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Entre o rebanho e os números, desapontamento e surpresas no Censo do IBGE

Por Enio Queijada de Souza
postado em 23/01/2008

4 comentários
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"Estatísticas são como o biquíni: o que revelam é sugestivo, mas o que escondem é vital"

Estamos conhecendo agora os números preliminares do Censo Agropecuário 2006, cuja coleta de dados ocorreu entre abril e outubro do ano passado. O rebanho brasileiro de ovinos e caprinos é de 20,966 milhões de animais, sendo 13,857 de ovinos (66% do total) e 7,109 milhões de caprinos(34% do total). Houve um pífio crescimento de 2% comparado ao censo de 1995/1996 e uma redução de 14% comparada há vinte anos. Todos esses dados, desdobrados a nível de Estado, estão na Tabela 1 - Rebanho e Variação.


Clique na imagem para ampliá-la.

A primeira reação que alguns poderão ter é criticar o IBGE, alegando ineficiência na coleta de dados, propriedades não recenseadas, registros errados, omissão parcial de informações por parte dos pecuaristas, etc. Na verdade todos esses problemas podem, de fato, ter ocorrido. Apenas para exemplificar, o presidente de uma associação estadual me disse que sua propriedade não recebeu nenhuma visita e possui um rebanho com quase 300 animais, o que demonstra que os números jamais refletirão a realidade em toda sua abrangência.

Em termos de estabelecimentos, os que criam ovinos chegam a 435.697 e caprinos 286.553 e o rebanho médio por estabelecimento é de 32 ovinos e 25 caprinos. Importante ressaltar que uma mesma propriedade pode ter várias culturas e lavouras, temporárias ou permanentes, ou seja, uma mesma propriedade pode criar ovinos E caprinos, mas foi contada apenas uma vez.


Na Tabela 2 - Estabelecimentos e Rebanho médio isso pode ser visualizado mais detalhadamente.


Clique na imagem para ampliá-la.

No entanto, sair responsabilizando o IBGE pelas mazelas e problemas da ovino cultura e da caprinocultura, seria o mesmo que culpar a FAO-ONU pela fome no mundo. O IBGE, importante ressaltar, cumpriu sua missão de maneira positiva e exemplar, mesmo com toda sorte de problemas enfrentados num país de dimensões continentais como o nosso.

Além do primeiro grande desapontamento que foi a estagnação do rebanho em menos de 21 milhões de animais, outros destaques, entre alegrias e decepções podem ser observadas num primeiro olhar dos números:

o rebanho ovino do RS caiu 34,5% nos últimos 10 anos, e 60% nos últimos 20 anos;
a Bahia continua no topo do ranking, apresentando um crescimento de 22% no rebanho, comparado ao censo 95/96, com um total de 4,8 milhões de animais;
o estado de São Paulo cresceu 75% no rebanho ovino e 70% no caprino, mesmo com um número absoluto de ovinos abaixo de 600.000 animais;
o DF, com sua pequena extensão territorial, teve um incremento de 308% no rebanho ovino;
Pará e Mato Grosso confirmaram em números o que todos já comentavam: um crescimento, nos últimos 10 anos, de 109% e 102% respectivamente;
o Mato Grosso teve um incremento de 671% nos últimos 20 anos, o maior no período, seguido por Rondônia (367%), DF(280%) e Acre(113%), revelando o crescimento já detectado em parte da região Centro Oeste e Norte do país;
Roraima, estado "novato" no setor, tem o maior rebanho médio de caprinos: 39 animais por estabelecimento, à frente da Bahia (37) e DF(33);
a Bahia concentra mais de 96 mil propriedades trabalhando com ovinos e 57 mil com caprinos;
continua a concentração de caprinos no Nordeste: Bahia, Piauí, Ceará, Pernambuco e Paraíba. Juntos, detem 82% do total do País;
o maior rebanho médio de ovinos é do Rio Grande do Sul, com 79 animais por propriedade, seguido do DF (65 animais) e Mato Grosso do Sul, com 46;
a maior concentração de ovinos continua no RS, com 24% do rebanho nacional, seguido pela Bahia (19,2%) e o Ceará (11,2%);
o Piauí apresenta a proporção mais próxima entre ovinos e caprinos: 47,5% de ovinos e 52,5% de caprinos.

O leite de cabra também foi objeto da coleta de dados. A Produção foi de 21.275 toneladas, 2,85% menos do que as 21.900 toneladas apuradas no censo 95/96. O que assusta é a queda vertiginosa do número de estabelecimentos: de 40.460 em 95/96 a coleta realizada no ano passado registrou 18.008 estabelecimentos, queda de 55% o que comprova, em números, a alta fragilidade apresentada pela caprinocultura leiteira, que salvo honrosas exceções (onde poucos Governos Estaduais mantêm programas de distribuição do produto e seus derivados), encontra-se repleta de problemas de toda ordem.

O Leite de cabra representa 0,1% do leite de vaca, que apresentou uma produção de 21,44 milhões de toneladas, em 1,34 milhão de estabelecimentos. Se colocarmos em bases anuais, a produção foi de 1.181 quilos/produtor ou 98,5 quilos por mês. A pequena dimensão dos números revela a grande dimensão do desafio.

Esperamos que esses dados possam agora ser trabalhados por cada Associação Estadual, desdobrando em microregiões e municípios, de modo a embasar as decisões de produção e apoiando as entidades na demanda de políticas públicas junto aos Governos, Instituições financeiras e entidades de apoio ao setor.

