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Dissecando os 3 grandes desafios da ovinocultura

Por Ivan Saul
postado em 06/01/2011

6 comentários
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Resisti muito, tendo em vista convicções e (des)crenças pessoais, ao desejo de manifestar-me sobre este tema proposto pelo FarmPoint, extremamente relevante diga-se de passagem. Estou convicto de que, como de costume, nado contra a corrente, e acredito profundamente, que muitas das pessoas e a maioria das organizações e instituições envolvidas na agropecuária não merecem crédito, em se tratando de suas "boas intenções" nas iniciativas para a preservação da saúde econômica do produtor rural. Tendo em vista que uma bobagem muitas vezes repetida toma fôros de verdade, quero questionar a veracidade, ou fidedignidade, dos sempre citados entraves ("gargalo" é só um neologismo americanófilo bonitinho - bêbado nenhum considera o gargalo como um entrave e sim como um facilitador). Ou seja, correndo o risco de estar desperdiçando o tempo do nobre leitor e produtor rural, como o "sarnoso que nunca deixa de se coçar", não me aguento e também vou dar meus palpites.

Informalidade (clandestinidade é o termo exato embora politicamente incorreto)

Combater a informalidade/clandestinidade é sinônimo de acabar com a, arrisco dizer, "única cadeia produtiva" completamente estabelecida na ovinocultura, o clandestino é (seja ele atravessador, açougueiro ou barraqueiro de lã e couros), e sempre foi, o canal de escoamento para todos os produtos ovinos. Ele não faz exigências (do tipo carga fechada, peso ou idade) tem preços coerentes a qualquer tempo e carrega tudo que o produtor tiver para vender, normalmente, pagando à vista e em dinheiro.

Ao atravessador não interessa espremer a "galinha dos ovos de ouro" até a morte, a ele, por uma questão de sobrevivência empresarial, interessa a fidelização e só é fiel o cliente vivo, para os outros agentes não faz diferença, uma galinha morre outra vem. Se atravessador não fosse bom, os frigoríficos já teriam acabado com a figura do "comprador", que nada mais é do que um atravessador, que "advoga" os interesses da indústria diante do poderio do produtor individual, numa ilusória relação interpessoal. Como disse nosso colega Marcelo da Green Lamb, sobre carne importada e informalidade - temos que dar graças pela manutenção do nosso mercado e pela popularidade da iguaria que produzimos, ao atravessador e ao Uruguai.

Combate a informalidade é problema de governo, que sempre quer aumentar a arrecadação, e conversa de frigorífico para acabar com a concorrência pela matéria-prima. Àqueles que se preocupam com saúde pública e padronização do produto, digo que regulamentação não falta e fiscalização não é problema de produtor, "que cada um 'faça o seu".

Escala de produção (quantidade e qualidade)

Como ainda há gente que insiste na comparação, sempre me repito quanto à isto, cordeiro não é frango e nunca será. Uma galinha, matriz de frango de corte, deixa mais de 100 pintinhos (viáveis) em pouco mais de um ano de vida; 6 vezes por ano (ou mais, uma vez que vazio sanitário deixou de existir), em um ambiente controlado, alojam-se 14000 frangos em 1200 m2; um frango comeu apenas duas vezes seu peso vivo ao atingir a idade de abate (que já tem dia e hora marcados antes do ovo ser incubado); e por aí vai, índices biologicamente impossíveis para um mamífero.

Assim sendo, o preço da carne ovina nunca poderá ser próximo ao da carne de frango, sem esquecer que, em alguns casos, o produtor nem recebe pelo lote de frangos e só não quebra por não ter comprometido seu orçamento na aquisição de insumos. A quantidade e regularidade da produção de cordeiros de qualidade não é difícil de atingir, basta que a indústria estabeleça o produto desejado e remunere adequadamente o produtor. Porém, ao contrário, a contrapartida da disponibilidade de produtos será a redução de preços ao produtor, diante da oferta contínua e da procura estável (é norma de mercado conhecida de todos).

