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Ovinocultura brasileira: perspectivas para o futuro!

Por Bruno Fernandes Sales Santos
postado em 28/04/2008

16 comentários
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Caros amigos leitores do FarmPoint,

É com muita honra que venho através deste artigo fazer alguns comentários a respeito das perspectivas e caminhos que daremos à ovinocultura em nosso país. Após seis meses de convivência entre os mais diferentes níveis da cadeia de produção ovina da Nova Zelândia, é possível perceber o quão diferentes e ao mesmo tempo quão semelhantes são os dois países. Mas, sobretudo, é possível compreender os motivos que nos impedem transformar a indústria ovina no Brasil (me refiro à toda a cadeia produtiva) em uma atividade estruturada e forte, que possibilite a obtenção de retorno econômico e social para a atividade.

Estou em Dunedin - Otago, sul da Ilha Sul da Nova Zelândia, onde está concentrada a maior parte da população ovina do país. Fui contratado pela AbacusBio Limited, empresa que atua na área de pesquisa e desenvolvimento de tecnologia de produção animal, biotecnologia, agribusiness e serviços avançados em genética aplicada. Estamos em um prédio de grandes empresas, um grande escritório com mais de 15 pessoas voltadas para o desenvolvimento de tecnologia de produção, programas de melhoramento genético, estratégias de marketing e outros, incrivelmente, quase todas as atividades voltadas para ovinocultura. A empresa atua em quase todos os seguimentos da cadeia de produção incluindo, propriedades, frigoríficos e abatedouros, centros de pesquisa, órgãos governamentais e etc., possibilitando o contato com os mais diferentes tipos de pessoas e nos diferentes papéis exercidos por cada um dos segmentos.

No início dos trabalhos a grande quantidade de material, fornecido para que eu me interasse da atual situação da atividade ovina neste país, foi fundamental para me situar a respeito dos índices de produtividade e da realidade de preços e custos vivenciados pelos produtores. Além disso, foi então que consegui compreender como uma empresa totalmente voltada para prestação de serviços em produção animal pode estar localizada em um local nobre, remunerando muito bem seus técnicos e cientistas e obtendo lucro. Quando se iniciaram as atividades no campo as surpresas aumentaram, pois foi possível observar o quanto os produtores estavam satisfeitos com seus rebanhos, suas propriedades e com a possibilidade de viver bem, criar os filhos e atender às expectativas de um estilo de vida o qual os neozelandeses se orgulham, o "farm life style". Para nós brasileiros, isto é possível em muitos casos, apesar dos pesares, porém difícil para um produtor que se dedique exclusivamente à ovinocultura.

Ao me aprofundar nos detalhes do dia a dia, foi possível entender que todos os produtores sabem exatamente o número de animais que possuem, as taxas de prenhez (90 - 98%, todos os criadores realizam ultra-som para diagnóstico de gestação) e prolificidade (100 - 220%), quantos cordeiros são desmamados por ano (média nacional 1,29/ovelha/ano), qual a taxa de ganho de peso dos cordeiros (250 - 400g/dia, exclusivamente em pastagem), qual a capacidade de produção de matéria seca da pastagem (5 a 15 ton. MS/ha/ano, dependendo da localidade) e etc. Também os índices de produtividade são bem entendidos, assim a maioria dos produtores está ciente de suas taxas de desmame, rendimento de carcaça de seus animais, receita bruta por unidade de área (hectare) e por animal (ovelha), e vários outros parâmetros zootécnicos tão importantes para compor a eficiência da empresa agropecuária, que é o modelo como as propriedades são encaradas na Nova Zelândia.

Nos últimos anos, a indústria ovina tem sofrido severas reduções no rebanho, devido a diversos fatores, como preço dos cordeiros de abate ($ 30,00 a 60,00 por cordeiro) e competição com a alta rentabilidade proporcionada pela atividade leiteira ($ 7,00 por kg de sólidos). Além disso, o elevado custo de mão de obra (no mínimo $ 30.000 por funcionário por ano) e as altas taxas de juros (10% por ano) tornam as margens muito pequenas, e é por isso que os aspectos de produtividade são tão importantes. Também as condições climáticas são um desafio constante para os criadores, que devido ao rigoroso inverno (3 a 6 meses de frio intenso e muita neve em alguns locais), são obrigados a produzir altas quantidades de volumoso durante a primavera e verão, para serem consumidos durante o inverno. E aí entram os custos de fertilizantes e combustíveis que nós brasileiros estamos tão habituados.

