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Índios Contemporâneos

Por Xico Graziano
postado em 13/06/2013

16 comentários
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A Constituição brasileira deixa claro: pertencem aos índios "as terras que tradicionalmente ocupam, competindo à União demarcá-las". Princípio que nenhuma pessoa civilizada contesta. De onde surgiu, então, esta confusão que anda assustando a sociedade?

É simples explicar: ocorre que certos grupos indígenas estão, com o apoio da Fundação Nacional do Índio (Funai), reivindicando áreas de terra que, há tempos, deixaram de ocupar. Colonizados pelos produtores rurais, tais espaços agrários ajudaram a edificar a nação brasileira. Em alguns casos, a exploração agropecuária ultrapassa 90 anos, com imóveis registrados no cartório de imóveis. Posse legítima, zero de terra devoluta.

Situada em Mato Grosso do Sul, assim se configura a Fazenda Buriti, palco do infeliz conflito que matou o terena Oziel Gabriel. Mantida desde 1927 pela família Bacha, suas cercanias foram invadidas para forçar a conclusão do processo demarcatório, visando a transformá-la em reserva indígena. O tiroteio ocorreu em meio ao cumprimento do mandado de reintegração de posse, ato judicial contra o qual os indígenas resistiram com violência. Tragédia anunciada.

Em todo o sudoeste de Mato Grosso do Sul existem, há tempos, dezenas de propriedades rurais ameaçadas por essa inusitada categoria de sem-terras com penachos coloridos. O miolo da encrenca afeta 3 milhões de hectares, exatamente o mesmo tamanho da área cultivada no Estado, onde labutam 100 mil famílias rurais. O exagero da "causa indígena" assombra o bom senso.

O acirramento dos ânimos resulta da demora do governo federal em resolver a questão. As reservas indígenas já existentes no território sul-mato-grossense somam 613 mil hectares, abrigando 31 mil remanescentes das tribos originais. Alguns defendem ser necessário aumentar esse domínio. Inexistem, porém, áreas disponíveis, exceto aquelas dedicadas historicamente aos cultivos de soja, milho e algodão, ou à pecuária, de excelente nível. Há proprietários que aceitariam, se indenizados, entregar parte das terras, mas o governo sempre afirmou ser impossível pagar. Entregar de graça ninguém topa.

Enquanto nada se decidia, o caldo da encrenca engrossava e se contaminava ideologicamente. Os indígenas invasores de terras se articulam com vários movimentos, todos próximos da chamada Via Campesina, uma organização de natureza anticapitalista, que propõe uma espécie de regresso às origens comunitárias da civilização. Gostam de desafiar autoridades, desprezam o regime democrático, bancam os salvadores messiânicos da pureza humana. No fundo, é o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-terra (MST) que comanda essa jornada, aliado, no caso, ao Conselho Indigenista Missionário (Cimi) e a outras entidades que dizem representar os "povos excluídos".

Tal conexão, com ramificações internacionais, destinada a "libertar os oprimidos", se espraia pelo Brasil, fazendo do "ruralista" sua vítima. Em Mato Grosso, entre várias pendengas, existe uma suposta tribo remanescente no Pantanal que deseja o mundo na região do Pirigalo. No Rio Grande do Sul, remanescentes caingangues querem tomar 22 mil hectares de colonos gaúchos próximos de Passo Fundo. No Paraná, invasões se verificam em Guaíra, Terra Roxa, Palotina, Mercedes, Santa Helena e Francisco Alves. Os invasores, conforme denunciou o senador Álvaro Dias (PSDB) na tribuna do Senado, não falam português, mas, sim, guarani e castelhano. Em Santa Catarina, o drama de milhares de agricultores ameaçados de perder suas terras na região de Chapecó e Palhoça foi relatado e documentado pelo senador Luiz Henrique (PMDB).