Os produtores do Sul, sabem que os cordeiros do tarde sofrem mais com os problemas sanitários (o "spring rise" das verminoses) do que os do cedo, e que aqueles do cedo chegarão à safra com muito mais peso e menor custo, é só providenciar potreiros com bom pasto para as ovelhas em lactação, e potreiros de parição abrigados do vento e chuva (sob pena de perder toda vantagem competitiva diante da mortalidade perinatal elevada). Quem tem ovelha da raça Ideal sabe - Isto sim é sistema de produção de cordeiros! - cordeiro do tarde acaba ficando para o ano seguinte e virando borregão, com todo custo de manutenção por mais de um ano e perigando perder a condição de 'dente de leite' até a venda.

Vejam o caso do Chile - em reportagem recente do FarmPoint - os cordeiros valem bem até setembro, quando ninguém tem, depois de outubro, todo mundo tem cordeiro e os preços baixam - fato que não ocorreu em 2010 em consequência da crise climática Australiana, Neozelandesa e Argentina (ver matéria sobre o milhão de cordeiros mortos na Província de Chubut neste ano). Observem outras questões importantes na tal reportagem, o descompasso da cadeia produtiva e a preocupação com a informalidade, lá como cá..., e a tentativa de abertura de mercado na Comunidade Europeia, uma vez que o Chile já é forte parceiro comercial do NAFTA. Lembrem que as terras agrícolas estão supervalorizadas novamente nos USA, e ovelha não ocupa 'terra boa', uma vez que não pode competir com a lavoura em termos de rentabilidade. Repassam estas atividades de segunda classe para os pobres, pois ainda resta equilibrar a balança comercial com o México, grande cliente dos USA em carne de segunda (paleta e costela), de vísceras e de cabeças. Sobre exportação de cordeiros para a CE, ver depoimento do Ex-Ministro Roberto Rodrigues tratando de acordos comerciais (vale lembrar que a clientela com 'dinheiro e hábito de consumo' vive lá). Que ninguém pense que frango entra na Zona do Euro de qualquer jeito, há uma série de exigências para cumprir inclusive relacionadas a quotas de importação/exportação, o resto é que fica no Brasil (ou o refugo volta) e concorre pelo mercado interno.

De qualquer forma, compensados os custos de criação, para terminar com a sazonalidade não há mistério nem tanta ciência, a compra antecipada pode estimular o ovinocultor a promover a terminação em prazo estabelecido, é só uma questão de "contratar no papel" idade, peso, preço, prazo de entrega e pagamento. Não é assim que a indústria negocia com o comércio? Sem essas coisas de rendimento e acabamento de carcaça, condenações parciais ou totais, tudo que se pratica com os bovinos e só se presta à oportunizar a enganação. Assim, com as regras e condições bem claras, fica bom e bonito para os dois lados, que é a melhor, e deveria ser a única, forma de fazer negócios.

Papel do Governo

Também já esgotei a paciência alheia com este tema, esqueçam dos subsídios e incentivos, renúncia fiscal só acontece quando é conveniente. Os automóveis, os eletrodomésticos e afins (de alto valor agregado), só receberam a redução de IPI para acabar com a "poupança", dinheiro guardado (que não existe) não aquece a economia e gera desemprego, fugimos da crise mundial graças ao dinheiro do povo que se endividou (por que a poupança não era tão grande e ao sacar contra o banco para "dar a entrada" o cidadão deixou de ser credor e passou a devedor) mas comprou um carro novo, uma geladeira duplex, uma tela plana.

Em agropecuária se produzem coisas que custam barato e geram poucos empregos diretos, todavia o ICMS está embutido em todas as mercadorias (inclusive as que não circulam, como eletricidade e telefonia) e é, como todos sabem, o imposto mais injusto socialmente, uma vez que o Presidente da República, paga exatamente o mesmo valor de ICMS por quilograma de feijoada presidencial, que paga, pelo feijãozinho aguado de cada dia, o mais humilde trabalhador rural desempregado por conta da sua baixa qualificação profissional, da mecanização agrícola e das leis trabalhistas aquelas, que já comentamos em outro artigo.

