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Presença da indústria na ovinocaprinocultura brasileira. Confira a opinião dos leitores

postado em 12/05/2011

2 comentários
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No último dia 26, o FarmPoint fez uma pergunta aos seus leitores: Você acredita que a indústria está mais presente na ovinocaprinocultura brasileira? A questão gerou um debate muito rico e vários profissionais contribuíram com opiniões e dúvidas. Veja os destaques logo abaixo e participe deixando o seu comentário!

Destaques da matéria

Eduardo Amato Bernhard, médico veterinário e consultor de Porto Alegre/RS, destacou que a indústria já vem atuando ativamente no fomento e que já temos alguns projetos similares a sistemas de integração em algumas regiões. "A indústria pode fazer muito mais através de parcerias com produtores visando melhorias na qualidade dos cordeiros e pagamentos diferenciados por carcaças superiores. O produtor precisa ser incentivado e precisa ter preços que estimulem o investimento na criação". Eduardo finalizou frisando que já existem modelos no Brasil que podem ser seguidos mas que ainda são pouco expressivos se considerarmos os volumes produzidos. "Os modelos que deram certo no mundo são todos iniciativas do setor privado, através da união dos diversos agentes da cadeia, com apoio do poder público".

Corroborando com a opinião de Bernhard, Igor Vaz, produtor de ovinos de Pelotas/RS, completou destacando que todo frigorífico quer abater ovinos, porém, poucos tomam a iniciativa de buscar parcerias com produtores de modo a obterem um animal de qualidade com peso e engorduramento ideal. "A reclamação que eu observo por parte da indústria é: não existe oferta suficiente de animais aptos e acabados. E o produtor reclama que não há preço, que quando tem o animal terminado não consegue preço justo. A cadeia não fecha pois o frigorífico não se comunica com o produtor e vice-versa. O produtor ainda tem o preconceito contra a indústria e não tiro a razão, na balança da fazenda aferida o peso do animal é um, na balança do frigorífico o peso sempre é menor. É preciso haver entendimento, pois um não sobrevive sem o outro". Na mesma linha, Edemario Marques de Almeida, gerente de um frigorífico de uma cooperativa de Pintadas/BA, lamenta o fato de ainda haver desconfiança entre produtor e frigorífico referente ao peso da carcaça. "Temos várias experiências de pesos no balanção. Chamamos o produtor para dentro da indústria e orientamos todos passo a passo, desde a logística, "jejum hídrico", abate, toalete e pesagem. Nossa relação com o produtor tem sido muito transparente, mas infelizmente convivemos com essa cultura".

O produtor de ovinos de Piripiri/PI, Lutero de Andrade Oliveira, citou que assim como na Nova Zelândia, o Brasil apresenta condições favoráveis para a produção de excelentes carcaças de ovinos e caprinos. "A diferença, é que na Nova Zelândia a indústria busca insistentemente melhorias na atividade visando a qualidade através de uma integração entre os setores da indústria e setor produtivo. Já no Brasil, o incentivo da indústria na produção de carne ovina e caprina deixa muito a desejar, porém, é perceptível que novos programas estão sendo lançados na busca da formalização e integração destes setores".

De acordo Walter Celani Júnior, zootecnista e consultor de Uberaba/MG, "olhar para países que fazem sucesso é sempre bom para nortearmos nosso desenvolvimento, porém, temos que observar vários aspectos.

1 - A NZ exporta 90% daquilo que produz, ou seja, o consumo é alto mas a produção é muito maior, no Brasil, isso é o inverso, fato que prejudica a padronização;

2 - Devido ao fato de não produzirmos o suficiente, a padronização fica em segundo plano, já que o produtor tem a garantia de vender qualquer coisa que produz;

3 - A indústria por sua vez, compra qualquer coisa, já que a demanda é grande e não temos, hoje, a interferência da concorrência estrangeira".

Walter finalizou comentando que quanto à indústria, temos que analisar de maneira muito prudente, já que, o Brasil é muito grande e fica difícil estabelecer unidades em todos os estados, o que limita a ação dos frigoríficos. "Não há como negar que a indústria está a todo vapor e que quem tem produto está vendendo tranquilamente e a preços muito bons. No que diz respeito à qualidade, existem algumas empresas que estão abatendo e pagando muito bem por isso. Temos que entender a indústria, que, para colocar produtos padronizados no mercado, tem que exigir melhor trabalho dos produtores. Portanto, os produtores tem que trabalhar com controle de custos, orientação técnica adequada, logística, cooperação de parceiros, etc. Não se cria ovinos como se cria bovinos, tanto que hoje, o preço mínimo que recebemos é de R$ 150,00 por arroba. Isso não é ilusão, é realidade. Tem muita gente produzindo mas muitas não sabem os meandros da comercialização".

