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Por onde começar uma revolução na agricultura?

Por Ricardo Rodrigues eu
postado em 08/05/2008

2 comentários
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"Lugar de criança é na escola". E aí talvez me perguntem: o que isso tem a ver com o acesso do agricultor brasileiro de base familiar a novas tecnologias? Se efetivamente, levarmos a cabo uma verdadeira "revolução" na nossa agricultura, temos que começar pela base, e a base são as crianças. Se governantes, principalmente os governantes municipais - pois a eles e suas Câmaras - cabe legislarem sobre as matérias de interesse dos seus municípios, assim procederem, estaremos todos dando um passo gigantesco na direção correta do acesso dos agricultores de maneira geral e em especial do agricultor nordestino a alcançarem e inteirarem-se de maneira imediata das novas tecnologias.

Pensemos de pronto em inserirmos na grade curricular das escolas municipais uma cadeira de Práticas Agrícolas - principalmente naqueles municípios com alguma vocação para o agro negócio em geral - e logo perceberemos que se começar a formarmos uma legião de agricultores profissionais; pois com a inserção da referida cadeira na grade curricular automaticamente se colocará como fator e forma indutora de dar aquelas crianças o direito do conhecimento.

Quem detém o conhecimento ou a informação, detém tudo! O agricultor nordestino não é muito diferente dos demais agricultores do nosso país. O que falta mesmo são políticas governamentais mais efetivas, constantes e continuadas, daí termos a impressão que os mesmos - mais particularmente os de base familiar - não são capazes de assimilá-las ou compreende-las. Muito pelo contrário, o nosso agricultor, o nordestino, tem grande facilidade em implementá-las, desde que: provem-lhe que as mesmas - novas tecnologias - são viáveis e que produzem os efeitos que lhes dizem. É um problema cultural. Senão vejamos por que é que o nosso agricultor planta como plantavam os seus avós, seus pais e assim sucessivamente? Porque foi o que lhes foi mostrado. Foi daquela maneira que ele aprendeu.

Então, se não lhe mostramos outras formas de tecnologias, outras variedades de cultivares, é evidente que o mesmo continuará efetuando o seu plantio, a sua forma de produzir como lhes foi ensinado. Por isso é que entendo que é extremamente importante começarmos pela base, pelas crianças, pois assim teremos dentro de médio prazo a mudança comportamental na sua forma de produzir, e a longo prazo, uma ida sem volta para a existência nos nossos campos de agricultores profissionais!

É ainda entendimento nosso que, efetivamente, hoje os nossos agricultores têm uma grande dificuldade de acesso a novas tecnologias, pois as mesmas não chegam a eles senão esporadicamente. Temos que ter como disse anteriormente: políticas públicas efetivas, constantes e continuadas. Temos que ter uma - base primordial -extensão rural, permanente e eficaz, com técnicos bem remunerados, com amplas condições de trabalho e principalmente, comprometidos com o seu trabalho, qual seja, o de levar a ponta da cadeia - o produtor - as novas técnicas, os trabalhos mais bem sucedidos e que possam ser aplicados a nossa realidade. Não adianta querermos impor ao nosso solo e a nossa condição climática, cultivares ou técnicas que não são viáveis de aplicação as nossas características edafoclimáticas. Se assim procedermos, estaremos dando um salto para o retrocesso, pois uma técnica ou um determinado cultivar mal implantados, levam de imediato, ao ceticismo qualquer agricultor. Daí bater-me mais uma vez que lugar de criança é na escola.

Enquanto não mudarmos essa política pública de assistencialismo, enquanto faltar aos nossos governantes uma vontade política de implementar uma verdadeira mudança na maneira de olhar o produtor, o problema permanecerá. Não adianta insistirmos nesse modelo de reforma agrária, que nada mais é do que um gritante distributivismo de terras, assim como se começa a vislumbrar um fato ainda mais grave, qual seja: uma fragmentação de propriedades rurais tornando-as assim, devido as suas áreas insignificantes para produção até mesmo de culturas de subsistência e por estarem geograficamente separadas em um verdadeiro perigo para aqueles que nelas labutam.

Finalmente, penso que, se medidas simples, porém efetivas e continuadas. Se vontade política existir. Se dermos as condições de há muito quase que imploradas pelos nossos agricultores, vierem a ser implementadas, teremos aí sim; a tão sonhada qualidade de vida para o homem do campo, uma maior produtividade e via de conseqüência uma agricultura e um agricultor profissionalizado. Termino essas breves considerações, valendo-me do cancioneiro nordestino imortalizado por Gonzaga dizendo: "uma esmola, para um homem que é são, ou lhe mata de vergonha ou vicia o cidadão". Se isso vier a ocorrer, deixará o agricultor de ser CIDADÃO!

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Ricardo Rodrigues eu    Bandeirantes - Mato Grosso do Sul

Produção de ovinos

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Comentários

ziraldo amaral almeida

Macaúbas - Bahia - Produção de caprinos de corte
postado em 09/05/2008

Olá Ricardo,

Estou de pleno acordo com vc pois moro num município do semi-árido baiano, e vejo que os políticos, não querem mesmo é que os nossos agricultores se tornem independentes, pois sendo assim, seus votos também são independentes, porém mais uma idéia, não só na escola de crianças, mas também na de adultos podem ter tal matéria, para além de adaptar novas tecnologias, difundir no meio da comunidade. PARABÉNS

ricardo ferreira rodrigues

Recife - Pernambuco - Consultoria/extensão rural
postado em 09/05/2008

Prezado Ziraldo Amaral Almeida.
É com grata satisfação que recebo os seus lúcidos comentários sobre o artigo que escrevi. E porque digo-lhe isto: por um fato muito simples mas ao mesmo tempo de extrema importância. Sendo voce um formador de opinião, ao concordar com o meu pensar é mais um que poderá e deverá disseminar esta concepção de inovar no sentido de darmos a quem precisa a alavanca para o desenvolvimento Local, Regional e Nacional.

Se todos juntos passarmos a exigir dos nossos gestores públicos a implementação de ações concretas e continuadas, logo, logo estaremos vendo os resultados positivos que uma política dissociada de cor partidária é capaz de fazer. Pelo seu comentário agradeço-lhe mais uma vez ao tempo em que peço-lhe que aí em Macaúbas seja voce um colaborador para a implementação desta ideia.

Coloco-me desde já assim como a nossa empresa de Consultoria ao seu inteiro dispor.
Cordialmente,

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