A convivência entre produtores, técnicos, pesquisa e iniciativa privada é muito integrada. Na Nova Zelândia a pesquisa em ovinocultura é desenvolvida pelas empresas de pesquisa financiadas em parte pelo governo e principalmente pelos fundos obtidos dos diversos segmentos envolvidos. Por exemplo, para todos os cordeiros abatidos e para cada quilo de lã vendido, uma pequena porcentagem é destinada à pesquisa e ao desenvolvimento da atividade. Assim, empresas como Meat & Wool New Zealand, AgResearch e outras, podem desenvolver suas atividades ligadas à capacitação de mão de obra, grupos de discussão, treinamentos e orientação comercial, marketing e pesquisas de todos os tipos e em todos os níveis. Todas as atividades são solicitadas pelos criadores e os resultados são avaliados de tempos em tempos de acordo com o planejamento inicial. Todo o trabalho é coordenado por representantes escolhidos entre os próprios criadores, executado por profissionais de cada área e com participação de representantes de diferentes setores da sociedade, uma vez que o que acontece no campo reflete diretamente nas cidades. Os órgãos que representam os criadores não são os responsáveis pela assistência técnica ou consultoria, papel exercido pelos profissionais da área, e neste aspecto a responsabilidade é dos técnicos, sendo que os mais competentes e que podem oferecer melhores serviços a preços que justifiquem a implantação de novas tecnologias de uma maneira geral, são os que mais contribuem para a eficiência produtiva no setor.

Outro aspecto muito interessante relaciona-se aos frigoríficos. Devido à estrutura do país, à importância histórica da agropecuária na vida da população e uma série de outros fatores, os frigoríficos e abatedouros são em geral cooperativas de produtores, ou seja, os produtores são os proprietários das indústrias, sendo que a administração e condução são totalmente delegadas a administradores profissionais. Os preços pagos são os mesmos ao redor do país, com variações normais durante a safra e entre safra, e de acordo com a oferta do dia, porém, uma diferença importante quando comparamos à situação no Brasil, é que o cordeiro é pago pelo rendimento. Existe um sistema nacional de classificação e tipificação de carcaças, sendo o tipo de maior valorização aquele com peso de carcaça entre 16 e 17 kg e cobertura de gordura (GR) em torno de 3 mm. As carcaças mais leves ou pesadas, insuficiente ou excessiva cobertura de gordura, danos causados por problemas sanitários, manejo inadequado e etc., são severamente penalizadas e os preços por kg são reduzidos. Assim, todos os criadores procuram produzir animais padronizados e que proporcionem bons rendimentos. Alguns frigoríficos iniciam seus trabalhos com o EyeScan®, aparelho de última geração que avalia todas as carcaças na linha de produção, determinando as proporções de músculo e gordura, além do rendimento total. Neste caso, os produtores que fornecem animais com maiores rendimentos cárneos são bonificados e podem atingir preços de $70,00 ou mais por carcaça. Ao final do ano fiscal Neozelandês, os lucros dos frigoríficos são enviados para cada um dos criadores, após serem descontadas taxas e investimentos.

Após descrever uma perspectiva geral da atividade na Nova Zelândia, gostaria de fazer algumas colocações com relação ao nosso Brasil. Primeiramente, deixar muito claro que não tenho nenhuma intenção de responsabilizar este ou aquele outro pela atual situação da ovinocultura. Em minha opinião, se hoje nos encontramos em uma posição onde não podemos contar com a atividade para abastecer nosso consumo interno, proporcionar rentabilidade suficiente, ou mesmo se não conseguimos complementar a receita de nossas propriedades com a ovinocultura, a responsabilidade é nossa. Sim de todos nós, criadores, técnicos, governo, associações, empresas privadas, instituições de pesquisa e etc. Os ovinos foram domesticados há milhares de anos, há centenas de anos temos carneiros e ovelhas em nosso país, e até hoje estamos parados no tempo.

