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Ovinocultura no Estado do Acre: oportunidades e desafios

postado em 21/05/2013

5 comentários
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Autor: *Paulo Eduardo Ferlini Teixeira
Zootecnista pela UFMS
Mestre em Administração pela UFMS
Professor de Zootecnia do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Acre – IFAC – Campus Xapuri.


O Estado do Acre situa-se no sudoeste da região Norte e tem como limites o Estado do Amazonas ao norte, Rondônia ao leste, a Bolívia no sudeste e o Peru ao sul e oeste. Sua extensão territorial é de 152.581,388 km², possuindo 22 municípios sendo dividido em 5 mesorregiões, denominadas como Alto Acre, Baixo Acre, Purus, Tarauacá/Envira e Juruá.

A economia do estado era pautada na extração vegetal (castanha, borracha), pesca, agropecuária e o funcionários públicos. Como a partir de 2009 houve e está havendo um incentivo para o desenvolvimento e consolidação das cadeias produtivas o cenário produtivo se modificou, iniciando a produção específica de alguns produtos para consumo interno. Dessa maneira, há a produtividade da pecuária de corte, pecuária de leite, piscicultura, avicultura de postura e de corte, suinocultura, ovinocultura, cultivo da seringa, extração da castanha, agricultura, madeira e fruticultura.

A ovinocultura é uma atividade que vem crescendo constantemente no estado do Acre apesar da pouca representatividade no cenário nacional. O estado não tem o hábito de consumir carne ovina, porém foi visualizada uma forma de incremento da renda do pequeno produtor na exploração da atividade.

Tabela 1 – Quantitativo de ovinos Brasil e regiões – 2004 à 2011.

 
Entre 2004 e 2011 o rebanho ovino brasileiro aumentou 14,77%, passando de 15.057.838 cabeças em 2004 para 17.668.063 cabeças em 2011 (IBGE 2013). Nesse intervalo foi observado que todas as regiões brasileiras apresentaram crescimento do rebanho. Contudo, as regiões tradicionalmente não produtoras, como Centro-Oeste, Sudeste e Norte, foram as que apresentaram as maiores taxas anuais de crescimento com 3,64%, 3,69% e 3,95%, conforme a Figura 1.

Figura 1 - Taxa de crescimento do rebanho ovino no período de 2004 à 2011.



O rebanho de ovinos do Acre cresceu 48,41% no período analisado, totalizando 82.131 animais e praticamente dobrando o rebanho no período de 8 anos. A mesorregião que apresenta a maior concentração dos animais é a do Vale do Acre (Alto e Baixo Acre).

O rebanho ovino está distribuído no estado conforme apresentado na Figura 2. A região com maior concentração de ovinos é a regional do Baixo Acre, que é composta pelos municípios de Rio Branco, Acrelândia, Bujari, Capixaba, Plácido de Castro, Porto Acre e Senador Guimard, com 36.092 cabeças, aproximadamente 43,94% do total dos ovinos do estado. Ressalta-se que o aumento do rebanho ovino no Acre é um fenômeno recente, sendo que a partir de 2004 o efetivo de ovinos cresceu a uma taxa de 6,05% ao ano. Quanto a sua participação relativa no efetivo total do rebanho nacional, praticamente dobrou, passando de 0,28% em 2004 para 0,46% em 2011.



Os pequenos ruminantes são altamente representativos na composição do sistema de produção em propriedades familiares. O crescimento na Amazônia iniciou-se a partir da década de 80 com a importação de ovinos deslanados das raças Morada Nova e Santa Inês. O aumento desse rebanho ocorreu por iniciativa própria dos produtores ou através de programas governamentais. Esses pequenos ruminantes estão espalhados por todo o mundo, sendo responsáveis por grande parte da proteína consumida desde regiões temperadas até regiões tropicais, (PEREIRA et al., 2008).

Na Região Amazônica os ovinos se apresentam como uma alternativa para produção de carne, leite, pele e esterco caracterizando-se como importante componente em sistemas agroecológicos.

Em seu trabalho, Pereira et al., (2008) enfatizam a importância dos ovinos para a agricultura familiar, destacando a produção de adubo orgânico e seu uso no cultivo de hortaliças e culturas perenes. Outro fator é o aumento da disponibilidade de proteína de origem animal, incrementando a renda do produtor, diminuindo os custos com limpeza nas áreas de culturas e reduzindo a necessidade de abertura de novas áreas de florestas.

Outro grande incremento da importação de ovinos no estado do Acre aconteceu pela Secretaria Executiva de Agricultura e Pecuária do Estado do Acre (SEAP) para fomentar a criação destes animais. A SEAP fez a entrega de lotes de ovelhas e carneiros aos produtores acreanos no ano de 2011. O programa consiste em distribuir cerca de 400 animais por município do estado. Cada produtor tem direito a 12 ovelhas do tipo Santa Inês e um macho reprodutor, do tipo Dorper. Cada lote custa em média R$ 3 mil. Os produtores terão que devolver a mesma quantidade recebida depois de dois anos, segundo a agência de notícias do estado do Acre, (2011).

A entrega dessas ovelhas e carneiros faz parte do programa de incentivo à ovinocultura, implantado pelo governo do Estado no início deste ano. O governo adquiriu um total de 7,4 mil fêmeas e 600 machos na Bahia e está cedendo aos produtores através de termo de comodato. A cada mês, um novo lote é entregue a produtores previamente cadastrados. Para serem beneficiários, eles têm que atender a uma série de exigências que vão desde a aptidão para a criação de ovelhas à área apropriada para o destino dos animais.

