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Análise do crescimento do rebanho de ovinos e caprinos no Brasil

Por Mariana Paganoti Oliveira (FarmPoint)
postado em 01/12/2008

6 comentários
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O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou nesta quarta-feira (26) a Pesquisa Pecuária Municipal 2007 (PPM), que mostra o efetivo dos rebanhos com data de referência o dia 31 de dezembro de 2007.

1. Caprinos

A pesquisa mostra que o efetivo de caprinos foi de 9,450 milhões de cabeças em 2007, apresentando queda de 9,1% com relação ao ano anterior. As regiões com maior queda foram o Nordeste (-10,2%) e o Sudeste (-3,8%). A região Centro-oeste manteve-se praticamente com o rebanho estável e as regiões Norte e Sul apresentaram crescimento de 7,8 e 11%, respectivamente.

Desde 1997, o rebanho brasileiro de caprinos teve um aumento de 18,6% até 2007 (Gráfico 1).

O principal efetivo encontra-se localizado no Nordeste do País (91,4%) o que mostra que a caprinocultura brasileira continua, ao longo dos anos, mais concentrada nesta região, mesmo com uma queda no rebanho em 2007. A Bahia é o grande estado produtor de caprinos no Brasil, detendo 33,7% do efetivo nacional, tendo os municípios de Juazeiro, Casa Nova, Uauá e Caraça o maior número de caprinos do país (Tabela 2). Os dados do número de caprinos por estado brasileiro em 2007, estão apresentados na Tabela 1.

2. Ovinos

O efetivo de ovinos foi de 16,239 milhões de animais, apresentando aumento de 1,4% com relação ao ano anterior. A região que mais cresceu foi a Sudeste (11,7%), seguida pelo Centro-oeste, Norte e Sul, 10%, 5% e 2,5% respectivamente. A região Nordeste apresentou uma queda de 1%

Desde 1997, o rebanho de ovinos brasileiro teve um aumento de 11,7% até 2007 (Gráfico 1).

Do total de animais, 57,2% estão localizados no Nordeste brasileiro, embora o principal estado produtor seja o Rio Grande do Sul. O maior número de ovinos encontra-se no município de Santana do Livramento, Alegrete, Guaraí e Uruguaiana, todos no Rio Grande do Sul (Tabela 3). Os dados do número de ovinos por estado brasileiro em 2007, estão apresentados na Tabela 1.

3. Lã

A lã é o principal produto vindo da ovinocultura investigado pela PPM, e teve uma variação positiva de 2,6%, comparando-se com a produção obtida em 2006. A variação do valor da produção foi semelhante (cerca de 2,7%), indicando pouca variação nos preços pagos ao produtor.

A criação de ovinos para a tosquia ocorre em pontos esparsos do território, basicamente nas Regiões Sul, Centro-Oeste e Sudeste. Do total destes animais, 96,9% deles estão no Sul, mais precisamente no Rio Grande do Sul, o detentor do maior efetivo com esta finalidade. Santana do Livramento, neste mesmo estado, é o maior produtor nacional de lã e também o detentor do maior rebanho de ovinos. Os dados da produção de lã em toneladas por estado brasileiro em 2007, estão apresentados na Tabela 4.

Gráfico 1. Efetivo dos rebanhos caprino e ovino, de 1997 a 2007.

Clique na imagem para ampliá-la.

4. Crescimento por região

O rebanho caprino cresceu 54,4% na região Norte desde 1997 e o número de ovinos passou de 305.236 para 521.640 animais, ou seja, um crescimento de 71%.

A região Nordeste apresentou crescimento no rebanho ovino de 29,6% e no caprino de 16,4% desde 1997. Porém, se compararmos o rebanho caprino em 2007 frente a 2006, a queda foi de 10%.

Fonte: IBGE. Elaboração FarmPoint.
Clique na imagem para ampliá-la.

Na região Sudeste o rebanho caprino cresceu 31% e o ovino em 79% desde 1997. Essa região foi a que apresentou o maior crescimento no efetivo de ovinos talvez pelo fato da região ter o maior mercado consumidor de produtos ovinos e caprinos, com alto poder aquisitivo e com grande potencial de crescimento.

Desde 1997 a região Sul cresceu 60% no número de caprinos e apresentou uma queda de 23% no rebanho ovino, em especial no Rio Grande do Sul. Essa queda teve forte influência da crise da lã na década de 90, pois esta era o principal produto da ovinocultura. Se compararmos o crescimento do número de ovinos em 2007 frente a 2006 temos um saldo positivo de 2,5%, o que pode indicar um novo ciclo de crescimento para o efetivo sulista.

O rebanho caprino da região Centro-oeste cresceu, desde 1997, 56%, ao passo que o ovino cresceu 70%.

Fonte: IBGE. Elaboração FarmPoint.
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Tabela 1. Efetivo dos rebanhos (nº cabeças) ovino e caprino em 2007, por Grandes Regiões e Unidades da Federação.

Clique na imagem para ampliá-la.

Tabela 2. Os 20 municípios com maiores efetivos de caprinos em 2007, em ordem decrescente.

Fonte: IBGE, Diretoria de Pesquisas, Coordenação de Agropecuária, Pesquisa da Pecuária Municipal 2007

Tabela 3. Os 20 municípios com maiores efetivos de ovinos em 2007, em ordem decrescente.

