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Retrato da caprino-ovinocultura na Bahia

Por Paulo José Theophilo Gertner
postado em 31/07/2006

8 comentários
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Reflexão da importância da caprino-ovinocultura para o Estado da Bahia, do ponto de vista social, econômico e tecnológico, para permitir uma melhor compreensão do cenário, sua importância, evolução, e estágio atual, assim como as ações governamentais, e despertar as potencialidades desta atividade tradicional e em expansão.


Figura 1. Estado da Bahia

A região NE representa 18% da área geográfica do país e desse total, 70% está inserido no chamado "polígono das secas", caracterizado por regime de chuvas bastante irregulares, tanto dentro de um certo ano, como entre os anos. Apresenta pluviometria que varia de 250-700mm/ano, com distribuição irregular e imprevisível.

Neste "polígono das secas", encontra-se 1/3 da população do país, cerca de 65 milhões de brasileiros, portanto o semi-árido mais populoso do mundo. A Bahia tem uma área de 56 milhões de hectares, abriga 745 mil estabelecimentos rurais, ocupando 33 milhões de ha, dos quais quase a metade, 15 milhões de ha, são ocupados por pastagens degradadas ou em processo de degradação, além disso, temos o maior contingente populacional do país concentrados na zona rural, 41% dos 12.650.000 habitantes do Estado.

Local onde 2/3 do Estado é semi-árido, a maior área dentre todos os estados que compõem o polígono das secas, desse total apenas 1,5% é passível de irrigação, 14,8% disponível para agricultura de sequeiro, 60% passível de ser explorado com pastagens e cerca de 23,7% de reserva permanente por sua fragilidade e importância na conservação dos mananciais.

A Bahia se destaca como liderança no setor pecuário nordestino, com 17 milhões de bovinos, caprinos e ovinos. O valor bruto de produção agropecuária da Bahia e de cerca de 13% do PIB do estado, indicando a grande importância do setor para a economia do estado.

O efetivo do rebanho caprino e ovino vem crescendo desde o início da segunda metade da década de 80, o último pico foi no ano de 1992. Em 1993-1994, o rebanho sofreu uma perda substancial, como conseqüência de uma seca prolongada que assolou todo o semi-árido da Bahia. Após 1994, o Plantel toma novo impulso e as previsões do IBGE são da manutenção deste crescimento. Em 1997, já superava 4.300.000 caprinos, 38% do efetivo nacional (1º lugar) e 2.827.963 ovinos, 22% do rebanho nacional (2º lugar).

Nos últimos anos, a Bahia tem vivenciado uma grande drenagem de matrizes, de ovinos para o Centro-Oeste e Sudeste do Brasil que tem ampliado significativamente seus rebanhos. A Bahia é o maior fornecedor destes animais para o Brasil, principalmente pela barreira sanitária da aftosa que impede a saída de ovinos e caprinos dos demais estados nordestinos. Estes dados são estimados (IBGE estimativa), pois não há um censo há 11 anos, mas está previsto um censo agropecuário para 2006.

Dentre as mesorregiões que compõem o Estado da Bahia, a atividade caprino-ovinocultura é mais fortemente representativa (quantitativamente) na mesorregião do Vale do São Francisco, mais precisamente a região do Baixo Médio São Francisco, que detém 49% do efetivo do estado, sendo que destes, 91% estão na microrregião de Juazeiro.

A segunda mesorregião com maior concentração é o nordeste baiano, 18,2% do total, sendo que destes, 77% estão na microrregião de Euclides da Cunha. E finalmente, cabe a mesorregião do Centro-Sul baiano a terceira colocação com, 13% do total, distribuída entre as duas principais microrregiões: Vitória da Conquista com 28% destes e Boquira com 20% destes, respectivamente, ficando dispersos pelas demais regiões do estado, Oeste, Recôncavo, Sudoeste e Sul, 19,8% do total.

Além disso, tem-se observado um crescimento significativo, no Oeste do Estado, o chamado "além São Francisco", da ovinocultura tecnificada, pelas excelentes condições edafo-climaticas e fartura de sub-produtos da agricultura.

"Da porteira para fora"

A cadeia produtiva se encontra ainda em evolução, longe do altíssimo nível organizacional da suinocultura e avicultura e, até mesmo, a bovinocultura no Estado. Dentre a cadeia do agronegócio da caprino-ovinocultura, temos a da produção de leite, de carne e de couro, além da produção de insumos e genética.

Curtume

Campelo (Juazeiro) e Braspel (Alagoinhas) são os principais curtumes industriais, mas existem inúmeros outros menores e artesanais por todo o sertão.