No Pará, fabricaram-se índios boraris na região de Santarém, mirando 80 mil hectares dentro da Gleba Nova Olinda. Na Bahia, afora aqueles malucos que invadiram um resort, e depois saíram envergonhados, outras etnias desconhecidas esbulham terrenos rurais ocupados há 80 anos em Ilhéus, Borá e Buerarema. Para não falar da história de Paulo Apurinã, o falso índio amazonense, um barrigudo velhaco que posava de líder junto das autoridades. Ponta do iceberg?

Nenhum desses conflitos envolve disputa por floresta virgem. Todos, pelo contrário, recaem sobre terras produtivas, sob a alegação de que seriam, no passado, indígenas. No limite, o raciocínio permite englobar também as praias cariocas, a Avenida Paulista, a Esplanada dos Ministérios, recantos alhures, pois, afinal, tudo pertencia aos índios até o descobrimento. Como, e a partir de quando, se comprova a "ocupação tradicional" das terras pelos remanescentes indígenas?

Aqui está o xis da questão. A legislação exige laudos antropológicos, a cargo da Funai. O procedimento, correto em tese, tem-se desvirtuado ao se utilizar de argumentos suspeitos, pouco científicos, para apontar "vestígios" recentes de ocupação indígena onde era imemorial seu sumiço. Referindo-se a uma querela em Mato Preto, no norte gaúcho, o procurador do Estado, Rodinei Candeia, denunciou o respectivo laudo antropológico como "uma fraude absoluta". Essa desconfiança sobre a veracidade dos laudos antropológicos levou o governo Dilma a propor que outros órgãos, como a Embrapa e o Incra, também opinassem sobre a matéria. A prova dos nove, necessária, irritou os indigenistas.

Percebe-se que os atuais conflitos indígenas não decorrem de nenhuma guerra de extermínio, ataque à floresta ou prepotência ruralista. Nada disso. Os índios contemporâneos não querem, exceto talvez os da Amazônia, caçar com arco e flecha. Desejam terras para cultivar, pastorear rebanhos, ganhar dinheiro. Estão certos.

Errado é continuar tratando índios remanescentes como "almas puras", inimputáveis perante a lei da sociedade humana. Isso precisa mudar.
 

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Xico Graziano    São Paulo - São Paulo

Consultoria/extensão rural

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Comentários

Mimiro Ramos de Moraes

Água Clara - Mato Grosso do Sul - Consultoria/extensão rural
postado em 13/06/2013

Estou contigo Graziano.Tenho comigo que o governo brasileiro degusta o sabor da inercia pela falta de decisoes "dele"por decadas afim.

romildo l leite

Sousa - Paraiba - Produção de caprinos de corte
postado em 14/06/2013

Todo o Brasil sabe dos fato relatados pelo Xico, então fica a pergunta:
Porque o judiciário continua mantendo esta farsa e dando ganho de causa a estes falsos indios que usam celular, andam de veiculos 4X4 e há muito visam apenas ganhar dinheiro fácil com terras produzindo na agricultura?
Romildo Leite - Sousa - PB

Mirelli Forgiarini

Paranatinga - Mato Grosso - Zootecnista
postado em 14/06/2013

Excelente artigo!

zeide sab

Botucatu - São Paulo - Produção de leite
postado em 14/06/2013

Artigo muito bem escrito, impecável nas colocações, parabéns ao autor.
Este artigo deveria ser publicado nos jornais de grande circulação e televisivos, para elucidar a população urbana do descaso de nossos governantes com o único setor da economia brasileira que gera superavit na balança comercial, e está sendo massacrada por políticos inescrupulosos em busca de votos.
Não vejo um único artigo de peso e imparcial na grande mídia.
Está na hora do setor agropecuário brasileiro se rebelar, para ser reconhecido, estão dando muito valor a grupos minoritário e esquecendo grandes grupos que produzem e geram empregos, riquezas e divisas ao brasil.

