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Íntegra do discurso do ministro Roberto Rodrigues

postado em 04/07/2006

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Por Roberto Rodrigues, ministro da agricultura

Senhor Presidente, Senhores Ministros,

Amo a agricultura, profunda e reverentemente.

Emociona-me a alvura imaculada dos algodoais em colheita, o rubro-verde dos cafezais em cereja, o galeio mágico que o vento provoca nos canaviais verdejantes ou nos dourados trigais; encanta-me o cheiro adocicado das espigas dos milharais, ou os laranjais carregados, as flores das fruteiras polinizadas pelas abelhas operárias; orgulha-me o progressista ronco das colhedeiras nos sojais e arrozais maduros; admiro os capinzais cultivados - alimentando rebanhos leiteiros e de sadia carne; minha alma se desvanece a cada vez que vejo uma semente germinando no milagre da preservação das espécies.

Amo a agricultura, profunda e reverentemente.

E respeito, admiro e venero os milhões de homens e mulheres que, dia após dia, ano após ano, em comunhão sublime com a natureza e com o Criador, plantam e colhem tudo o que garante a perenidade da existência.

Mas não foi só por este amor inesgotável que aceitei o honroso convite do Presidente Lula para ser Ministro da Agricultura em seu governo. Foi por muito mais.

Foi por compreender com clareza que é o produtor rural quem, em sua cotidiana e anônima labuta, aciona a roda do desenvolvimento em um país como o nosso.

Sem o produtor rural, para que produzir sementes, defensivos, fertilizantes, corretivos, medicamentos veterinários, rações? Para que produzir tratores, equipamentos e máquinas colhedeiras? Sem a produção agrícola, para que construir usinas, fábricas de alimentos, fogões? Para que fabricar caminhões, trens, trilhos, silos e armazéns? Para transportar e guardar o quê? Sem os agricultores, como seriam criados todos os empregos nestas áreas referidas?

Não há ovo de Páscoa sem plantador de cacau, não há vestido de seda sem plantador de amoras, não há cabos e pneus de borracha sem plantador de seringueira, não há papel sem plantador de árvores, não há cerveja sem plantador de cevada, vinho sem plantador de uva, não há calça jeans sem plantador de algodão, não há sapato e bolsa sem o pecuarista, não há etanol sem cana, não há pão sem trigo, óleo sem soja, manteiga sem leite, não há vida sem a agricultura e sem o agricultor.

Por isso aceitei o convite e o desafio: por amar a terra e ao seu amanhador, e por reconhecer que seu trabalho é o motor da economia e da democracia.

E, em meu discurso de posse, assumi vários compromissos. Cumpri todos, sem exceção. E algo mais fiz, porque consegui montar uma equipe extraordinária, onde experiência e juventude se mesclaram com o mesmo compromisso e a mesma vontade de melhorar as condições de vida do homem do campo, para que este produzisse mais e melhor, para que o Brasil agrícola exportasse mais, e melhor abastecesse o mercado interno. Pois estas eram também as vontades do Presidente Lula.

Reestruturamos o Ministério, criando uma Secretaria de Relações Internacionais, uma Assessoria de Gestão Estratégica, uma Ouvidoria e uma Corregedoria. Montamos uma Secretaria de Agroenergia, para dar conhecimento ao mundo do novo tempo que se avizinha, de um novo paradigma agrícola que substituirá a civilização do petróleo por outra mais sustentável, renovável e justa.

Instalamos 27 Câmaras Setoriais por cadeia produtiva ou tema específico, em busca de melhor coordenação com o setor privado, com suas entidades de representação e com a bancada agrícola do nosso Parlamento.

Melhoramos os laboratórios para a Defesa Sanitária e ampliamos o número de bovinos vacinados contra a aftosa, de 181 milhões em 2003, para 193 milhões em 2005. Atuamos no combate às doenças dos vegetais, que destroem a renda e a competitividade do setor.

Na maior crise da história recente da agricultura, trabalhamos por medidas que alongassem as dívidas, ampliando os recursos para o crédito rural, para, com isso, minimizar os problemas dramáticos do campo. Criamos novos e modernos instrumentos para a comercialização agrícola e, sobretudo, aprovamos a Lei e o Regulamento do Seguro Rural, e, neste ano, iniciamos um volume significativo de subvenção ao prêmio. Criamos o Prêmio para Opções Privadas e a LEC, fizemos mais 98 zoneamentos agrícolas, na maioria dos Estados. Os recursos ofertados para o crédito rural cresceram 84%, de 2003 a 2006, além da criação do FAT Giro Rural.

Implantamos o Programa de Integração Lavoura-Pecuária, de grande alcance em termos de sustentabilidade. E reformamos o SISBOV, depois de duas conferências internacionais de rastreabilidade. Criamos a Lei dos Orgânicos e o Programa de Indicação Geográfica. Fizemos o Plano Brasil Cooperativo, cujos elementos vão sendo implementados.

