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Especial Marcas - Cordeiro Real - "A marca é consequência da nossa obsessão por qualidade"

postado em 21/01/2011

14 comentários
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Devido o sucesso do Especial Associações lançado em 2010, o FarmPoint está inaugurando este ano o Especial Marcas, projeto que visa divulgar aos leitores as marcas de carne ovina presentes hoje no mercado e o que elas vêm fazendo para fortalecer a atividade. Para iniciar este Especial, entrevistamos Walter Rogério Diesel, um dos proprietários da Cordeiro Real, de Goiânia/GO. Walter também é Economista e Mestre em Economia Rural e atua na área de educação como Gerente de Agronegócios. A Cordeiro Real está há 16 meses no mercado.

Figura 1 - Walter Rogério Diesel.



FarmPoint - Qual é a história do Cordeiro Real e o principal objetivo?

Walter - "A cadeia da carne ovina é bastante desarticulada, e historicamente sempre foi ao meu ver no Brasil. Mesmo quando a lã era o principal produto, e a carne secundário, há 30 anos, não tinhamos muitos atores representativos no setor.

Começamos a Cordeiro Real aqui também por causa da falta de oportunidades de mercado. Produziamos cordeiro de excelente qualidade, e na hora de vender havia um comprador oficial em 2003 e 2004. Ele punha o preço que queria, não eram profissionais do setor, mas sim estavam aproveitando a oportunidade do momento. Mas era uma opção. Em 2007 nem esse comprador mais existia, e daí foi um caos, pois somente havia o mercado clandestino. Houve uma debandada geral na ovinocultura de Goiás.

Então 3 produtores se reuniram (eu e mais dois). Eu pesquiso o mercado da carne desde 1995, quando fiz meu mestrado em economia rural, e meus sócios são muito esforçados também. Utilizamos nossos esforços pessoais e habilidade e começamos a operar com a Cordeiro Real em set/2009. Buscamos escoar nossa produção, e mostrar para o consumidor que somos capazes de oferecer um produto de excelente qualidade. Mas desse tipo de produto o mercado está muito carente, e aceitou bem o que produzimos. Isso está sendo um problema, pois a nossa produção não é suficiente, e não estamos conseguindo fazer com que outros produtores criem cordeiros de qualidade semelhante aos nossos. Agora estamos nesse dilema, atender somente nossa loja com a nossa própria carne, ou ampliar. Para crescer tem que ter oferta de animais, mas nos preços atuais há pouca aceitação, pois o mercado é muito restrito".

FarmPoint - Aonde os cordeiros comercializados pelo Cordeiro Real são abatidos? Como vocês fazem para manter a padronização?

Walter - "Nós precisamos iniciar o negócio terceirizando o abate e o processamento. Para termos indústria própria a oferta de animais teria que se multiplicar várias vezes. Em baixa escala uma indústria própria não seria viável economicamente. Então temos uma pessoa que acompanha os abates e o processamento, buscando orientar e manter a padronização na indústria. Quanto aos rebanhos, estamos aperfeiçoando cada vez mais, buscando um perfil genético que nos garanta mais produtividade (número de cordeiros por parto), mas evitando intruduzir raças que não tenham rendimento de carcaça superior a 45% e um sabor superior".

Figura 2 e 3 - Abate Cordeiro Real e câmara fria.



FarmPoint - Onde e como os produtos do Cordeiro Real são comercializados?

Walter - "Temos nossa própria loja, e também distribuimos em empórios, supermercados mais exigentes, e restaurantes, em todo o Estado de Goiás".

Figura 4 - Loja da Cordeiro Real.



FarmPoint - Você acredita que a criação de marcas fortes de carne ovina no Brasil pode contribuir para uma maior fidelização e credibilidade dos consumidores?

Walter - "Eu acho que a marca é uma consequência da nossa persistência e da nossa obsessão por qualidade. Tudo pode acontecer com o tempo, depende de como focamos nosso negócio. Mas acredito sem dúvida que essa seria a melhor maneira de conquistar o consumidor, quando ele é esclarecido a respeito do produto que ele está comprando, e quando a empresa não trai seu cliente oferecendo produtos cuja qualidade não se sustenta todos os dias".

Figura 5 e 6 - Veículo personalizado da Cordeiro Real e carré de cordeiro embalado.