A pele é comercializada primeiro no estado natural, chamada de "pele verde", pensando em média 1,4kg úmida e 0,5kg seca, pois ainda não sofreu nenhum processo. Sendo salgada para conservação, na década de 50, o couro era comercializado neste estado, e era um produto muito significativo na pauta de exportação do estado.

A partir de 1973, fica proibida a exportação de "pele verde", forçando o desenvolvimento dos curtumes. O processo industrial químico leva ao estágio de wet-blue, produto oriundo do processamento inicial da pele, curtindo ao cromo, estado em que é exportado para ser beneficiado longe de nossas fronteiras, deixando de agregar valor ao produto dentro do estado, que passa a chamar-se: camurça, chamgrem, pergaminho, vaqueta, pelica, crust, materiais nobres e valorizados.

Nossos ovinos deslanados e caprinos produzem uma pele macia, de alto valor comercial. No entanto, falta incentiva, remuneração ao produtor que não ganha nada pela pele, para que cuide melhor na fase da produção dos danos que as peles podem sofrer, pelo arame farpado, vegetação da caatinga, ectoparasitos, linfadenites caseosa. O atravessador e o "magarefe", apesar de já terem alguma remuneração pela pele, atualmente de R$5,00 a R$10, 00, não dão os devidos cuidados que a pele merece, na desfola, arrastamento pelo chão, resíduos de carnes, sangue que fermentam na pele, demora da salga e espichamento ao sol.

Apesar desta falta de cuidados, 50% do couro da Bahia é exportado e o restante vai para os pólos calçadistas de Franca - SP, Novo Hamburgo - RS e Rio de Janeiro - RJ, ficando muito pouco no artesanato local, que poderia ter uma função social e econômica mais importante dentro da Bahia. Incidem-se 12% de impostos sobre o couro no curtume.

Mercado de carne

O maior parte dos animais é consumido nas unidades produtivas, para manutenção familiar, sendo o excedente comercializado nas feiras regionais, onde apenas 3% é inspecionado, sendo, portanto o abate "clandestino" apontado como o maior empecilho ao desenvolvimento da cadeia produtiva da carne de ovinos e caprinos na Bahia.

Outro fator que também complica esse desenvolvimento é a desuniformidade de oferta, pela influência dos intempéries climáticos na produção animal, sendo que, no semi-árido, os 7-10 meses de seca, a ausência de temporadas de monta e suplementação nutricional, fazem com que a irregularidade deixe os frigoríficos ociosos e, portanto, com altos custos.

O preço praticado hoje ao produtor é de R$75,00 a R$90,00/@. Os frigoríficos trabalham com altas taxas de ociosidade, devido à falta de integração e fidelidade com os fornecedores, precisando avançar neste quesito. (Consumo per capita de carne: Caprina - 0,376 kg/habit./ano e Bovina - 35kg/habit./ano.)

Mercado de leite

Predomina os consumos nas unidades produtoras e no comércio de porta em porta, in natura, por todo sertão do estado, onde quase a totalidade é de pequenos produtores até 50 cabras.

Dos 415 municípios baianos, apenas 20 deles, sendo Camaçari a maior bacia do Estado, detêm 90% da produção de leite mais organizada. Entende-se por distribuição de produção ao longo de todo ano, leite pasteurizado, ensacado e processado, com planteis na faixa de 100 animais de raças especializadas por estabelecimento. E normalmente estes desenvolvem outra atividade além da caprinocultura de leite, sendo parte da produção processada em queijos e outros derivados.

O preço varia de R$1,00 na propriedade a R$4,00 nos supermercados e delicatesses, e entrega em domicílio. O leite de ovelhas não é produzido significativamente em nosso estado.

"Da porteira para dentro"

Cenário atual

Podemos dividir a criação, na Bahia, em três níveis tecnológicos distintos:

- Criador selecionador - produtor de genética: detentores de animais de alta genética, empresários capitalizados, que atuam em outros setores da economia como atividade principal, participam de grandes exposições, promovem grandes leilões e um marketing agressivo. Possuem estrutura técnica e administrativa e estão organizados em associações de classe.

- Produtores comerciais - atividade a nível empresarial para produção de carne e leite: empresários que possuem boa infra-estrutura produtiva (máquinas, irrigação, silos, troncos, pé de lúvios, assistência veterinária); administrativa (comercial e gerencial). Estão bem articulados com os demais elos da cadeia produtiva como fornecedores de insumos (comprando em escala), compradores (frigoríficos, curtumes, e investindo em marcas próprias para atuar no mercado varejista). Atividade recente no Estado da Bahia, de cinco anos para cá, projetos em fase de implantação em todas as mesorregiões do estado. Predomina normalmente uma só espécie: ovinos ou caprinos, com rebanhos de aproximadamente 10.000 animais ou mais, em forte expansão no Oeste do Estado.

