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Agriwar: a guerra comercial do agronegócio

Por José Luiz Tejon Megido
postado em 06/01/2009

6 comentários
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O tema da sustentabilidade é hoje uma questão "sine qua non" no negócio dos alimentos, fibras, bebidas, energia e demais derivados das matérias primas vegetais e animais - o agronegócio.

Nessa ambientação de globalização, a "agriwar" representa a guerra comercial, das percepções, da distribuição e da origem das matérias primas, entre os diferentes interesses competitivos no mundo.

A construção de valores, imagens, sejam fundamentadas em realidades, ou em ângulos parciais de realidades, ou na interpretação utópica de realidades desejadas, é o que caracteriza a necessidade da compreensão e da utilização dos conhecimentos de marketing à serviço do agronegócio. E, mais particularmente a serviço do marketing da produção agropecuária, propriamente dita. O dentro da porteira.

Sem a percepção da sociedade, do sentido e significado dos produtores rurais, e de suas novas missões de originadores de matérias primas em consonância com o "design" mental construído e desejado por consumidores e seus mais variados segmentos e nichos, as antigas soluções já não resolverão os modernos problemas e as mudanças em andamento.

Portanto, o combate na "agriwar" deve ser efetuado com ações concretas sobre a realidade, na legislação e interpretação tecnológica dos desafios ambientais, nas certificações, compromissos de qualidade, segurança alimentar e segmentação da originação; e a utilização dos instrumentos comunicacionais, publicitários e persuasivos; treinamento e sistemas de vendas e distribuição que realcem e agreguem valor na construção de modelos éticos e estéticos, ao longo da cadeia de valor do agronegócio.

O diálogo do agronegócio com a sociedade exige a transparência ao longo dos seus elos do antes, dentro, pós-porteira e além das porteiras das fazendas. As máquinas sendo retiradas do campo no Mato Grosso, nesse instante, por falta de pagamento, é um assunto que envolve toda a sociedade. E, mais diretamente, os fornecedores de equipamentos e seus clientes. A entrada de bancos privados, sistemas de seguro, fundos e armazenagem de safras é tema vital desse novo diálogo.

A priorização na construção de estrutura pós-porteira das fazendas, estradas, transporte, logística, portos, desburocratização, reforma tributária e outros expedientes sociais só caminharão em velocidade necessária para assegurar a competitividade do país com uma reconstrução de imagem do campo por parte da sociedade urbana, e uma compreensão clara de que o urbano e o rural estão umbilicalmente ligados, e que a nova classe média agrícola já existe; utiliza tecnologia de ponta, é informada, tem acesso à internet e vive mais nas cidades do que nas suas propriedades rurais. E, acima de tudo, que todos somos e estamos responsáveis pelo aquecimento do planeta, pelos distúrbios ambientais, e que a poluição do rio Tietê tem gravidade similar ao que ocorre na Amazônia, que gente vivendo em palafitas, com suas crianças nadando no mangue - na margem direita do porto de Santos, de onde parte o grosso do agronegócio para o planeta, é tão insustentável quanto o uso da mão de obra infantil nas fazendas.

Esse diálogo precisa esclarecer que agronegócio é a soma total dos movimentos financeiros do antes, dentro e pós-porteira das fazendas. E, que é exatamente no pós porteira das fazendas, na agroindústria, na distribuição, no varejo e nos serviços, incluindo seus supermercados e marcas de valor, onde encontramos 70% do faturamento de tudo o que chamamos "agronegócio". A agropecuária isoladamente significa algo em torno de 20% desse total, e os outros 10% são os insumos, máquinas e tecnologia para gerar a produção rural propriamente dita: adubo, sementes, defensivos, tratores etc.

Portanto o diálogo do agronegócio é ainda mais urbano do que rural, e os direitos e deveres precisam ser ética e corretamente distribuídos e liderados.

Sobre Núcleo de Estudos de Agronegócio da ESPM

O Núcleo de agronegócio da ESPM tem como objetivo levar o conhecimento do marketing para dentro das fazendas, ajudar na promoção da produção agropecuária do país, incentivar a valorização de produtores rurais e de todo complexo que o envolve a partir de estudos, pesquisas, cursos, seminários e livros. Atuaremos ao lado dos veículos de comunicação, a mídia, publicitários e jornalistas, nessa orientação. O núcleo ESPM objetiva atrair os agentes do pós porteira das fazendas, as agroindústrias e os agentes fornecedores de tecnologia do antes da porteira, para apoiar o marketing da produção rural do país.

