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Carne de ovinos: resposta pode estar nas mãos do produtor

Por Dorper Campo Verde
postado em 12/01/2010

2 comentários
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O rebanho de ovinos no Brasil cresceu 2,4% em 2008 para 16,6 milhões de cabeças. Este número demonstra um crescente interesse pela carne de cordeiro e um aumento na demanda do produto, muito apreciado na alta gastronomia. Para se ter idéia, só para suprir São Paulo, um dos pólos mais prósperos para ovinocultura de corte no País, seriam necessárias mais de 2 milhões de cabeças, quase três vezes mais que o existente em toda a região Sudeste, com base nos números do IBGE.

Apesar destes fatores positivos, a atividade amarga forte concorrência externa, visto que 80% do mercado brasileiro esta nas mãos de outros países, principalmente do Uruguai. A explicação é simples: a histórica desorganização da cadeia produtiva inviabiliza a produção de cortes de qualidade na quantidade necessária, um problema cuja solução pode estar nas mãos do próprio ovinocultor. Se o produtor se organizar obrigará o restante da cadeia a fazer o mesmo e isso só não funcionaria se o produto em questão estivesse saturado, o que não é o caso.

Temos 80% do mercado para crescer. Então, é hora de agir. E a palavra de ordem é escala. Para tanto, alguns gargalos devem ser superados. Hoje, já contamos com raças especializadas na produção de carne, e que não estão presas à sazonalidade. É preciso cessar os cruzamentos indiscriminados e pensar um pouco mais nos acasalamentos realmente capazes de gerar melhor qualidade de carcaça. Avaliar adaptabilidade e conformação da(s) raça(s) escolhida(s) para a região em que está localizada a criação é fator primordial.

Na ovinocultura de corte, também é viável implementar estação de monta. A mais simples pode ser dividida de três a cinco meses, planejando para que o produto termine em períodos de maior demanda e remuneração. Intensificando o processo para duas ou três estações no ano, a produção de cordeiros torna-se constante. De quebra, permite conhecer os índices zootécnicos da propriedade e facilita o descarte de animais inférteis, borregas ruins de leite e carneiros que estão gerando consanguinidade. Uma escrituração zootécnica e financeira ajuda levantar os dados produtivos dos animais e controlar o custo/benefício do sistema de produção.

Controle sanitário é outro grande desafio. Sem manejo preventivo, o fracasso é inevitável na ovinocultura. Carneiros só demonstram debilitação no terço final de vida e mesmo quando salvos não recuperam a produtividade, isso porque, geralmente são atacados por poli-infecções de vermes gastrintestinais. Um reprodutor morto por verminose representa um prejuízo de R$ 2.600,00 em média, sem incluir as crias que deixaram de ser produzidas. No mínimo, devem ser feitas três vermifugações ao longo do ano.

O escalonamento da produção dá lucro e até pode retornar o capital investido no curto/médio prazo, dependendo da desenvoltura do negócio e as estratégias escolhidas. Há exemplos de produtores que conseguem faturar um pouco mais aumentando sua produção e existem aqueles que se associaram a núcleos ou cooperativas, recebendo bonificações na ordem de R$ 0,50-0,70/quilo vivo, segundo a cotação da região. Em contrapartida, os frigoríficos exigem um certo padrão de qualidade.

Ovinocultores mais ousados optam por fazer cria, recria, engorda e desossa na própria fazenda, terceirizando apenas o serviço de abate. O interessante dessa modalidade é que o valor agregado fica todo com o produtor. Exige um pouco mais de capital e um grau elevado de organização. Propriedades com este perfil já são realidade e, normalmente, abrem a possibilidade de parcerias para terceiros, na qual, fornecem reprodutores e, em contrato, comprometem-se adquirir toda a produção gerada, pagas acima dos preços de mercado.

A verdade é que as oportunidades para ganhar um pouco mais com a carne de cordeiro estão à disposição de todos, mas para aproveitá-las é preciso ter escala. E para ter escala é necessário planejamento.

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Comentários

marcelo carvalho silva

Lavras - Minas Gerais - Estudante
postado em 12/01/2010

Interessante artigo!
A carne de cordeiro é de um sabor i­mpar.
Sou um grande apreciador e tenho muitas dificuldades em adquirir uma carne de qualidade na minha região (Sul de Minas).
A cultura da carne de carneiro chegou aqui a pouco tempo e cada vez mais as pessoas estão procurando.

Pedro Nacib Jorge Neto

Campinas - São Paulo - Nutrição de Ruminantes / Reprodução de Ovinos
postado em 12/01/2010

Atenção ao fato que o Brasil não importa mais do que 15% do volume de carne ovina consumida no Brasil.
De acordo com os últimos números oficiais, em 2006 o Brasil consumiu 84,08 mil toneladas de carne ovina e foi importado APENAS 7,08. Os 77,00 restantes foi produzido internamente no Brasil, ou seja, foi importado apenas 8,4% e não 80%.

Att
Pedro Nacib Jorge Neto

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