- Produção em bases familiares tradicionais, de subsistência: Grupo predominante no Estado, detentor de mais de 95% do efetivo Estadual caracterizados por criações suplementares, consorciadas com outras espécies, atividade secundária na propriedade, uso de baixa tecnologia, pastagens nativas (muito sazonal), pequenos rebanhos, com altos níveis de consangüinidade e conseqüentemente baixíssimos índices zootécnicos.

Considerações

Predomina no Estado da Bahia o baixo nível de produtividade dos rebanhos caprino e ovino, predominantemente exercida na região semi-árida do estado, norte e nordeste - 67,2% do rebanho, e esse baixo desfrute do maior rebanho nacional, o da Bahia, deve-se a causas diversas.

A distribuição fundiária, predominando as criações em pequenas propriedades (até 100ha), cujas áreas soltas de "fundo de pasto" estão acabando com o advento do arame farpado, prejudicando principalmente os caprinos; altos níveis de consangüinidade no rebanho; alta mortalidade por questões parasitárias, nutricionais e de manejo; degradação e desertificação de muitas áreas, por técnicas erradas, desmatamento, de modo que as condições atuais desta criação, com fins econômicos são pouco promissoras, mesmo sendo uma das únicas atividades viáveis para esta tão grande extensão territorial e tão populosa região do estado da Bahia.

Embora este cenário seja desanimador, as perspectivas de melhora no desfrute deste rebanho são possíveis tecnicamente e promissoras, mediantes ações conjuntas do Estado, associações de classe e organização dos produtores.

Na criação tradicional de caatinga os animais são soltos pela manhã de instalações rústicas ("chiqueiros" cercados de varas, de chão batido, que normalmente só é limpo uma vez por ano), somente é oferecido sal comum esporadicamente, os medicamentos são caseiros, e normalmente não há água nestas instalações, os animais são presos 18hs e soltos 5hs, portanto 11hs diárias sem água e sem disponibilização de forragem (este hábito cultural é praticado para evitar roubos e ataques de predadores-cães e gatos de mato, até onça suçuarana).

Os animais bebem água barrenta de tanques que se acumulam nas chuvas, e quando estes secam, normalmente é fornecida "água de ração", duas vezes ao dia, retirada de "cacimbas" nem sempre de boa qualidade; os machos são castrados após oito meses de idade, e as coberturas ocorrem durante todo o ano; coloca-se uma tábua na saída do "chiqueiro" de uns 45cm de altura e quando a cria consegue pular, aproximadamente após uns 20 dias em caprinos e 30 dias em ovinos, acompanham as matrizes no pastoreio.

A pesquisa ABDA/EBDA/EMBRAPA /CIRAD - 1996-1997 cita que em100 cabras temos:
- 24 não enxertadas
- 73 ficaram prenhas
- 11 abortaram
- 62 partos (13 duplos e 49 simples)
- 75 crias (70 nasceram vivos e 5 mortos)
- 20 morreram antes de desmamar
- restaram apenas 50 crias

Existem muitos números destoantes, conforme as condições, local e época dos experimentos para este sistema de criação no NE. O que de fato é digno de nota é que, com estes desempenhos a caprino-ovinocultura tradicional do semi-árido não pode ser considerada um sistema de produção econômico e sim um extrativismo animal "a Deus dará".

Longo intervalo entre parto IEP, em conseqüência de cios silenciosos, ausência de cio, reabsorção fetal e abortos inaparentes por déficit nutricional, baixo índice de concepção, predominância de partos simples (pela carência energética antes das coberturas); alta taxa de mortalidade, retardo no crescimento, etc.

Este universo poderia ter índices com os citados na pesquisa direta - BNB/ETENE - "Desempenho da caprinocultura no NE".

Mas para isso ser de fato alcançado em nível de campo, é preciso um sério trabalho de capacitação (transferência tecnológica / extensão), que é o que o programa do Estado da Bahia o "Cabra Forte", vem fazendo.

Tabela 1: Abatedouros e frigoríficos de caprinos e ovinos na Bahia: capacidade instalada, nível de utilização e tipo de serviço de inspeção sanitária.


Tabela 2: Índices produtivos e reprodutivos recomendados para a espécie caprina no nordeste brasileiro, de acordo com os níveis de tecnologia adotados na atividade.