Saiba mais sobre o autor desse conteúdo

José Luiz Tejon Megido    Brasília - Distrito Federal

Mídia especializada/imprensa

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Comentários

Paulo Emílio Glucksberg

Sinop - Mato Grosso - Produção de ovinos
postado em 06/01/2009

Parabéns a José Luiz Tejon.

Moro em Sinop - Mato Grosso sou criador de ovinos e filho de agricultor.

Gostei muito do artigo escrito pelo José, concordo que somente dessa maneira, valorizando o campo e a sua produção, que o Brasil irá andar no rumo certo!

Meus parabéns ao coordenador e a esse núcleo de estudos, eu acho que é por ai mesmo!

Abraços!

José Coutinho Neto

Macaé - Rio de Janeiro - Produção de leite
postado em 06/01/2009

"Tremei ecoterroristas", agora temos voz. Marketing, marketing e mais marketing, esse é o caminho para que a sociedade comece a compreender o campo, sua importância, suas necessidades e que a sobrevivência desta sociedade urbana depende visceralmente do bem estar rural e da descriminalização do produtor rural - o atual vilão número 1 do nosso Brasil, tratado pior do que bandidos e traficantes.

Mais uma vez a Milkpoint e o nosso professor Tejon estão de parabéns.

Jerônimo Giacchetta

Cabo Verde - Minas Gerais - Produção de café
postado em 07/01/2009

Caro José Luiz,

Parabéns por este trabalho do núcleo de agronegócio com ênfase em marketing. Acredito que é o principal ponto de estrangulamento a ser rompido pelo agronegócio, principalmente para os agropecuaristas brasileiros. Trabalhar a imagem da agricultura brasileira, elevando o entendimento de toda a sociedade urbana a respeito do setor, será a base e suporte para a implementação das ações necessárias, objetivando a transformação da agricultura. Com o apoio da sociedade, as políticas públicas finalmente poderiam atender de fato as imperativas necessidades da agricultura e do agricultor do Brasil.

Um forte abraço,

Andre Zanaga Zeitlin

São Paulo - São Paulo - OUTRA
postado em 07/01/2009

Vai ser otimo ter a competencia da ESPM dando "transparencia" ao fato de que enquanto a sociedade subsidia seus produtores rurais, estes, que representam apenas 20% do faturamento do agronegocio, continuamente transferem a riqueza subsidiada para os setores pos- e pre-porteira.

Nessa agriwar, de muita promoção e pouco marketing, adivinha quem vai sair perdendo...

Vicente Arnaldo Nunes Placco

Andradina - São Paulo - Consultoria/extensão rural
postado em 08/01/2009

Atualmente como Gestor de emprêsa agropecuária em Malanje, na República de Angola na África , deparo com esse problema e imputo a culpa na ganância dos homens, na individualidade das ações e na interferência externa de fatores ou de coisas que não tem nada à ver e não conhecem a agropecuária como um todo.
A agropecuária é o setor primário de qualquer economia, e o alimento não falta, está é mal distribuido.

Parabens pela abertura desse canal de comunicação.

Francisco Armando de Azevedo Souza

Bandeirantes - Paraná - Pesquisa/ensino
postado em 08/01/2009

Prezado José Luiz.
Desde o curso de 1993, GVPEC-FGV-SP, onde pude conhecê-lo e ouvi-lo, estou atento aos seus livros e artigos. Além de ser um exemplo de vida e ser humano, as suas qualidades são extremamente importantes para o agronegócio brasileiro. O produtor rural não pode continuar a ser um dos vilões das mazelas brasileiras. A sociedade urbana não percebe o conceito de segurança alimentar em toda a sua plenitude. O núcleo da ESPM será uma excelente ferramenta para quebrar paradigmas existentes dentro de todos os elos da cadeia produtiva. Se esas ações não se efitivarem, nossas crianças continuarão a beber leite da caixinha e não da vaca.

Parabéns!
Prof. Francisco

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