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Qual a melhor raça para usar em minha região?

Por Walter Celani Junior
postado em 02/09/2009

3 comentários
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Essa duvida deixa a esmagadora maioria dos ovinocultores de cabelo em pé, quando não os faz perdê-los.

O Brasil é de dimensões continentais e todos sabemos disso. Sabemos também, que ovinos são animais extremamente sensíveis e são muito susceptíveis a variações de diversas origens, podendo ser por temperatura, umidade, alimentação e outros.

Não há como contestar que o cruzamento industrial é o ponto em comum quando dizemos da criação para produção de carne, mas o que gera uma grande dúvida, é sobre a raça ideal para usar em cada região do país.

Existe algumas responsabilidades que devem ser divididas e colocadas nos seus devidos lugares:

- A do produtor - Procurar orientação técnica antes de adquirir um reprodutor diferente do que costuma usar, e não somente ir no entusiasmo de conversas descompromissadas e ou de interesses comerciais.
- A do técnico - Orientar o produtor, tendo consciência de que a rentabilidade do negócio é o ponto importante a ser analisado e não as oportunidades comerciais que surgem.
- A do produtor de genética - Ter a consciência de que o produtor/comprador de seus reprodutores, não o fará uma só vez e necessita de informações completas. Muitas vezes, em feiras, os menos orientados acabam comprando animais que não agregam a seu rebanho e ainda geram uma despesa desnecessária.

Felizmente, a consciência do gerador de produtos geneticamente melhorados, tem mudado e a preocupação com o mercado consumidor tem sido o principal fator. Existem produtores que fazem questão, por ver em seus animais capacidade para melhorar o rebanho nacional, de provar isso cientificamente.

Exemplo disso foi o que fez a Fazenda Rondon em parceria com a FAZU (Faculdade de Zootecnia de Uberaba), doando fêmeas Santa Inês e dois reprodutores das raças Poll Dorset e Texel, para analisar não somente os produtos do cruzamento industrial, mas também a possibilidade do uso das F1 em cruzamento do tipo tricross ou ainda, como dizemos no linguajar popular, "voltar" a mesma raça paterna para "apurar" mais ainda os produtos consequentes desse cruzamento.

Se tivermos no país, produtores preocupados cada vez mais com essas questões, certamente, esse serão os que contribuem imensamente para o crescimento da atividade e não se preocupam somente em vender seus produtos.

O criador produtor de carne, não pode ficar bancando em sua fazenda teste com as diversas raças existentes. Assim, nunca atingiremos padrão de carcaça ou matrizes adequadas para produção e sustentação de cordeiros para carne.

Espero que com isso, outros produtores de genética tenham a mesma atitude e passem a informar melhor seus futuros compradores, vendo-os como parceiros no desenvolvimento e não como cobaias.

O meu prazer é poder contribuir com a atividade, da maneira como contribui intermediando essa ação de pesquisa, e, espero que isso aconteça em vários outros lugares do pais, com a mesma intenção que essa pesquisa será feita.

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Comentários

Victor de Abreu Zamproni

Ribeirão Preto - São Paulo - Produção de ovinos
postado em 02/09/2009

Caríssimo Walter,

É isso mesmo, parabéns pelo artigo, realmente a maioria dos produtores têm muita dúvida sobre qual a melhor raça, não há uma receita de bolo para isso, a meu ver, esta questão é utópica. No entanto podemos pesquisar sobre e tirar nossas próprias conclusões.

Hoje em dia encontramos muitas fontes para saber sobre o assunto, seja com os próprios técnicos da área (pois estes hoje em dia, estão cada vez mais acostumados com os cruzamentos na produção de carne) ou mesmo na internet, pois por exemplo, em uma pesquisa, encontrei dados do campeonato do cordeiro paulista, que são ótimos aliás, pois várias raças ou cruzas mostram seu desempenho em um mesmo ambiente, isso é muito favorável para uma boa comparação e, além disso podemos saber de que região provém cada animal, podendo-se saber se assemelha à região onde queremos criar-lo, tornando a coisa mais confiável.

Se possível, gostaria também de deixar aqui uma observação sobre o cruzamento three cross. Se pudermos em vez de "voltar" a raça paterna para apurar, mas sim, inserirmos uma terceira raça, podemos assim manter 100% da heterose (vigor híbrido) na geração F2 (filhos das fêmeas F1), segundo bibliografías do melhoramento genético, este conceito é crucial quando se sabe que o maior objetivo dos cruzamentos é a obtenção e mantença de heterose.

Atenciosamente
Victor Zamproni

Pedro Nacib Jorge Neto

Campinas - São Paulo - Nutrição de Ruminantes / Reprodução de Ovinos
postado em 02/09/2009

A Fazenda Rondon tem feito um grande trabalho para a ovinocaprinocultura brasileira, investindo muito para estruturação e verticalização da cadeia. Com certeza o nome do Sr. Edo Mallmann já esta marcado na historia da ovinocaprinocultura brasileira.

Walter Celani Junior

Uberaba - Minas Gerais - Consultoria/extensão rural
postado em 04/09/2009

Caro Victor,

Muito obrigado por suas observações, que foram de grande valia para o artigo. É sempre bom ver colegas que estão antenados na atividade.

Quando falei sobre os cruzamentos, não fui realmente esclarecedor e sua idéia de uma terceira raça é perfeitamente cabível. Mas, gostaria de fazer uma ressalva.

Eu digo "voltar" uma raça, para podermos melhorar as fêmeas no que diz respeito à habilidade materna, uma vez que, temos um sem fim de SRD como matrizes, e a grande maioria com uma habilidade materna que deixa a desejar.

E claro, o uso de uma terceira raça seria excelente na heterose e mataríamos machos e fêmeas, otimizando o retorno financeiro. Não devemos nos esquecer, da reposição do rebanho.
Um grande abraço
Walter

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