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3D: os três desafios da ovinocultura em 2011

postado em 05/01/2011

2 comentários
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No último dia 17, o FarmPoint lançou uma enquete questionando os leitores sobre os 3 desafios da ovinocultura em 2011. Leitores de vários estados participaram (BA, GO, MS, MT, PE, PR, SP, RJ, RS, SC e SE) e sugeriram melhorias regionais e nacionais para fortalecer os elos da cadeia ovina no Brasil.

No ano passado, o portal lançou a mesma enquete e os desafios mais comentados foram: união de produtores e mão de obra qualificada, animais de elite x produtores de carne, ausência de informações confiáveis no setor e por último, padronização e escalonamento de produção.

Neste ano, alguns itens foram citados novamente e novas dificuldades foram apontadas. Confira a compilação dos comentários logo abaixo:

Planejamento da atividade

De acordo com Paulo de Tarso dos Santos Martins, zootecnista e coordenador da cadeia produtiva de ovinos e caprinos do MT Regional, de Cuiabá/MT, os gurus das empresas vencedoras de grandes resultados já falavam aos quatro cantos do mundo que os 3D do sucesso são: determinação, disciplina e dedicação e que na ovinocultura do MT, não é diferente. "Determinados temos que estar na manutenção de uma ovinocultura crescente, numérica e qualitativa. Disciplinados como empresários: programar, executar, analisar e reprogramar, sempre usando profissionais qualificados em todos os processos. Dedicados como nunca, como uma mãe cuida de sua prole, em todos os elos da cadeia produtiva".

Na mesma linha, Jaime de Oliveira Filho, consultor da CSO consultoria e serviços de Itapetininga/SP, comentou que há falta de planejamento para escala de produção e que devem ser feitos bons projetos com profissionais da área, tendo a atividade como uma linha de produção, ciente dos gastos e lucros. Para Marcelo Spinola Vianna, produtor de ovinos e diretor de operações da Green Lamb do Brasil, de Araruama/RJ, o dono da criação tem que aprender a criar e não apenas mandar o funcionário fazer um curso para o negócio tomar uma forma profissional. "Só com a mão na massa, as coisas funcionam. Não adianta dizer que a ovelha é frágil, que a verminose é o grande vilão, etc, se o "dono" vai ver os animais a cada 15 dias quando vai passear pela fazenda. Ovinocultor tem que viver dentro do seu negócio, ou o "dono" vai ser sempre aquele funcionário especialista em tudo. É uma fato incontestável que temos nas mãos a pecuária que mais cresce no Brasil, mas sendo criador de final de semana, não adianta. Nada melhor do que o perfume da sua ovelha no seu macacão no final do dia".

Eduardo Amato Bernhard, médico veterinário e presidente da Associação Brasileira de Criadores de Ovinos Naturalmente Coloridos (ABCONC), de Porto Alegre/RS, destacou que estamos numa fase excepcional para a ovinocultura e temos que aproveitar isso para organizar a cadeia e criarmos uma agenda a curto, médio e longo prazo. "O objetivo é consolidarmos o mercado de carne ovina com garantia de qualidade, preço, escala de produção, aumento de produtividade e criação de programas efetivos de melhoramento genético e sanidade, visando alcançar a confiança do mercado e índices de produção compatíveis com a nossa capacidade e que permitam ganho real ao produtor".

Manejo dos animais

Adilson Carvalho de Fonseca, zootecnista e extensionista da CATI de São Manuel/SP, deu algumas sugestões. "Antes de o produtor levar os animais para sua propriedade, ele deve prepará-la (pastagens, instalações, mão de obra, etc). Eu queria ver alguém abrir um supermercado e não ter prateleiras para colocar as mercadorias, largar tudo no chão ou contratar pessoas que nunca viram uma caixa registradora. O produtor também deve incessantemente melhorar os índices zootécnicos (sanidade, nutrição, genética, gerenciamento)".

