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O couro e a geração de riquezas

Por Gladstone Campelo (FarmPoint)
postado em 25/09/2006

3 comentários
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A cadeia produtiva das peles de cabras e ovinos é uma das maiores riquezas do Nordeste e uma atividade econômica que está passando por um processo de grande transformação ao desenvolvimento de novos negócios, geradora de empregos e divisas à região e ao País.

A ovinocaprinocultura está focada não somente na oferta de carne, leite e derivados, mas na produção de peles que ocupam espaço cada vez maior nos produtos de couros, sapatos, acessórios e artefatos de alto valor agregado e grande aceitação nacional e internacional.

A expansão do setor vem atraindo para a região investimentos de grandes grupos empresariais. Isso favoreceu a instalação de um moderno parque industrial curtidor, tecnologicamente atualizado, altamente competitivo e muito preparado para abastecer a indústria calçadista brasileira e enfrentar o competitivo mercado externo.

Atualmente o rebanho brasileiro de caprinos e ovinos é estimado em 30 milhões de cabeças, o equivalente a 3,3% do efetivo mundial, que soma mais de 990 milhões de animais. Desse total, o Nordeste possui ao redor de 12 milhões de cabras e um rebanho de 9 milhões de carneiros deslanados.

Essa produção é insuficiente para atender a demanda brasileira.

Além disso, cabe assinalar que a pele de carneiro deslanado (ovino) do Nordeste é um produto nobre pelas suas propriedades de maciez, resistência e elasticidade, possuindo valor comercial superior à das ovelhas do sul que são utilizadas para lã ou forro devido à sua baixa resistência.

Entretanto, a evolução desta importante atividade encontra pela frente obstáculos em seu próprio ritmo de crescimento. Isto porque, os curtumes da região investiram e capacitaram-se para processar 12,2 milhões de peles por ano, enquanto a produção local de matéria-prima produz pouco mais de 8 milhões de peles brutas anuais.

Com esse déficit as empresas instaladas na região são obrigadas a importar 5 milhões de peles. Essa aquisição externa é importante para cobrir a capacidade ociosa dos curtumes. Até porque a indústria brasileira tende a ocupar um espaço cada vez maior na linha de sapatos de nível médio alto no mercado internacional. Esse fato provoca a maior aquisição externa de peles, além da tendência crescente de maior demanda interna para fabricação de sapatos femininos para exportação.

Inexplicavelmente uma determinação passou a tributar as importações de wet blue - a matéria prima básica para o processamento de peles -, com a incidência de uma alíquota de 8%, o que compromete o esforço produtivo e a competitividade das empresas.

Neste contexto, o Centro das Indústrias de Curtumes do Brasil (CICB), entidade que representa os 800 curtumes que processam o couro e movimentam US$ 1,4 bilhão anualmente - está propondo a diminuição da alíquota incidente sobre a aquisição externa de peles.

A medida beneficiaria a duas importantes vertentes da cadeia produtiva. Em primeiro lugar, para a indústria curtidora nordestina que seria estimulada a aumentar seus investimentos e gerar novos postos de trabalho na região; e em segundo, a indústria calçadista brasileira que teria uma matéria-prima a um custo competitivo para a produção de calçados.

Com isso, o segmento curtidor brasileiro tende a ocupar espaço cada vez maior no processamento de produtos acabados. Afinal, a atividade requer grande volume de investimentos e um elevado custo de operação - de modo a atender as exigências de qualidade do mercado consumidor, na aquisição de equipamentos, contratação de pessoal capacitado e no controle dos impactos ambientais.

Neste contexto, a isenção das importações pode contribuir significativamente para oxigenar a economia regional, mas concorre também para que a cadeia produtiva de caprinos e ovinos do Nordeste empenhada em ver reconhecida as suas vantagens comparativas, se consolide um forte pólo exportador de produtos acabados, de alto valor agregado.

Afinal, a indústria curtidora possui todas as condições para que o País reforce sua posição de liderança nos mercados internacionais, promovendo maior ingresso de divisas em moeda forte e a abertura de novos e qualificados postos de trabalho.

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Gladstone Campelo    Rio de Janeiro - Rio de Janeiro

Consultoria/extensão rural

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Comentários

Ronald Peach

São Paulo - São Paulo - Produção de ovinos de corte
postado em 25/09/2006

Senhores,
A despeito de tudo que se fala da qualidade das peles de ovinos e caprinos, tenho enviado e-mails para varios curtumes, alguns até especializados perguntando sobre o interesse por peles e nem resposta tenho recebido.
Conheço varios criadores do sudeste que quando perguntados o que fazem com as peles dos animais abatidos, respondem "jogo fora". Alguns mais otimistas
dizem que estão guardando, mas desconheço quem tenha conseguido vender.

João Donizete Leite de Amorim

Araguaína - Tocantins - Indústria de insumos para frigoríficos
postado em 25/10/2006

Belo artigo do sempre atuante e combativo G. Campelo com quem já tive jornadas defedendo as indústrias de peles bovinas neste pais, sei dos invetimentos deste setor, mas é o que acotece no Brasil, as normatizações do governo vem sempre na contramão dos setores produtivos.

Parabéns.

João Donizete

karine.A. Sousa

Divinópolis - Minas Gerais - Zootecnista
postado em 06/06/2008

Fala-se muito do mercado promissor que é a produção de peles ovinas no Brasil,sobre os cuidados com o manejo pré abate visando a qualidade do produto final, mas informações, trabalhos sobre o melhoramento genético de raças específicas para produção de couros é escasso!Queria saber se possível, se há um programa de melhoramento genético nacional ou até mesmo internacional que trabalhe com cruzamentos de ovinos para obtenção de couros de qualidade para fabricação de produtos da indústria textil ou calçadista, ou se há associações de criações de ovinos que trabalhem de modo independente quanto a esta questão?
Agradeço desde já a atenção

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