Bruno Fernandes Sales Santos, produtor de ovinos, mestre em zootecnia, da Aries Reprodução e Melhoramento Genético Ovinos - Abacus BioLimited, opinou dizendo que a indústria está mais presente do que nunca na ovinocultura brasileira, porém, esta presença deve ser melhor ajustada e fazer com que todos sejam beneficiados. "Nós produtores ainda tentamos buscar maneiras de aumentarmos a receita e cobrir os custos com a produção, mas ainda assim a conta é difícil de fechar pois não temos cordeiros suficientes. O que nos retira o lucro é a nossa própria ausência de produtividade, isto é, desmamar maior número de cordeiros do que o número de matrizes do rebanho todos os anos. Isto eleva muito nosso custo de produção e nos dá a falsa impressão de que a atividade não é boa. A empresa frigorífica passa pela mesma situação com relação ao processamento da carne ovina. Trata-se de uma indústria que opera muito abaixo da capacidade de produção, porém, os custos fixos são altos e os problemas dentro das linhas são enormes em termos de manutenção, mão de obra, perdas e desperdícios, estoques e etc. O maior problema, no entanto, refere-se à impossibilidade de determinar uma rotina de abates, devido à falta de cordeiros de qualidade no mercado, com poucas exceções. Existe ainda, o fato dos abates utilizarem animais desuniformes, que viajam longas distâncias e muitas vezes fora das especificações. Pessoal, se os produtores precisam melhorar muito os aspectos gerenciais e produtivos, os frigoríficos ainda têm que evoluir muito também. E rápido, para poder acompanhar a velocidade da ovelha. Temos todos que melhorar, pois é impossível haver evolução se não houver comprometimento de todos".

Giorgi Kuyumtzief, produtor de ovinos de Tangará da Serra/MT e consultor do "KiloVivo - Ovinocultura de Precisão" comentou que se olharmos para o passado, atualmente existe uma presença maior de indústrias que processam, beneficiam e distribuem a carne ovina, mas que faltam especificidades quanto às ações efetivas no sentido de promover a produção de carne de cordeiro. "Preciso fazer uma distinção entre dois tipos de empreendimentos que trabalham, atualmente, visando abastecer o mercado consumidor de carne ovina. Vou batizá-los de Nº 1 e Nº 2 para melhor poder distingui-los conforme segue:

Nº 1 - É edificante, inovador, arrojado e cada vez mais competente: são empreendimentos que investem primeiro na produção da matéria-prima que vai gerar o produto requerido pelo consumidor. É o resultado de um processo de transformação e beneficiamento que é realizado por indústrias frigoríficas contratadas para fazer, apenas, esse trabalho. A distribuição e/ou comercialização são realizados pela empresa que planejou, organizou e administra um trabalho que inicia em rebanhos específicos e termina na mesa de consumidores fieis e satisfeitos. Esse modelo tanto está sendo desenvolvido por empresários competentes e arrojados, como por ovinocultores organizados em sistemas associativos que são, também, igualmente competentes e arrojados. Pretendo identificar aí o início de algo que, num futuro não muito distante, estará disputando com a Nova Zelândia o mercado internacional da carne de cordeiro.

Nº 2 - Estes são os empreendimentos que tem, via de regra, um plano operacional que visa aproveitar as oportunidades de lucrar sobre a demanda cada vez maior por carne ovina e, para isso, optam por investir em plantas frigoríficas específicas. São empresas pequenas, médias e, também, muito grandes e poderosas que, infelizmente, são daninhas à ovinocultura brasileira por serem oportunistas, hipócritas, perversas e especialistas em aproveitar-se da boa vontade, da ilusão e da esperança de ovinocultores movidos por entusiasmos efêmeros. Têm como objetivo principal a compra de matéria-prima pelo menor preço possível para fabricar produtos finais para serem vendidos pelo maior preço que o consumidor pagar. A história nos mostra, há décadas, que assim como elas aparecem fazendo muito barulho, elas fracassam por motivos idiotas do tipo: falta de regularidade no abastecimento de matéria-prima, falta de padronização da matéria-prima, inviabilidade do custo de transporte da matéria-prima, além da falta de incentivo e comprometimento com os seus fornecedores de matéria-prima".

Equipe FarmPoint

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Comentários

Mariana Paganoti Oliveira

Piracicaba - São Paulo - Mídia especializada/imprensa
FarmPoint - postado em 13/05/2011

Parabens Raquel! Ficou muito boa a forma como colocou a discussão!

adauto silva gouveia filho

Matrinchã - Goiás - Produção de ovinos
postado em 13/05/2011

Essa discussão é muito boa, vamos informar o preço praticado na região.

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