Muito cuidado com as facilidades de crédito que virão à oferecer, esta festa não vai durar para sempre, o negócio do banqueiro é emprestar dinheiro, não é cobrar a dívida, o banco só precisa depositar no BC o correspondente a 60% do seu capital, os outros 40% não existem, nunca foram emitidos. É parte do jogo financeiro, é legal do ponto de vista jurídico. Se todos corrêssemos aos bancos e sacássemos nosso dinheirinho, quebraríamos o sistema financeiro e os últimos não receberiam, em contraponto, se todos os bancos executassem seus créditos à vista, quebrariam o sistema financeiro e os banqueiros poderiam ir viver em Paris, felizes, pelo resto dos seus dias. Não podemos esquecer que a ovinocultura se caracteriza pela instabilidade e não pela rentabilidade elevada. Quem quiser assumir compromissos financeiros, o faça para dois anos que é o prazo necessário para a Oceania e a Argentina voltarem agressivamente ao mercado, salvo novos golpes da falta de sorte. Os impactos da quebradeira se fizeram sentir por aqui, os da recuperação podem ser desastrosos se não nos prevenirmos. Aprecie com moderação.

Como recomendou nosso colega Fontoura, de Dom Pedrito, além de reter, vamos absorver matrizes de outros criadores que estejam desistindo (o que deve andar difícil agora), mas tenhamos consciência dos nossos limites, crescer exageradamente pode resultar antieconômico se a demanda não aumentar proporcionalmente. Há a possibilidade de que os competidores demorem um pouco mais em seu processo de recuperação, haja vista que para capitalizar seus empreendimentos, podem ter necessidade de desfrutar futuras matrizes ou descartar as sobreviventes, mantenhamos nossa atenção focada para os abates da concorrência nos próximos anos.

Minha opinião é que o grande papel do governo, neste prazo que a fortuna nos propiciou, aproveitando a brecha, é a celebração de vários e pequenos acordos comerciais (que possamos cumprir mesmo que às custas do mercado interno - se faz assim com a carne bovina), principalmente com os países árabes em que as exigências de qualidade são menores. Com a palavra o Itamaraty, o MAPA e os grandes industriais.

O Desafio

O grande desafio da ovinocultura é, romper paradigmas, como disseram os colegas Andrea Swiatovy e Giorgi Kuyumtzief em seus comentários, o principal deles é harmonizar os elos da cadeia produtiva (ainda o amigo Giorgi). Se uma corrente tem a força do mais fraco dos seus elos, para benefício comum, é hora dos elos mais fortes desta corrente dividirem um pouquinho de sua força. Antes que, na base, nada reste para a corrente transportar.

Saudações ovelheiras!

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Comentários

Cesar Augusto Bittencourt de Medeiros

Santa Maria - Rio Grande do Sul - Produção de ovinos de corte
postado em 08/01/2011

Ainda bem que temos em meio este tiroteio todo uma mente sensata capaz de escrever aquilo que realmente atormenta os ovinocultores. Parabéns Ivan, precisamos estar alerta para o que esta escrito nas entrelinhas destas conversas todas. Sempre demostramos que da porteira para dentro estamos apto a dar respostas imediatas e positivas.

Ivan Saul

São José dos Pinhais - Paraná - Produção de ovinos
postado em 12/01/2011

Prezado Dr. Cesar Augusto Bittencourt de Medeiros e colegas de FarmPoint.

Fico muito grato pelo apoio aos meus palpites e peço desculpas pela demora em responder! Como disse em postagem no "500 ovelhas...", andei pela terrinha coletando algumas impressões sobre a nossa atividade, todavia, infelizmente não pude encontrar todos os amigos de quem gostaria de obter opiniões para enriquecer nossas conversas por aqui.

Tenho lido alguma coisa sobre as mensagens subliminares à que estamos expostos pela grande mídia (não, não vou escrever sobre o tema) e é nas entrelinhas, que nem sempre se percebem, que estão escritos todos os conteúdos de lavagem cerebral e condicionamento do ´comportamento de rebanho´.

Embora eu não seja adepto das ´teorias da conspiração´ que ganham notoriedade regularmente, sempre com a intenção de confundir e desviar a atenção de coisas ainda mais feias e fedorentas, não aceito e faço questão de alertar sempre que a esmola seja demasiado grande. Tem muita gente de boa fé no lado de cá!

É isso mesmo, da porteira para dentro somos mais do que competentes e damos mostras sempre que solicitados. Se nos deixarem trabalhar em um ambiente justo, em que não vigore a ´lei do Gérson´, que se organizem pois ovelha não há de faltar.

