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Brasil: é preciso corrigir a miopia em relação ao agronegócio

postado em 26/09/2012

8 comentários
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Por José Milton Dallari*, O Estado de São Paulo

O Brasil sofre de miopia em relação à sua verdadeira vocação industrial. Temos um parque automobilístico moderno, mas que hoje precisa de incentivo fiscal, como a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), para ajudar a economia a crescer. No setor têxtil, fomos ultrapassados pelos produtores chineses, coreanos e por vizinhos latino-americanos que têm ajuda do governo por meio de subsídios. Basta uma olhada nos números do PIB do 2.º trimestre para saber onde o Brasil deveria apostar as suas principais fichas: na agroindústria.

A economia brasileira cresceu 0,4% no 2.º trimestre deste ano, na comparação com o 1.º trimestre. E foi a agropecuária que sustentou essa alta, diga-se, muito aquém do que se esperava. O setor expandiu-se 4,9%, com destaque para uma safra recorde de milho e uma colheita abundante de café.

Se, no passado, o País tivesse escolhido a agroindústria como uma de suas prioridades, certamente já teríamos ultrapassado os EUA como maior produtor mundial de alimentos.

Ter um parque industrial diversificado é importante, mas é fato também que cada nação deve focar os setores em que pode ser mais forte para competir com vantagem no mundo globalizado. Tome o exemplo do Japão. O país fez uma transição gradual de sua indústria têxtil, de ferro e aço e de construção naval para automóveis, maquinaria e engenharia. Depois, focou nas indústrias de alta tecnologia, como computadores, semicondutores e eletrônica. A Alemanha, por sua vez, incrementou o setor de construção de máquinas e equipamentos, que
hoje já é o segundo maior da indústria alemã. Esse setor se caracteriza por empresas médias, com flexibilidade em reduzir ou aumentar a jornada de trabalho e grande capacidade tecnológica. Perde em tamanho apenas para o setor automobilístico.

Veja por que o Brasil poderia ser uma superpotência do campo. O País já tem 388 milhões de hectares cultiváveis, com alta produtividade, e mais 90 milhões ainda por cultivar. Até terras que eram improdutivas, como o Cerrado, se tornaram produtivas graças à tecnologia desenvolvida pela Embrapa. Quase 13% da água doce disponível no planeta está no Brasil. O clima é diversificado e o regime de chuvas, regular. Hoje, é possível colher três safras por ano, com muita tranquilidade. São essas as condições suficientes para que o País lidere a produção e a venda de alimentos no mundo.

Poderíamos ter aproveitado esses atributos para criar uma indústria capaz de agregar valor à carne bovina, ao suco de laranja, ao frango, ao café. Por que exportar esses produtos como simples commodities, com preço muito mais baixo do que o pago pelo produto industrializado? Por que o café da Colômbia conquistou fama mundial, e não o brasileiro? A Alemanha, que não planta café, é atualmente um dos maiores produtores de café industrializado do mundo. Ora, essa função é do Brasil.

Uma das explicações é que o agronegócio sempre foi considerado uma atividade "menor" entre os setores da indústria. Existe, sim, um problema cultural entre nós, uma espécie de preconceito velado, que vem causando prejuízo ao longo dos anos. A agricultura, para a elite, é uma atividade inferior à produção de automóveis ou maquinário. Nos EUA, criou-se um parque industrial sofisticado, mas a agricultura nunca foi deixada em segundo plano.

O estudo do governo Brasil - Projeções do Agronegócio mostra que a expectativa é de que a safra de grãos cresça 23% em uma década, com o incremento de 32,9 milhões de toneladas, para um total de 175,8 milhões de toneladas em 2020/2021.

Isso levando em conta as culturas de arroz, feijão, soja, milho e trigo. Como se vê, dá para recuperar o prejuízo. O governo precisa investir em infraestrutura para que os produtos agrícolas sejam postos com rapidez no mercado internacional. A falta de ferrovias e as estradas ruins fazem nossos produtos perderem competitividade.

É preciso corrigir essa miopia em relação ao agronegócio.

*José Milton Dallari Soares é um político, engenheiro e advogado brasileiro. Foi um dos criadores do Plano Real, em 1994, e se tornou conhecido como "xerife dos preços" por ter negociado com o setor privado a implantação da URV e sua conversão para a nova moeda, com o objetivo de evitar desequilibrio de custos e explosão dos preços.