A SEAP desde 2011 faz um trabalho de base incentivando os produtores e dando escoamento para a sua produtividade. No estado, especificamente no município de Rio Branco, há um frigorífico que abate os animais com a certificação de inspeção estadual. Os produtores cadastrados e os selecionados fazem parte de um banco de dados do frigorífico que pretende atingir em médio prazo a regularidade na produção, já que de toda parte existem consultas de pessoas e empresas interessadas em comprar a produção acreana.

O frigorífico paga de R$ 80,00 a R$ 90,00 por arroba do cordeiro. Os animais de idade mais avançada também são comprados, mas o valor da arroba é menor.

O destino da carne de ovinos é o mercado da capital Rio Branco mas o frigorífico também atende a merenda das escolas dos municípios e do estado. Com isso há um escoamento da produção e um incentivo no consumo da carne no estado.

Os ovinos em sua maioria são criados por pequenos e médios bovinocultores que veem na ovinocultura uma forma de ampliar a renda e permitir maior entrada de recursos financeiros na propriedade ao longo do ano, equalizando o fluxo de caixa da propriedade. Porém segundo Monteiro et. al, (2012), a cadeia produtiva de ovinos de corte no Acre não está completamente estruturada, provavelmente devido fragilidade de segmentos produtivos como: baixo nível de comercialização do produto final, pouca representação do produtor na defesa dos interesses do segmento produtivo, ineficiência de assistência técnica e baixo nível de adoção de tecnologias.

Apesar das fragilidades e da falta de integração da cadeia produtiva o mercado é oportuno. Agora necessitamos de testes de adaptações das raças, trabalho com melhoramento genético no rebanho instalado e uma melhor gestão da produção.

Referências bibliográficas


AGÊNCIA DE NOTÍCIAS DO ESTADO DO ACRE; Quatrocentos animais foram distribuídos. Cada produtor tem direito a 12 ovelhas e um macho reprodutor; Acessado em 25 de abril de 2013; http://www.agencia.ac.gov.br/index.php?option=com_content&task=view&id=15358&Itemid=68.

IBGE- FUNDAÇAO INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATISTICA – Sistema IBGE de Recuperação Automática, 2011. Capturado 15/03/2013. On line. Disponível em: hpp://www.sidra.ibge.gov.br/.

MONTEIRO, A.W.U, et. al; Tipificação da ovinocultura no Acre; Congresso da Sociedade Brasileira de Economia, Administração e Sociologia Rural; Vitória, 22 a 25 de julho de 2012.


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Comentários

Alexandre Monteiro

Sobral - Ceará - Instituições governamentais
postado em 22/05/2013

Parabens pelo texto professor, acreditamos que com o potencial que o Acre e a Amazônia têem um das alternativas para pecuaria de mais forma sustentavel será a ovinocultura. Em tempo, a escassez de pesquisa e desenvolvimento sobre tema, acaba entravando a atividade, bem como, a popularização no paladar acriano de carne de cordeiro levariam a ovinocultura local a um status de elevada importancia como ocorre no Centro Oeste, Sudeste e Nordeste.
Por fim, não poderiamos deixar de ressaltar o fortalecimento da assitencia tecnica, sem ela nenhum atividade agropecuária vai à frente. Assim a formação de tecnicos é um processo indispensável nesse contexto, então, o IFAC, UFAC, Embrapa Acre, Instituto Dom Moacyr possuem grande relevancia para tal.   

Paulo EDuardo Teixeira

Penápolis - São Paulo - Produção de ovinos de corte
postado em 22/05/2013

Parabéns professor pelo artigo.
A ovinocultura é uma saída não só para os produtores do Estado do Acre, mas os produtores de vários estados, principalmente para pequenos produtores.

Paulo Teixeira

Xapuri - Acre - Pesquisa/ensino
postado em 23/05/2013

Prezado(a) Alexandre Monteiro, obrigado pelo elogio do texto. Como você mesmo diz, a que precisa fazer na região é fortalecer a integração entre produtores e uma assistência técnica mais participativa. O IFAC como uma instituição nova vem fomentando as parcerias  com a EMBRAPA, UFAC, IDM para atuação no desenvolvimento sustentável regional. O que coloco como mais importantes são as iniciativas que tem que ser tomadas para que uma cadeia produtiva possa se consolidar vindas de todos os elos que integram a produção. O estado do Acre é um jovem novo no quesito produção, principalmente da ovinocultura. Temos muito a contribuir e fomentar a atividade na região.

Paulo Teixeira

Xapuri - Acre - Pesquisa/ensino
postado em 23/05/2013

Prezado Paulo Teixeira, obrigado pelos elogios do artigo. Essa atividade é sim uma saída muito boa para pequenos produtores, pois consegue-se trabalhar em pequenas áreas de pastagem em uma proporção melhor que a bovinocultura. Conforme artigos encontrados na literatura científica pode se considerar uma ovelha de 50 Kg corresponde a 0,2 U.A. de bovinos. Se colocamos 1 U.A. de bovinos em 1 ha de pastagem, quando falamos em ovinos, pode se trabalhar com 5 animais/ha, melhorando assim a quantidade de animais na propriedade e considerando o ciclo mais curto destes animais. Mas nunca esquecendo os problemas com as verminoses quando trabalha-se com alta taxa de lotação.

Antonio Marcos Da Silva Aquino Marcos

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postado em 08/04/2015

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