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Bruno Santos: "Falta profissionalismo na ovinocultura"

postado em 09/06/2010

4 comentários
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Raquel Maria Cury Rodrigues, analista de mercado do FarmPoint, entrevistou na 7ª FEINCO - Feira Internacional de Ovinos e Caprinos Bruno Fernandes Sales Santos, sócio proprietário da Áries Reprodução e Melhoramento Genético Ovino Ltda., zootecnista da AbacusBio Limited e colunista do radar técnico melhoramento genético do FarmPoint. Na entrevista, Bruno falou sobre a importância do melhoramento genético para a ovinocultura brasileira, produção comercial de ovinos e eficiência de produção na atividade.


Destaques da entrevista

"Hoje no Brasil temos uma infinidade de raças. Aparentemente há mais de 15 raças registradas na Associação Brasileira dos Criadores de Ovinos. Além disso, há uma infinidade de grupos genéticos sendo trabalhados e enxergamos que uma das grandes necessidades para o sistema de produção de ovinos no Brasil é o trabalho de melhoramento genético"

"O trabalho de melhoramento genético tem uma resposta muito grande na produção direta de carne, ele depende de vários fatores como escrituração zootécnica da fazenda e organização dos criadores. Nós vemos que é um trabalho que tem crescido, mais criadores estão partindo para a produção comercial de cordeiros e estão lançando mão de animais que fazem parte de programas de melhoramento genético e já estão selecionados com bases em índices de seleção e DEPs. Isso vem crescendo e nossa empresa trabalha diretamente nessa área, vários rebanhos já estão participando e já conseguimos observar alguns resultados desse trabalho"

"O nosso trabalho é novo no Brasil mas já funciona a muito tempo em outros países. De novidade, estamos lançando uma ferramenta que faz o acasalamento dirigido baseado em índice de seleção e controle da consanguinidade"

"A medida que mais e mais rebanhos estão entrando no nosso programa e difundindo essa genética de animais melhorados, já com os índices zootécnicos, estamos realmente vendo que os produtores que estão comprando reprodutores e fêmeas, estão tendo um resultado melhor."

"Hoje o produtor brasileiro está vendo que precisa se atentar para outros aspectos sem ser a aparência dos animais, ele tem que ter uma informação mais técnica, uma informação mais bem conduzida, que vai dar segurança para ele comprar um reprodutor que gerará filhos melhores, que vão crescer mais rápido, que vão ganhar mais peso, ter maior qualidade de carne, enfim, dar um melhor resultado. O grande ponto é: o produtor de ovinos deve começar a ter resultado do sistema de produção dele, isso é o que a gente espera"

"Hoje no Brasil a ferramenta de seleção dos rebanhos são as exposições, os animais mais valorizados são aqueles que têm um melhor resultado nas pistas, nas exposições e nos rankings das associações. Isso é válido, tem a sua importância, porém, é muito importante que os animais possuam avaliação genética, que é o único dado que garante o animal transmitirá superioridade, ou melhorias para o rebanho comercial"

"Hoje um reprodutor comercial, para ser vendido para uma pessoa que possui cordeiros para o abate, tem que ter um valor acessível e ainda melhorar os cordeiros dessa propriedade"

"O programa de melhoramento genético é um trabalho de longo prazo, porém, as melhorias são permanentes. Um fazenda não muda de um ano para o outro, ela muda ao longo dos anos, porém, os pequenos benefícios são cumulativos e permanentes"

"O maiores desafios para a ovinocultura são o profissionalismo, a eficiência de produção e a união entre os criadores. A integração ao longo da cadeia é fundamental entre produtores, fornecedores, frigoríficos, prestadoras de serviço e associações. A integração deve ser bem formada entre esses elos"

"Não adianta o produtor reclamar de preço se ele é ineficiente em produzir cordeiros. Se ele tem 100 ovelhas, ele tem que produzir 120 cordeiros/ano para serem abatidos. Não adianta ele ter 100 ovelhas e produzir 60 cordeiros/ano, ele não vai ter retorno"

"O frigorífico tem um papel fundamental de remunerar o justo pelos cordeiros que são de qualidade, ele precisa ter escala para trabalhar. Um trabalhando junto com o outro, a coisa vai funcionar"

"As associações precisam trabalhar em prol da ovinocultura, em prol da produção de carne, porque o mercado está aí, o mercado é franco e o consumo vem aumentando a cada dia"

"Estamos num momento muito positivo e o preço da carne de cordeiro no Brasil ainda é um dos mais caros do mundo"



Equipe FarmPoint

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Comentários

Kelly Louveira

Bragança Paulista - São Paulo - Distribuição de alimentos (carnes, lácteos, café)
postado em 09/06/2010

Ótimo Bruno, você falou coisas muito importantes. Canais para escoar produtos oriundos da ovinocultura têm, porém, precisamos produzir com escala e seriedade. Abs

Nei Antonio Kukla

União da Vitória - Paraná - Consultoria/extensão rural
postado em 10/06/2010

A demanda pela carne ovina é crescente. Segundo dados divulgados, consumimos apenas 140 gramas de carne ovina/hab/ano, e ainda, produzimos apenas 40% para atender este consumo, de resto, importamos. Então vejam só o tamanho de mercado que temos. Somado a tudo que o Bruno Santos comenta em sua entrevista, creio que muitos criadores tem receio de investir na atividade, pois tem lá seus animais, vendendo vez em quando uma carcaça, mas como mencionado na mesma entrevista, como você poderá ter a ovinocultura como uma atividade econômica se você não abate 100-120 cordeiros por ano? Outra coisa, muitos criadores tem suas matrizes que parem e os cordeiros são desmamados e ficam lá no pasto (quando tem), se não nos "potreiros" com gramíneas nativas e fracas até completarem 1 ano, ano e meio ou mais. Isso gera ineficiência. O criador precisa entender que deve fornecer cordeiros para o abate, com idades de no máximo 6 meses, livrando assim o pasto, instalações, mão-de-obra, garantindo após este período atendimento exclusivo aos animais de reprodução, preparando-os para o próximo encarneiramento e cria, além, é claro de receber R$ pela venda dos cordeiros.

Bruno Fernandes Sales Santos

Dunedin - Otago - Nova Zelândia - Produção de ovinos
postado em 11/06/2010

Prezado Ney,

Ótimos comentários! Realmente os produtores precisam obsevar suas propriedades no sentido de encará-las como verdadeiras empresas. Sendo assim, é fundamental que o número de produtos vendidos seja suficiente para cobrir os custos, amortizar os investimentos e gerar lucro para o produtor. Para isso a eficiência geral da propriedade deve ser priorizada, caso contrário continuaremos no cenário atual, alta demanda de carne, falta de abastecimento, cadeia desorganizada e criadores que não conseguem obter retorno de suas atividades.

Obrigado pelo comentário oportuno!

Até logo,

Bruno Fernandes Sales Santos

Dunedin - Otago - Nova Zelândia - Produção de ovinos
postado em 11/06/2010

Prezada Kelly Louveira,

Obrigado pelo apoio!

O momento atual é importantíssimo pois existem os canais de comercialização, por preços excelentes e que absorvem toda a produção, sobretudo, aquela de melhor qualidade. A escala é fundamental para viabilizar a atividade no sentido de diluição de custos fixos, viabilizar frete, aumentar o poder de barganha e etc.

É fundamental que os peqenos produtores se organizem em grupos, núcleos, associações e etc., para assim viabilizar a escala e obter maior lucratividade. Os grande produtores que são eficientes já estão colhendo os frutos de uma produção organizada e com volume....

Até logo,

BRUNO SANTOS.

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