FarmPoint - Como está a demanda por carne ovina em Goiás?

Walter - "É crescente, mas pode aumentar muito mais, desde que os preços caiam, e hajam mais parcerias entre os elos da cadeia, a fim de que o progresso do setor ocorra ao longo de todos os seus segmentos".

FarmPoint - O que você espera do mercado ovino para os próximos anos?

Walter - "Eu acho que irá crescer muito. Mas sou realista quanto aos preços. Eles vão caminhar no sentido oposto da qualidade. Teremos que tornar a carne de cordeiro ascessível para as classes sociais de menor renda. Para isso temos que buscar mais eficiência em todos os segmentos da produção da carne, começando principalmente com as fazendas".

Você conhece outras marcas de carne ovina? Participe entrando em contato pelo box abaixo:

Equipe FarmPoint

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Comentários

eldar rodrigues alves

Curitiba - Paraná - Instituições governamentais
postado em 21/01/2011

Parabéns pela CORDEIRO REAL! São iniciativas como essa que, servindo qualidade, elevarão a ovinocultura aos patamares desejaveis!
sem mais
Eldar Alves
www.cabanhakingsize.com.br
OVINOS POLL DORSET

RICARDO JOSÉ DE ALMEIDA SILVA

Sinop - Mato Grosso - Produção de ovinos
postado em 21/01/2011

Excelente reportagem. Nós criadores só temos a ganhar com essas iniciativas. Só fatou nesta reportagem, os endereços para contatos. Nas próximas, os endereços sera de muita valia.

Att.
Ricardo Almeida

Estéfano da Mota Pereira

Curaçá - Bahia - Técnico
postado em 21/01/2011

Primeiro, quero parabenizar a FarmPoint por essa iniciativa brilhante de divulgar as marcas de carnes existente em nosso país, mostrando a outros produtores que existe negócios que estão dando certo. Também não poderia deixar de parabenizar a Cordeiro Real pelo excelente trabalho desenvolvido com a ovinocultura são de projetos assim que precisamos para mostrar que vale a pena investir.

Estéfano da Mota Pereira

Igor Vaz

Pelotas - Rio Grande do Sul - Produção de ovinos
postado em 21/01/2011

Belo benchmarking, que sirva de inspiração para os produtores fugirem dos mercenários e da informalidade.

Julio Erasmo Reich

Querência - Mato Grosso - Produtor de ovinos
postado em 21/01/2011

Muito muito bom. Estou surpreso. Parabéns!

Nei Antonio Kukla

União da Vitória - Paraná - Consultoria/extensão rural
postado em 21/01/2011

São iniciativas deste porte que irão aos poucos desenvolver a cadeia produtiva.
Porém, como o proprietário mesmo diz, falta produção com a qualidade desejada. Eis um desafio dentro da porteira para ser superado. Qto. a tentar atingir as camadas sociais de menor renda com o produto carne de cordeiro vejo como uma questão de pauta, pois assim aumentaremos e popularizamos a carne de cordeiro no dia-a-dia mas, preço, como em outros produtos, teremos que ser eficientes na fazenda, diminuindo custos, aumentando conversão etc... para melhorarmos a nossa margem e, .... agregand valor como fez a Cordeiro Real.

José Volni Costa

Ituporanga - Santa Catarina - Consultoria/extensão rural
postado em 21/01/2011

Diante de tantas indas e vindas da ovinocultura brasileira, ao meu ver, a iniciativa do projeto "Cordeiro Real" me parece a saida para a sustentabilidade da ovinocultura. Até hoje não se conseguiu a formação da cadeia produtiva em condições de remunerar adequadamente o criador. As industrias que se instalam na sua grande maioria adotam critérios de rapinagem e alegam que o produtor é que é ineficiente em seus custos de produção. Na verdade tem ocorrido que, na maioria das iniciativas industriais não se formou um sistema de parceria entre criadores e industrias. Por exemplo, neste momento o mercado está aquecido, no entanto, os preços a nível de criador, não reagiram na mesma proporçao que no varejo e no atacado. Então o exemplo da "Cordeiro Real" deve ser seguido adicionado da organização e associativismo do pequenos e médios produtores para que haja coerênçia e respeito a todos os elos da cadeia para que a atividade seja viável economicamente. Muito importante esta iniciativa, pois neste sistema , o caminho do produto entre o criador e o consumipor fica mais curto , trazendo vantagens ao criador e ao consumidor.
A matéria é exclente.