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Comentários

Alexandre Benvindo Fernandes

Rio Branco - Acre - Consultoria/extensão rural
postado em 27/09/2012

Espetacular! O investimento tem que ser focado cada vez mais no extensionista.

darlani porcaro

Muriaé - Minas Gerais - Produção de leite
postado em 27/09/2012

Por não enxergar essas possibilidades econômicas no campo, nosso governo, que só pensa em onerar o setor rural com pesados impostos, em toda a cadeia agrícola e pecuaria , é que estamos nessa situação. Parabéns ao Sr. Dallari acima pela crítica a esse setor tão importante para todos nós brasileiros

rodrigo carvelo

Goiânia - Goiás - advogado, ovinos de corte e rep. W.Dorper e Dorper
postado em 27/09/2012

Parabéns, a maior verdade de todas é de que se não fosse a agricultura, pecuária e industrias a estes relacionados o país estaria em um buraco sem volta, decretada a falência. Ao bem da verdade o que sustenta o pais é o campo.

Todo mundo faz greve, agora imaginem greve no campo, um mês sem carne, um mês sem leite e  por ai vai, quando doer o estomago dos políticos quem sabe mude algo.

Com os incentivos corretos a alavancagem é certa, oftomologista neles.

saudações!!!!

Guilherme Alves de Mello Franco

Juiz de Fora - Minas Gerais - Produção de leite
postado em 28/09/2012

Prezados Senhores: Não acho que seja miopia, mas, sim, falta de vontade de enxergar que, aliás, é o que caracteriza, segundo o adágio popular, ao pior tipo de cego. Digo isto porque, estando no setor pecuário leiteiro há, pelo menos, quarenta anos (desde os tempos de meu avô), jamais presenciei um ano sequer em que as reclamações deste naipe tenham deixado de ser tema recorrente entre os campesinos. Portanto, não se nos afigura crível que somente nós, os produtores, tenhamos conseguido ver este tipo de informação e nossos governantes, não.


Parece-nos, portanto, que a cegueira é por conveniência, não por enfermidade. Por força de tais fatos é que estamos menos desenvolvidos que Países pouco prováveis como a China, a Índia e a Colômbia em termos de agronegócio, ainda que seja vinculada a posição a determinado produto.


Na contramão dos ensinamentos de Jesus Cristo, estamos colocando a candeia embaixo da cama.








GUILHERME ALVES DE MELLO FRANCO


FAZENDA SESMARIA - OLARIA - MG


=HÁ SETE ANOS CONFINANDO QUALIDADE=  

Daniel Brilho

Piracicaba - São Paulo - Consultoria/extensão rural
postado em 28/09/2012

Parabéns, excelente artigo!

ANTONIO JORGE OLIVER

Lapão - Bahia - Consultoria/extensão rural
postado em 30/09/2012

Há que se considerar o Brasil que as Políticas Públicas para a agricultura têm de ser unificadas com a correpondência entre o agronegócio de porte - agrobusiness - e a agricultura familiar.

O tratamento deve ser unificado para permitir que se pratique a melhor tecnologia hoje disponível e a oferta de crédito rutal seja extensiva a todas as regiões do país.

A Assistência Técnica TEM de ser destinada a TODOS os agricultores e o foco ser a sustentabilidade da pequena propriedade e não apenas determinadas culturas específicas que têm facilidade de crédito.

PAULO GUIMARAES

Datas - Minas Gerais - Produção de leite
postado em 12/10/2012

É cegueira por falta de conecimento.Nunca sentaram de baixo de uma vaca e nunca compraram 1 kg de ração e nunca viram uma bezerra nascer.Desilusão total para mim e muitos outros companheiros, e é o que vc falou passa ano e entra ano o discurso é o mesmo,





NÃO TEMOS FORÇA POLITICA. NÃO TEMOS UNIÃO.SO TEMOS O DECASO DOS GOVENTES.

josé Hess

Curitiba - Paraná - engenheiro da FAEP responsável pelo café
postado em 15/10/2012

O que falta agora e formalizar um documento mais embasado de tudo o que foi falado acima e encaminhar pelos senadores e deputados federais comprometidos com a produção agropecuária brasileira e entregar oficialmente à Presidente Dilma e a chefia da Casa Civil. Pedir-lhes um compromisso oficial do que será feito pelo assunto e quando se terá uma posição desse governo para agilizar e consertar os conceito acima citados. Se não cobrarmos diretamente ao governo ficamos por mais uma décadas falando às paredes. Temos de ser mais exigente consoco mesmo e mais eficazes em nossa cobranças.

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