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Marketing Rural Educacional

Por Luiz Gomes do Prado
postado em 17/03/2010

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Hoje percebemos que as instituições estão direcionando suas ações para os agricultores empresariais e às industrias, talvez inconscientemente, mas é isso que acontece, e, se deve ao fato de que suas ações para transferência da informação tecnológica se fazem por meio do marketing de agribusiness, através de revistas especializadas, jornais, publicações técnicas, dias de campo, exposições, televisão e internet.

Estes meios utilizados não são de fácil acesso ao pequeno agricultor, e mais, a capacidade de interpretação, devido à escolaridade predominante destes componentes da cadeia, não permitem compreender, ou apreender e adotar as técnicas divulgadas com direcionamento de massa.

Conforme Gastal (2001), Ivan Sérgio Freire de Souza publicou uma pesquisa realizada em 1985 que mostra que 56% dos pesquisadores do setor público raramente se encontravam com produtores; 87% raramente se encontravam com membros da indústria de insumos e processadoras, e, 84% raramente se encontravam com membros das agências financiadoras. Diante dessa informação, fica difícil acreditar que esses pesquisadores poderiam saber quais os reais problemas dos produtores rurais e quais precisariam de soluções tecnológicas, mais difícil ainda é imaginar que os pesquisadores saibam alguma coisa, ou tenham alguma informação sobre os pequenos produtores rurais e suas necessidades e conhecimentos naturais locais.

No meio rural, sobrevive ou se mantém lá, somente a elite, que ainda tem um pouquinho de sensibilidade econômica de investimento e de produção mas ainda assim deixa muito a desejar. A própria estrutura comportamental do rurícola é consequência das ações e atitudes das camadas mais privilegiadas, que influíram nos atos do trabalhador rural menos favorecido. São fruto de um meio pouco voltado para o futuro, muito preocupado com o agora, esquecendo-se das bases para o depois, é o imediatismo formando as bases de comportamento do brasileiro.

No Brasil existem mais de 4.000.000 de propriedades de produtores rurais familiares e estas representam 85% do todo, equivalente a 30% da área total, e a sua produção corresponde a 38% do total da produção agropecuária e 77% das pessoas ocupadas na agricultura brasileira são as que desenvolvem atividades na agricultura familiar.

Até recentemente, acreditava-se que a estrutura familiar de exploração rural iria desaparecer, mas, algumas evidências empíricas mostram que o capitalismo pelo agribusiness penetra antes e após a produção rural propriamente dita. Essa penetração tem sido fortemente no "antes" que diz dos insumos para produção (adubos, agrotóxicos, veículos, máquinas, etc.) e no "depois" (agroindústria, agregando valores aos produtos primários, intermediários, distribuidores, varejistas, etc).

Nos países desenvolvidos a concentração sempre maior das terras em poucas mãos não levou ao desaparecimento de exploração familiar. Como o capital busca o rendimento máximo, é natural que canalize-se para os setores anteriores e posteriores à produção, deixando a produção agropecuária basicamente familiar, mesmo porque a mão de obra, com o desenvolvimento, estará cada vez mais cara.(Lauschner,1994).

Das 7 milhões de propriedades rurais no Brasil, 93% ou 6.5 milhões são de pequeno porte e representam 25% da área total. Estas 7 milhões de propriedades são responsáveis por 42% do Produto Interno Bruto Nacional (PIB). Não serão importantes os 93% dos produtores do Brasil, ainda que pequenos?

As grandes corporações tentam manter o consumidor longe do conceito de que "o pequeno é belo", mas, a verdade é que a maior ocupação de mão de obra, a maior preocupação com o social e com o meio ambiente, e mais, a garantia da estabilidade do mercado, pela livre concorrência, são características de exercício profundo pelas pequenas empresas, muitas delas consideradas informais; aqui devemos incluir os pequenos produtores rurais os quais, não conseguem obter os benefícios, ou absorver as tecnologias desenvolvidas e divulgadas pelas instituições e empresas voltadas para o crescimento agropecuário, pelas razões, muitas já citadas.

Este importante segmento da cadeia produtiva rural (o nicho constituído pelos pequenos e micros produtores agropecuários) com a capacidade de oportunidade e de iniciativa de busca da tecnologia e de adoção sendo, apesar do sentimento de necessidade e desejo, quase nula, justifica-se pela baixa escolaridade.

O próprio produtor sem escolaridade admite a incapacidade de descobrir os caminhos e os meios de acesso à tecnologia por não estarem aparelhados e se sentirem limitados para a aquisição dos meios de divulgação dos produtos tecnológicos.