Tayrone Freitas Prado

Goiânia - Goiás - Consultoria/extensão rural
postado em 21/01/2011

Parabéns ao Walter e aos seus sócios pela excelente visão de mercado. Particularmente posso testemunhar o trabalho sério que ele vem desenvolvendo a favor da ovinocultura, desde o curso que participei em 2006, sob sua direção. Acrescento que em qualquer negócio é preciso ter paixão pelo que se faz e aliar tudo a técnica e boa administração. Para isso ele está bem habilitado! A matéria realmente é excelente! Pena que poucos se empenhem para ver os elos da cadeia se fecharem e a ovinocultura brasileira alçar voo!!!

Walter Rogério Diesel

Goiânia - Goiás - Pesquisa/ensino
postado em 22/01/2011

Prezado Eldar Rodrigues Alves,
Fiquei feliz com tua participação e a de tantos outros. Muito obrigado a todos e ao Farmpoit.
Gostaria de acrescentar apenas, que esse negócio também tem uma dose elevadíssima de paixão. Eu sou economista, e minha formação condena esse tipo de comportamento. As vezes persistimos demais em situação que são evidentemente intransponíveis, ou de difícil solução. É o caso das parcerias com produtores. São oriundo de famílias de imigrantes alemães (produção familiar). Aqui no centro oeste, é um pouco diferente o tamanho da propriedade, a topografia e o clima. Mas a "cabeça" (maneira de pensar das pessoas) não difere muito. Estou quase para esquecer esse segmento de produtores e direcionar para grandes, pois a insistência de todos em criar cordeiro na maneira que lhes interessa, e muitas vezes com pouco esclarecimento a respeito, tem afetado muito a formação das parcerias. Há na mente das pessoas uma pre-disposição a desconfiar das propostas, imaginando que sempre o produtor será prejudicado. Como cristão que sou, digo que temos que sempre ter uma dose de boa fé nas pessoas. Temos que tentar! Estou muito feliz por tentar. Não se trata apenas de negócio, mas de princípios, valores e responsabilidades. Se alguém quiser falar comigo, entre em contato pelo e-mail walterdiesel@gmail.com
Essa tecnologia moderna de informação chamada rede social (como o que estamos fazenda agora) é muito produtiva para todos nós. Um grande abraço a todos.

KiLOViVO - Ovinocultura de precisão - (65)99784004

Tangará da Serra - Mato Grosso - Técnico
postado em 22/01/2011

Muito bom.

Até que enfim! Parabéns ao Cordeiro Real e ao FarmPoint pela matéria.

Esse é o caminho da nossa ovinocultura.

Dr. Walter, obrigado por mostrar o seu trabalho. Parabéns pela perseverança, pela determinação, pela competência operacional e pela capacidade de visualizar o caminho certo. É a isso que chamamos de PROFISSIONALISMO. Vocês quebraram o paradigma da dependência de um frigorífico. Esse é o caminho. As indústrias de transformação são, apenas, prestadoras de serviço. Quem produz a carne de cordeiro é o ovinocultor. A Ovinocultura de Corte Brasileira não pode cair no modelo mercadológico da nossa Bovinocultura de Corte. Quem defende essa condição para a Ovinocultura são os acomodados, os oportunistas, os que enxergam a ovelha como uma vaca pequena, os que se prostituem para as grandes empresas frigoríficas, os que só tem capacidade de trabalhar com eficiência da porteira para dentro. Vocês são, realmente, produtores de carne ovina.

Um GRANDE VIVA a vocês e ao Cordeiro Real.

