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Marcadores moleculares na inseminação artificial

Por Ângela Maria Xavier Eloy
postado em 29/12/2009

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Ainda nos dias de hoje, a seleção de reprodutores das espécies caprina e ovina no Brasil baseia-se na observação das características visuais dos animais, sendo o tamanho, a cor da pelagem, a conformação da cabeça, a altura da cernelha, o comprimento das pernas etc, características relevantes para a escolha de animais para reprodução.

Com o aumento da importância econômica do setor e da conscientização dos criadores, ações para a avaliar os aspectos produtivos dos animais, dos seus ascendentes e descendentes começam a ser despontadas com o objetivo de selecionar material genético.

Outro ponto de destaque, é que mesmo entre aqueles animais com excelentes potenciais produtivos, alguns não apresentam bom desempenho no que se refere à congelação de sêmen quando avaliados em uma Central de Inseminação Artificial.

Hoje se fala muito em marcadores moleculares, em especial na espécie humana. Mas o que vem a ser esses marcadores e para que servem?

Marcadores moleculares são moléculas de DNA, genes, enzimas ou proteínas utilizados para identificar determinada doença ou característica produtiva nos animais, plantas e nos seres humanos. O início do estudo dos marcadores proteicos aconteceu no ano de 1948 com o desenvolvimento da eletroforese unidimensional, método pioneiro de separação das proteínas, criado pelo químico Arne Tiselius.

Na década de 70 houve um salto nas descobertas e no desenvolvimento de técnicas de laboratório no campo da biologia molecular. O estudo das proteínas por eletroforese bidimensional (2D), técnica mais precisa que a unidimensional, foi inicialmente realizado em 1975 pelos pesquisadores O'Farrel, Klose e Scheele. Com essa ferramenta, hoje pode-se separar proteínas de peso molecular entre 1 e 300 Kilodaltos (KDa).

Nos dias atuais, as técnicas mais comumente utilizadas para estudo das proteínas são as que usam a eletroforese bidimensional associada aos métodos de espectrometria de massa. Estudos de marcadores moleculares nas espécies bovina, suína, equina e, especialmente, na humana, estão em ampla expansão, sendo já identificados marcadores para doenças, em geral aquelas ligadas à reprodução.

Na espécie humana, por exemplo, já estão sendo utilizados marcadores moleculares proteicos para diagnosticar pacientes com problemas ligados à fertilidade, com patologias prostáticas, pacientes vasectomizados etc. Na produção animal, a aplicabilidade dos marcadores moleculares está relacionada ao estudo do sistema imunitário de espécies aviárias, à parasitologia, à reprodução e à nutrição.
No sêmen das espécies animais poderão ser identificados vários grupos proteicos que darão suporte a linhas de pesquisas voltadas para a criopreservação ou congelação de gametas, determinando marcadores de congelabilidade e proporcionando o melhoramento de técnicas de fertilização artificial através da caracterização de proteínas exclusivas de cada espécie envolvidas na atividade espermática.

A Embrapa Caprinos e Ovinos, desde 2006, vem pesquisando marcadores moleculares proteicos para seleção de animais que apresentem maior eficiência na criopreservação de sêmen, contribuindo para o avanço do conhecimento.

Já está estabelecido que a concentração das proteínas do plasma seminal de caprinos da raça Anglo-Nubiana é mais elevada no período de transição entre o clima seco e o clima chuvoso. A concentração também se mostra elevada de setembro a dezembro, ponto crítico da estiagem na região semi-árida do Ceará.

Neste mesmo trabalho, foi também detectado maior número de bandas proteicas no período de estiagem quando comparado ao período chuvoso. Nesta mesma região, observou-se, através de levantamento de dados do Laboratório de Andrologia, Tecnologia do Sêmen e Inseminação Artificial da Embrapa Caprinos e Ovinos, que o número de doses de sêmen aprovadas ou viáveis pós congelação, foi maior no período seco do que no chuvoso.

É possível que as proteínas que se encontram presentes no plasma seminal dos caprinos da raça Anglo-Nubiana no período seco estejam relacionadas com a congelabilidade do sêmen, entretanto, como a pesquisa ainda não foi concluída, esses resultados ainda devem ser tomados com cautela.

Por outro lado, recomenda-se que trabalhos de congelação de sêmen levem em consideração o clima da região, considerando aspectos relacionados à temperatura, à umidade e ao índice pluviométrico onde os animais são criados, de modo a aumentar o número de doses viáveis para inseminação artificial e evitar desperdício de tempo, de mão de obra e de material genético.

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Ângela Maria Xavier Eloy    São Paulo - São Paulo

Pesquisa/ensino

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