A argumentação mostra a dificuldade do pequeno produtor de obter pelos meios disponíveis (folhetos técnicos, publicações, mídia etc) e com os recursos próprios a informação necessária para o seu desenvolvimento, e, soma-se a estas dificuldades, a incapacidade de interpretação do material técnico e apreensão da tecnologia para daí pô-la em prática.

É necessário urgência na adoção de estratégias adequadas para propiciar oportunidades de desenvolvimento a este segmento agropecuário que se encontra fragilizado econômica e socialmente, e que, se assim permanecer estará à caminho de engrossar os problemas da periferia urbana.

A busca da sustentabilidade desenvolvimentista produtiva e social do pequeno produtor rural, sugere uma metodologia do marketing rural com sentido educativo, baseado na cultura local. A renda agrícola ao longo do processo de modernização caiu entre os pequenos agricultores, levando-os ao empobrecimento e ao êxodo.

O marketing rural, não tem sido aplicado para desenvolvimento produtivo direcionado ao produtor e a falta do desenvolvimento técnico do proprietário rural tem sido o maior entrave no sentido de elevar a produção e produtividade com base no micro e pequeno produtor rural, podendo ser ainda responsabilizado pelo grande êxodo rural ocorrido nos últimos trinta anos.

Explica-se essa idéia ao imaginar que se o homem do campo tivesse obtido tecnologia suficiente para aplicar na terra e dar suporte a uma qualidade de vida, no mínimo boa, não haveria razão para deixar sua origem e competência para se aventurar na cidade, o que se mostrou uma ilusão marginalizadora.

O marketing de agronegócio contempla apenas o cliente da área rural, ou seja, apenas trata do direcionamento específico para a aquisição ou venda do produto colocado no mercado, pelo agribusiness ao potencial consumidor como produtor já tecnificado.

Há necessidade de desenvolvimento de uma forma de transferência e recepção da tecnologia por parte do pequeno produtor desenvolvendo assim uma definição e conceito de marketing rural educativo.

Mais do que apenas teoricamente, uma metodologia de aplicação prática que resulte em recepção efetiva e aplicação de tecnologias resultando em produção e produtividade. Assim estaremos possibilitando ao dono da terra, (a posse de fato) a adoção da produtividade e o retorno a terra e à sua atividade primeira que é a competência natural do Brasil e de todo brasileiro hoje deslocado às periferias marginalizadas dos centros urbanos, provocando assim o retorno às origens geográficas e de competência natural.

A participação do pequeno e micro produtor, adotando tecnologia e buscando a produtividade pode ser benéfica para nossa economia a partir do momento em que seu excedente produtivo participar do mercado.

Destas considerações formulamos uma proposta para reflexão sobre o disponibilizar a informação da tecnologia produtiva desenvolvida por instituições e empresas de pesquisa e fomento para a agropecuária, baseados num sistema de marketing educativo tecnológico rural.

Assim aqui, é formulada a alternativa para o desenvolvimento de novos paradigmas como o marketing rural educativo com ênfase na Organização Comunitária a fim da manutenção cultural rural local.

Diante destas observações, voltamos ao centro da questão, que é a necessidade de desenvolver o pequeno produtor para que se sustente no local de sua origem e competência, com a produtividade necessária para a busca da independência.

Então como alternativa de melhoramento seria um marketing educativo direcionado e tecnicamente elaborado para o pequeno produtor, desenvolvido com a parceria do empresário de insumos em parceria com o estado e suas instituições de Pesquisa e Desenvolvimento, e ainda com o incentivo fiscal para a transferência de tecnologia, porem não há necessidade disto visto que o empresário de insumos agropecuários só tem a ganhar com investimento no marketing educativo, na forma de cartilhas básicas com informações facilitadas aos produtores e com dias de campo com o aprender a fazer fazendo.

Mas,existe um entrave maior e já comentado que é a falta de escolaridade do pequeno produtor, e isso não se consegue superar nem corrigir a não ser a longuíssimo prazo, mas quem quer isso? Não o poder com certeza, daí, a necessidade do marketing aqui ser direcionado sobre,e junto a técnica do ensinar a fazer fazendo, ação que é desenvolvida por empresas que promovem cursos de formação de mão de obra a contratar, ou na parceria com instituições, ou a própria fornecedora de insumos desenvolver um setor de marketing educativo rural.

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Luiz Gomes do Prado    Itararé - São Paulo

Consultoria/extensão rural

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