Consideremos nossas justificativas: verminose, predadores, miíases, mortalidade, ausência de uma cadeia estruturada, falta de planejamento e etc. Consideremos nossas potencialidades: temos mais terra agricultável que qualquer outro país no mundo, temos água disponível, não temos neve, não temos frio absurdo, terremotos, guerras e secas que durem 3 ou 5 anos. Ao conseguirmos alcançar na ovinocultura parte dos avanços obtidos pela nossa agricultura, com certeza poderemos ser grandes produtores de ovinos, em um espaço relativamente curto de tempo.

Muitos dos entraves que hoje vivenciamos na atividade já foram superados por países onde a ovinocultura é atividade de grande importância. Porém, muitos dos entraves vivenciados por nós são frutos de nossa inabilidade em produzir. Tomemos por exemplo nossas taxas de fertilidade, nosso manejo nutricional, nosso modelo de melhoramento genético. Qual melhoramento?

O Sheep Improvement Limited, é o órgão (empresa dos produtores de todo o país) responsável pelo programa de melhoramento genético nacional da NZ. Por ano são avaliados milhões de animais e desde os anos 80 que a comercialização de reprodutores e matrizes é baseada nas avaliações genéticas. Hoje em dia, não se comercializam reprodutores que não estejam sendo avaliados, pois a evolução genética contribuiu para o incremento de produtividade em aproximadamente 50%. Em menos de 20 anos a população ovina foi reduzida em 40%, porém a produção e exportação de carne de cordeiro se mantiveram intocadas. É fundamental que conheçamos nosso rebanho, nossas matrizes e nossos reprodutores, e principalmente, o valor genético real de cada um deles. Em uma cadeia produtiva bem estruturada, o melhoramento real obtido pelos criadores de animais puros ou "elite", deve atingir os criadores comerciais de maneira que o aumento de produtividade seja percebido rapidamente. Desta maneira, os custos envolvidos passam a atuar como investimento e os resultados podem ser observados diretamente, sobretudo, com relação à satisfação do mercado consumidor. Animais comercializados por valores elevados e sem avaliação apropriada podem disseminar material genético inadequado, o que prejudica toda a cadeia.

Com o passar dos anos, especialmente em países onde a ovinocultura está bem estabelecida (como Austrália e Nova Zelândia, por exemplo), os rebanhos se tornam mais especializados, o criador se torna mais profissional e os resultados começam a surgir, então se percebe a real importância dos programas de seleção.

Gostaria de ressaltar mais uma vez que não acredito em um modelo perfeito, não acredito que em países como a NZ tudo seja perfeito, pois não é. Mas acredito que temos bons exemplos, acredito no nosso potencial, acredito que estamos iniciando um processo de transformação ou mudança de pensamento. Os preços de carne de cordeiro em nosso país são bons, o consumo tende a crescer (todas as previsões indicam forte crescimento), o criador precisa vender reprodutores e o produtor precisa comprar e assim por diante. Optemos inicialmente por fazer um bom planejamento, produzir com eficiência, obter bons rendimentos em termos de R$ por hectare ou R$ por ovelha por ano. Contenhamos a mortalidade de ovelhas em nossos rebanhos, maximizemos os índices reprodutivos, alimentemos bem (boas pastagens) nossas ovelhas e nossos cordeiros (com concentrado dependendo do sistema) para obter bons ganhos de peso e, sobretudo, devemos aprender a selecionar nossos animais, literalmente eliminar ovelhas ineficientes, problemáticas, reprodutores sem a menor capacidade de sequer sobreviver às condições impostas, e etc.

Espero um dia podermos dizer com satisfação e dinheiro nos bolsos: somos criadores de ovelhas! Espero um dia podermos atingir com a ovinocultura um patamar de importância social para nosso país, onde muitos possam se beneficiar de uma indústria forte e estruturada. Só depende de nós!