Portanto o Estado da Bahia é, sem duvida, um importante produtor na Federação e pode tornar-se muito mais importante, com a expansão da nova fronteira pecuária do Estado, o além do São Francisco/Oeste do Estado. O Governo, os produtores e demais agentes do Agronegócio das "miunças", precisam continuar o que foi iniciado nos últimos anos, suas condições naturais, sua gente e seu rebanho evidenciam desde já sua pujança e com certeza continuaram a ocupar seu lugar ao sol.

Saiba mais sobre o autor desse conteúdo

Paulo José Theophilo Gertner    Lauro de Freitas - Bahia

Médico Veterinário

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Comentários

Paulo José Theophilo Gertner

Lauro de Freitas - Bahia - Médico Veterinário
postado em 02/08/2006

Salvador, 02/08/06.

Cara Marina, ao reler o texto de minha autoria publicado, tão gentilmente, no espaço aberto do Site www.farmpoint.com.br , verifiquei a necessidade de atualização de alguns dados, tendo em vista este ser uma síntese de uma revisão bibliográfica e de um trabalho acadêmico apresentado por mim, no final de 2005:

O frigorífico Baby-Bode já possui S.I.F. e existe agora no oeste do Estado o Fribarreiras que Tb. Possui S.I.F.

Atenciosamente

Rafael Aragao Vieira

Coronel Pacheco - Minas Gerais - Pesquisa/ensino
postado em 07/08/2006

O que precisa em nosso estado é de politicas publicas levada a sério, para manter não só o 1º lugar neste ramo, mas também usufluir muito mais da mesma para a melhoria social desta região.

Atenciosamente

Antonio Gonçalves Serafim da Silva

Salvador - Bahia - Consultoria/extensão rural
postado em 10/08/2006

Parabéns pela motivação e qualidade do conteúdo.
A partir de 2006 o Programa Cabra Forte abrange 50 municípios do Semi-árido baiano, em área de maior concentração da exploração, com uma estrutura para assistência técnica ao produtor ensejada por expectativa de resultados positivos a curto e médio prazos, para mudança dos parâmetros de produtividade e de qualidade de vida do pequeno produtor.

Todavia, a expectativa das ações de capacitação de produtores e técnicos envolvidos serem suspensas do programa, mesmo que seja temporariamente, tem me trazido sérias preocupações, tendo-se em vista o nível educativo do homem do campo, personagem central do programa. Não vejo alternativa mais eficaz, embora muito díficil, que não seja a dinamização da informação e aprendizado.

Não podemos nos consolar por sermos os primeiros em magnitude de rebanhos, temos que ser tambem os melhores! Também acredito no futuro da ovinocultura do Oeste baiano!!

Pedro Alberto Carneiro Mendes

Fortaleza - Ceará - Consultoria/extensão rural
postado em 14/09/2006

Caro Paulo José

Talvez por ser nordeste nossa situação é bastante semelhante a de vocês. Nós tentamos construir pequenos frigoríficos (30 cab/dia) no interior do estado, mais alguns empecilhos frustaram essa ação.

A pulverização do rebanho, em torno de 29 cabeças por produtor. A presença do atravessador, comprando na própria unidade produtiva à vista e algumas vezes até antecipando pagamentos (prática tradicionalista).

Pedro Alberto C. Mendes

Paulo José Theophilo Gertner

Lauro de Freitas - Bahia - Médico Veterinário
postado em 15/09/2006

Prezado Pedro Alberto C. Mendes,

Tenho rodado muito por todo o Estado da Bahia, o problema para fechar todo o ciclo da cadeia da caprino-ovinocultura de corte tem como pilar os mesmos problemas: a alta porcentagem do abate clandestino, a desuniformidade das carcaças que chegam aos frigoríficos, a sazonalidade da oferta, fortemente influenciada pelos intempéries climáticos e por aí vai... Problemas que vivenciamos todo dia.

Os criadores de animais de elite parecem ter um pouco mais de organização, olhando-se de longe, mas quando chegamos mais perto, vemos o tamanho da desorganização, que por ali também existe. Só que o momento eufórico, que já dura mais de uma década tem sustentado todo esse "circo".

Mas como estudioso, por paixão e opção, tenho desenhado modelos de alternativas distintas para as diferentes regiões da Bahia. Nossa região NE, tem exatamente o perfil descrito por você. Neste, a intervenção governamental tem que ser mais agressiva, caso contrario os oportunistas continuarão a desfrutar dos lucros de quem produz, os proprietários, que precisam ser transformados em produtores, que e algo bem diferente. E aí deve crescer a caprinocultura.