Grande abraço Cesar, que a seca não esteja judiando muito por aí! Ivan

Saudações ovelheiras!
Ivan Saul D.V.M. M.Sc.Vet. - Granja Po´A Porã, 12/jan/2011.

EDUARDO PICCOLI MACHADO

Alegrete - Rio Grande do Sul - Produção de ovinos de lã
postado em 19/01/2011

Caro Ivan, a postagem do colega Cesar Augusto diz tudo, e faço minhas, as considerações dele, lembrando aos demais leitores, que a ovinocultura no Brasil não é novidade e nem está sendo inventada nos últimos anos.

No Rio Grande do Sul sempre produzimos conforme as marés econômicas e as vantagens financeiras da ovinocultura. Produzimos capão quando a lã valia muito e produzimos muito cordeiro até a Guerra do Golfo em 1991, quando os yankes imporam embargo econômico ao Iraque, que comprava toda a produção de cordeiros da metade sul do Rio Grande e Uruguai.

Conheci um trader uruguaio que até hoje tem milhôes de dolares "frozen" pelo Banco Central Americano, pois a quem lembra, a guerra começou no meio da safra. Só a título de curiosidade aos demais leitores e para dar só um exemplo. Os frigoríficos do Sul que tinham linha de enlatados, produziam uma iguaria que há anos não vejo e era totalmente exportada, que era a lingua de ovelha enlatada.

Até 1991/92, tinhamos no mínimo 04 grandes frigoríficos de cooperativas exportadores de carne ovina. Maravilha de congelamento tinha o Santanense de Santana do Livramento. A faculdade de veterinária da PUC-Uruguaiana, produzia excelentes trabalhos sobre a ovinocultura, trabalhos que talvez hoje estejam somente em livros e polígrafos esquecidos numa biblioteca, e quando leio alguns artigos aqui, me vem a memória que ninguém está dizendo novidade.

Depois de 1991, veio a quebradeira de frigoríficos, aftosa e etc, período que durou mais ou menos 11 anos. A cadeia se desorganizou pela falta de rentabilidade. Os frigoríficos perderam a habilitação de exportação e até dois anos atrás não havia mais nenhum no Brasil habilitado a exportar. Durante esta década perdida, vi alguns abengados batendo a porta do governo e frigoríficos para buscar apoio a atividade e nada conseguiram, e realmente quem salvou a ovinocultura gaúcha da morte total foi a clandestinidade e o contrabando, já que os demais elos da cadeia estavam de costa para nós e viam estes abenegados como loucos.

Agora voltou o discurso bonito de governo e frigoríficos, porque os nossos bichinhos voltaram a valer, mais por força da quase extinção dos rebanhos do que da preocupação dos demais elos.

Assim Ivan, acho que muitos leitores não entendem teu recado, porque a tua menssagem é lucida, fruto da vivência pessoal, profissional e conhecimento histórico, e fazendo coro a ti, digo aos leitores: cuidado com o excesso de otimismo, cautela e canja de galinha não fazem mal a ninguém.

Saudações Ovelheiras

KiLOViVO - Ovinocultura de precisão - (65)99784004

Tangará da Serra - Mato Grosso - Técnico
postado em 21/01/2011

Meu caro e estimado Patrício Dr. Ivan Saul:

Quero cumprimentá-lo, novamente, pela sua capacidade de descrever cenários. Mostrar num texto enxuto, pontual e, por isso, objetivo a realidade complexa da ovinocultura nacional é privilégio de poucos.

Já que citaste o meu pensamento sobre a quebra de paradigmas, me permita comentar sobre o elo fraco da corrente (um paradigma). Infelizmente não consigo ver a nossa ovinocultura como uma corrente. A fragilidade generalizada do ovinocultor brasileiro não me faculta considerá-lo um elemento integrante de uma cadeia produtiva. A palavra "elo" sugere "união", "conexão" e "interação"; esses atributos NÃO caracterizam, ainda, o personagem mais importante do contexto em questão. Enquanto os apenas proprietários de ovinos e pretensos especialistas se considerarem produtores, os que são ovinocultores realmente continuarão inconsistentes no que se refere à coletividade e à sustentabilidade dos seus empreendimentos.