Saiba mais sobre o autor desse conteúdo

Bruno Fernandes Sales Santos    Dunedin - Otago - Nova Zelândia

Produção de ovinos

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Comentários

Daniel de Araújo Souza

Fortaleza - Ceará - Consultoria e ensino
postado em 28/04/2008

Caro Bruno,

Parabéns pelo artigo e obrigado por compartilhar suas experiências e informações conosco!! Estimulante, revigorante e inspirador!!

Abraços,

Daniel

Célia Padovan

Campo Grande - Mato Grosso do Sul - Médico Veterinário
postado em 28/04/2008

Prezado Bruno,

Seu artigo vem dar esclarecimentos muito proveitosos ao ovinocultor brasileiro.
Batemos nesta tecla há anos e, infelizmente, o que vemos são criadores deixando a atividade porque a considera não rentável.
Tomara que muitos leiam seu artigo e repensem a parte organizacional do seu negócio.

Saudações,

Bruno de Barros Ribeiro de Oliveira

Belo Horizonte - Minas Gerais - Produção de ovinos
postado em 28/04/2008

Caro Bruno,

Parabéns pelo artigo. Tive a mesma oportunidade, porém na Australia. Precisamos trabalhar para que haja uma interação maior dos elos produtivos da cadeia.
Espero que seu recado seja absorvido por muitos!!!

Boa sorte,

Bruno Fernandes Sales Santos

Dunedin - Otago - Nova Zelândia - Produção de ovinos
postado em 28/04/2008

Prezados Daniel, Célia e Bruno,

Obrigado pelo apoio. Espero sinceramente que o artigo ajude os envolvidos na atividade a encará-la de maneira mais profissional. Sabemos que a atividade é importante e pode ser bastante lucrativa, desde que bem conduzida e planejada.

E sem dúvida precisamos ter uma ligação maior entre os elos da cadeia, direcionamento das pesquisas, união entre os produtores e etc. Definitivamente precisamos de um sistema de classificação de carcaça e de um modelo de comercialização que beneficie a produção de qualidade.

Abraço a todos, BRUNO.

Pablo Porto Ogando

Pelotas - Rio Grande do Sul - Produção de gado de corte
postado em 28/04/2008

Prezado Bruno,

Parabéns pelas palavras. Mais uma vez a mesma história: "Cadeia Ovina", e nada muda neste panorama. Aqui no sul, estamos fomentando a produção de cordeiros, cremos que um dos caminhos é a especialização do produtor, criador e terminador. Muitos acreditaram na proposta e estão produzindo, porém muitos estão indecisos no futuro de seus sistemas. Motivo: rentabilidade e liquidez. O sistema é rentável, desde que tenhamos liquidez no momento da venda, e este é o maior entrave que enfrentamos no momento. Nos faltam frigoríficos sérios para absorver a produção, a cadeia está desunida. Existem programas regionais de incentivo, porém funcionam somente na teoria, o produtor continua só. O mercado existe, os animais existem, e produtores egajados também, precisamos que a industria frigorífica esteja mais presente nesta cadeia.

Abraço.

Dagoberto Mariano Cesar

Itapeva - São Paulo - Produção de leite
postado em 28/04/2008

Tambem sou um pequeno produtor paulista (região sudoeste ) e um grande fomentador da ovinocultura.

Trabalho este iniciado junto com o prof Dr Edson Ramos de Siqueira, amigo e colega de faculdade, nos anos de 1985 quando lutamos para resgatar a ovinocultura paulista.

Sua materia só vem a fortalecer e desfrutar novos horizontes para o setor.

Parabens e obrigado por nos passar sua experiencia

Nelson Vieira daSilva

Maceio - Alagoas - Pesquisa/ensino
postado em 28/04/2008

Prezado Bruno,
Gostaria de parabenizar-lhe pela relevante contribuição. A sociedade ciêntifica necessita de experiências, como esta, para que juntos possamos contribuir para o progresso da atividade.

ciro calovi filho

Alegrete - Rio Grande do Sul - Produção de ovinos
postado em 28/04/2008

Na minha região falta organização dos produtores e um sério comprador para os ovinos valorizando-os por qualidade e incremento de valor na hora da compra para o produtor.