Paulo Luís Gonçalves Campelo

Belo Horizonte - Minas Gerais - Consultoria/extensão rural
postado em 14/06/2013

Esse é o Brasil, País com potencial para ser uma grande potência mundial, mas com que Governo ? só temos inconpetentes na Política, só temos oportunistas que se calam diante das barbáries praticadas pelos corruptos a troco de algum benefício próprio. As Copas das Confederações e do Mundo servirão para que o mundo veja estampada a verdadeira face que o Brasil possui, a face da incompetência, da corrupção generalizada, da falta de vergonha, da impunidade, da violência, DA MENTIRA. É uma pena, amo o Brasil, mas me revolto ao ter que aceitar como "normais" acontecimentos que em qualquer país SÉRIO seriam inaceitáveis. Abraços.

Elvis Luís Basso

Santo Ângelo - Rio Grande do Sul - Consultoria/extensão rural
postado em 14/06/2013

Parabéns, pena que o desconhecimento de causa de muitos brasileiros, não permita que a população entenda a realidade. E sobre esse movimento ter o mst por trás, é só observar se há invasões de terras no país, elas param após muitos assentamentos que deram tão errado que chega ser até ridículo.

Flavio Schirmann

Formigueiro - Rio Grande do Sul - Ovinos/Caprinos
postado em 14/06/2013

Enquanto as autoridades se "escondem" deixando que as coisas se acomodem de "per si", vão surgindo as injustiças,  exacerbando- se os ânimos, "como uma mola" armazenando energia.Quando a violência explodir, sempre virão à mídia os "especialista" dizer que não sabem o "porque"! RESOLVAM ISSO DE UMA VEZ OU TERÃO MUITO A LAMENTAR DEPOIS DO "LEITE DERRAMADO". Saudações!

Everton Gonçalves Borges

IBIÁ/ MG - Minas Gerais - Consultoria/extensão rural
postado em 16/06/2013

Considerei excelente o artigo, com excessão do penultimo parágrafo, onde se diz que os indios conteporâneos querem terra para produzir, para pastorear, discordo porque, eles tem milhares de hectares de terra e nada produzem, para que querem mais.
Na reintegração de posse da Fazenda Buriti, o Juiz determinou uma multa de 1.0 milhão por dia por desobediência, e o que aconteceu? Nada.
Enquanto os Produtores Brasileiros estão procurando adotar o máximo de técnologias, para aumentar as produções e produtividades, suprindo as necessidades alimentares da população e gerando divisas para o país, tem que conviver com estes absurdos que estão ocorrendo no país. Se o Governo tem alguma intenção de resolver os ditos problemas sociais do país ( sem-terras, Indios, quilombolas,etc,). que comprem e paguem as terras aos seus legitimos proprietários,e ai ele vai ver onde vai chegar a  produção brasileira de alimentos.

Rafael Martins Garcia

Castro - Paraná - Indústria de insumos para a produção
postado em 17/06/2013

Excelente artigo! Parabéns pela sua clareza de idéias!

JOSÉ DE RIBAMAR DA SILVA PIMENTEL

Redenção - Pará - Consultoria/extensão rural
postado em 19/06/2013

Esta questão do Governo requerer as propriedades de produtores que estão produzindo com justificativa de que a área  é indígina é um caso muito sério a ser analisado com bastante atenção pelas autoridades competentes. Temos exemplo em Redenção que o produtor perdeu sua propriedade no processo, sendo idenizado somente benfeitorias e abaixo dos valores reais. Hoje as benfeitorias como cercas ,curral,casa etc. já foram todas vendidas pelos ocupantes e não estão produzindo nada.  

PAULO LUIS HEINZMANN

SALVADOR DAS MISSÕES - Rio Grande do Sul - Consultoria/extensão rural
postado em 20/06/2013

Parabéns pelo belo artigo!!

