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Imagem da carne ovina para o mercado consumidor. Confira a opinião dos leitores

postado em 18/11/2010

2 comentários
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Para atender nichos de mercado, um produto deve ser lançado estrategicamente. Algumas mudanças estão ocorrendo no estilo de vida dos consumidores e isto deve ser levado em conta. O produto deve ter qualidade, precisa adequar-se à conveniência do consumidor e deve apresentar facilidade de compra e preparo.

A qualidade, por exemplo, é hoje um fator cada vez mais determinante na procura por um produto, podendo ser definida como um conjunto de características e atributos que garantem a segurança de quem o consome. O consumidor escolhe o produto baseado na sua experiência anterior com o modo de preparar e com o grau de satisfação na refeição e para ele, a decisão de voltar a comprar no mesmo ponto de venda, ou o mesmo tipo de carne, vai depender de terem sido satisfeitas suas expectativas iniciais.

Devido às entraves do sistema agroindustrial da ovinocultura e a ausência de uma indústria forte no Brasil, a carne ovina oferecida normalmente não apresenta padronização. Grandes redes de supermercados já possuem uma maior variedade de produtos (queijos, hambúrguer, espetinhos), porém, muitos estabelecimentos nunca venderam essas mercadorias.

No dia 05/11, o FarmPoint perguntou aos leitores: qual é a imagem da carne ovina hoje para o mercado consumidor? Confira abaixo os comentários de destaque.

Maurílio Cabral, produtor de ovinos e gerente do Haras Morro da Pedra de São José dos Campos/SP, comentou que é um pouco difícil, mas não impossível, convencer alguém a experimentar a carne de cordeiro. "Devemos considerar o desconhecimento no preparo dos diferentes cortes pelas donas de casa modernas. Não é a mesma coisa que fritar um bife bovino e é por isso que as pessoas só pensam em consumir cordeiro nas festas e pensam sempre no pernil. O consumo não tem nada a ver com o preço, raça do animal ou manejo desde que quem produza saiba o que está produzindo e quem compra saiba o que está comprando. Os descartes devem ser consumidos de outras formas. Estão batendo muito na mesma tecla. Agora, quem pode experimentar em um restaurante especializado tem de pagar os custos. As churrascarias populares nem sempre servem cordeiros. Para competir com o boi, o frango e o porco, que já estão estabelecidos no mercado, as associações de criadores e outros interessados se houver, devem investir em propagandas. Se considerarmos que a criação é para pequenas propriedades o jeito seria simplificar e não complicar mais a atividade. Uma ajuda para esses pequenos produtores seria uma ação social. Quem já está bem estabelecido não precisa do governo para manter um negócio lucrativo".

Ricardo José de Almeida Silva, zootecnista e consultor de Sinop/MT, acredita que está havendo uma mudança no hábito do consumidor brasileiro, principalmente o da dona de casa, que está cada vez mais exigente. "A carne ovina está deixando de ser consumida apenas em datas especiais e passando a ser consumida em ocasiões diferentes. Mas temos um gigantesco problema para ser resolvido e tem que ser o mais urgente possível. Só no Brasil acontece essas coisas: pagamos taxa, imposto, tributo de tudo. Para eu comercializar os cordeiros interestadualmente, pago 12% de ICMS sobre o valor do frete, 12% sobre a pauta de cada animal, GTA, CESA. Este é um protesto, pois estou indignado com esses tributos cobrados, que não vemos na real, onde são empregados". Na mesma linha, Quirino de Freitas, produtor de ovinos de Fernandópolis/SP, destacou que o consumidor reconhece muito mais a carne ovina hoje comparado à antigamente e levantou uma questão: será que o consumo por essa carne ainda aumentará? "Tudo é possível. A carne de peru por exemplo só era consumida no Natal e hoje muitas pessoas trocaram o presunto por peito de peru. Temos que pensar numa forma de aumentar o consumo e talvez, integrar a atividade".

De acordo com Lutero de Andrade Oliveira, produtor de ovinos e médico veterinário, de Piripiri/PI, existe nos restaurantes uma demanda muito grande e o nível de aceitação da carne ovina pelos clientes é alta, formando um nicho de mercado para técnicos e produtores. "Para atender estes nichos de mercado, o produto deve ser lançado estrategicamente visando a padronização das carcaças para atender supermercados e consumidores. Para isso ocorrer, precisa de incentivos governamentais e de uma indústria mais forte e produtos padronizados em todo o Brasil. Muitos ainda não degustaram uma carne de cordeiro/cabrito de qualidade e a ovinocaprinocultura fica como um pendulo de relógio: o produtor não investe mais por falta de frigoríficos e os prováveis investidores não investem em frigoríficos por não existir um produto padronizado e constante para atender toda a sua demanda". Corroborando com esta ideia, José Aparecido dos Santos, técnico de desenvolvimento de processos de Limeira/SP, comentou que atualmente a carne de ovinos está sendo mais difundida popularmente. "Viajo muito e nos restaurantes e churrascarias que consumo, é muito comum ser oferecido carne de ovinos. O que noto é que a qualidade desta carne varia muito, pode ser no modo de preparar, na nutrição, genética e idade dos animais. Tecnicamente precisa haver uma evolução em todas as áreas para termos produtos com qualidade que agrade todas as classes com preços competitivos".

João Alberto Haag Luiz, consultor de vendas no agronegócio, de Santa Maria/RS, citou que como qualquer outra carne vermelha, a carne ovina é um produto nobre. "Só uma parcela (com maior poder aquisitivo) da população pode consumi-la e este consumidor está cada vez mais exigente. Portanto, a carne tem que ter qualidade, apresentação, maciez e cortes especiais de animais jovens. Não podemos enviar para o mercado carne de ovelhas velhas ou capões. Também citando a importância da qualidade, Julio Erasmo Reich, trader de Querência/MT, acredita que o consumidores enxergam a carne ovina com um produto especial e que hoje ainda encontra-se muito caro no mercado brasileiro. "Para isso mudar, precisamos de incentivos governamentais e outros, precisamos de uma indústria mais forte e produtos padronizados em todo o Brasil. O consumidor quer segurança naquilo que consome, e com o abate informal, muitos ainda não degustaram um produto de qualidade".

De acordo com Jonas Rodrigues, produtor de ovinos de Dourados/MS, no Estado de São Paulo há vários restaurantes que servem pratos com carne ovina, porém, muito caros e para nichos de mercado selecionados. "No mercado venho percebendo um aumento no número de produtos oriundos de ovinos e caprinos, algumas marcas diferentes e novos produtos. O consumidor busca coisas novas e, pelo fato dos produtos de ovinos e caprinos serem muito saborosos, se encaixam bem neste quesito".

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Comentários

Carlito Nóbrega

Presidente Prudente - São Paulo - Produção de ovinos
postado em 10/12/2010

Legal a iniciativa de vocês. Gostaria de saber a opinião dos brasileiros que não estão ligados no setor. Difícil, mas não impossível.

Luis Fernando Rangel

Pratânia - São Paulo - Revenda de produtos agropecuários
postado em 07/02/2015

Excelente matéria, hoje há um mercado bastante atrativo e rentável só precisamos difundi-lo e se organizar melhor entre essas novas perspectivas de mercado exigente  para o consumo dessa carne.

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