Fonte: IBGE, Diretoria de Pesquisas, Coordenação de Agropecuária, Pesquisa da Pecuária Municipal 2007

Tabela 4. Produção de lã (ton) no período de 01.01 a 31.12

Fonte: IBGE, Diretoria de Pesquisas, Coordenação de Agropecuária, Pesquisa da Pecuária Municipal 2007

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Comentários

EDUARDO AMATO BERNHARD

Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Consultoria e Assessoria Veterinária
postado em 01/12/2008

Parabéns ao FARMPOINT por estar sempre a frente, mantendo-nos sempre atualizados, com informações em primeira mão. É importante vermos nessa pesquisa que o Rio Grande do Sul está retomando o crescimento de seu rebanho e o importante crescimento destas espécies em algumas regiões. O resultado da região Nordeste possivelmente resulta da migração de animais desta região para abastecer o mercado de ventres nas demais.

Nei Antonio Kukla

Porto União - Santa Catarina - Consultoria/extensão rural
postado em 02/12/2008

Vou tomar a liberdade de me prender a analisar somente o crescimento do rebanho ovino que tem mais destaque aqui no sul.

Nota-se que o rebanho ovino vem crescendo ao longo dos últimos anos especialmente no Estado do RS, Estado este que já teve maior participação e destaque na ovinocultura mas que por vários motivos (preço da lã, troca da ovinocultura por outras atividades) acabou perdendo um pouco o seu "glamour" e que agora começa a investir novamente na atividade.

Tomando o RS como exemplo, acredito que este crescimento venha a ocorrer nos demais Estados do sul, pois a ovinocultura está aos poucos entrando nas propriedades como diversificação de atividades e o consumidor está dando sinais de que está disposto a apreciar a carne de cordeiro. Ainda bem que parece que o produtor está enxergando este comportamento e está investindo na atividade, pois com certeza tem-se um campo fértil se abrindo para ser explorado, porém demanda profissionalismo.

Como diria um amigo meu, Boa sorte a todos!

Walter Celani Junior

Uberaba - Minas Gerais - Consultoria/extensão rural
postado em 04/12/2008

Sempre observo as matérias publicadas pelo Farmpoint e não me desaponto com nenhuma.
Parabenizo a autora Dra. Mariana Paganoti.

Daniel de Araújo Souza

Fortaleza - Ceará - Consultoria e ensino
postado em 08/12/2008

Tanto os dados da Pesquisa Pecuária Municipal 2007 quanto os do Censo Agropecuário 2006 mostram claramente um avanço bastante significativo da ovinocultura nas regiões Sudeste, Centro-Oeste, Norte e Nordeste, assim como, uma forte retração do efetivo na região Sul, especialmente, no Estado do Rio Grande, nos últimos 10 anos.

No entanto, há indícios de que o rebanho sulista já encontra-se estabilizado e com perspectivas de retomada do crescimento para os próximos anos. Essa tendência vem de encontro com o volume de abates praticado no período entre janeiro e novembro do presente ano, onde houve uma queda de cerca de 17% em relação à 2007 que, por sua vez, impactou a produção doméstica de carne ovina, considerando que o RS é o mais produtor do país.

Embora possa haver a influência de fatores climáticos, afetando as taxas de parição e de mortalidade neonatal, essa redução no volume de abates também pode ser um indicativo de uma maior taxa de retenção de animais para propostas de reposição e reconstrução dos rebanhos comerciais, o que seria altamente positivo.

Dessa forma, a pecuária ovina nacional, como um todo, poderá experimentar uma fase histórica de aquecimento em todas as regiões, que poderá também ser impulsionada pelas condições macroeconômicas vigentes que tem tornado a taxa de câmbio pouco favorável às importações de carne ovina uruguaia, o que aumentará a competitividade da atividade, principalmente nas regiões Centro-Oeste e Sudeste, onde a produção formal tem sofrido importantes incrementos.

Abraços,

Neila Lidiany Ribeiro

Imperatriz - Maranhão - Pesquisa/ensino
postado em 25/01/2009

Parabéns Mariana, estava pensando em começar as aulas sem os dados novos da situação da caprinovinocultura no Brasil, mas como sempre procurei no lugar certo e la estava os dados no FARMPOINT.

Achei impressionante ter tido esta queda nas criações na Região Nordeste, pois se tomar como base Imperatriz no Maranhão, temos diariamente um crescimento da ovinocultura principalmente, esta sendo mais consumida. Existem pratos típicos como a panelada e o sarapatel que é consumido diariamente, e o pessoal que faz estes pratos típicos falam que a oferta ainda é baixa, mas e bem melhor do que a dois anos atrás.

Parabéns pelo artigo.

Cristiane Goulart - ME

Alegrete - Rio Grande do Sul - Revenda de peças e acessórios p/ esquila de ovinos
postado em 22/02/2011

Por fim achei dados relevantes para o meu comercio a titulo de conhecimentos sobre como anda a produção de lã no Brasil e principalmente no meu estado que é um dos maiores neste quesito, e devido a diminuição do estoque mundial da lã, houve um siginificativo aumento no preço e na criação de ovinos de lãs finas. Estou confiante nas gandes perspectivas e na valorização do setor primario. Com isto todos ganhamos para o desenvolvimento do pais.

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