Índios são brasileiros como todos nós, e assim precisam respeitar às leis. NINGUÉM pode invadir propriedade privada, sob alegação qualquer. Se não for assim, que fechem-se os Cartórios de Registros de Imóveis do País.

Os índios já possuem quase 13% do território brasileiro, sem produzir NADA!! Portanto, não é terra que a eles falta.

Que sejam expulsos do país índios "importados" do país vizinho, e que falam espanhol.

Precisamos enquadrar na lei quem está instigando aos índios às invasões, sejam eles ligados ao MST, a ONGs extrangeiras ou missionários com interesses obscuros.

Falta posição firme de nossos governantes, que "simpatizam" com a questão indígena.

Só no Brasil!!!

Lamentável!!!

Uma vergonha!!!

José Hamilton Barcelos

Campo Grande - Mato Grosso do Sul - Consultoria/extensão rural
postado em 20/06/2013

Muito Bom!
Nos Estados Unidos quando algun índio remanescente quer terra além das suas reservas existentes compra da união como qualquer outra pessoa, aqui como não existiu a sétima cavalaria do gal. Custer, que por orden do governo daquele País recebeu ordem para fazer o serviço, temos que aquentar esses atropelos da política Brasileira, uma vergonha, tá na hora de dar um basta. Ou daqui uns anos vamos todos nos brancos voltar para terra de nossos ancestrais, que  aqui chegaram e conquistaram essas terras enfim virou BRASIL!!

Caetano Beber

Blumenau - Santa Catarina - Pesquisa/ensino
postado em 27/06/2013

Em alguns pontos pode até ter um pouco de verdade. Mas é melhor se informar mais sobre os movimentos campesinos, e quando eu digo se informar, não é ouvir o Willian Bonner ou qualquer outro da rede globo e emissoras de TV. Recomendo o livro "As Veias Abertas da América Latina", antes de se aventurar a escrever essas ignorâncias de novo, ou qualquer outra fonte de informação que nã seja a mídia televisiva.

Flavio Schirmann

Formigueiro - Rio Grande do Sul - Ovinos/Caprinos
postado em 27/06/2013

                   Sr de Blumenau,  desculpe-me! "Movimentos campesinos" é bem o jeito das pessoas dos grandes centros falarem! Eu sou do interior dos campos gaúchos e já andei por muitos "rincões" deste Brasil e nuca escutei um homem rural falar tal palavra (campesina). É contra isso  que as pessoas de bem vão para as ruas... nossos "líderes" já perderam a liderança e mesmo  assim ainda insistem neste discurso ultrapassado!!!

Adir Fava

Muriaé - Minas Gerais - Produção de leite
postado em 06/07/2013

Curiosamente os brasileiros não percebem o jogo de muitas organizações não governamentais, principalmente da Europa, que pretendem fazer com o Brasil aquilo que os europeus fizeram com a África. O que fizeram? Criaram muitos países divididos sem qualquer harmonia interna ou externa. Resultado: Miseria total. Assim caminha o Brasil. A Constituição brasileira está equivocada (A Constituição brasileira deixa claro: pertencem aos índios "as terras que tradicionalmente ocupam, competindo à União demarcá-las".) É errado isto porque estamos retrocedendo ao tempo das cavernas. Não faz sentido isto. Demarcar territórios para indios é o mesmo que separar tal território do Brasil. Eu conheço indios que se preparam em Universidades internacionais com cursos de Relações Internacionais para representar a sua "Nação Indigina' nas Nações Unidas. Sim. Cada área demarcada será no futuro uma Nação de verdade armada para ser independente do Brasil e fazer deste nosso Brasil um monte países desafetos. A guerra separatista e armada é previsível, evidentemente.
Não entendo como os brasileiros não percebem isto. Talvez porque não gostam de ler, não gostam de pesquisar e conhecer a história da humanidade ou não sabem olhar para o futuro com olhos capazes de discernir o que aparece no horizonte.

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