Já próximo a Salvador, o perfil deve ser mesmo de produtores de genética, terra mais cara e regime mais intenso de chuvas. É indicado para produção de leite de caprinos, pela proximidade do mercado, mas esse e um setor bem sofrido na Bahia, também pela inexistência de organização na comercialização.

No Sul, o clima traz limitações técnicas, mas com "ajustes", é possivel organizar uma cadeia produtiva, a iniciativa privada tem tentado fazer isso.
Já o Oeste Baiano é sem duvida a grande fronteira da produção de carne de ovinos, em moldes industriais. Começando pelo próprio perfil dos atores do Agronegocio na região, são empresários, e as condições edafo climáticas são sem iguais. Mas ali também temos muitos gargalos e nos a desatar.

Grandes empresários tem se aventurado na atividade, sem antes termos adaptado bem as tecnologias e sem muito planejamento. O que nos preocupa, para a atividade empresarial não entrar em descrédito.
Ali, apesar da existência de um frigorífico com SIF, temos tido problemas pelos custos praticados pelo frigorífico, que tem custos altos e remunera mal os produtores, ai também os vilões são os atravessadores do abate clandestino. O preço praticado hoje é de R$2,50/kg/vivo, excepcionalmente animais cruzados de Santa Inês X Dorper, terminados em confinamento com peso de 27-32kg/vivo e carcaças de 12-15kg, eles pagam R$3,00 a R$3,50 que já é bem melhor.

A arroba dos bovinos já deu uma reagiada essa semana, e creio que as dos ovinos acompanharão.
Este espaço, FarmPoint, tem como objetivo isso mesmo: discutirmos os problemas e intercambiar experiência, portanto conte conosco aqui na Bahia.

Paulo José Theophilo Gertner (Zeca)

Esdras Braga de Oliveira

Vitória da Conquista - Bahia - Produção de ovinos
postado em 13/10/2006

Caro Paulo José,

A falta de organização dos produtores em cooperativas, nos impede de crescer e fortalecer ainda mais a ovinocultura em nossa região, pois não conseguimos sequer funcionar um frigrorífico em 100% de sua capacidade instalada, priorizando a produção de matrizes para o sudeste.

Essa é uma realidade triste em nossa região, visto que estamos exportando para outros estados matrizes em grande escala, essa prática nos trará problemas em um futuro muito próximo, o grande mercado consumidor do país, o sudeste, estará produzindo sua própria carne, com custo mais baixos devido ao transporte que terá custos mais baixos.

Ficaremos a margem desse mercado em plena expansão, precisamos nos organizar como produtores, independente de políticas públicas, através de associações, para revertermos esse quadro, e melhorarmos nossos rebanhos em qualidade e agregarmos valores ao nosso produto.

Paulo José Theophilo Gertner

Lauro de Freitas - Bahia - Médico Veterinário
postado em 16/10/2006

Caro Esdras,
há muito tempo atras, alguns estados proibiam a venda de matrizes para fora de sua área territorial, evitando assim a diminuição de seu rebanho.

Atualmente medidas como essa não seriam bem recebidas pelos produtores, que muitas vezes lutam pelo sustento, mas não enxergam além do horizonte.

Mas pessoalmente concordo contigo, deveríamos vender carne e produtos beneficiados com valor agregado, coibindo essa evasão de matrizes com uma maior taxação de impostos, sobre a saída de matrizes vivas do nosso Estado, incentivando o beneficiamento dentro do estado e fortalecendo assim nosso parque frigorífico.

Quanto à organização, infelizmente a ACCOBA, a qual faço parte e sou conselheiro, não tem esse perfil, de entidade mãe, agregadora das diversas associações regionais existentes por todo o estado, perdendo a chance de ser a grande coordenadora do processo de modernização da cadeia, o mais próximo que chegou disso, foram as feiras de venda de reprodutores para os criadores assistidos pelo Cabra Forte, em interesse puramente comercial.

A cadeia produtiva da ovino-caprinocultura nacional, que tem um baiano, amigo nosso, Sr.Ricardo Falcão, como dirigente, também não conseguiu viabilizar recursos para implementarmos essa sinergia entre as regionais, que sozinhas dispersam forças e pulverizam os poucos recursos de entidades institucionais.

Paulo Jose Theophilo Gertner (Zeca)
Criador, Acadêmico de Méd. Veterinária e Consultor de vários projetos na Bahia.

Lúcio Magno Queiroz Neves

Feira de Santana - Bahia - Estudante
postado em 22/09/2010

Dr. Zeca parabens pela materia.Gostaria muito de conhecer sua propiedade junto com a turma.GRATO PELA ATENÇÂO.

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