Saiba mais sobre o autor desse conteúdo

Enio Queijada de Souza    Brasília - Distrito Federal

Consultoria/extensão rural

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Comentários

Arnaldo dos Santos Vieira Filho

Araçatuba - São Paulo - Produção de ovinos
postado em 26/01/2008

Caro amigo Ênio,

Parabéns pelo conteúdo da matéria, forma de enxergar e analisar os fatos bem como pelas sugestões de como devem ser conduzidos os trabalhos em nosso País. Abraço, Arnaldo.

Octávio Rossi de Morais

Sobral - Ceará - Pesquisa/ensino
postado em 30/01/2008

Minas Gerais não mereceu comentários? Nos últimos 10 anos a ovinocultura mineira só cresceu menos que as do DF, Rio de Janeiro e Mato Grosso. Tudo bem que com toda sua extensão Minas tem um rebanho relativamente pequeno, 225 mil cabeças, mas se cosiderarmos a tradição de produção de leite bovino e o conservadorismo do mineiro, 80% de crescimento é no mínimo estrondoso!
Um abraço.

João Luiz Lopes/Tecnovinos

Goiânia - Goiás - Ovinos/Caprinos
postado em 07/02/2008

Acreditamos que os dados do IBGE, embora não pareça, são os mais corretos possíveis. Assim como foi dito no trabalho acima: "... cumpriu sua missão de maneira positiva e exemplar, mesmo com toda sorte de problemas enfrentados num país de dimensões continentais como o nosso....". Entretanto o que temos que avaliar, além dos números citados, é como o setor pode, com esses dados, transformar-se em setor qualitativa e quantitativamente eficiente.

O que os gestores podem fazer para tirar a ovino e a caprinocultura deste marasmo em que se encontra. Em que os produtores (Associações, Cooperativas, etc.) podem contribuir para que possamos, ao menos, nos tornar auto-suficientes na produção de carne e, até mesmo, subprodutos, leite e derivados.

O mercado, poucos citam, tem crescido de forma considerável. As empresas de agregação de valor ao produto (frigoríficos, entrepostos, etc.), embora não estejam satisfazendo as expectativas dos produtores, já estão existindo. O Poder Público(esse é complicado), muito timidamente, em algumas unidades da federação, já começaram a prover incentivos (financiamentos) para alguns criadores. Mas também o que esperar do governo além disso? Penso que ele já está fazendo além do que pode, pois ele não sabe o que nós, produtores, estamos querendo.

Em resumo:

- Primeiro - temos que saber e definir o que queremos na produção de ovinos e/ou caprinos, ou seja, temos que equacionar todos os nossos objetivos juntamente com as dificudades criando, dessa forma, um plano estratégico de desenvolvimento da ovino e caprinocultura brasileira.

- Segundo - de posse desse plano estratégico temos que nos unir em um só objetivo (talvez o de aglutinar todos os representantes do setor e provocar discussões sobre o tema, propor soluções e cobrar, mas cobrar muito de todos os que se dizem defensores do povo. Entretanto, não podemos ser bairristas, temos que lutar pelo crescimento, em geral, dos setores em questão.

- Terceiro e em comum - temos que avaliar todas as estrateias de marketing, de logística, de controle zoosanitário, de produção, de comercialização, enfim tudo que podemos avaliar e fazer para que não continuemos sem sair do lugar, pois eu já ouvia falar no final da década de 80 que o Brasil tinha carência de produção de ovinos e caprinos para suprir a demanda. Imaginem hoje, 20 anos depois, com um rebanho com decrescimo de crescimento.

Portanto, senhores criadores, técnicos, gestores, admiradores e tantos outros com afinidade ao setor, não são os dados do IBGE que estão insatisfatórios, ou
mesmo errados, somos nós que trabalhamos e admiramos os setores em questão é que temos que agir, que fazer acontecer.

Se nós não contarmos que estamos e onde estamos sentindo dor, o médico não saberá nem, ao menos, que estamos precisando de sua ajuda.

Criemos coragem e discutamos mais a ovino e caprinocultura brasileira, pois assim teremos a certeza de que pode valer a pena criar ovinos e caprinos neste país.

Obrigado.

Elenice Fatima Pigatto

Erechim - Rio Grande do Sul - Estudante
postado em 11/02/2008

Tenho lido diversos artigos sobre ovinos e caprinos, e estou montando um puzzle sobre a Inteligência Competitiva neste setor. Observo um mercado que pode crescer e muito, quem sabe com uma melhor organização do setor formando cooperativas e associações buscando adquir os insumos para manter as criações a custos menores, melhor divulgação deste tipos de carnes, melhores formas de degusta-lá, seriam formas de aumentar o consumo das mesmas, fazendo com que está cadeia se desenvolva cada vez mais.

Não devemos fechar os olhos para o mercado externo, os países mais populosos, como China, India e Africa são consumidores tradicionais destas carnes, e suas produções não suprem a demanda interna, com isso buscam as exportações.

No mercado interno existem bons projetos no Nordeste, para estimular o consumo de carne, leite e iogurte nas escolas publicas, estimulando os produtores a produzirem não somente para sua subsistência, mas que eles vejam que aquela cabrinha que eu crio no meu quintal pode ser uma excelente fonte de renda.

Um abraço.

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