Ótima sua participação pois precisamos de um maior intercambio para poder organizar melhor a cadeia produtiva da ovinocultura , falta uma melhor distribuição da escala, aqui os produtores vendem seu produto somente de novembro a fevereiro onde são explorados pela industria.

José Rocha

Carazinho - Rio Grande do Sul - Estudante
postado em 29/04/2008

Caro Bruno

Realmente parabéns pelo seu artigo, porém, como este é um espaço em que podemos expor nossas idéias, eu concordo e discordo de alguns pontos sobre a cadeia de nosso país hoje, digo isso sobre algumas realidades de regiões que acompanho.

Sobre os pontos citado, já existe hoje em nosso país, propriedades, que trabalham com um manejo nutricional adequado, métodos eficientes de controle parasitário, e com anotações sobre taxa de parições,mortalidades, etc. Concordo com você que ainda falta muito, pois a maioria ainda vê a ovinocultura como uma cultura secundária na propriedade, e que para ela dar algum retorno se deve trabalhar com um grande número de animais. Porem, discordo de você somente no sentido do preço, pois o produtor ainda não sabe realmente o quanto custa seu produto, vendendo ao frigorifico por um preço que na minha opinião é ainda pouco, pois o produto no mercado custar 10 x mais, por estes motivos, acho que ainda falta não somente uma profissionalização da categoria, mas também um apoio maior do governo,marketing em cima da ovinocultura na venda de cordeiros, e um preço mais justo pago ao produtor.

No mais parabéns e obrigado por compartilhar sua experiência conosco

Lucas Langner

Santa Maria - Rio Grande do Sul - Distribuição de alimentos (carnes, lácteos, café)
postado em 29/04/2008

Lendo este artigo reforcei minha idéia de acadêmico de administração com simpatia pelo agronegócio e principalmente ovinocultura, de que existe uma carência muito grande de produção científica,ou seja, estudo da administração para com este setor, pois em vários trechos deste artigo identifiquei algo muito estudado na administração. e que cabe perfeitamente dentro deste mercado: Logística!

Me pergunto como é possível haver crescimento de mercado sem haver estudo de giro, acurácia, estoques, lotes econômicos e tantos outros indicadores extremamente necessários para uma cadeia produtiva de excelência? A resposta que entendo é única: Não existe como haver desenvolvimento sem isto, por uma questão básica e obvia, toda a logística busca a satisfação do cliente, ofertando o produto de maneira a não prejudicar a demanda e principalmente COM MENOR CUSTO POSSÍVEL, e isto só se consegue através de muito estudo e aplicação destas técnicas sendo que quando isto não acontece temos perdas de mercado e excessivos custos na produção o que muitas vezes inviabiliza toda a cadeia, agora você junta isso à falta de manejo, de genética de sanidade etc.. e temos o que? Uma produção AMADORA; na minha opinião é o que falta ao produtor brasileiro, PROFISSIONALISMO

Ainda reforçando a ideia da importância logística, devido a sua interdisciplinariedade é que está o grande segredo, uma vez que ela pode agregar ao seu estudo as finanças, orçamento, marketing, RH e principalmente Planejamento Estratégico (e mais algumas coisas), e este é outro ponto de relevância porque trata da perpetuação da "empresa rural" ao longo do tempo, de toda a cadeia produtiva e do mercado como um todo, e mesmo com tão relevante importância ainda assim não está sendo usado pelos produtores que na maioria das vezes desconhece totalmente estes aspectos.

Para finalizar a mensagem que quero deixar é de que se quisermos um dia sermos uma potência neste setor (e não tenho dúvida que isto é plenamente possível) só há uma maneira: muito estudo e muito poder de persuasão para poder mudar uma cultura de décadas, a cultura de não ver a ovinocultura com profissionalismo, e se não vermos ela assim, outros países continuarão na nossa frente.