Tiago Gallina, extensionista da Emater, de Pelotas/RS, comentou que é necessário cuidados com a nutrição dos animais para melhorar a produtividade. "Temos que cuidar do pré encarneiramento e pré parto para não repetir índices muitas vezes péssimos. O controle da verminose também deve ser realizado através do manejo integrado, com ajuste de lotação e implementação de técnicas que permitam uma menor dependência do uso de fármacos".

Ricardo José de Almeida Silva, proprietário do confinamento Hovinotel Vale do Sol, de Sinop/MT, apontou que um dos desafios ainda é o controle da verminose e Cecília José Veríssimo, pesquisadora do Instituto de Zootecnia de Nova Odessa/SP, espera que em 2011, os fabricantes de fármacos aumentem a variedade de drogas para o combate à verminose. "A droga à base de levamisole, por exemplo, praticamente sumiu do mercado, e o que a maioria dispõe aos produtores é ivermectina e albendazole, drogas que, segundo os últimos levantamentos, realizados em SP e MS, revelaram que não foram eficazes (a eficácia foi menor que 90%) em todas as propriedades avaliadas".

De acordo com Antonio Lemos Maia Neto, médico veterinário e Fiscal Estadual Agropecuário da ADAB, de Salvador/BA, é necessário a implantação do Programa Nacional de Sanidade dos Caprinos e Ovinos e Programas Sanitários Estaduais. "Devem ser feitos investimentos também nos Programas de Melhoramento Genético, para que no futuro próximo, tenhamos reprodutores comprovadamente melhoradores".

Incentivos fiscais e ações do governo

Claudio Fontoura, produtor de ovinos de Dom Pedrito/RS, ressaltou que devemos organizar a cadeia de carne ovina do "útero ao prato". "Governo e iniciativas privadas devem estimular os ovinocultores para que os mesmos otimizem seus resultados, para que cada vez mais o negócio seja rentável e que a indústria seja cada vez mais confiável em relação a pagamentos e classificação de produtos ofertados ao público". Corroborando com este comentário, Gustavo Martini, zootecnista do Grupo Marfrig, de Araçatuba/SP, também aposta no incentivo fiscal, principalmente sobre o ICMS.

Já João Luiz Lopes, diretor técnico da Tecnovinos, de Goiânia/GO, comentou que hoje, ficamos esperando ações governamentais para o desenvolvimento do setor. "O que os governos fazem além de tributar nossa produção? É o papel deles! Um ou outro cria, na teoria, uma linha de crédito específica; diminui uma pequena parcela do ICMS, de venda do produto, por um determinado período de tempo e/ou fornece um lote de animais (poucos) para início de um criatório sem ofertar nenhum conhecimento técnico ao criador. É muito pouco senhores, entretanto é só isso que eles fazem e nós, os produtores, já nos damos por satisfeitos com essas "migalhas". Somos, ainda, muito pequenos enquanto classe. Temos muito que evoluir, até chegarmos ao ponto de sentarmos lado a lado, em uma mesa redonda e discutirmos de igual para igual. E quando acontecerá isso? Quando fizermos as tarefas de casa direitinho. Quando reconhecermos que o setor da ovinocaprinocultura é do tamanho de uma caixinha de fósforo frente ao caminhão de demanda existente para os produtos, subprodutos e derivados dessas espécies".

Marcelo Spinola Vianna também opinou sobre incentivos fiscais. "Amigos, não adianta pedir algum tipo de benção para reduzir impostos relativos ao nosso produto. Partindo do princípio que somos todos produtores rurais, e vivemos exclusivamente das nossas terras, temos que batalhar por incentivos de crédito das instituições financeiras, custos interessantes das indústrias de sementes, adubos, medicamentos, rações, etc. Impostos, e muitos, sempre iremos pagar. Esqueceram que vivemos no Brasil?"