Trabalhamos intensamente junto ao Itamaraty, ao MDIC e à Camex nos assuntos ligados à OMC e aos contenciosos agrícolas, com resultados positivos em todos os temas. Criamos Comitês Consultivos Agrícolas com vários países e o Conselho Agropecuário do Sul, para unir o setor produtivo rural do Mercosul ampliado. E ajudamos a criar o G20, grande bloco que impediu a dominação dos poderosos no comércio mundial.

As ações de apoio à sofrida cafeicultura melhoraram os preços, de 47 dólares a saca quando assumimos, para os atuais 140 dólares por saca.

Nossas empresas coligadas fizeram trabalho espetacular: Embrapa, Conab e INMET modernizaram suas estruturas e se colocaram vistosamente no panorama internacional. Recuperamos os estoques públicos, quase inexistentes no começo deste governo, atuando na compra antecipada de produtos da agricultura familiar.

Trabalhamos a Lei de Biossegurança, tivemos recordes sucessivos na balança comercial do agronegócio, e, estou seguro, magnificamos o setor perante o mundo.

Mais não foi possível fazer: secas sem precedente, aftosa, queda de preços e de renda, ameaça de influenza aviária, ferrugem asiática e questões que refogem a competência do MAPA foram uma carga impossível de resolver completamente.

Daí a insatisfação ainda existente em setores do agronegócio.

Medidas estruturantes estão sendo estudadas pelo Governo, com o objetivo de criar políticas anti-cíclicas que já existem nos países desenvolvidos.

Mas, agora é hora de agradecer pelo que foi feito, e não de chorar pelo não alcançado. Esta segunda parte será resolvida pelo meu caro amigo Luís Carlos Guedes Pinto, novo Ministro, homem capaz, sério, competente, verdadeiro, responsável, patriota e leal, tão leal quanto esta palavra possa ser definida pela etimologia mais rigorosa.

Começo então agradecendo a ele, por seu companheirismo e dedicação. E, através dele, agradeço a todos que estiveram comigo: aos Secretários e seus técnicos, aos dirigentes das empresas, à equipe do Gabinete, a todos, enfim, sem exceção, ao lado dos quais foi possível chegar até aqui com dignidade. Gostaria de nomeá-los todos, mas são tantos, que precisaria de outro discurso.

Agradeço aos Ministros de Estado, a todos, mas preciso citar alguns, pela aproximação temática e apoio indispensável: Dilma Rousseff, Guido Mantega, Luis Fernando Furlan, Paulo Bernardo Silva, Sérgio Machado Rezende e Celso Amorim.

Agradeço aos Parlamentares que estiveram ao meu lado. Agradeço ao Vice-Presidente José Alencar, pela permanente solidariedade. Agradeço à Dona Marisa, pela amizade sincera e sem rodeios.

À equipe do Presidente, ao POC, às secretárias Mônicca e Luciana, a esse sempre disponível Gilberto e ao pessoal do Gabinete. E especialmente ao Presidente Lula, pela oportunidade de servir ao Brasil. Muito obrigado, Presidente. Procurei fazer o que era possível para enobrecer e engrandecer o seu governo, e para lhe dar orgulho pela escolha do Ministro. Deixo de ser seu subordinado, mas continuo seu amigo e admirador respeitoso.

Volto agora para meus amores de sempre: as cores das frutas e os diferentes verdes de cada cultivo; aos aromas das flores de cada planta; ao trinar dos pássaros, cada qual anunciando uma hora do dia ou da noite; à brisa refrescante, que percorre os campos sem fronteiras, levando seus perfumes, seus sons, sua alegria, sua azáfama constante.

Volto ao convívio dos meus pares, os produtores rurais deste imenso País, e suas entidades como CNA, OCB, SRB e ABAG, aos quais agradeço pela confiança, pela paciência e pela compreensão. São eles, os produtores, que, em sua solidão neste vasto território, com modéstia e valentia, com arrojo e desassombro, com humildade e temência a Deus, constroem de verdade o Brasil do primeiro mundo. Volto a eles com o orgulho de ser um deles, com a honra de pertencer a seu meio. Esse povo, Presidente, seja pequeno produtor, médio ou grande, familiar ou empresarial, não pode prescindir do apoio do governo, sem preconceitos, e continuará precisando do seu apoio, meu Presidente!

E volto ao regaço dos amigos e dos familiares com a esperança principal de reconquistar o amor dos netos. Afinal de contas, o neto é a certeza da eternidade, de que as coisas vão continuar para sempre. E, assim, o neto é o grande chamado à responsabilidade e à dedicação à Pátria. Vou tentar reconquistar o amor deles, que tanto amo, e que sequer me conhecem.

Muito obrigado.

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