O caminho é longo, tortuoso e é pra quem gosta do assunto, mas apesar de todo o trabalho vale a pena investir neste mercado para nós e para as gerações futuras, ou será que sempre vai ter espaço para criação dos bovinos com sua baixa produtividade em função do espaço e sua demanda excessiva por água? Tempos mais difíceis virão para estas próximas gerações e o ovino, acredito eu, será a carne mais viável e com o menor impacto ambiental.

Era isso, espero que possamos trocar uma ideia.

Bruno Fernandes Sales Santos

Dunedin - Otago - Nova Zelândia - Produção de ovinos
postado em 30/04/2008

Caros amigos Pablo, Dagoberto, Nelson, Ciro, José Rocha e Lucas,

Agradeço a todos os comentários e fico contente por podermos levantar a discussão, pois este é o objetivo do artigo.

Gostaria de responder aos comentários dizendo inicialmente que a idéia não é mostrar uma ovinocultura Brasileira totalmente inoperante, pois não seria justo e tampouco verdade. Temos muitos casos de sucesso e muitos produtores que caminham neste sentido. Vários conhecidos e clientes têm comercializado bem seus produtos de qualidade a preços justos, vários têm obtido ótimos índices de desempenho e temos bons exemplos de criadores que comercializam números expressivos de reprodutores a preços adequados. Infelizmente esta não é a regra!

Não podemos responsabilizar exclusivamente os frigoríficos, governos, produtores ou criadores pela situação atual da ovinocultura Brasileira. Acredito sinceramente que todos têm sua parcela de "culpa" nesta história, afinal cada um dos níveis exerce um papel específico.

Se frigoríficos não se comprometem em absorver a produção a preços justos é por que não têm fornecimento constante e de qualidade, não existe padronização dos produtos e etc. Mesmo motivo pelo qual o consumo não é regular, pois o consumidor encontra produtos de qualidade variada a cada nova compra. Assim, os criadores não têm incentivos para produzir melhor e não o faz!

Que tal cada um assumir a sua responsabilidade e cumprir o papel que lhe cabe na cadeia de produção. Produtores produzindo eficientemente (cordeiros com alto desempenho e qualidade de carcaça, e ovelhas altamente eficientes em reproduzir), se organizando em grupos para viabilizar a logística e possibilitar que profissionais competentes possam assessorá-los nos diferentes aspectos (administrativos técnicos e etc.). Criadores fornecendo reprodutores que realmente melhorem o resultado dos rebanhos comerciais. Frigoríficos remunerando os produtores de maneira justa por um produto de qualidade e garantindo a compra, contratando especialistas para auxiliar os produtores nos aspectos técnicos da produção. O governo viabilizando a estruturação da cadeia, reduzindo impostos (um dos sérios entraves), planejando o desenvolvimento, financiando e monitorando a aplicação do dinheiro, estabelecendo um programa de classificação e tipificação de carcaças, contratando profissionais competentes para desenvolver o planejamento. A pesquisa sendo direcionada pelas aspirações da cadeia, e respondendo o que realmente é importante e assim por diante.

Acredito muito na possibilidade dos próprios criadores comercializarem seus produtos diretamente, através da terceirização do abate e da habilidade de comercialização. O mercado está aí e temos exemplos de produtores tendo sucesso neste tipo de trabalho, precisa ser organizado e ter comprometimento.

Vamos em frente e que a discussão continue de maneira objetiva e que pelo menos alguns possam reavaliar suas criações e seus negócios. Só depende de nós!

Octávio Rossi de Morais

Sobral - Ceará - Pesquisa/ensino
postado em 30/04/2008

É isso aí Bruno, excelente artigo. Infelizmente continuamos discutindo as cadeias produtivas (desde 1992 venho ouvindo essa história). A cadeia produtiva não se faz sozinha, não vai haver o comprador firme e profissional sem o produtor firme e profissional. Estamos aqui com a Procordeiro numa fase difícil por falta de profissionalismo e de espírito cooperativista dos cooperados, mas iremos superar, como fizemos nos últimos 4 anos.