Marketing

Denis Sabin, produtor de ovinos de Pinhão/SE, frisou que o marketing é essencial para mostrar para o consumidor que a carne ovina pode ser uma opção para o dia a dia. Clédson Augusto Garcia, professor da UNIMAR, de Marília/SP, também acredita no marketing. "A oferta de carne inspecionada nas casas de carne e supermercados, com cortes especiais, aliado a um bom marketing, faz com que o cordeiro saia do espeto e faça parte do cardápio semanal das famílias". Claudio Fontoura também falou sobre investimentos em marketing: "a população tem que conhecer a verdadeira qualidade da carne ovina, quebrando preconceitos e tendo conhecimentos sobre suas amplas possibilidades gastronômicas".

Vanderlei Pereira, empreendedor da área frigorífica de Campinas/SP, sugeriu que os revendedores (supermercados, casas de carne, etc) deem a atenção ideal para o produto, pois hoje encontramos a carne ovina em poucos locais e são em poucos que o produto está bem acondicionado, visível e dentro de uma arrumação ideal. "Além disso, numeraria mais um item: a importância da divulgação por parte das cooperativas, associações, etc. Isso ajudaria a melhorar a venda em termos de marcas e competição".

Informalidade

Estéfano da Mota Pereira, diretor da Assistec, de Curaça/BA, acredita que cada região possui suas particularidades. "Aqui na região onde moro, uma das maiores produtoras de ovinos, os frigoríficos instalados estão ociosos". Antonio Lemos Maia Neto declarou que acredita que um dos desafios é mudar a situação da informalidade que caracteriza a cadeia produtiva na maioria dos Estados brasileiros e Tiago Gallina citou que para isso, é necessário compromisso dos órgãos fiscalizadores e consciência do consumidor.

Já Marcelo Spinola Vianna, comentou que falam muito na comercialização clandestina ou na carne importada como grandes concorrentes, mas que o atravessador que chega na porteira e leva uma carreta de cordeiros para algum destino desconhecido, no caso do Rio de Janeiro, é fundamental, visto que são eles que mantém o mercado de escala ativo. "Se os frigoríficos deixarem de ser gulosos e pagarem melhor, então é possível que este tipo de comprador vá desaparecendo aos poucos. Quanto à carne importada, devemos agradecer sempre aos irmãos uruguaios, pois graças a eles, nossa iguaria se tornou conhecida e popular".

Escala de produção

Denis Sabin destacou que um dos desafios é a escala de produção. "O mercado está aquecido, produtores, mantenham suas fêmeas no rebanho". Na mesma linha, Claudio Fontoura disse que devemos absorver matrizes de criadores que desejam acabar com seus rebanhos, aproveitando o aquecimento do mercado. "Nosso rebanho diminuiu muito e devemos retornar a patamares anteriores e seria desastroso perder essas matrizes. Caso isso não ocorra, ficaremos à mercê de outros países produtores de carne ovina".

Cyro Calovy Filho, agrônomo e diretor da Calovy Representações, de Alegrete/RS, acha que a questão da escala de oferta de animais em uma só época, sazonalidade na sua região, faz com que falte animais a partir de março e isso é muito explorado pela indústria frigorífica.

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Equipe FarmPoint

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Comentários

Tobias Marino

Porto Rico - Paraná - Produção de caprinos de leite
postado em 06/01/2011

Parabéns pela análise. Uma coisa que nao foi comentada e que acredito que esteja nas principais é a união dos produtores. Sei que esse tópico já de conhecimento de todos, mas precisamos lembrar sempre, já que existe vários produtores com pequenas criações.

João Alberto Haag Luiz

Santa Maria - Rio Grande do Sul - Produção de ovinos de lã
postado em 06/01/2011

Realmente todos os tópicos são importantes e complementares. Imagino que técnicamente a ovinocultura esteja bem encaminhada.O grande gargalo é a comercialização.Principalmente no Rio Grande do Sul,que tem estações climáticas distintas,inverno rigorozo com mortalidade alta de cordeiros, competição com os bovinos(criatório tradicional),inexistência de escala de produção.Teria que ter sim incentivo fiscal e uma linha de crédito subsidiado para os ovinocultores investirem em nutrição e manejo.

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