Falta maturidade nas atitudes dos que se propõe a interagir na atividade. Faço uma analogia figurativa simples: num prédio de vinte andares, quem enxerga mais longe e com mais abrangência é aquele que olha pela janela do vigésimo andar e não quem tenta ver o mundo estacionado, por exemplo, no quinto. Se considerarmos que a ovinocultura australiana construiu um prédio de trinta andares, então a ovinocultura uruguaia tem, aproximadamente, um prediozinho de cinco ou seis pavimentos. Agora, previsivelmente, falta perguntar: - Que tipo de prédio representa a ovinocultura brasileira? Resposta (também previsível): NENHUM. Motivo: Estamos, ainda, carregando as "pedras" para construir os alicerces do nosso edifício e, contaminados pelo individualismo, pelo oportunismo e pela ganância, enquanto alguns de nós carrega a "pedra" do tipo e do tamanho que nos convém, outros se engajam no trabalho para, disfarçadamente, carregarem "grãos de areia".

Concluindo, quero dizer que quando os produtores de produtos da ovinocultura representarem um "elo fraco da cadeia produtiva", já terão atingido, então, um estágio evolutivo superior a esse que vivenciamos hoje.

Aos companheiros Cesar Augusto e Eduardo, meus cumprimentos pela consistência dos comentários.

Apoio os comentários sobre as leituras das entrelinhas. E, para exercitar, vou encerrar este meu com um provérbio antigo:

"Quem não sabe o que procura, não entende o que encontra."

Um abraço a todos e retribuo as Saudações Ovelheiras.

*** GiORGi ***

Ivan Saul

São José dos Pinhais - Paraná - Produção de ovinos
postado em 21/01/2011

Caríssimo colega ovelheiro Eduardo Piccoli Machado.

Fico muito grato pelo teu apoio e pelo enriquecimento dado ao tema! Muito boa lembrança, esta dos tempos em que o Iraque era um grande parceiro comercial do Brasil, não só na ovinocultura como também na indústria bélica, entre outras.

Está perfeita, tua descrição da prosperidade que a pecuária atravessava naquele momento, o otimismo gerado pela construção de novos frigoríficos, e da subsequente crise e quebradeira dos anos 90. Quando os pequenos abatedouros locais já tinham sido fechados pela concorrência e pela rigidez sanitária e fiscal à eles aplicada, fim do açougueiro independente que, antes disso (e do porco e frango), sempre tinha carne de rês e ovelha (rastreável, em termos de idade, já que vinha com cabeça).

Temos a ´vantagem do diabo´* meu amigo, a nós não enganam mais!!!

O ciclo se reinicia, boi em falta (como sempre) muitos novos entusiastas da atividade ovinícola, muito "marketing" de incentivo à produção e nenhuma garantia de que o "discurso bonito" resultará em estabilidade financeira para o pecuarista.

*
"El primer cuidao del hombre
Es defender el pellejo.
Lleváte de mi consejo,
Fijáte bien en lo que hablo:
El diablo sabe por diablo,
Pero más sabe por viejo."
(Martin Fierro - José Hernández)

Saudações ovelheiras!
Ivan Saul D.V.M. M.Sc.Vet. - Granja Po´A Porã, 21/jan/2011.

Ivan Saul

São José dos Pinhais - Paraná - Produção de ovinos
postado em 24/01/2011

Prezadíssimo Dr. Giorgi Kuyumtzief, novamente agradeço pelos seus lisonjeiros comentários, considero-me um privilegiado por contar com amigos tão generosos e interessados na defesa da ovinocultura.

De fato, cultivamos o mau hábito de chamar cadeia produtiva às relações informais institucionalizadas através de um número no CGC, que sobrevivem à custa da acomodação de alguns e das conveniências de outros tantos. Tais relações nada têm a ver com a ideia de encadeamento de eventos, de reciprocidade entre os participantes. Tens toda razão, há muito que evoluir.

Me desculpo pela demora (uma vez que só li teu comentário depois do término do expediente na 6ª-feira e já não adiantava mais responder) e pela concisão da resposta, não é poder de síntese é falta de tempo.

Um grande abraço amigo Giorgi!

Saudações ovelheiras!
Ivan Saul D.V.M. M.Sc.Vet. - Granja Po´A Porã, 24/jan/2011.

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