Sigam avançando. Uma empresa que pára de evoluir perde competitividade e quebra. Não tenham medo da falta de consumidores. A carne de cordeiro de qualidade padronizada e constante vende-se sozinha. É um produto para ser consumido pelo seu valor agregado e não pelo seu preço; nunca será um item de abastecimento das despensas domésticas e, sim, é um produto para ser degustado, assim como acontece com "picanha bovina", "picanha suína", "filé mignon" e "carne de peru", como exemplos. Os subprodutos gerados pelo processo de produção têm, também, o seu espaço no mercado desde que sejam transformados em mercadorias(oferta com qualidade, constância e regularidade).
Para haver demanda é necessário existir o hábito de consumo. Porém, é impossível existir hábito de consumo de um produto quando não há oferta. Eu considero, defendo e provo que a demanda por carne ovina DE QUALIDADE se provoca através de uma oferta planejada, regular e gradualmente crescente. Por isso, meus nobres EMPRESÁRIOS ovinocultores, não tenham receio de buscar parceiros para integrar um rebanho coletivo, sincronizado e comprometido com a produção do CORDEIRO REAL. Somente assim será possível obter um fornecimento de matéria-prima com a qualidade, a quantidade e a regularidade predefinidas para atender a estratégia comercial da empresa e garantir a sua sustentabilidade e sobrevivência.

Sigam enfrente, mas nunca deixem de lembrar que vocês estão entre os pioneiros no caminho para estabelecer a ovinocultura de corte no agronegócio nacional e, por isso, não podem depender de casualidades e nem dos milagres de ações governamentais. O foco, quando encarneirarem ovelhas, deve estar fixado no tipo e quantidade de carcaças que elas vão produzir através dos seus cordeiros nascidos em datas preestabelecidas. O sucesso empresarial na ovinocultura é imperativamente circunstancial.

Meus votos de sucesso e prosperidade.

Um abraço.

Osorio Jose Tavares Neto

São Paulo - São Paulo - OUTRA
postado em 22/01/2011

Pessoal, perceber que vários de nós tem um pensamento comum sobre a ovinicultura brasileira é extremamente positivo. Mas não consigo entender porque não conseguimos utilizar essa união para colocar esses pensamentos em prática. Me parece estar faltando alguém com um perfil de liderança e vontade para abraçar a causa e catalisar a força de cada um dos produtores brasileiros em uma potência que possa padronizar e alavancar nossa cadeia produtiva.

Sérgio Marcus de Andrade Savassi

Patos de Minas - Minas Gerais - Produção de ovinos de corte
postado em 26/01/2011

Parabéns!! Se possível gostaria de saber o valor que se é cobrado pela matança esquartejamento e embalagem. Estou tentando adotar o mesmo critério de verticalização, haja visto que tenho conseguido colocar toda a minha produção no mercado, tendo inclusive em ocasiões comprado de terceiros.

Tiago Schultz

Mafra - Santa Catarina - Produção de ovinos de corte
postado em 27/01/2011

Parabens! Quero disser que nos aqui de mafra -sc ficamos a disposição da equipe FarmPoint. Temos uma associação aqui tambem chamada ARCCO Associação Riomafrence de Criadores de Caprinos e Ovinos. Nossa Marca (SABOR PREMIUM) esta na parte final para ser aprovada pelo ministerio. Abraço

JOÃO LA FARINA

Brasília - Distrito Federal - Indústria frigorífica
postado em 28/01/2011

Estabelecer a cadeia de comercialização é um desafio para qualquer atividade produtiva, e no caso dos ovinos o desafio é pelo menos ainda maior. Não basta apenas abrir mercados de consumo da carne, é preciso primeiro organizar um pouco mais a cadeia para produzir com quantidade e regularidade.

Porém, as dificuldades do mercado não se resumem ao que acontece dentro da propriedade. A carne ovina vem enfrentando grande concorrência com a carne uruguaia e com os abatedouros clandestinos. Nossos vizinhos do MERCOSUL têm quantidade, preço extremamente competitivo e qualidade.

É claro que aqui no Brasil se consegue produzir uma carne de qualidade superior, porém, ainda não conseguimos competir com os custos de produção de nossos vizinhos, seja pela alta carga tributária, pela falta de subsídio do governo brasileiro ou pelo nosso rebanho, ainda menor que o deles.

É preciso aumentar o índice de produção, diminuir os custos e criar uma cadeia produtiva forte, com todos os elos bem estabelecidos, desde a produção, passando pelo beneficiamento da carne, até o consumo. E nessa luta é importante que todos colaborem de alguma maneira.

A grande dificuldade do criador é conseguir que algum frigorífico faça o abate terceirizado. Alguns apenas compram os animais de outros criadores, sejam eles participantes de algum projeto de integração ou não.

O mercado da carne ovina ainda está em fase de implantação, de estruturação logística e de produção.

Portanto, tudo pode mudar para melhor com a terceirização dos abates.

Conte conosco no que precisarem.

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