Como já disse em um artigo aqui no FarmPoint, a experiência de cooperativa nos ensina muito sobre mercado e nos coloca atuando diretamente na organização da cadeia produtiva.

O melhoramento genético também só irá sair do papel quando nos posicionarmos diante da ovinocultura como atividade pecuária produtiva, onde os lucros são consequência de trabalho sério e da busca por baixo custo de produção e alta qualidade de produto. Um abraço.

fabio rogerio rizzi

Tapera - Rio Grande do Sul - Produção de leite
postado em 02/05/2008

Parabéns pelo artigo Bruno! Cada um tem que fazer sua parte para fortalecer a cadeia produtiva só assim teremos uma ovinocultura forte e profissional.

Alexandre Estanislau do Amaral

Valinhos - São Paulo - Produção de ovinos
postado em 24/05/2008

Parabéns mais uma vez Bruno. Excelente artigo.

Compartilho com voce que a comercialização em nosso País deva passar obrigatoriamente por nichos de mercado que reconheçam e remunerem da melhor forma cordeiros que proporcionem carcaças de qualidade.

Apenas este caminho viabilizará a implementação de técnicas para tornar os nossos rebanhos eficientes em produção de carne.

Não acredito em uma estruturação de cadeia produtiva no curto prazo pelas próprias características dos ovinocultores.

Acredito sim, em tornarmos os nossos rebanhos eficientes em produção de carne aliado a um bom gerenciamento da propriedade, a exemplo da pecuária bovina.

Acredito sim, em um trabalho realizado por grupos de produtores profissionais focados em rentabilidade por hectare de seus rebanhos, através de contratação de serviços e tecnologias modernas. Infelizmente nós produtores teremos que bancar o melhoramento na eficiencia de nossos rebanhos para consequente redução dos custos. É um ônus que teremos que arcar para colhermos os frutos mais adiante.

Nosso rebanho produz a melhor carcaça de cordeiro que conhecemos (Texel x Ile de France) e obtemos uma excelente remuneração pelos frigoríficos, superior aos $70,00 pagos na NZ para excelentes carcaças classificadas e tipificadas. Nos preocupamos com a funcionalidade de nossos animais. Todo o nosso rebanho comercial tem que ser eficiente e abandonamos há tempos o conceito de animais de elite, infelizmente têrmo tão propagado em nosso País.

Espero um dia mostrarmos ao neozelandeses que podemos fazer melhor.


Capataz Assessoria Rural

Brasília - Distrito Federal - Softwares Rural
postado em 26/05/2008

Mais um Brasileiro, otimista em Ovinocaprinocultura.

Parabéns; excelentes suas considerações. Entre elas destaco aquela que versa sobre a ESCRITURAÇÃO ZOOTÉCNICA.

"Ao me aprofundar nos detalhes do dia a dia, foi possível entender que todos os produtores sabem exatamente o número de animais que possuem, as taxas de prenhez (90 - 98%) e prolificidade (100 - 220%), quantos cordeiros são desmamados por ano. Também os índices de produtividade são bem entendidos, assim a maioria dos produtores está ciente de suas taxas de desmame,receita bruta por unidade de área (hectare) e por animal (ovelha), e vários outros parâmetros zootécnicos tão importantes para compor a eficiência da empresa agropecuária, que é o modelo como as propriedades são encaradas na Nova Zelândia."

Informação é fundamental em qualquer negócio. Infelizmente, em nosso pais, a maioria dos pecuaristas não atentou para esse detalhe. Trabalham às cegas: não sabem quais os índices produzidos pelo rebanho que possue.

Obrigado por ajudar a difundir a EZ em nosso pais. Ferramentas para isso já existem no mercado nacional, inclusive algumas gratuita.




DANIEL

Curitibanos - Santa Catarina - Produção de ovinos
postado em 13/10/2009

OLA COLEGAS

SE POSSIVEL VOCES ME MANDAREM ALGUM MATERIAL A RESPEITO DA TECNICA FAMACHA, COMO COMEÇOU OU QUEM INVENTOU, TECNICAS DE USO

OBRIGADO

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