efetivas e inteligentes. Informo-lhes que, tanto a CNA, como o MAPA, estão atentos para as questões do setor e não ficarão apenas nos diagnósticos. Nesse momento, estamos iniciando uma atividade em continuidade ao trabalho acima apresentando. Trata-se de uma ação prevista na Agenda Estratégica do MAPA, com a interação de organizações públicas e privadas, relacionadas ao setor, que visa desenvolver sistemas de aprimoramento e efetividade das estruturas de Governança em, pelo menos, cinco grandes regiões produtoras no Brasil. Solicito o acompanhamento das ações junto aos sites e reuniões das CNA e da CSOC. Estou à disposição para maiores esclarecimentos e compartilhamento de soluções.
Abraços,
Marlon Brisola
GECOMP-UnB

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